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Por que troquei meu iPhone por um celular com Android

Política de restrições na App Store, falta de suporte ao Flash e problemas com a conexão da AT&T estão entre os motivos que levaram jornalista da PC World a trocar de aparelho

Jason Cross - PC World / EUA

25/05/2010 às 12h31

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Na última semana, me juntei a outros milhões de nerds ao me livrar* do meu iPhone 3G em favor de um telefone com Android, sistema operacional do Google. E por que eu faria isso? Os iPhones não são, basicamente, os melhores smartphones do mercado? Cada vez mais, não estou mais tão certo quanto a isso. Além disso, não é simplesmente sobre a qualidade do telefone.

As razões pelas quais fiz a mudança são muito parecidas com as apontadas por Daniel Lyons, em seu artigo na Newsweek (revista americana). Aqui vão os motivos principais pelos quais eu (e talvez outros usuários do iPhone) abandonei o barco.

Vale lembrar que no início deste mês foi publicada uma polêmica pesquisa, da NPD Group, que apontava que pela primeira vez na história o número de aparelhos com Android superou o iPhone em vendas, no primeiro trimestre de 2010, nos Estados Unidos. Além disso, a HTC, fabricante de telefones com o sistema da Google, e a Adobe, do Flash, possuem brigas em andamento com a Apple.

Em primeiro lugar está a AT&T, operadora norte-americana de telefonia móvel que possui exclusividade com o telefone da Apple. Eu vivo e trabalho em São Francisco, nos Estados Unidos, que é basicamente o nível mais baixo para o serviço horrível da operadora. Estava cansado de ligações perdidas, mas não falo tanto assim ao telefone.

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iPhone: usuários norte-americanos enfrentam problemas com a rede da AT&T

 

O maior problema mesmo era ter “quatro barras” de serviço 3G, tentar acessar um site, e ver uma mensagem de que não havia conexão de rede. Já perdi a conta de quantas vezes recarreguei uma página na Internet tentando fazer com que meu telefone, aparentemente bem conectado, ficasse online.

Meu contrato com a AT&T havia terminado, então essa foi uma boa oportunidade de pular fora para a Verizon, operadora norte-americana de telefonia móvel. Eu realmente não me importo se o 3G da Verizon não é tão rápido quanto o serviço da AT&T. Em qualquer oportunidade, é melhor ter algo mais lento e confiável do que algo mais rápido e irregular (aliás, essa é uma boa razão para as fabricantes de telefone acabarem com os contratos de exclusividade. Quando a AT&T perde um cliente, a Apple também perde. E vice-versa).

Depois nós temos as políticas da loja de aplicativos,  a App store, da Apple. A empresa está mudando o termos em sua atualização OS 4 (sistema operacional) para o iPhone (que será lançado a partir de junho) para basicamente proibir qualquer camada de softwares intermediários na criação de aplicativos para o aparelho.  Isso significa que os desenvolvedores não poderão utilizar o popular compilador Flash para iPhone, da Adobe, nem produtos como o MonoTouch.

O mecanismo Unity 3D pode (ou não) ser afetado. A Apple está certa em fazer isso? Talvez, mas eu realmente não ligo. A razão oficial da companhia é que camadas de software intermediário resultam em produtos abaixo da média. O lamentável estado do iTunes no Windows, que usa CoreFoundation e CoreGraphics, talvez comprove esse argumento.

Mas não deveriam ser os desenvolvedores e os consumidores os mais indicados para decidir se um programa é bom ou não? E se a Apple está tão preocupada com a qualidade dos softwares, como pode haver tantos aplicativos na App Store que são quase inutilizáveis devido à quantidade de bugs?  As preocupações da Apple com qualidade não passam de papo furado.

Além disso, a Apple se recusa a suportar Flash em seu browser. Muito bem. Talvez o futuro de vídeos na web e entretenimento interativo seja o HTML 5, mas o “agora” é o Flash. Os sites de vídeos que contam com conteúdo protegido ainda não podem utilizar o HTML 5, que ainda está longe de possuir as ferramentas ou a penetração necessária para fazer o equivalente aos incrivelmente populares web games do Flash. O Google foi em frente e demonstrou como o Flash pode rodar bem em um telefone – a Apple alega que te deu a “web toda” no iPhone e no iPad, mas é o Google que está realmente entregando-a.

O que me leva ao Android 2.2, nova versão do sistema operacional do Google. Estou muito impressionado com o que fizeram aqui, porque ele é muito rápido, possui alguns ótimos recursos de desenvolvedor, boa integração com o Flash 10.1, tethering  e mais. É claro que o iPhone OS 4 também possui muitas grandes mudanças, e parece que videochat será uma delas. Mas eu teria de comprar um novo iPhone, e isso significa ficar preso à AT&T. O único problema é que eu acredito que o videochat estará disponível apenas de iPhone para iPhone, ou talvez para Macs com o iChat.

No final das contas, as minhas razões para mudar podem ser resumidas desta maneira: eu costumava sentir que, para ter a melhor experiência de softwares e hardwares para smartphone, eu tinha de viver dentro do jardim fechado da Apple.

Agora, as paredes estão ficando maiores, e a vida fora do jardim parece cada vez melhor. Eu posso comprar um ótimo smartphone sem que uma companhia fique me dizendo o que eu posso ou não fazer. Eu posso comprar um dos melhores smartphones do mundo sem ter que ficar com a rede irregular da AT&T. Eu não preciso continuar dando suporte a uma companhia que impõe suas políticas restritivas da App Store de uma maneira ao mesmo tempo arbitrária e draconiana.

Não tenho certeza se concordo com as pessoas que dizem que o Google passou a Apple em desenvolvimento de telefones, mas eu certamente penso que, em comparação, ele está fazendo um bom trabalho. Por isso, na última semana eu fui a uma loja e comprei um HTC Droid Incredible, e até agora estou mais do que feliz com ele. Apenas gostaria que mais alguns desenvolvedores de games também migrassem para o Android. Mas eu ainda tenho meu iPad para isso (se bem que eu compraria o tablet de outra empresa que fosse quase tão bom quanto o iPad).

* Na verdade, eu não “me livrei” do iPhone. Eu ainda o tenho, apenas não é um telefone para mim. Por enquanto, vou usá-lo com um videogame portátil.

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