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Primeiras impressões: testamos o Kinect

Só de navegar pelos menus já foi possível notar que se trata de algo totalmente novo; 'Adventures' e 'Sports' foram alguns dos jogos testados

Macworld / Reino Unido

23/07/2010 às 15h57

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Estavámos querendo colocar nossas mãos no Kinect há um tempo, e finalmente pudemos fazer isso em um evento que a Microsoft realizou no início do mês na Inglaterra. Após jogar por um tempo razoável alguns dos novos games do periférico, como “Kinect Adventures”, “Joyride”, e “Sports”, estamos em uma boa posição para falar sobre o novo acessório do Xbox 360. Também assistimos a uma demonstração ao vivo de “Dance Central”, um game desenvolvido pela HTV Harmonix (empresa por trás de “Rock Band”) que combina os seus movimentos corporais com os movimentos na tela.

O Kinect traz a tecnologia de sensor de movimentos ao Xbox 360, observando os movimentos corporais dos usuários e traduzindo-os para o jogo. Ele também usa tecnologia de microfone para escutar os usuários. É capaz de identificar pessoas diferentes em uma sala, e pode rastrear o movimento e a fala de mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Pense no Wii sem o controle e você está no caminho certo.

Isso, no entanto, é uma comparação injusta. É fácil ver que a Nintendo assumiu a liderança na indústria dos games ao ser a pioneira nos controles por movimentos, mas também é fácil ver como o Kinect é um enorme salto à frente nessa área, não apenas para a indústria de games, mas para interação com aparelhos eletrônicos em geral.

Em nenhum outro lugar isso é mais claro do que ao navegar pelos menus dos jogos. Antes mesmo de você jogar o game é possível navegar pelas telas movendo sua mão para selecionar os itens em um menu. Um grande ponto branco se move pela tela para mostrar sua posição e pará-lo sobre um item irá ativá-lo.

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Em "Kinect Sports", o periférico respondeu bem aos nossos movimentos.

Existe algo muito satisfatório em simplesmente mover a mão em frente à TV para controlar um menu. Antes de mesmo de começar a jogar um game, você percebe que isso pode ser o começo de uma experiência totalmente nova. 

Entretanto, de alguma forma isso acaba quando você realmente joga os games. Os jogos podem ser resumidos como “para toda a família”, com tudo o que isso implica. O primeiro foi “Kinect Sports”, que envolve correr, pular sobre obstáculos e interagir com o público, com você acenando com os braços e a platéia te seguindo.

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Nós testamos primeiro a prova dos 100 metros com obstáculos e fomos agradavelmente surpreendidos por ver uma representação bem próxima dos nossos movimentos corporais no personagem na tela. Levantar as mãos faz a mesma coisa, postura e movimentos com os pés são todos sincronizados.

Um pequeno aborrecimento é que você precisa ficar em um determinado ponto da sala, nem muito perto ou muito longe do console. Mova-se demais e verá mensagens na tela dizendo para ir para frente ou para trás. Algo difícil de fazer quando você está saltando obstáculos na pista.

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Como é preciso ficar em determinado ponto, não é possível dar a famosa "corridinha" para jogar boliche.

Após 30 segundos nós ficamos cansados de correr e paramos, e nosso personagem também deu uma parada para descanso. Tudo muito bom, mas ficamos pensando em como fazer para sair do jogo. Mexer nossos braços não adiantou, movimentos com o corpo falharam, assim como cruzar as mãos expressando que “já deu”, “é suficiente”. Apesar disso, foi legal ver o personagem na tela fazer todos esses mesmos gestos. Em vez disso, um dos assistentes precisou plugar um controle para sair do game.

Boliche foi uma experiência similar, mas gostamos de ir para o lado pegar a bola, e jogá-la foi divertido. Um jogo que pareceu se destacar foi “Dance Central”, que de longe teve a maior exatidão na reprodução dos movimentos corporais na tela.

