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Próxima geração de e-books terá cores e será capaz de exibir vídeos

Saiba como os leitores de livros eletrônicos de hoje funcionam, seus prós e contras e o que a indústria lançará em breve.

Yardena Arar, da PC World/EUA

12/03/2010 às 17h31

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e_reader_futuro_150As telas do Kindle e do e-book da Sony apresentam uma nitidez como se fosse uma página impressa. Mas ainda vão melhorar. Até o final do ano serão apresentados modelos com novas tecnologias para o display.

A próxima geração de leitores de livros eletrônicos irá suportar cores e taxas de atualização de tela capazes de suportar a exibição de vídeos. As telas também usarão uma tecnologia que permite que elas sejam flexíveis. Não significa que será possível enrolar o leitor de e-book como se fosse uma revista, mas fará com que o produto seja menos frágil.

Essa geração de leitores de e-books vai inaugurar uma nova era para o livro digital, incluindo publicações periódicas que dependem de gráficos detalhados em cores (imagine também um livro para crianças). E ainda a exibição de vídeos em revistas e jornais para enriquecer o conteúdo das notícias.

A tecnologia dos LCDs de computadores e notebooks ainda não é adaptada para servir como substituto do papel. Um dos empecilhos é a retroiluminação. Ler um longo texto nessas telas causa rapidamente fadiga nos olhos.

E-ink (Tinta eletrônica ou papel eletrônico)
A maioria dos leitores de livros eletrônicos utiliza no display uma tecnologia chamada E-ink, pertencente a empresa Prime View International, de Taiwan. Os produtos com essa tecnologia funcionam mediante um processo químico chamado eletroforese. Por meio dela, partículas de tinta preta e branca são seladas em um filme plástico. Por sua vez, este filme é laminado em uma folha de circuitos eletrônicos.

As partículas de tinta preta e branca respondem de modo diferente às cargas positivas e negativas: dependendo do grupo de partículas que sobe, a superfície da tela ficará em preto ou em branco.

A exposição eletroforética é ideal para os leitores de e-books. Elas são finas, suportam resoluções altas, que oferecem precisão na exibição dos caracteres. Além disso, consomem pouca energia porque não precisam de retroiluminação, como telas de LCD. Para visualizar o conteúdo é necessário apenas iluminação externa, como o papel.

Na verdade, a tecnologia E-ink funciona de modo contrário ao LCD: quanto mais luz melhor para os leitores de e-book. Em displays de LCD, quanto mais luz, mais desconfortável se torna a leitura. E essa falta de luz de fundo no leitor de e-book, torna a leitura confortável para os olhos.

Outra razão porque o papel eletrônico consome menos energia do que os LCDs: eles não precisam de energia para manter a imagem. Apenas quando a página é renovada é que a energia passa pela folha de circuitos eletrônicos. Por esse motivo o consumo de energia nesses dispositivos é medido pelo número de páginas atualizadas.

Desvantagens do papel eletrônico
Essa tecnologia possui alguns inconvenientes, a começar pelo tempo de resposta. Uma das queixas mais comuns é o tempo necessário para mudar de página e o efeito de cintilação na mudança da imagem. Isso porque o tempo de resposta para mudar do preto para o branco ou vice-versa, é cerca de centenas de milésimos de segundo.

A título de comparação, o LCD possui tempo de resposta na casa dos milésimos de segundo e, ainda assim, a indústria luta para diminuir ainda mais esse tempo. Na prática, a mudança de página de um e-book leva mais tempo do que virar a página de um livro em papel. Com isso, fica clara outra desvantagem: o papel eletrônico não é conveniente para executar vídeos.

Para textos, a ausência de cor pouco importa. Mas para o conteúdo de revistas ou jornais, que precisam de infográficos e fotos para ilustrar as notícias, as cores acabam sendo essenciais.

