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PlayBook com Android: como isso pode “turbinar” o tablet da RIM

Empresa confirmou que seu tablet poderá rodar programas do sistema da Google, mesmo com o sistema BlackBerry Tablet

PC World / EUA

25/03/2011 às 18h28

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A RIM, fabricante do BlackBerry, anunciou uma bomba recentemente, ao confirmar os rumores de que seu tablet PlayBook (o produto chega às lojas dos EUA em 19 de abril, com sistema operacional BlackBerry Tablet OS) também vai rodar aplicativos desenvolvidos originalmente para o sistema Android, da Google. O equipamento tem como meta brigar com o iPad 2, da Apple.

A fabricante ainda não divulgou os detalhes  sobre como funcionará a mecânica por trás desse anúncio. Mas uma coisa é certa: a notícia terá muito mais implicações para a RIM e potenciais compradores nos próximos meses. 

Em primeiro lugar, provavelmente levará alguns bons meses após o lançamento do PlayBook até que os usuários possam ver qualquer app Android em seus tablets. A RIM afirma que o “tocador de aplicativos” Android, que estará disponível na loja BlackBerry App World e é exigido para a alardeada função, tem lançamento “esperado” para o terceiro trimestre deste ano. Mas a fabricante também havia anunciado que o aparelho seria lançado no primeiro trimestre de 2011, o que não aconteceu. Por isso, pode ser que só vejamos o “app player” lá por agosto/setembro.

Além disso, provavelmente os usuários do PlayBook não poderão usar a linha completa de aplicativos disponível em lojas como Android Market e a nova Appstore, da Amazon. Na verdade, a RIM anunciou apenas suporte para aplicativos do Android 2.3, também conhecido como Gingerbread. Por isso, ainda não está claro exatamente quantos aplicativos se encaixam nessa descrição.

Em outras palavras, os usuários do PlayBook não poderão simplesmente rodar qualquer aplicativo Android. Isso porque os desenvolvedores de programas para o sistema da Google terão de “empacotar novamente” seus apps para distribuição pela BlackBerry App World e conseguir a aprovação da RIM. E a fabricante ainda não especificou se os usuários do tablet poderão baixar seus apps em outros locais além da App World, mas afirmou que o processo de “empacotá-los novamente” deve ser relativamente simples.

De qualquer forma, o sucesso ou fracasso do Android no PlayBook vai depender de como o “tocador de app” da RIM – essencialmente um emulador – funcionará. Se der certo, a RIM ganha mais uma arma para tentar seduzir o consumidor a não levar para a casa um iPad.

Mas será que os apps Android vão rodar como devem no tablet sem afetar negativamente seu desempenho geral? Se isso não acontecer, provavelmente não vai demorar muito até que os desenvolvedores decidam não perder mais tempo com isso e pulem fora.

Então, para resumir tudo, o anúncio de “apps Android no PlayBook” realmente parece interessante a partir da perspectiva de um usuário. E a notícia sem dúvida chama muita atenção. Mas teremos de esperar para ver como isso vai funcionar. A habilidade do PlayBook rodar apps Android pode convencer os potenciais compradores a realmente comprarem o tablet ou tornar o aparelho mais valioso para os donos existentes.

Mas uma coisa é certa: o consumidor ficará muito mais inclinado a comprar o PlayBook após vê-lo rodando de forma eficiente os apps Android (juntamente com os apps BlackBerry) do que se o tablet rodasse apenas programas BlackBerry.

O que o Android no PlayBook significa para os desenvolvedores de software
De forma geral, o suporte para apps Android no PlayBook deve ser algo bom para os desenvolvedores – pensando que os novos emuladores funcionem de modo adequado.

E os  desenvolvedores para Android terão um novo público de compradores que estará ansioso para colocar suas mãos nos melhores e mais novos programas para seus tablets.

E a RIM diz: “Os desenvolvedores atualmente criando para as plataformas BlackBerry ou Android poderão portar seus apps de forma rápida e fácil para rodarem no sistema BlackBerry Tablet OS graças a um alto grau de compatibilidade da API (Interface de programação de aplicativos).”

Se isso for verdade, os desenvolvedores Android não devem ter muito trabalho extra para deixar seus apps prontos para o PlayBook, por isso o retorno do investimento pode ser significativo. Mas vale notar que ainda não está claro como os aplicativos “complexos” para Android (que usam vários recursos, como GPS, Wi-Fi, Bluetooth) funcionarão no sistema do PlayBook. Por exemplo, uma funcionalidade avançada do app será compatível com o tablet da RIM? Se não, o valor de uso de alguns programas seria muito diminuído, e pode não valer a pena o tempo investido pelos desenvolvedores para portar apps como esse.

E para os desenvolvedores do BlackBerry Tablet OS, a habilidade do PlayBook rodar apps Android também deve ser algo bom, chamando mais atenção para o produto e quem sabe se traduzindo em mais usuários /potenciais compradores.

Um aspecto possivelmente negativo é que, com o tempo, os desenvolvedores podem ser mais “puxados” para o Android e afastados do sistema do PlayBook.  Eles poderiam simplesmente desenvolver aplicativos para Android, com ferramentas amigáveis ao usuário, e então portá-los, em vez de criar aplicativos completos ou “super apps” no ambiente RIM, feitos especificamente para tirar vantagem da integração de hardware/software do PlayBook.

Os elementos cruciais para o sucesso entre os desenvolvedores, mais uma vez, são um efetivo – ou até impressionante – “emulador Android”, e a criação de versões (e processo de aprovação) que seja “rápida e fácil”, como a RIM promete.

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