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Por que a Apple deveria ‘vazar’ o design do iPhone 11 antes de setembro

Apenas mostre aquilo que já realmente sabemos

Michael Simon, da Macworld (EUA)

23/06/2019 às 11h33

Foto: Conceito

Ainda estamos em junho, mas rumores sobre novos smartphones estão a todo o vapor. A Apple divulgou há alguns dias o iOS 13 e, com ele, muitos dos novos recursos que serão lançados no próximo iPhone. Mais recentemente, o Google fez uma revelação sem precedentes do Pixel 4, meses antes de seu lançamento oficial.

E por quê? Todos sabemos que o Pixel 4 está chegando em outubro, e depois que o criador do YouTube Unbox Therapy colocou as mãos em um modelo de metal de novo telefone e aparentemente anunciou todos os detalhes sobre a nova câmera dupla e design, era apenas uma questão de tempo. Então, em vez de deixar transparecer rumores e especulações por meses, como aconteceu com o Pixel 3, o Google seguiu em frente e assumiu o controle da narrativa.

É uma jogada inteligente. Fabricantes de smartphones lutaram por muito tempo com a realidade de manter um novo aparelho em sigilo até o lançamento. Desde que um engenheiro da Apple deixou acidentalmente seu iPhone 4 em um bar de Redwood City, vazamentos se tornaram um grande negócio, e há muito pouca coisa que a Apple, o Google ou qualquer outra empresa pode fazer para manter sua última criação em sigilo.

E isso inevitavelmente leva ao desapontamento. Seja de pessoas que esperam que os vazamentos sejam falsos ou de pessoas que decidem que o novo design não chega a ser fácil de ser reproduzido meses antes que eles o vejam pessoalmente, o grande evento nunca é tão comemorativo quanto deveria ser. Mesmo algo como o iPhone X levou a mais críticas do que comemorações, já que as pessoas se concentraram no que sabiam e não no que era novo.

E esse é o problema. As partes do telefone que a Apple e o Google podem manter em segredo - os recursos de software, aprimoramentos de chip e melhorias de arquitetura - são ofuscadas pelos aspectos superficiais do hardware. Ao vazar a aparência do telefone (ou metade dele), o Google está mudando o foco para o que seu novo telefone pode fazer.

E a Apple pode querer considerar fazer o mesmo com o iPhone 11. Já sabemos que está chegando em setembro. E nós também sabemos como será. Já houve vazamentos que revelaram um enorme impacto na câmera - que, por sinal, parece muito com o Pixel 4 - e espera-se que todos os três modelos sejam praticamente idênticos na frente. Então, por que não confirmar o que já sabemos?

A confirmação

Não é nenhum segredo que a Apple já está olhando para uma vida pós-iPhone. O aumento nos serviços, bem como o foco nos wearables, diversificou o portfólio da Apple e suavizou o impacto das vendas, mas o iPhone não vai a lugar nenhum por enquanto. Provavelmente pelos próximos dez anos, pelo menos. Logo, por que seguir o mesmo roteiro?

Se a Apple fosse "vazar" uma renderização oficial do iPhone 11 durante o verão, isso faria manchetes instantâneas e causaria um frenesi na mídia, interrompendno uma onda de especulação. E eu não acho que isso prejudicaria as vendas, já que todos sabemos que está chegando. Francamente, seria semelhante ao lançamento de uma nova cor do iPhone XS, injetando um pouco de emoção em um produto um pouco obsoleto e desbotado. Pode até estimular as vendas quando as pessoas perceberem que preferem ter o modelo atual.

Mas talvez o mais importante seja tirar um pouco da pressão da Apple para explodir nossas mentes em setembro. Ao vazar o próprio telefone, o Google mudou o jogo não apenas para o Pixel, mas para cada aparelho premium lançado em 2019 e além. O ciclo anual de atualização e boatos está ultrapassado, e chegou ao ponto em que as empresas estão fazendo piadas no palco sobre vazamentos. O elemento surpresa se foi e o Google encontrou uma maneira de recuperá-lo. Na verdade, eu não ficaria surpreso se a parte frontal do aparelho também for divulgada antes do lançamento no segundo semestre.

Agora, quando o Pixel 4 for lançado em outubro, ficaremos esperando para ver quais recursos ele tem, e não como ele será. As especificações da câmera terão mais importância do que o design da câmera, e as reações automáticas serão sobre o que ela pode ou não fazer, e não o quanto é feio o impacto da câmera.

A Apple poderia poupar muita dor se fizesse o mesmo que o Google. É verdade que o design da Apple é de maior importância do que o do Google, especialmente quando se trata de smartphones, mas um exame antecipado do iPhone 11 não diminui sua estética. Isso apenas daria às pessoas a chance de aceitá-lo. As pessoas já estão se preparando para a decepção, e uma vez que a Apple mostrar o conjunto de câmeras quadradas, é nisso que todas as pessoas vão se concentrar, não importa quantos adjetivos Jony Ive atribuir a ela.

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