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Por que o iPad é um ótimo negócio para as empresas

O CIO da Genentech, maior adepta da iPads no mundo, tem muito a dizer sobre substituição de laptops, loja de aplicativo corporativos, aplicativos para iOS, feedback do usuário e HTML 5.

Tom Kaneshige, CIO/EUA

15/08/2012 às 7h53

Foto:

Paul Lanzi senta-se calmamente no canto de
uma grande mesa em um restaurante chique em San Francisco, com outros supostos
especialistas em tablet. Ouve um monte de colegas -
blogueiros, comerciantes e filósofos - tagarelarem sobre iPads na empresa.

A discussão chega a um ponto prático. As
empresas deveriam desembolsar dinheiro em iPads como um suplemento ao laptop,
não um substituto do laptop? Alguns balançam a cabeça, dizendo que seria muito
caro equipar um empregado com ambos, enquanto um dos blogueiros lança previsões
ousadas sobre o futuro dos tablets.

Então Lanzi expõe  fatos do mundo real:
"Quatrocentos dólares para tornar um trabalhador do conhecimento 10 por
cento mais produtivo é um dinheiro muito bem gasto."

O discreto Lanzi não é apenas mais um olheiro
do setor de tecnologia; ele é gerente da equipe de mobilidade empresarial na
gigante em biotecnologia Genentech,
A Genentech é uma grande empresa pioneira na adoção massiva da iPads. A
empresa começou a comprar iPads para os empregados no outono de 2010 e
realmente acelerou o ritmo nos últimos 12 meses.

Hoje, a Genentech tem 14274 iPads (e
aproximadamente a mesma quantidade de iPhones). Quase todos os trabalhadores da força de trabalho global da empresa tem um iPad, o que
significa que os iPads estão perto de um ponto de saturação.

Um pioneiro confiável na área de dispositivos
móveis, Lanzi ajudou a pavimentar a estrada da Genentech para a adoção
corporativa do iPad.

Por exemplo. Construiu uma loja de aplicativos corporativos
em 2008, pois não existia oferta nesse campo na época. Ao longo do caminho,
teve alguns poucos problemas com aplicativos que não repercutiram entre os
usuários. Recentemente, ele começou a mudar de aplicativos iOS nativos para aplicações
web em HTML 5.

Lanzi tem informações valiosas para
compartilhar sobre o que ele aprendeu que poderia ajudar os CIOs a adoptar e
implementar com sucesso o uso de iPads na empresa, se as pessoas apenas pararem
e escutarem.

Ascensão da Loja
de Aplicativos Corporativos

A adoção corporativa do iPad foi a um ritmo
tórrido. A Apple diz que 94 por cento das empresas no Fortune 500 implantaram
ou estão testando o iPad. A terceira geração do iPad lançado no início deste
ano tornou-se um sucesso empresarial. O Consumer
Intelligence Research Partners
entrevistou mais de 1000 consumidores e
descobriu que um em cada cinco planeja usar o novo iPad para negócios, em
comparação com os 13 por cento em todos os modelos do iPad.

Primeiramente, a aventura da Genetech com o iPad
seguiu uma trilha bem conhecida. Os tecnólogos e os altos executivos foram os
primeiros adeptos, seguido por gestores, trabalhadores de escritório e
vendedores. Então, o número de iPads na Genentech subitamente cresceu -10 mil 
nos últimos 12 meses.

Nem todos os iPads complementam os laptops já
existentes. Cerca de 3000 iPads substituem os laptops para alguns empregados,
tais como a força de vendas, grupo de diagnósticos e técnicos da fábrica que
não precisam de um laptop regularmente.

Opção pela Loja de Aplicativos Corporativos

Como o número de iPads cresceu, o mesmo
ocorreu com os aplicativos na loja corporativa personalizada da Genentech.
Hoje, a loja tem o grande número de 110 aplicativos, enquanto a maioria das
lojas privadas de aplicativos corporativos tem apenas um punhado. Todos os
dias, Lanzi implanta novos aplicativos e aposenta antigos. Muitos são
aplicativos baseados em tempo ou orientados a eventos e, naturalmente, alcançam
a utilidade a que são destinados.

