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Prepare-se para ser punido pelo uso descontrolado de banda larga

Devido à intensificação do tráfego, provedores estão começando fazer mudanças na forma como oferecem serviços de internet.

Por PC World/EUA

20/02/2008 às 19h32

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pc_bomba_150Clientes que usam muitos serviços de banda larga, como download de filmes, videogames, backup online e streaming media, estão congestionando a rede; e isso pode lhes render punições como corte na velocidade de acesso ou multas.

Defensores do consumidor afirmam que é apenas uma questão de tempo para os usuários de internet com acesso de alta velocidade serem classificados como “glutões”.

O porta voz da SavetheInternet.com, Craig Aaron, alerta para o fato de usuários da rede serem cobrados por usarem “demasiadamente” sua banda e por isso perderem o acesso a alguns aplicativos de software “gulosos”.

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A demanda de banda larga nos Estados Unidos tem dobrado anualmente, de acordo com o co-fundador da Sandvine, uma empresa de gerenciamento de rede, Tom Donnelly. Se essa tendência permanecer, pressionará os Provedores de Serviço de Internet (ISPs) e aplicativos como os de compartilhamento de arquivos para tolherem o acesso de usuários de banda extremamente larga.

Grandes ISPs não aceitam a crítica de que suas redes não suportariam o aumento da demanda. “Fomos eficientes em oferecer serviços de banda larga para nossos clientes nos últimos dez anos e isso não mudará tão cedo”, disse Mitch Bowling, vice-presidente e gerente geral da Comcast.

Time Warner, Charter Communications, Cox Communications e outros provedores corroboram a afirmação: “Nossa rede é extremamente robusta e não temos problemas (com banda)”, disse Jim Mailla, porta voz da Optimum Online.
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pc_bomba_150Impondo limites aos glutões
Apesar do cenário cor-de-rosa pintado pelos ISPs, alguns provedores de serviços já impõem limites aos seus clientes. Outros estão oferecendo planos pagos que aumentam o custo do uso excessivo de banda larga.

Especialistas dizem que essas atitudes indicam uma pressão causada pelo volume da demanda e destaca que os principais ISPs estão rapidamente tomando providências para evitar congestionamentos em suas redes.

Por exemplo, a Comcast tem tentado modificar a forma como o software de compartilhamento de arquivos funciona na sua rede, diminuindo a velocidade da transferência de informações usada por aplicativos como o BitTorrent. A Comcast também tem feito alertas para clientes que usam muita banda, explicando que alguns usuários têm consumido a mesma banda que empresas inteiras.

O porta-voz da Comcast, Charlie Douglas, explicou que um único cliente que usa a banda sem critérios pode facilmente interferir na velocidade da conexão de todos os seus vizinhos. A empresa enfrentou recentemente um descontentamento de seus clientes por ela ter manipulado o comportamento de programas de compartilhamento de arquivos e por ter imposto limites à conexão de usuários sem dar explicações.

Experimentos da Time Warner Cable
A Time Warner Cable está experimentando controlar o uso de banda definindo o custo do serviço de acordo com quanto de banda o cliente consome. A empresa já oferece no Texas, nos Estados Unidos, uma versão teste de um sistema de cobrança baseado em consumo. “Temos banda suficiente, mas precisamos pensar no futuro”, disse Alex Diddley, porta voz da empresa.

Com este novo esquema, os clientes que excederem sua porção de banda mensal correm o risco de serem multados. Outro porta-voz disse que o sistema não está em vigor, portanto a empresa ainda não possui informações sobre os possíveis valores das multas. 
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pc_bomba_150A Cox Communications afirma que impõe limites de consumo mensal aos clientes e se reserva o direito de suspender os usuários que o excederem. A empresa publicou sua nova política no seu site.

“Se os usuários da Cox insistirem em exceder o uso de banda mensal permitido, ele entrará em contato para que eles reduzam o consumo ou façam o upgrade para um serviço com maior capacidade”, disse o porta-voz David Deliman. A Cox não revelou se alguma vez já expulsou um cliente.

