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Quase metade dos usuários brasileiros acessa sites com conteúdo ilegal

País é o líder do ranking, à frente da Espanha. Para reduzir pirataria, Indústria Fonográfica quer bloquear portais e censurar serviços de busca.

Ricardo Zeef Berezin, do IDG Now!

24/01/2012 às 17h06

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A popularidade dos serviços de download ilegal – o que inclui portais de torrent, programas P2P e sites de streaming – atinge seu ápice no Brasil: 44% dos internautas do País os acessam pelo menos uma vez por mês, segundo a Federação Internacional de Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês). A Espanha vem em seguida, com 42% – ambos estão significativamente acima de média global, de 28%.

Metade das páginas do estudo, divulgado pela IFPI, discute a pirataria online. De modo geral é possível constatar que são duas as estratégias da Federação para reduzi-la: repressão, a partir do encerramento e bloqueio de serviços que desrespeitam direitos autorais, e expansão a outros mercados – ela destaca, por exemplo, que o iTunes está presente em 58 nações, ante 23 do começo de 2011.

Alguns resultados em relação à coerção são comemorados. De acordo com a pesquisa, depois que dois provedores da Bélgica foram obrigados a bloquear o acesso ao The Pirate Bay, em agosto de 2011, a audiência do site caiu 84% no país. Nos Estados Unidos, se 16% dos internautas utilizavam programas P2P em 2007, essa percentagem caiu para 9% no fim de 2010, em parte por conta do fim do Limewire. Na França, por causa da Lei Hadopi, a queda foi de 26%.

Pelo visto, algumas medidas impopulares, como processar usuários individualmente, foram abandonadas, mas outras surgiram para substituí-las. Além de obrigar provedores a censurar sites e solicitar a companhias que não exibam anúncios neles, a ideia é fazer com que serviços de busca também cooperem, já que, ao pesquisar pelo nome de artistas populares mais o termo “MP3”, o número de links exibidos que infringem propriedade intelectual é enorme.

TabelaBuscaPirataria


Incidência de páginas com conteúdo ilegal de cada artista


 

“(Os serviços de busca) precisam adotar práticas responsáveis e procedimentos se quiserem garantir que os consumidores não terão um comportamento ilegal que frequentemente compromete sua segurança”, diz o estudo.

Pela primeira vez desde 2004, o crescimento da renda proveniente das músicas digitais voltou a subir: 8%, chegando a 5,2 bilhões de dólares, ante 5% do ano anterior. O número, no entanto, é pequeno em relação aos 25% de 2008, a maior alta já registrada pela IFPI. Nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, a arrecadação com o formato já superou a com a mídia física, com 52% e 53%, respectivamente.

Ainda assim, dificilmente o crescimento do formato digital compensará a queda do formato físico. Por mais que a Federação não tenha divulgado o resultado financeiro total, o desempenho nos Estados Unidos serve como parâmetro. Lá, mesmo com a ascendente popularidade das lojas virtuais e de serviços de streaming, a indústria fonográfica tem visto sua receita cair ano após ano. De 2009 para 2010, por exemplo, a baixa foi de 10,9%, de 7,6 bilhões de dólares para 6,8 bilhões.

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