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Processadores dual-core são “um desperdício” no Android, diz Intel

Segundo executivo da empresa, dois núcleos não são melhor do que um em aparelhos com sistema da Google, que não tira todo proveito da tecnologia.

John P Mello Jr, PCWorld EUA

11/06/2012 às 17h18

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As versões atuais do sistema operacional Android, da Google, fazem mal uso dos processadores dual-core encontrados nos aparelhos modernos, segundo um executivo da Intel. Uma implementação fraca da tecnologia de threading no sistema operacional anula quaisquer benefícios que um processador dual-core poderia trazer, e em alguns casos pode prejudicar o desempenho, disse Mike Bell, gerente-geral do Intel Mobile and Communications Group, ao The Inquirer.

Segundo ele, em testes a Intel descobriu que processadores single-core (como o Intel “Medfield”) podem rodar mais rápido que alguns modelos dual-core (que usam tecnologia da concorrente ARM), e que em muitos aparelhos no mercado não está claro que há uma grande vantagem em ativar o segundo núcleo. Pior ainda “ter um segundo núcleo pode ser um prejuízo, por causa da forma como algumas pessoas não implementaram corretamente a distribuição de threads”, diz Bell.

Embora processadores com múltiplos núcleos possam oferecer ganhos de desempenho em ambientes sem restrições de energia, diz Bell, esse não é o caso nos smartphones, que tem restrições tanto no consumo quando na temperatura de operação. Ele não coloca toda a culpa sobre o fraco desempenho dos processadores dual-core no Android em si: alguns dos problemas com a distribuição de threads poderiam ser resolvidos pelos fabricantes de processadores, diz o executivo, mas “eles não se preocuparam em fazer isso”.

Atenção à fonte

Devemos nos perguntar o quanto o raciocínio de Bell é influenciado pela experiência da Intel no mercado móvel. Atualmente há apenas duas empresas oferecendo smartphones com seus processadores “Medfiled”, baseados no Intel Atom, no mercado. A versão anterior, codinome Moorestown, fracassou. Mas a empresa conseguiu o apoio de pesos-pesado como a Lenovo e a Motorola, que já lançaram (no caso da Lenovo) ou irão lançar (Motorola) aparelhos com seus chips ainda neste ano.

Ainda assim, é verdade que processadores com múltiplos núcleos vem sendo usados como uma ferramenta de marketing pelos fabricantes de smartphones Android. Por exemplo, eles começaram a lançar aparelhos com processadores dual-core (como o Nvidia Tegra 2) antes que o sistema estivesse realmente pronto para aproveitar o poder destes chips. E correram para colocar smartphones com processadores quad-core (como o Nvidia Tegra 3) no mercado.

Embora os comentários de Bell sobre o desempenho de processadores dual-core possam conter um viés de marketing, levantam questões que valem a pena ser exploradas por um participante mais neutro neste mercado. Se o Android não consegue lidar propriamente com os processadores dual-core nos aparelhos, qual o ponto dos modelos quad-core, além de iludir os consumidores prometendo um desempenho que eles não irão conseguir?

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