A maioria dos CIOs passando pelas
dificuldades iniciais da implantação do iPad não esperam ter muito mais do que
algumas dúzias de aplicativos corporativos. Mas Lanzi os aconselha a se
prepararem para um efeito de multiplicação. "Se você estiver configurando
uma loja de aplicativos corporativos hoje, você tem que esperar que ela cresça
a este nível ou superior", avisa.

A Genentech não poderia comprar uma loja de
aplicativos corporativos pronta, porque não existia nenhuma na época e assim
Lanzi teve que construir a sua própria. Ainda hoje, ele ainda optaria por
desenvolver sua própria loja de aplicativos corporativos por causa das
exigências específicas da Genentech relacionadas às expectativas globais dos usuários.

"Hoje estamos usando tecnologia de nuvem
para os nossos arquivos de instalação de aplicativos do iPhone", explica
Lanzi. "Isso é algo que tirando o comercial, opções prontas fazem de uma
forma muito elegante."

No entanto, a Genentech pode ser mais exceção
do que regra. Hoje em dia as opções prontas são bastante convincentes, diz
Lanzi, e seria suficiente para a maioria das empresas.

Loja de
Aplicativos da Apple define o padrão

Um dos grandes obstáculos na adoção corporativa
do iPad vem da própria Apple. A loja de aplicativos para consumidores da companhia
criou uma grande barreira para a usabilidade dos aplicativos. Simplificando, os
funcionários que usam o iPad esperam que os aplicativos corporativos sejam
intuitivos. Muito parecido com as aplicações para o consumidor, aplicações
corporativas também competem por tempo no iPad e têm de oferecer funcionalidades
que as pessoas realmente desejam.

"É um desafio muito valioso para as
empresas oferecer um aplicativo móvel que tem a mesma usabilidade de um
aplicativo para o consumidor", diz Lanzi. "Acabamos gastando tanto
tempo com a experiência para o usuário, quanto na codificação e teste do
aplicativo."

As empresas que aderem ao iPad, sem dúvida,
terão alguns aplicativos que não darão certo. A Genentech teve um aplicativo para
iOS chamado Coming Together que não chegou a fazer jus ao seu nome. Era um
agregador de RSS interno que nunca conseguiu a adoção dos usuários e assim Lanzi
aposentou o aplicativo.

A Genentech teve uma meia dúzia de aplicações
que falharam; a regra de ouro de Lanzi é aposentar aplicativos que tiverem menos
de algumas dúzias de usuários. Esse não é um registro ruim, considerando todos os
aplicativos corporativos, expõe Lanzi.

Um de seus truques é recolher opiniões dos usuários
assim como a Loja de aplicativos da Apple e usar esse conhecimento para
melhorar o desenvolvimento dos aplicativos. Comentários são de extrema
importância para o sucesso da Loja. Aficionados pela Apple sabem que eles podem
de forma prática classificar um aplicativo e escrever um comentário. Da mesma
forma, funcionários também querem opinar sobre aplicativos corporativos.

"Há uma expectativa do usuário de que a
experiência com a App Store se repita com os aplicativos corporativos ",
diz Lanzi.

A loja de aplicativos da Genetech tem um
mecanismo de feedback com o usuário. O feedback é público, o que significa que
os usuários podem ver os comentários de todos e suas classificações. Esse
feedback nos aplicativos corporativos tem desempenhado um papel crítico em
manter o número de falhas baixo, diz Lanzi.

Alguns adeptos do iPad usam uma rede social
interna (pense: Facebook para empresas) para dar aos funcionários um fórum para
discutir as aplicações corporativas para dispositivos móveis. Mas Lanzi
descobriu que os usuários do iPad não querem gastar muito tempo com análises de
aplicativos. Eles preferem classificar um aplicativo, ler alguns comentários,
postar um comentário e, em seguida, sair da conversa, que, novamente, é o jeito
que a App Store da Apple trabalha.

Fazer direito

Recolher o feedback do usuário requer algum
planejamento. Lanzi se certifica que os funcionários recebam os iPads com os aplicativos
já instalados e prontos para usar. As pessoas gostam de explorar os aplicativos
em seu novo iPad e fazer análise deles. É um tipo de comportamento dos
funcionários nunca visto na computação corporativa.

