Home > Notícias

Pneu eletrônico é vulnerável a ataques, diz pesquisadora

Comunicação sem fio de sistema digital que monitora pressão poderia ser grampeada ou até mesmo inutilizada.

IDG News Service

09/08/2010 às 19h39

Foto:

Pesquisadores da Universidade de Rutgers e da Universidade da Carolina do Sul descobriram que a comunicação wireless existente entre carros novos e seus pneus pode ser interceptada ou mesmo forjada.

Embora o potencial de desvio do sinal seja mínimo, essa vulnerabilidade aponta para uma preocupante falta de rigor com a segurança dos novos veículos, afirmou Wenyuan Xu, professora assistente de ciências da computação da Universidade da Carolina do Sul e co-autora do estudo.

“Se ninguém divulgar, elas (as concessionárias) não se preocuparão com a segurança”, afirma Xu, que, junto aos outros pesquisadores, apresentará suas conclusões no Simpósio Usenix, que acontecerá na próxima semana, em Washington DC (EUA).

O sistema testado monitora a pressão de ar de cada pneu do automóvel. Os Estados Unidos exigem tal dispositivo em novos veículos desde 2008, graças às novas leis resultantes de acordos depois dos problemas com os pneus de marca Firestone, ocorridos no ano 2000. O mesmo fará a União Europeia a partir de 2012.

Precauções
À medida que sistemas computadorizados estão sendo cada vez mais incorporados aos veículos, especialistas questionam se as devidas precauções estão sendo tomadas para evitar falhas de segurança, sabendo que vulnerabilidades são comuns em todos os softwares.

A Toyota, por exemplo, ficou na mira dos legisladores americanos no começo deste ano, que perguntaram se bugs do software poderiam ter causado a aceleração involuntária de sues veículos. Executivos da empresa negaram.

Nesses sistemas, “as pessoas tentam, primeiro, fazê-los funcionar, não se importando com questões como segurança e privacidade durante a primeira execução do projeto”, afirma Xu.

O sistema de monitoramento de pressão dos pneus (TPMS, na sigla em inglês) consiste em um rádio de identificação de frequência (RFID, na sigla em inglês) ligado a cada pneu, que transmite a pressão de ar de cada um quando requisitado por uma unidade de controle eletrônico (ECU, na sigla em inglês).

Sistema vulnerável
Os pesquisadores descobriram que cada sensor tem uma identificação única de 32 bits e que a comunicação entre ela e a unidade de controle não é criptografada, ou seja, poderia ser interceptada por terceiros a uma distância de 40 metros.

“Se o sensor da identificação for capturado e armazenado em bases de dados, terceiros poderão inferir ou mesmo provar que o motorista visitou certos lugares, como clínicas médicas, encontros políticos ou casas noturnas”, afirmam os autores do estudo em comunicado que acompanha a apresentação.

A comunicação também pode ser forjada. O criminoso poderia encher as unidades de controle com mensagens que poderiam acionar repetidas vezes as luzes de avisos, fazendo com que o motorista deixe de confiar no sistema. Outra hipótese é o envio de mensagens sem sentido que confundiriam ou até mesmo destruiriam o dispositivo.

“Nós observamos que era possível convencer o TPMS a exibir leituras que eram claramente inviáveis”, diz o informe. Em um dos casos, conta-se que a unidade de controle foi tão danificada que não foi mais possível fazê-la funcionar, mesmo depois de reiniciá-la, tendo que ser substituída pela montadora.

Receptores
Xu, no entanto, afirmou que, por mais que seja possível localizar alguém a partir da identificação de seu pneu, isso é pouco viável. “Alguém teria que investir muito dinheiro para dispor receptores em diversos locais”. Além disso, as diversas marcas de pneus usam sensores diferentes, exigindo também receptores distintos, sendo que, cada um desses custa em torno de 1.500 dólares.

Ainda assim, os fabricantes dos componentes poderiam seguir alguns passos simples para melhorarem a segurança de seus dispositivos, sugerem os pesquisadores. A comunicação poderia ser criptografada e o ECU poderia filtrar as mensagens que chegam descartando as duvidosas, a fim de impedir que o sistema seja corrompido.

“Acredito que o consumidor esteja disposto a gastar alguns dólares a mais para garantir a segurança de seus veículos”, conclui Xu.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail