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Portabilidade: Mercado paulistano deve acelerar adoção, diz IDC

Portabilidade deve crescer pois base de assinantes em São Paulo é grande. Mas não deve haver disparada nas trocas de operadoras.

Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD

27/02/2009 às 19h08

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A chegada da portabilidade numérica ao mercado paulistano a partir desta segunda-feira (02/03) deverá impulsionar o volume de solicitações de troca de operadora, segundo expectativas da consultoria IDC.

"Agora, devemos ver um grande crescimento da portabilidade, porque São Paulo tem um mercado consumidor grande, além de contar com várias operadoras com ofertas fixas e móveis. Mas também não não será a maioria dos usuários a trocar de operadora", afirma Vinícius Caetano, analista sênior de mercado da IDC.

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Desde que a portabilidade entrou em operação no Brasil, em 1º de setembro de 2008, o número de solicitações ultrapassou os 491.823, das quais 326.874 foram, efetivamente, concluídas, segundo dados da ABR Telecom, entidade que administra a portabilidade numérica no País.

O total é exíguo perto dos quase 152 milhões de telefones celulares em uso no Brasil e dos 41,1 milhões de telefones fixos no mercado brasileiro, de acordo com números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de janeiro. Um balanço da adesão à portabilidade nos quatro primeiros meses do serviço, 0,3% dos usuários atendidos solicitaram o benefício.

A média internacional de números portados é de 5% do total da base de assinantes, segundo levantamentos da IDC. Mas esse percentual não é alcançado imediatamente após a implantação do benefício. Leva, em média, entre três e cinco anos para que a curva de crescimento atinja este índice. E essa também é a expectativa de Caetano para o mercado paulistano.

Erik Fernandes, diretor de marketing da Claro, que ocupa o segundo lugar em market share no País - atrás da Vivo -, diz que a questão da adesão à portabilidade está ligada não só à cobertura do serviço, mas também à educação e ao conhecimento da população em relação a essa possibilidade.

"Todo tipo de mudança entra nessa curva de educação. Sabemos que o cliente começa num nível de desconfiança natural e à medida que a confiança vai aumentando, a curva cresce. O mercado de São Paulo, ao trazer 15% da base nacional, potencializa o crescimento, é claro", comenta.

Mais disputa
A forte concentração de empresas na capital paulista também pode contribuir para acelerar a adoção à portabilidade, opina Fernandes.

"O corporativo é um dos segmentos que mais se utilizam da portabilidade. Dado que São Paulo tem concentração corporativa muito forte, efeito pode ser duplo: o corporativo como precussor e do outro lado a densidade de empresas no estado", analisa.

Tradicionalmente, o mercado corporativo adere a novas tecnologias antes dos consumidores finais. A aposta do diretor da Claro é que a curva de adesão do segmento empresarial tenha um avanço mais rápido do que a do setor de consumo.

"As operadoras vão oferecer mais vantagens para os clientes ficarem, porque antigamente o usuário corporativo ficava muito preso ao número, porque dava trabalho e era complicado mudar. Agora, o único inconveniente é o tempo de migração, que pode levar até quatro dias", completa Caetano.

A chegada da portabilidade a São Paulo deve acirrar a competição entre as operadoras por clientes de alto valor. "A portabilidade será uma oportunidade de ter o cliente de mais valor, tanto no serviço móvel quanto no fixo", confirma Luca Luciani, presidente da TIM, para quem a portabilidade não vai mudar radicalmente o perfil de competitividade do mercado nacional.

A Claro informa que não tem ofertas específicas criadas em função da portabilidade. Mas Vivo, TIM e Oi desenvolveram ações para conquistar os clientes de suas concorrentes, com promoções que envolvem minutos grátis, bônus para ser usado na troca de aparelhos ou na conta mensal, entre outras ações.

"Lançamos planos de preços com o programa Venha para a Vivo e, a partir de segunda, para clientes que portarem para a Vivo, ofereceremos bônus de 1.000 minutos por mês por três meses para clientes pós e pré-pagos", conta Carlos Cipriano, diretor da operadora no Estado de São Paulo.

O analista da IDC ressalta que as promoções e ofertas serão diferenciadas em função do ARPU (Average per User) do cliente e que neste novo cenário que se apresenta o tamanho da operadora pouco vai fazer diferença para que ela leve vantagem na disputa por usuários valiosos.

"A vantagem está na mão de quem pode atender o cliente melhor e isso nem sempre quer dizer melhor preço, para algumas pessoas significa serviço de melhor qualidade", finaliza.

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