As empresas fariam bem em aproveitar este
entusiasmo inicial. "Nós descobrimos que alguns dos comentários mais
importantes sobre nossos aplicativos vem de pessoas que estiveram com o iPad
por menos de 48 horas", diz Lanzi.

A validação vem de outras formas também.

A Genentech tem um aplicativo chamado Peeps,
um diretório de funcionários. Seria um eufemismo dizer que o aplicativo está
sendo usado. Mais de 400 mil visualizações de perfil ocorrem por mês no Peeps.
Ao considerar que o aplicativo está disponível para apenas 44 mil dispositivos
móveis (incluindo 30 mil dispositivos iOS), é uma quantidade incrível de envolvidos.

"Não é pra dizer que as pessoas não sejam
capazes de contatar um colega se não tiver [o aplicativo móvel]", diz Lanzi.
"Mas isso significa que eles estão achando muito útil e vendo como uma
maneira de acelerar a cooperação."

As pesquisas com os funcionários da Genentech
mostram que a satisfação do usuário com os aplicativos móveis paira acima dos
90%.

O HTML 5 substituirá os aplicativos nativos para iOS

Ultimamente, Lanzi tem feito uma grande
mudança dos aplicativos nativos para iOS para aplicações web em HTML 5. É uma
grande mudança dado todo o trabalho de desenvolvimento feito para iOS, mas os
tempos estão mudando.

Para os iniciantes, uma tendência chamada bring-your-own-device,
ou BYOD, está fazendo as suas rondas em empresas de todo o país. Políticas BYOD
permitem que os funcionários usem dispositivos pessoais para o trabalho. Um estudo
recente com mais de 335 profissionais de TI, patrocinado pela empresa
fornecedora de software MokaFive, descobriu que 88 por cento das empresas
tinham alguma forma de BYOD, seja aprovado ou não.

A Genentech não tem uma política BYOD - ainda.
A empresa está considerarando ativamente o uso de BYOD no futuro. Se isso
acontecer, então Lanzi terá que lidar com uma enxurrada de dispositivos além dos
iPads e iPhones. Isto será uma realidade especialmente para os tablets com as
novidades, como o recém-lançado Google Nexus 7, o Microsoft Surface que será
lançado em breve, e o previsto iPad Mini. Aplicativos Web em HTML 5, é claro,
podem ser acessados de qualquer dispositivo com um navegador web.

Outro ponto positivo é que o HTML 5
amadureceu muito bem, tendo surgido dos seus dias de "escreva uma vez, depure
em todos os lugares". "Da perspectiva dos recursos, os aplicativos
Web em HTML 5 estão ficando perto de se igualarem com aplicativos nativos para iOS",
diz Lanzi. "Faz muito sentido então seguir por esse caminho."

Claramente, o HTML 5 está atraindo os CIOs em
sua direção. Do outro lado, as coisas não vão bem para os aplicativos nativos.
Aqui está outro comentário de Lanzi: "Vários aplicativos de nossa empresa
estão quebrando no iOS 6."

Apesar de todos os sinais que apontam para o HTML
5, Lanzi não planeja mudar completamente para aplicações web. Se um empregado usando
iPad está armazenando grandes quantidades de dados localmente e precisa de
recursos off-line mais completos, diz ele, aplicativos Web, obviamente, não são
a escolha certa. Você também vai abandonar algumas capacidades de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM) quando mudar de aplicativos nativos para
aplicações web.

"É uma faca de dois gumes", diz Lanzi.
"Por um lado, você não precisa de tanto controle MDM porque um aplicativo
Web pode ser controlado no servidor. Por outro lado, não temos o tipo de capacidade
de limpeza remota para aplicativos Web que temos para aplicativos
nativos."

E assim o panorama de iPads na empresa vai mudando.
Em apenas dois anos, Lanzi teve de lidar com uma infinidade de questões do
mundo real: lojas de aplicativos corporativos, a proliferação global do iPad,
desenvolvimento de aplicativos para iOS, feedback do usuário, BYOD e HTML 5.

Enquanto a maioria das pessoas falam sobre iPads na empresa, Lanzi vive
isso.

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