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Quais os próximos passos da Samsung após a morte do Galaxy Note 7?

Ouvimos diversos analistas para saber o que a gigante sul-coreana deve fazer após o fiasco sem precedentes com seu smartphone.

PC World / EUA

12/10/2016 às 11h03

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A Samsung interrompeu formalmente a produção, a venda e as trocas do Galaxy Note 7 nesta terça-feira, 11/10, após várias semanas de relatos de que os aparelhos – incluindo os substitutos – estavam superaquecendo, soltando fumaça, pegando fogo e até explodindo.

A morte do Note 7 será custosa para a empresa sul-coreana, segundo muitos analistas ouvidos pela reportagem. Para o analista da Moor Insights & Strategy, Patrick Moorhead, os custos gerais para a Samsung ficarão entre 5 bilhões e 7,5 bilhões de dólares, sem incluir o impacto difícil de estimar sobre a marca da companhia. Outros analistas, incluindo o Credit Suisse, afirmam que as vendas perdidas de até 19 milhões de aparelhos representam um prejuízo de 17 bilhões de dólares.

A vida do Note 7 foi bastante curta. As vendas começaram nos EUA em 19 de agosto. Apenas poucas semanas depois, em 2 de setembro, a Samsung anunciou um recall global de 2,5 milhões de aparelhos – o recall foi anunciado formalmente nos EUA em 15 de setembro.

Depois, em 5 de outubro, uma unidade de substituição do Note 7 começou a soltar fumaça em um voo da Southwest Airlines, nos EUA, fazendo com que a aeronave fosse evacuada. Com mais e mais relatos parecidos sobre aparelhos novos superaquecendo e pegando fogo, várias operadoras norte-americanas decidiram parar as vendas e trocas do Note 7.

A Samsung finalmente desligou os aparelhos nesta semana com um comunicado breve: “Para o benefício da segurança dos usuários, interrompemos as vendas e trocas do Galaxy Note 7 e também decidimos suspender sua produção”.

Nunca antes na história dos smartphones um aparelho tinha recebido um recall geral assim como uma interrupção na produção da sua unidade de substituição.

Segundo Moorhead, caso a Samsung não interrompesse a produção do Note 7, era muito provável que autoridades dos EUA emitissem um recall também dos aparelhos substitutos.

Mesmo com essa crise toda do Note 7 ser inédita e ter potencial para realmente danificar a imagem da Samsung, há muitos analistas que acreditam que a empresa e sua marca podem sobreviver ao colapso todo do Note 7. Tudo vai depender de como a Samsung vai agir a partir de agora.

“Os consumidores costumam perdoar. Todas as grandes fabricantes automobilísticas já tiveram defeitos nos carros que mataram pessoas, mas você nunca viu nenhuma dessas empresas ir à falência por um recall. Não é o recall que acaba com você, mas como você lida com ele”, afirma Moorhead.

Analistas ouvidos pela reportagem aconselharam a Samsung a tomar algumas medidas nos próximos dias.

Ser transparente sobre o motivo

Moorhead especula que um sistema de recarga problemático estava danificando as baterias do Note 7, levando ao superaquecimento, fumaça e incêndios, tanto nas unidades originais quanto nas de substituição. A Samsung ainda não explicou nada sobre a causa, mas precisa fazer isso, afirmam os analistas.

“A Samsung precisa ser muito transparente sobre o problema e comunicar o que era e como eles tentaram corrigi-lo”, afirma a analista da Creative Strategies, Carolina Milanesi.

“Quando os carros tem um recall, nós não paramos todos de dirigir. No entanto, a Samsung precisa se certificar de que vai falar sobre o assunto, para que não existam dúvidas de que o mesmo problema pode acontecer com outros aparelhos. Isso é absolutamente essencial para eles conseguirem limitar os danos”, explica a especialista.

“Isso ainda não foi feito e se a Samsung for completamente transparente e caso isso não aconteça novamente, então haverá uma perda mínima para a marca em longo prazo. Mas caso não façam isso, então o céu é o limite”, afirma Moorhead.

Já o analista da Technology Business Research, Jack Narcotta, especula que a própria Samsung ainda não sabe exatamente o que aconteceu de errado com as unidades de substituição do Note 7. “Até a Samsung identificar mais claramente a causa ou as causas, não vai dizer ao público exatamente o que está acontecendo.”

Moorhead afirma que é improvável que as baterias em si fossem o problema, uma vez que as baterias de dois fabricantes aparentemente superaqueceram. Uma foi a Samsung SDI, que fez as baterias da versão vendida nos EUA e a outra foi a Amperex Technology, da China, que fez as baterias do Note 7 original vendido naquele país. Quando as unidades de substituição do Note 7 foram anunciadas, a bateria da Amperex foi usada nos EUA, e, mesmo assim, algumas unidades soltaram fumaça e pegaram fogo.

Pensar com cuidado o futuro da linha Note

Moorhead diz acreditar que a Samsung vai aparecer com um novo Note 8 no começo de 2017, ainda no primeiro trimestre. O aparelho terá a caneta stylus, aponta. “É claro que ele deverá ser seguro e como a Samsung vai comunicar que ele será seguro vai ser algo complicado. Mas nenhum outro fabricante de smartphones conseguirá criar um substituto relevante do Note tão rapidamente”, aponta.

Por outro lado, Milanesi afirma que a Samsung deve surgir com outro nome, uma vez que chamar o próximo smartphone de Note 8 será apenas um lembrete ruim sobre o aparelho que pegava fogo.

Já o analista da J. Gold Associates, Jack Gold, explica que a Samsung não deve acabar com o formato do Note. “É um formato único com uma competição bastante limitada. Não há razão para um Note com um design novo não se sair bem no futuro. A Apple não possui um aparelho equivalente.”

Moorhead concorda que o Note 8 precisará ter uma diferença física óbvia em relação ao Note 7, talvez uma mudança nas cores. “A marca Note não está acabada caso eles saibam lidar com isso direito”, diz.

Mesmo que a Samsung dê outro nome para a linha Note, a tela maior e a caneta stylus vão “denunciar”, destaca o analista da 451 Research, Kevin Burden.

Absorver as perdas e seguir em frente

Apesar do Note e sua stylus serem importantes para muitos usuários, ainda é um produto de nicho. O mais recente Note 5 (não houve um Note 6) gerou apenas 5% de todas as vendas da Samsung, destaca Moorhead. A linha Galaxy, incluindo os tops de linha Galaxy S7 e S7 Edge, é de duas a três vezes mais popular.

“A linha Note ainda é muito pequena para a Samsung”, afirma. Ele e outros analistas dizem que seria muito difícil ver problemas do Note afetar outras linhas da fabricante.

“A Samsung possui muitos modelos de smartphones pelo mundo e nenhum deles registrou o mesmo problema”, afirma Burden.

Quanto às rivais como Apple e Huawei se beneficiarem do fiasco do Note 7, os analistas concordam que haverá poucos ganhos para os concorrentes.

Uma razão para isso é que a Samsung já controla a maior parte do mercado global de smartphones, com uma fatia de 22% no segundo trimestre, segundo a IDC – a Apple tem 12% e a Huawei 9%.

“Não há chance da Samsung perder uma posição no ranking por isso. Eles apenas são grandes demais”, destaca Moorhead.

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