Além disso, a primeira geração de leitores de livros eletrônicos não é boa candidata para livros que podem sofrer mais desgaste físico, como livros infantis. As telas flexíveis podem ajudar, tanto em diminuir a fragilidade, quanto tornar o e-book mais leve. Hoje, o Kindle DX, por exemplo, é relativamente pesado: 530 gramas

O LCD
A tecnologia do Display de Cristal Líquido (LCD, pela sigla em inglês) já está bem madura para exibir vídeos em alta definição e imagens com cores muito definidas. Mas consomem mais energia, o que pode ser uma barreira para passar horas lendo um livro. E com telas maiores essa situação é ainda pior, pois há mais pixels para serem acesos.

LCDs monocromáticos são outra história. A empresa Aluratek, por exemplo, oferece o Pro Libre que utiliza um display monocromático reflexivo de cinco polegadas que não utiliza luz de fundo. Por usar LCD, o Pro Libre resolve a demora na atualização de página e a Aluratek passou uma estimativa que o aparelho pode ser usado de 22 a 24 horas seguidas (supondo que a página seja virada, em média, a cada 60 segundos).

Uma indústria competitiva
A tecnologia E-ink tem sido dominante no mercado de papel eletrônico, mas a competição está ficando acirrada. Uma busca pelas palavras “cor” e “biestável” (palavra que se refere aos estados de ligado e desligado da tecnologia E-ink), no banco de dados do escritório de patentes dos Estados Unidos, resultou em mais de 1.200 itens, nos quais apareciam empresas como Intel, Fujitsu e Kodak.

Em um relatório do segundo semestre de 2009, o analista da DisplaySearch Jenny Colgrove identificou outras empresas concorrentes no mercado de papel eletrônico, incluindo a SiPix, de Taiwan (cuja tecnologia está sendo utilizada pela Asus), e a Bridgestone Japão (sim, a mesma empresa que fabrica pneus). Ambas mostraram protótipos de e-books que utilizam cores.

A companhia holandesa Irex anunciou planos para começar a distribuir um e-book, capaz de processar cores, em 2011. E uma das mais intrigantes tecnologias para leitores de livros eletrônicos vem da Qualcomm, empresa mais conhecida por suas tecnologias em redes móveis.

A Qualcomm Technologies MEMS (sistemas micro-eletromecânicos) já mostrou uma tecnologia de display chamada Mirasol. Assim como fabricantes rivais, utiliza o processo de eletroforese, que não requer retroiluminação e é reflexivo. Mas essas são as únicas semelhanças.

Em termos de comparação, a tecnologia da Qualcomm funciona como um prisma, quando a luz passa por ele: forma-se um arco-íris. São usadas duas placas condutoras que são afastadas uma da outra em diferentes posições. Quando a corrente elétrica passa pelos circuitos das placas, as cores são criadas.

Os executivos da Qualcomm dizem que a tecnologia Mirasol é superior a tecnologia E-ink. O tempo de resposta é bem menor, de modo que exibir vídeos não será problema e também é mais eficiente no consumo de energia. A Mirasol já está começando a surgir em telefones celulares. Na China, o Hicense C108 possui um display monocromático com a tecnologia Mirasol.

Na recente Mobile World Congress, realizado em Barcelona, a Qualcomm e a taiwanesa Inventec anunciaram um telefone com Windows Mobile chamado V112 e cujo display de 1,1 polegada usa a tecnologia Mirasol.

Segundo o diretor de marketing da Qualcomm, Cheryl Goodman, um e-book com tela de 5,7 polegadas colorida será apresentado ainda nesse semestre (rumores informam que será a próxima geração do Kindle).

Outra possível competidora é a empresa Pixel Qi, que vem mostrando protótipos de displays que utilizam tecnologia híbrida, que combina os benefícios do LCD com os de uma tela reflexiva. Ela afirma que a qualidade da imagem obtida é superior, principalmente em ambientes fechados, quando a retroiluminação do LCD ajuda bastante.

Mas qualquer que seja a tecnologia que prevaleça, 2010 será um grande ano para os e-books. Colgrove, da DisplaySearch, prevê que a quantidade desses dispositivos tripliquem, passando de cinco milhões de unidades no ano passado para 15 milhões de unidades nesse ano.

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