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Primeiras impressões: experimentamos o Windows Phone 7

Construído do zero, novo sistema operacional da MS para smartphones ficou mais simples e bonito; desafio é a oferta de aplicativos.

Renato Rodrigues, do IDG Now!*

08/10/2010 às 22h22

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A Microsoft lança nesta segunda-feira (11) o aguardado Windows Phone 7, seu novo sistema operacional para smartphones.

Boa parte da expectativa em torno do lançamento é por tratar-se de uma versão construída do zero, não uma repaginação do criticado Windows Mobile. Muitos analistas apontam que o WP7 é a tentativa definitiva da Microsoft em voltar a ser um player relevante na área móvel, onde tem sido fortemente atacada pela Google e Apple.

O IDG Now! teve acesso a um aparelho da LG com a nova plataforma durante uma visita de jornalistas latino-americanos à sede da empresa, em Redmond, nos EUA. 

A tela inicial tem bloquinhos (chamados de "hubs") que mostram seus contatos das redes sociais, calendário, chamadas, e-mails, além de atalhos para o Office e MSN. Totalmente customizável, essa home pode ser rolada para baixo (e não para os lados como no Android) para exibir mais ícones, como fotos, mapas e games.

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Tela de contatos está mais dinâmica

O hub "people" mostras as últimas pessoas com quem o usuário interagiu, e monta sua lista de contatos a partir das redes em que ele está inscrito. Esse hub mostra as ultimas atualizações dos contatos, e permite até postar comentários para múltiplas redes – um conceito parecido com o do sistema Motoblur, da Motorola. "Não acreditamos que você precisa de uma aplicação para isso, mas que o telefone todo tem de ser social", disse o gerente de marketing da divisão de comunicação móvel da empresa, Augusto Valdez. 

Também é possível colocar alguns de seus contatos como preferidos na home. Se essa pessoa muda seu status ou foto, essa informação é atualizada automaticamente.

A nova home de e-mails está mais limpa, com textos maiores. As categorias (filtros) são grandes, na parte de cima da tela. Elas são trocadas passando o dedo na horizontal na tela. A seleção de e-mails para marcar (flag) é bem fácil, com caixas de seleção grandes. Além disso, o ícone na home exibe quantos novos e-mails chegaram desde a última leitura. 

Tela do Outlook no WP7

Outlook nativo no Windows Phone 7

A integração com calendário está bem feita – afinal, é um cliente Outlook "genuíno", não um aplicativo de terceiros. Se o usuário recebe um convite de reunião, ele leva para a agenda e avisa se há conflito de horários, marcando em vermelho compromissos do trabalho e, em azul, compromissos pessoais. Também exibe os outros convidados para aquele compromisso. Há até botão para enviar mensagem de "vou atrasar", que pode ser disparada para todos ou só para o organizador da reunião.

Ao clicar em um endereço embutido em um e-mail, ele abre o serviço de mapas (do Bing, claro). Caso o usuário aumente muito zoom no local, o sistema automaticamente muda do modo mapa para o satélite. No entanto, ainda não há navegação por voz, como no concorrente Google.

Integração com o Office

O Windows Phone abre documentos Office 2010 como se fosse em um desktop – com todos os recursos de visualização, edição e compartilhamento – inclusive via Share Point, a plataforma usada para compartilhamento de documentos em empresas.

Escaldada pela experiência com o Windows Mobile e sua miríade de aparelhos e interfaces diferentes, a Microsoft resolveu padronizar os Windows Phone. Todos terão os mesmos três botões: retroceder, Windows (que abre o menu ou leva para a home) e busca. Mas haverá aparelhos com e sem teclado físico, claro. A pesquisa padrão, do Bing, pode ser feita por voz. Ele mostra os resultados dos locais por ordem de distância em relação a onde o usuário está. 

O browser está bem veloz. Com um toque no navegador, vê-se todas as janelas abertas, permitindo a troca com um toque. O zoom é rápido e feito com apenas um toque – no entanto, não há suporta nativo para o Flash. "A Adobe terá de fazer um aplicativo para ele", explica Valdez.

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Browser é veloz, mas não suporte nativo a Flash

A interface de música é que nem a do Zune, o elogiado – mas não popular – player da Microsoft. A navegação é bonita, com capas de álbuns, e roda em segundo plano. Um destaque é a facilidade de criar atalhos. Com poucos toques, é possível criar um hub para todos os álbuns de uma determinada banda. O bacana é que esse atalho importa  fotos da banda da web e as exibe – como um widget dinâmico. Além disso, a empresa irá liberar uma nova versão da loja online Zune Marketplace, que comercializará músicas, filmes e seriados em quase 20 países – o Brasil não é um deles.

Mas o WP7 não é um sistema multitarefa, nem permite o recurso de copiar-e-colar, o que tem atraído críticas prévias ao produto.

O menu de fotos exibe as mais recentes capturadas pelo aparelho e também das redes sociais. O aplicativo sincroniza com os álbuns do usuário no Windows Live e Facebook.

O Windows Phone 7 também possui uma área dedicada para games, o que mostra a preocupação da Microsoft em fazer um aparelho que agrade a ambos os públicos. O sistema é integrado à rede Live do XBox, e exibe o avatar do usuário e seus troféus. Durante a demonstração, os games rodaram com bons gráficos e o acelerômetro foi bem sensível à inclinação do aparelho. Segundo Valdez, como o WP7 é compatível com as ferramentas de programação de jogos para a Xbox Live, portar os jogos para o telefone será tarefa muito simples para o desenvolvedores.

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Integração com o XBox Live permite exibir o avatar do usuário

O grande desafio para a Microsoft é a loja de aplicativos. Atualmente, a Marketplace sequer faz sombra às concorrentes App Store e Android Market. De acordo com os executivos da empresa, a Microsoft vai superar isso graças a compatibilidade entre as ferramentas usadas na criação de apps para Windows com o WP7. Outra estratégia, essa bem mais polêmica, é processar empresas que embarcaram no Android, como a Motorola, para mostrar que o sistema livre do Google pode não sair tão barato assim. O investimento em marketing também será colossal – na casa dos 400 milhões de dólares.

De toda forma, o WP7 mostra que chega como um sério concorrente para Android e iPhone. A integração suave com a plataforma Exchange e o serviços do Bing – muito desenvolvidos nos EUA, quase nada fora dele – são os pontos altos na briga pelo maior mercado do mundo. Resta saber se ainda é tempo de a Microsoft entrar nessa briga e se, principalmente, os desenvolvedores de todo o mundo vão se empolgar com a abertura de mais uma frente para seus aplicativos. Mas isso, só o tempo dirá.

* o jornalista viajou para Redmond a convite da Microsoft

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