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Pesquisadores usam pessoas como dispositivos de rede

Seres humanos podem ser usados como roteadores. É o que diz instituto irlandês

NetworkWorld / EUA

01/11/2010 às 11h40

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Pesquisadores da Irlanda estudam as possibilidades de
transformar pessoas em pontos de acesso a redes sem fio.

A indumentária que faz de humanos algo parecido com roteadores
inclui antenas de design aprimorado, rádios de baixo consumo energético e novos
protocolos de rede. “Com base nessa tecnologia seria possível, por exemplo,
baixar um  grande volume de dados a partir
de telefones celulares. Os dados passariam pelo que pode ser chamado de nodes de
rede humanos, que procuram por gateways ou acessam as redes tradicionais de
celulares, se não encontrarem uma rede mais robusta.

Os estudos de tecnologia “antropo centrados” (que se
concentram no uso de humanos como dispositivos tecnológicos) têm permeado o
centro das atenções no Intitute of Electronics, Communications and Information
Technolgy da Queen University, de Belfast, na Irlanda. Recentemente os
pesquisadores receberam uma injeção de 800mil dólares por parte da Royal
Academy of Engeneering e por parte do Physical Research Council.

O conceito de redes humanas é fruto de trabalho realizado
com sensores médicos sem fio implantados no corpo de pacientes. Esses sensores
realizam a leitura de vários dados, enviam informações para dispositivos de
leitura que passam as informações para sistemas estacionários.

“A ideia básica consiste em proporcionar a comunicação entre
dispositivos móveis, como celulares, sem que esses tenham de enviar sinais para
antenas localizadas a quilômetros de distância. Em vez disso, usamos um esquema
de comunicação cooperativa, em que todos os participantes partilham um pouco de
sua banda de comunicação com outros usuários próximos”, esclarece Simon Cotton,
pesquisador que integra a equipe do instituto.

Semelhante às redes baseadas no padrão IEEE 802.15.4, as
conexões corporais apresentam capacidade de funcionar usando “muito menos
energia elétrica e têm capacidade de transmitir sinais para distâncias de até
100 m”, diz Cotton.

Para o pesquisador, as vantagens não param aí. “As frequências
para alocação de frequências em redes dessa natureza podem ser recicladas por
distâncias muito mais curtas, o que otimiza a ocupação da onda de rádio”,
ressalta o pesquisador.

Uma vez implementadas de maneira eficiente, essas redes
podem tornar as antenas de celular algo obsoleto. Cotton projeta a aplicação
dessas redes para a transmissão de conteúdo de vídeo em alta definição. “O
software instalado nos dispositivos fragmentaria os arquivos em pacotes
menores e poderia possibilitar a transmissão do conteúdo para outros
participantes da rede (pessoas), que agem como replicadores de sinal. Ao chegar
até a pessoa que recebe o conteúdo, os pacotes podem ser reconstituídos na
forma do arquivo original”.

Par dar conta dessa dinâmica, as redes devem dispor de
recursos que possam, à medida que os participantes da rede mudam, lidar com
essa alteração. Aplicar essa tecnologia significa criar redes que saibam lidar
com interrupções das conexões de forma a permanecerem estáveis.

A resposta está no design da antena

Um dos pontos principais está no design da antena. Seguindo
informações obtidas no site do instituto “os requisitos para uma antena
funcionar incluem discrição, baixo consumo de energia elétrica e interferência
mínima por parte de objetos que as pessoas carreguem”.

Nos projetos do instituto, encontram-se antenas que
trabalham em frequências entre 400MHz e 2.4GHz. O sinal pode sofrer interferência
do próprio corpo das pessoas. Por enquanto, se alguém encostar em uma antena FM
ou AM, por exemplo, a transmissão é interrompida.

Com os investimentos recebidos, a Queens University poder a
ampliar os estudos das tecnologias. Desde as frequências de micro-ondas, usadas
comumente por conexões ISM (2.4 GHz) até bandas de comunicação que trabalhem em
frequências milimétricas, “de, digamos, 60GHz”, diz Cotton.

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