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Primeiras impressões: Microsoft Surface Pro

Segundo tablet da Microsoft traz mais desempenho e versatilidade que seu antecessor. Mas será que isso irá compensar o preço alto?

Jon Phillips, PCWorld EUA

14/01/2013 às 16h43

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Talvez você se lembre do Surface RT. Foi a primeira tentativa da Microsoft de se tornar uma legítima fabricante de computadores: um tablet Windows com uma engenhosa capa/teclado conectada magneticamente. Era bonito, e tinha toda a “presença” de um produto com design industrial “Classe A”.

O Surface RT nos deu a possibilidade de controlar a interface moderna da Microsoft com o toque, e também deveria servir como uma estação de trabalho sólida. Vinha até com uma versão “starter” do Microsoft Office, para ajudar a cumprir esta promessa.

Mas o Surface RT também estava amarrado a um sistema operacional ruim, o Windows RT, com sua mentalidade de “o desktop não importa”. E é por isso que eu falo sobre o Surface RT no passado: não é um aparelho que possa ser levado a sério por ninguém. Não quando há tantos outros Ultrabooks e híbridos com Windows 8 dignos de atenção à sua escolha.

A maior aposta sempre foi no Surface Pro. Ele foi anunciado junto com o Surface RT, com uma data de lançamento estimada por volta de 26 de Janeiro deste ano. Ele é uma versão um pouco mais grossa, mas muito mais poderosa, do Surface original. Na verdade na aparência ele é idêntico, com a exceção dos 1,3 cm de espessura em vez dos 9,3 mm (0,93 cm) de seu irmão. E mesmo pesando pouco mais de 900 gramas, em vez de 680, não parece muito mais pesado.

Mas o mais importante é que o Surface Pro diz adeus ao “nonsense” que é o Windows RT e em vez dele traz o Windows 8 Pro. E o elegante chassis de magnésio agora é recheado com um processador Intel Core i5. Ou seja, como em um PC de verdade.

Embora a Microsoft não tivesse um stand na CES neste ano, a equipe do Surface foi até Las Vegas para demonstrar à imprensa, em um quarto de hotel e longe dos holofotes, o "Surface with Windows 8 Pro".

A tela: obrigado pelos pixels extras

Tanto o Surface RT quanto o Surface Pro tem telas de 10.6 polegadas, mas enquanto o RT tem uma resolução de 1366 x 768 pixels, o Pro tem uma tela verdadeiramente “Full HD”, com 1920 x 1080 pixels. O aumento na densidade de pixels (mais pixels no mesmo espaço = maior a densidade, medida em ppi) resolve um dos principais problemas do Surface RT em minha opinião: a inconfundível falta de “clareza” na imagem em comparação aos aparelhos da Apple com telas “Retina”.

Durante minha demo na CES passei cerca de meia-hora com o Surface Pro, e a cada vez que eu o segurava notava a maior densidade de pixels. Não é nada que salte aos olhos quando o aparelho está sobre uma mesa, mas quando você o segura em suas mãos, como um tablet, a maior resolução é óbvia.

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Microsoft Surface Pro com sua caneta e a capa/teclado "Type Cover"

Também usamos o Surface Pro com um monitor externo de alta-resolução, conectado ao tablet através de um adaptador Mini DisplayPort. Foi uma revelação: quando ligado ao monitor o Surface Pro realmente se torna um PC completo, e neste modo o tablet ainda pode ser usado como uma mesa digitalizadora em softwares para desenho, graças à caneta inclusa.

Falando na caneta...

Quando não está em uso, a caneta que acompanha o Surface Pro pode ser presa ao conector magnético da fonte de alimentação. Ela fica bem presa, mas me preocupo: estou acostumado a guardar canetas dentro dos tablets, e não penduradas ao lado deles. Quanto tempo vai demorar para que comecemos a ter uma perda em massa de canetas?

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Caneta permite escrita diretamente sobre a tela

A caneta em si teve bom desempenho na hora de desenhar. Notei um atraso (lag) mínimo na resposta, mas embora ele fosse notável, não teve consequências. A Microsoft não me disse quantos níveis de pressão a caneta é capaz de reconhecer, mas o simples fato de que um tablet Windows pode se comportar de forma similar a uma mesa de desenho Wacom é um “bônus” interessante.

Desempenho suave, como esperado de um PC

O novo Surface terá um processador Intel Core i5, GPU Intel integrada e 4 GB de RAM. A Microsoft não fala na velocidade do clock. Não passei muito tempo com a máquina, e a Microsoft não demonstrou nenhum aplicativo desktop, mas agradeço aos bom-senso dos arquitetos em Redmond por nos permitir rodar aplicativos desktop, os mesmos escritos para PCs com versões anteriores do Windows, em seu novo tablet.

O Surface Pro pareceu ser “um tiquinho” mais rápido na interface do Windows 8, e isso pode ser um indicador do desempenho do processador Intel, considerando que o processador ARM (um Nvidia Tegra 3) dentro do Surface RT já é mais do que capaz de lidar com a nova interface. Mas o teste real será quando pudermos rodar aplicativos e jogos no modo desktop. Minha expectativa é de que iremos encontrar desempenho equivalente ao de computadores com processadores Intel Core i5 e mesma configuração.

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O Surface Pro tem slots para ventilação (na área em destaque) nas laterais

Durante a demonstração nós rodamos o jogo de tiro em primeira pessoa Bulletstorm, e sua taxa de quadros na resolução de 1920 x 1080 pixels foi boa o suficiente para jogar, mas não pareceu atingir o ideal de 60 quadros por segundo. Ainda assim, a demonstração provou que o Surface Pro tem desempenho, e pode entregar o que se espera de outros tablets com Windows 8 e processadores Intel.

O Surface RT é completamente refrigerado de forma passiva, mas o SurfacePro tem dois pequenos ventiladores integrados e aberturas para ventilação nas laterais. Durante a demonstração eles foram perfeitamente silenciosos enquanto usava o aparelho como um tablet convencional. Fui avisado de que o nível de ruído pode aumentar durante jogos, mas Bulletstorm foi barulhento o suficiente para abafar qualquer ruído vindo dos ventiladores, isso se eles fizeram algum ruído adicional.

Vamos esperar para ver

Quando o Surface Pro for lançado no final deste mês, não irá receber toda atenção que o mundo deu ao Surface RT. Quando este chegou às lojas, em Outubro, ele era não só um dos poucos “tablets” com Windows disponíveis, mas também se aproveitou do esforço de marketing da Microsoft para o lançamento do Windows 8.

Mas agora a vida é muito diferente para um tablet ou híbrido com Windows 8. Há múltiplas máquinas no mercado, e os consumidores serão incrívelmente sensíveis à questão do preço. Um Surface Pro com 64 GB irá custar US$ 900. A versão com 128 GB irá custar US$ 1000. Ultrabooks com telas sensíveis ao toque serão mais baratos, e a Microsoft poderá em breve se ver em meio a uma guerra de preços com seus parceiros de hardware. As máquinas dos “concorrentes” podem não ter o mesmo design do Surface, mas será que a aparência importa num mercado de ultraportáteis que muitos já consideram caros demais?

Fique de olho e se prepare. O mercado de PCs é mais interessante agora do que jamais foi nos últimos 10 anos, e o Surface Pro nos diz muito sobre o que os consumidores querem, e quanto querem gastar, num híbrido com o Windows 8.

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