A Big Champagne, uma empresa de rastreamento de sites de compartilhamento de arquivos, estima que o tráfego de peer-to-peer é responsável por mais da metade do tráfego total da rede.

Opiniões contrárias
Questões relacionadas à largura de banda serão discutidas no próximos meses quando o Congresso norte-americano avaliará a proposta de “neutralidade da internet” (referente ao princípio de que todo o tráfego da internet deve ser tratado igualmente), que o deputado democrata Ed Markey apresentou esta semana.

Enquanto isso, a Comissão Federal de Comunicação está investigando uma reclamação sobre a Comcast, que teria secretamente diminuído a velocidade de compartilhamento de arquivos de seus clientes.

Os ISPs afirmam que é hora de reexaminar as políticas da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) que os proíbe de bloquear aplicativos específicos. A FCC não permite o gerenciamento da rede.
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pc_bomba_150Os defensores da neutralidade da internet concordam que o gerenciamento da rede é necessário. Mas admitem que um gerenciamento agressivo pode violar seus princípios.

“Sem algum tipo de controle da internet pelos ISPs, a rede pode ficar instável”, disse Jay Rolls, vice-presidente de tecnologia da Cox Communications. Conforme explica o executivo, esse controle pode se traduzir em várias formas de gerenciamento de tráfego da internet (não exatamente em bloqueio), como “molde de tráfego” e “priorização do tráfego”. 

Já os defensores da privacidade na rede preocupam-se com o fato de que os ISPs podem espionar conteúdos, ao alegarem que fazem apenas o gerenciamento do tráfego.

O grupo argumenta que um ISP consegue identificar um pacote de conteúdo – verifica se ele é um e-mail, um download de arquivos de música ou um VoIP. Assim, o que o impede de bisbilhotar esse pacote e descobrir o que está escrito no e-mail, qual a música que foi baixada ou quem está participando da conversa?

Aplicativos e serviços são comilões de banda
Do ponto de vista dos ISPs, os principais responsáveis pelo abuso do uso de banda larga são os aplicativos de compartilhamento de arquivos, como o BitTorrent. “Esses programas são desenvolvidos para comer o máximo que agüentarem em um buffet de banda”, disse Donnelly, da Sandvine.

Segundo ele, mesmo que os hábitos dos usuários não tenham mudado nos últimos anos, esses programas provocam uma forte demanda de transmissão de dados. Serviços como a Apple TV, que permite downloads de vídeos em alta definição, consomem muita largura de banda e são o maior desafio para os ISPs. 
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pc_bomba_150Não estamos preparados para o futuro
“O que os Provedores de Serviço de Internet farão se o download legal de filmes em alta definição, programas de TV e backups online tornarem-se comuns para clientes, como esperam as empresas do Vale do Silício?”, perguntou Shatt, vice presidente da ABI Research.

Para ele, os ISPs precisam fazer mais investimentos para proporcionarem maiores ofertas de banda no futuro. “Eles ainda estão relutantes em admitir que efetivamente existe um problema”, acrescenta, “porque nenhum investidor gosta de ouvir falar em gastos."

“Os ISPs não querem gastar dinheiro para aprimorar suas redes, portanto terão de limitar a quantidade de largura de banda que o cliente pode usar”, disse Mike McGuire, analista do Gartner. McGuire afirma que a situação pode piorar muito em relação à qualidade do serviço.

De acordo com a empresa de monitoramento de rede Keynote System, usuários de banda larga raramente percebem o estreitamento da banda. A Keynote define essa diminuição da velocidade da conexão como “imperceptíveis blecautes virtuais”.

Nenhum dos analistas entrevistados previu quando e se a internet ficará mais lenta por causa do congestionamento de tráfego. 

Rob Ebderle, principal analista do Enderle Group, enfatiza o fato de os ISPs terem uma enorme capacidade de largura de banda. O verdadeiro desafio, segundo ele, é melhorar suas redes. “A margem de lucro não justifica gastos com a rede”, sugeriu.

Enderle acredita que, entre aumentar a capacidade de banda e aumentar taxas de custo mensais, os ISPs preferirão a segunda opção. Na última semana, a AT&T subiu o preço de alguns de seus serviços em cinco dólares.

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