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Por que a Google finalmente lançou apps do Chrome e Drive para iOS

Após longa espera, gigante liberou versões do seu navegador e serviço na nuvem para iPhone e iPad. Mesmo limitada, ação serve para marcar presença em sistema rival.

Macworld / EUA

29/06/2012 às 17h45

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A Apple e a Google podem estar brigando feio no mercado de aparelhos móveis, mas isso não impediu a gigante de buscas de perceber que podia se beneficiar a partir da plataforma rival. Na última quinta-feira, 28/6, a companhia de Moutain View lançou o seu navegador Chrome para iPhone e iPad. A empresa também liberou uma versão gratuita para iOS do seu serviço de armazenamento na nuvem Drive. As novidades foram reveladas durante o evento Google I/O, realizado na semana passada em San Francisco, nos EUA.

O Chrome no iOS terá muitos dos mesmos recursos que sua versão para desktops e notebooks, incluindo um modo de navegação privada e layout com abas, e também te permitirá sincronizar informações entre o seu browser no desktop e outros aparelhos, como abas abertas. No início de junho, durante a WWDC, a Apple anunciou um recurso parecido, chamado iCloud Tabs, que vai chegar com o iOS 6 e o Mountain Lion nos próximos meses.

No entanto, não se deixe enganar: o Chrome no iOS é um "bicho" diferente do Chrome na sua máquina Mac ou Windows.

Rodar um navegador web no iOS é mais ou menos como escolher a cor do seu carro Ford T: você pode ter o que quiser, desde que seja baseado no WebKit. Apesar de o Chrome no desktop já usar a engine Webkit, o Chrome no iOS não poderá tirar vantagem dá própria engine V8 JavaScript da Google – por causa das regras da Apple que proíbem a inclusão de engines para executar código – ou o mecanismo Nitro JavaScript que o Mobile Safari utiliza – que não está disponível para terceiros. Isso significa que a gigante de buscas não pode esperar oferecer o mesmo tipo de desempenho do Safari.

Da mesma forma, como a Apple atualmente não permite aos usuários iOS escolherem um browser padrão, o Chrome também não pode competir em conveniência. Isso significa que a principal vantagem de usar o Chrome é apenas para quem quer tirar vantagem de um recurso em especial do navegador da Google, como a sincronização.

Então por que sequer vale a pena a Google gastar tempo para jogar na caixa da Apple? É tudo sobre analisar de perto. Lembre-se que a Google é, principalmente, uma companhia de publicidade cujo objetivo é coletar dados sobre seus usuários para que possa direcionar anúncios. Apesar de a companhia ganhar dinheiro com as buscas que os usuários iOS realizam no Safari, consegue muito mais das pesquisas feitas pelo Chrome – porque não precisa “rebater” nenhum dinheiro para a Apple.

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Dadas as centenas de milhões de aparelhos iOS que a Apple já vendeu, esse é um segmento de mercado em que a Google se sabota ao não fornecer sua própria solução para competir. (E a Google sabe disso: estimativas apontam que a empresa ganha cinco vezes mais com anúncios web mostrados para usuários iOS contra donos de Android.) Apesar de ter lançado aplicativos como Google Search, isso é dificilmente um substituto para uma experiência completa de navegação na web – por que ir para um app especificamente para buscas, quando você pode facilmente usar o Safari?

Sem mencionar que a Google tem um interesse velado em manter os usuários em seu ecossistema: se você já usa o Chrome ou Gmail no desktop, agora não precisa mudar quando estiver no iPhone ou iPad. Isso significa menos investimentos no ecossistema da Apple, o que, por sua vez, quer dizer que haverá menos problemas se um usuário futuramente quiser mudar para o Android.

O mesmo vale para o Google Drive. Não é o caso de que os anúncios estão sendo servidos dentro dos apps iOS da Google, mas muito mais de que o app te encoraja a continuar usando esses serviços em vezes de mudar para aquela opção rival que ofereça acesso no iOS – que, no caso do Google Drive seria o Dropbox ou o SkyDrive, da Microsoft.

Com o uso de aparelhos móveis apenas crescendo, é importante que a Google seja um jogador nesse espaço. Apesar de o domínio da web na última década ter assegurado à empresa um lugar interessante em todos os navegadores, a Internet está se tornando cada vez mais sobre aplicativos, e a Google não pode se permitir ficar para trás ou pode acabar sendo relegada para o mesmo buraco para o qual baniu serviços como CompuServe e Prodigy.

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