Muito do sucesso do Kinect dependerá não apenas da interação em si, mas da qualidade e fidelidade do sistema na detecção de movimentos. Até agora só vimos gestos maiores com os braços e movimentos com o corpo todo, mas será que ele poderia detectar movimentos menores com os dedos? Certamente não nas demonstrações que vimos até agora, mas isso não significa que o sistema não possa ser melhorado e afinado com o tempo.

Quando houve o primeiro anúncio do Kinect, Peter Molyneux apresentou uma demo chamada “Meet Milo”, onde um garoto virtual falava e interagia com uma pessoa, chegando ao ponto de podermos mostrar para a câmera um papel com um desenho, que era imediatamente escaneado e passado para o garoto virtual. Um momento incrível que prometia uma nova era de interatividade nos videogames.

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Segundo a Microsoft, o Kinect será integrado com a interface do Xbox 360.

Mas pode-se dizer que  a era de “Milo” prometida não foi realmente entregue nesta primeira geração de jogos. (Vale lembrar que a Microsoft não permitiu que fizéssemos imagens dos jogos do Kinect). Para algumas pessoas, não haverá problemas quanto a isso. “Pessoas bêbadas”, como disse uma repórter da PC Advisor, “vão adorar.” Nós suspeitamos que as crianças também. Gamers hardcore dificilmente vão deixar de lado “Call of Duty: MW2” para jogar um game de corrida de obstáculos, mas isso também é compreensível.

Por ser algo do tipo “a Microsoft criou algo como o Wii, mas diferente o suficiente para ser interessante”, então deve ser um enorme sucesso. O Kinect certamente possui um fator inovação que conta muito a seu favor. Mas existe uma pequena dúvida se o que vimos até agora é a ponta de um iceberg muito maior e mais interessante.

A Microsoft nos informou que o Kinect será integrado com a interface do Xbox, então você poderá  realizar gestos com as mãos para navegar nos menus na tela. Reconhecimento de voz também será integrado ao menu do sistema. Esse é o futuro do tipo “Minority Report” no qual estamos interessados.

Infelizmente, isso não estava na demonstração (parcialmente em razão do alto nível de ruído no ambiente), por isso não podemos falar mais. A Microsoft também não pôde nos informar como o periférico lidaria com gestos mais complexos (como selecionar, voltar, ir ao menu principal, e por aí vai). Ele vai conseguir identificar gestos mais sutis como girar o dedo imitando um relógio, por exemplo? Ou serão apenas as palmas da mão para controlar o ponto branco gigante?

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Nos EUA, Kinect será lançado em 4/11, custando 150 dólares.

Não há dúvidas de que o Kinect irá mudar os games. Se não por outra razão, pelo menos por colocar o Xbox 360 no mesmo patamar ou talvez até à frente do Wii. Em termos da façanha sem igual de jogos como “Dance Central”, “Kinect Sports”, e “Kinect Adventures” ele manda uma mensagem clara: controle com movimentos é o que importa.

O que realmente será interessante é se a Microsoft conseguir levar adiante o sistema que nos mostrou, e usá-lo para criar confortavelmente experiências interativas. Como sistemas de menu operados de forma inteligente, que você possa entender e usar instintivamente sem precisar pegar um controle (até porque ele não existirá mais).

A Microsoft anunciou nesta semana a data de lançamento e o preço oficial do Kinect nos Estados Unidos: o periférico chega às lojas norte-americanas em 4 de novembro, custando 150 dólares (acompanhado do game “Kinect Adventures”). Além disso, a companhia anunciou uma turnê do periférico. Sem datas previstas para o Brasil, a Kinect Experience Tour levará o sensor de movimentos por 32 cidades dos EUA nas próximas 14 semanas, além de também ter paradas programadas na Europa, Austrália, Nova Zelândia, Japão e México. No site oficial da Microsoft é possível visualizar as datas do trecho norte-americano da turnê, que começou no último dia 17 em Nova York e deve terminar em 24 de outubro em Las Vegas.

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