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Produção de games no Brasil deve faturar R$ 87,5 milhões em 2008

Setor tenta driblar taxa de 90% de pirataria apostando em exportações e download de jogos, revela levantamento da Abragames.

Daniela Braun, editora-executiva do IDG Now!

30/07/2008 às 18h16

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Este ano, a produção de games no Brasil deve movimentar 87,5 milhões de reais, um crescimento de 16,6% em relação ao faturamento de 76,5 milhões de reais verificado em 2007, revela o mais novo levantamento da Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos). O último levantamento era de maio de 2005.

A avaliação realizada recentemente com 32 empresas brasileiras que desenvolvem games no País, mostra que o Brasil representa apenas 0,16% do faturamento mundial de games eletrônicos. O grande vilão do setor é a pirataria, que representa cerca de 90% do mercado.

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Para driblar o problema, o setor - em sua maioria formado por pequenas empresas, com faturamento máximo de 3 milhões de dólares ao ano  - aposta nas exportações.

As exportações de games (softwares e serviços) devem saltar de 28,7% em 2007, para 43,3% este ano, de acordo com a projeção da Abragames. "Em 2006 foram iniciadas algumas ações para intensificar estas exportações porque identificamos esta como nossa principal oportunidade, já que estamos muito contaminados com a pirataria", observa André Penha, presidente da Abragames e gerente geral da Tectoy Digital.

A aposta no mercado externo foi iniciada em 2006 e conta o apoio de um programa de incentivo a exportações de softwares de jogos. O projeto é financiado pela APEX (Agência Brasileira de Promoção da Exportação e Investimentos) e co-gerenciado pelo SOFTEX. "A indústria de jogos tem um desafio duplo: aprender a crescer no mercado de jogos e a exportar, observa Penha.

Consoles, celulares e internet são os segmentos mais promissores no desenvolvimento de games no Brasil.
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Em 2008, os serviços de desenvolvimento para os consoles da atual geração devem representar 39% do softwares para jogos produzidos no País. No ano passado essa participação era de 11%.

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A produção de jogos para telefones celulares tem apresentado um ligeiro crescimento e deve manter-se estável com 15% de participação na produção brasileira de games. Já a criação de games para web manteve seu faturamento, mas perdeu participação no mercado - de 43%, em 2007, para 38% este ano. "Os jogos para web são pequenos, mas não perderam em receita", explica o presidente da Abragames.

A situação é pior na área de jogos para PC, maior alvo do mercado ilegal, cuja participação vem despencando desde 2006, quando o segmento direcionava 30% da produção nacional. Em 2007, os games para PCs representavam 24% da produção nacional e este ano devem ficar com apenas 8% de participação.

A jogada da Abragames é driblar a situação, sem depender da redução de impostos ou da inclusão dos softwares de jogos como serviços - como é o caso dos sistemas de informática.

Hoje, qualquer software vendido em CD ou DVD-Rom carrega um imposto de importação de 33%. Nos cartuchos - como é o caso do Nintendo DS - a taxa sobe para 50%.

A carga de importação de um console de games é ainda mais proibitiva: 80% somando IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e Imposto de Importação. "Uma máquina de videopoker recebe uma carga tributária de importação de 40%", compara Penha. "Por esse motivo, os fabricantes de consoles não têm interesse em licenciar hardware ou mesmo montá-los no Brasil", ele observa.

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