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Protocolo 802.11n: por que demorou tanto e o que ele traz de novidade

Processo de padronização precisa ser revisto. Você encontra respostas para as principais dúvidas sobre ele aqui.

David Coursey e Jared Newman, da PC World/EUA

15/09/2009 às 17h25

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80211n_150.jpgSete anos depois de as discussões sobre o tema terem começado e pelo menos dois após os primeiros equipamentos com uma versão rascunho (ou draft como o mercado costuma chamar) do protocolo, a entidade responsável pela padronização, o IEEE, finalmente definiu  um padrão final para uma rede sem fio mais rápida, com maior alcance e mais segura.

No mundo ideal, os padrões são definidos antes do lançamento de produtos. Contudo, neste caso, o processo se moveu tão lentamente no IEEE que os fabricantes decidiram utilizar um draft e começar a produzir equipamentos baseados nele. Após alguns entraves, o hardware se tornou compatível e já se vê há algum tempo redes redes equipadas com tecnologia 802.11n de vários fornecedores mesmo sem a definição de um padrão aprovado por todos.

Não da para afirmar que a culpa de todo o atraso seja do IEEE. Mas também não se pode dizer que os fabricantes trabalhando de forma independente tenha sido de alguma forma proveitosa, ao utilizar um padrão ainda em desenvolvimento.

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>> Confira o teste comparativo com roteadores 802.11n

Contudo, tal decisão acabou funcionando bem e os usuários de equipamentos que possuem firmware que utilizam o protocolo no padrão draft comecem a receber avisos para que façam a atualização para o protocolo definitivo.

De qualquer forma, o que se espera é que os organismos responsáveis por definir padrões tecnológicos façam seu trabalho em um prazo razoável, afinal, aprovar o padrão definitivo depois de os consumidores terem começado a adotar os equipamentos diminui muito da importância do processo de padronização.

No caso do 802.11n em particular, o processo foi mal sucedido e o IEEE deve ou melhorar o procedimento como um todo ou deixar que as empresas que lideram o segmento definam elas mesmas o que consideram o melhor padrão. Este não é o procedimento ideal, mas se a entidade reguladora atravanca a padronização, é o que tende a ocorrer.

Perguntas e respostas
Mas, afinal, o que o novo protocolo de comunicação para redes sem fio, 802.11n, significa? Em primeiro lugar, a padronização definitiva do protocolo é de suma importância para a transmissão wireless.

Como já foi dito, a tecnologia n proporciona redes Wi-Fi mais rápidas, com maior alcance e mais seguras, de tal sorte que se tornam perfeitas para o streaming de conteúdo em alta definição (HD), melhor desempenho de aplicações em redes sem fio (como serviços de VoIP) e também uso mais eficiente da bateria de computadores portáteis, já que chips compatíveis com o novo protocolo consomem menos energia.

Com o auxílio de Kelly Davis-Felner, membro da associaçao Wi-Fi Alliance (http://www.wi-fi.org/), elaboramos um conjunto de perguntas e respostas que irão ajudar o consumidor comum a entender o novo protocolo.

O que há de novo no 802.11n?
Há três melhorias-chave neste novo padrão. O cerne do protocolo n foi a adição de uma tecnologia que, na prática, é como se tivéssemos uma autoestrada de rede sem fio, proporcionando transferências de dados a velocidades mais altas. A comunicação agora utiliza dois canais simultâneos para melhor desempenho e confiabilidade da comunicação. Por último e não menos importante, os pacotes de dados agora são transmitidos com uma quantidade menor de dados de identificação, permitindo que cada pacote possa conter mais da informação que precisam carregar.

Quão mais rápido o protocolo 802.11n é comparado aos padrões anteriores?
Teoricamente, o protocolo 802.11n pode alcançar taxas de transferência de até 600 megabits por segundo (Mbps), contudo, a aliança em torno do Wi-Fi está trabalhando com produtos de rede que operam a, no máximo, 450 Mbps. O protocolo wireless mais amplamente utilizado atualmente, o 802.11b/g, oferece taxas de até 64Mbps, enquanto o padrão mais antigo, 802.11a, alcança até 11Mbps. Ou seja, o novo protocolo é consideravelmente mais veloz.

Como saber se um equipamento Wi-Fi já utiliza o protocolo 802.11n?
A recomendação da Wi-Fi Alliance é de que os consumidores procurem pelo selo 802.11n, emitido pela entidade, tanto em roteadores quando em adaptadores de rede. A executiva da aliança estima que entre 10% e 15% dos equipamentos ainda sem a respectiva certificação, mas que funcionam no protocolo, porém sem a eficiência máxima que ele pode proporcionar.

Eu já tenho um roteador sem fio com protocolo 802.11n. E agora?
O equipamento, na realidade, utiliza a versão draft do novo protocolo, aprovada  em 2007. De lá pra cá, as discussões em torno do novo padrão estiveram focadas em funcionalidades adicionais que iriam tornar o Wi-Fi mais rápido e confiável. 

Eu posso atualizar o firmware da versão draft para o padrão definitivo do 802.11n?
Tudo vai depender do fabricante do dispositivo, mas tudo indica que eles irão fornecer alguma forma de atualização para os equipamentos que foram vendidos e que trazem a versão draft do novo protocolo.

Redes que utilizam roteadores com protocolo 802.11b/g devem ser atualizadas?
Tudo vai depender da utilização que se faz da rede. Quem precisa de mais segurança, desempenho (principalmente quem faz streaming de conteúdo multimídia em alta definição) e alcance para sua rede Wi-Fi, deve esperar que os equipamentos já certificados comecem a ser vendidos e sim, fazer a migração (lembre-se que, além do roteador, os adaptadores dos equipamentos clientes também devem ser migrados). Caso contrário, pense em migrar apenas quando o preço dos novos dispositivos couber no bolso.

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