Home > Notícias

Por que a Apple é mais uma empresa de software do que você pensa

Ponto cego na maioria das análises sempre foi a noção de que a Apple é uma empresa de hardware. Refletimos aqui porque isso não é bem verdade

Jonny Evans, Computerworld EUA

28/11/2018 às 9h00

Foto: Shutterstock

Durante o seu último balanço financeiro, a Apple divulgou que não irá mais abrir os dados de vendas do iPhone. Uma decisão que decepcionou o mercado. Soma-se a isso, rumores de fornecedores da cadeia de suprimentos da Apple reforçam que as vendas do carro-chefe da companhia não estão batendo suas metas. Essas notícias parecem jogar sombra ao mercado da Apple, mas aqueles que acompanham a fabricante precisam refletir a história um pouco mais a fundo.

Mas vamos por partes. O número de vendas do iPhone (46,89 milhões contra 47,5 milhões previstos) desapontou analistas, apesar de terem ficado satisfeitos com as receitas da empresa, de forma geral. Na visão do analista da Goldman Sachs, Rod Hall, houve um "mal cálculo" para o que se esperava render como novo iPhone XR. Ele cita a fraqueza da demanda na China e um dólar americano mais forte como fatores que contribuíram para a percepção de vendas fracas.

Mas isso é um problema da Apple ou um mal-estar da indústria, você pode se perguntar. A instabilidade global em alguns dos maiores mercados do mundo está mudando os padrões de compra do consumidor. Preços cada vez mais altos dos smartphones e um mercado mais saturado também podem indicar que muitos planejam manter seus dispositivos por mais tempo.

A Strategy Analytics e os dados do IDC caracterizaram as remessas globais de smartphones caindo por quatro trimestres consecutivos. Dentro disso, a Samsung diminuiu, enquanto os fabricantes chineses Xiaomi, Huawei e Oppo aumentaram sua participação de mercado. A Apple ficou relativamente estável, o que sugere que sua base de clientes altamente satisfeita será difícil de mudar.

O problema é que, embora os resultados divulgados mais recentemente pela Xiaomi mostrem boa saúde, os analistas continuam preocupados que, para que a empresa chinesa mantenha o ritmo, ela deve introduzir dispositivos de alta qualidade e mirar em novos mercados e, quem sabe, poder converter usuários Apple.

EUA x China

A atual guerra comercial baseada nas tarifas do governo dos EUA contra a China e sua campanha recentemente lançada para persuadir seus aliados a evitar o uso de dispositivos da Huawei pode não parecer um problema para a Apple, mas é.

Com a grande maioria dos smartphones (e outros dispositivos) em todo o mundo são fabricados em ou por empresas sediadas na China, é altamente provável que o aumento da tensão crie grandes problemas para toda a indústria de tecnologia.

Essa muito criticada e repudiada história da Bloomberg sobre os servidores da Apple teoricamente hackeados pela China deveria ser vista através dessa lente.

É possível argumentar que a recente liquidação das ações de tecnologia é mais um reflexo dessas tensões mais amplas. Pode não ser apenas atribuível ao sentimento do investidor em resposta à estratégia bem-sucedida da Apple de aumentar tanto o custo quanto a qualidade de seus dispositivos e, ao mesmo tempo, gerar 17% de suas receitas através de seu segmento de serviços em rápida expansão.

A decisão da empresa de se concentrar em Serviços também pode ser uma resposta perspicaz no caso de as vendas ou suprimentos de hardware serem afetados por qualquer aumento nas tensões internacionais.

A Apple é uma empresa de software

O ponto cego na maioria das análises da Apple sempre foi a noção de que é uma empresa de hardware. Mas ela é, na verdade, uma empresa de software que produz o hardware no qual seu software é executado.

Aplicativos, serviços, ferramentas de desenvolvedor e sistemas operacionais são fundamentais para seu sucesso. A mudança para adotar o Unix, o NeXT e a introdução do OS X foram blocos de construção fundamentais sobre os quais a Apple constrói o seu futuro.

Mais recentemente, também vimos o movimento da Apple para cada vez mais assumir o controle de uma grande parte dos componentes mais essenciais usados em seus dispositivos existentes. E em cada caso, esse controle significa ter a oportunidade de criar novas famílias de produtos exclusivos com base em seu próprio software e nesses componentes.

Afinal, quais dispositivos você pode imaginar que precisam de chips gráficos, de aplicativos, de segurança ou de aprendizado de máquina leves realmente potentes?

 

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail