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Raio X: saiba como funciona o iPad

O que a Apple descreve como “um dispositivo mágico” é desvendado pela ciência; saiba como funcionam as principais tecnologias do novo tablet

John Brandon, da Computerworld/EUA

12/04/2010 às 17h18

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Como o iPhone, o novo tablet da Apple é um potente equipamento tecnológico, com tela multitoque e sensores como o acelerômetro, que detecta o movimento e a inclinação do tablet e até mesmo o ato de sacudir o aparelho. Sua tela usa uma tecnologia que permite visualizar conteúdos sem distorção de imagem quando visto em ângulos extremos, e sua bateria de longa supera 10 horas, mesmo na execução de vídeos. E o que está por trás de seus recursos?

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> Review completo do iPad.

Desempenho para aplicativos
A maioria das pessoas que testaram iPad notaram uma velocidade impressionante na resposta de seus comandos. No coração do iPad está um processador A4 de 1 GHz, desenvolvido pela própria Apple. Seu design personalizado foi feito para aumentar a vida útil da bateria. “Esse processador integra um núcleo ARM, aceleradora gráfica e módulos de memória DRAM em um único encapsulamento”, explica o analista do Gartner, Martin Reynolds.

> Conheça o processador do iPad por dentro.

Como o iPad não realiza multitarefa (o que significa que não é possível rodar vários aplicativos de terceiros ao mesmo tempo), o novo design de "sistema em um chip" é uma escolha ideal. O A4 se comporta mais como um trem de alta velocidade em uma pista única, que como um carro, que pode ser usado no trânsito da cidade e em um rodovia. Ele não foi desenvolvido para gerenciar de forma inteligente multiplos aplicativos e cargas de memória, mas a velocidade necessária para uma única tarefa.

De acordo com Reynolds, a maioria do processamento de dados é feito em um espaço fisicamente pequeno, o que reduz o consumo de energia e aumenta o desempenho. “Os caminhos curtos e os periféricos integrados compensam o desempenho do processador ARM. Junte isso com um software otimizado da Apple e você sente a rápida resposta do aparelho”, diz.

O analista também explica que as baterias do equipamento, que são relativamente grandes, são capazes de dissipar melhor o calor do que baterias menores. Isso permite que a Apple use um processador que gere mais calor e seja mais rápido, sem causar superaquecimento da bateria. Testes preliminares mostraram que o iPad é capaz de executar aplicativos próprios duas vezes mais rápido que o iPhone 3GS.

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Tela do iPad: visualização em ângulos extremos

Enquanto o processador A4 é construído para usar menos energia, o chip é rápido o suficiente para a maioria das tarefas porque é ARM e usa uma arquitetura multibus, segundo o engenheiro Stephen Lingle, da Product Development Technologies (PDT), uma empresa de desenvolvimento e design de produtos tecnológicos.

Outra vantagem do ARM é a capacidade de entrar em modo de espera em uma fração de segundo para economizar energia. Por outro lado, um típico processador Intel Core i5 ou i7, é voltado para bombear inúmeros cálculos simultâneos, como para o processamento de planilhas ou polígonos que formam imagens em um jogo. Um processador de computador não entra em modo de espera tão rapidamente. 

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Processador A4 é produzido pela própria Apple

Nota: A Apple anunciou na última quinta-feira que o iPad será compatível com "multitarefa" (pela concepcão da empresa) a partir do lançamento do sistema operacional iPhone 4.0, previsto para ser lançado em junho deste ano.

> Saiba tudo sobre o multitarefa do iPhone 4.0

Ângulo de visão extremo
A tela do iPad tem resolução de 1024 por 768 pixels, retroiluminada por LED, com tecnologia IPS (In-Plane Switching), que permite um ângulo de visão de 178 graus, com imagens nítidas e brilhantes - como se estivesse sendo visto de frente. Isso é possível porque os equipamento com IPS emitem mais luz através dos cristais líquidos e em mais direções do que outros LCDs.

Segundo o gerente de produtos da NEC, Art Marshall, o caminho da luz que por filtros de cor do painel IPS faz a diferença. “Se você está olhando para um painel LCD IPS deitado de lado, os cristais líquidos são alinhados horizontalmente e há muito pouca distorção de luz que passa pelos filtros de cor”, explica.

O ângulo de visão amplo torna o iPad adequado para navegar na Internet com um amigo ou ler um livro deitado no sofá, por exemplo.

Bateria de longa duração

Por que a bateria do iPad pode durar 10 horas ou mais? Esse vem sendo o mistério discutido nas últimas semanas.

A bateria do iPad é feita com polímero de lítio, que é um material químico mais moldável que os íons de lítio, mais utilizado em baterias de notebooks. Com uma bateria de polímero, a Apple pode moldar a bateria em torno do tablet. Ela é maior e pode guardar mais íons para recarga. 

“Todas as baterias de lítio funcionam com o movimento dos íons para traz e para frente entre os eletrodos”, conta o CEO da Power Porous Technologies, Tim Feaver, empresa fabricante de baterias de lítio."

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Bateria do iPad dura supera 10 horas, mesmo durante a exibição de vídeos

Os eletrodos são separados entre si por uma via que permite o fluxo livre de íons para traz e para frente, diz Feaver. Com uma bateria de polímero, os eletrólitos liquidos orgânicos são absorvidos na química de polímeros para formar um gel. Este gel é o que torna o polímero moldável e cria uma bateria maior do que outras. A bateria dura mais porque há mais espaço para os produtos químicos utilizados no carregamento.

Existe um pólo positivo e um negativo, onde os elétrons saltam de um lado para o outro para formar uma carga. Quando o produto químico recebe a energia elétrica, o fluxo de elétrons é gerado através desse circuito – justamente por ser o caminho mais curto e fácil.  Para quem gosta de nomes complicados. O material químico do polímero da bateria do iPad é provavelmente óxido de polietileno ou acrilonitrila de polietileno.

Embed de áudio e vídeo
O CEO da Apple, Steve Jobs, já declarou antipatia com o Adobe Flash, plataforma multimídia amplamente utilizada em toda a rede de Internet. O iPhone não suporta Flash, e nem o iPad. Em vez disso, o navegador Safari oferece suporte ao HTML 5, a próxima versão (ainda em desenvolvimento) do HTML básico.

David Stude, engenheiro de software da PDT, diz que o HTML 5 também suporta gráficos vetoriais que podem ser exibidos em escala maior (tela cheia) durante a navegação na Internet, da mesma forma que uma tabela do Microsoft Word pode alterar o tamanho, dependendo do nível de zoom.

As linguagens Flash e Silverlight, da Microsoft, exigem que o próprio programador escreva as linhas de programação, enquanto que o HTML 5 reúne um rico grupo de códigos que qualquer pessoa pode usar.

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Adobe Flash é trocado pelo HTML 5 no iPad

Naturalmente, a falta de suporte do Flash no iPad poderá gerar prejuízos para os usuários. A maioria dos elementos interativos na Internet, hoje, são construídos em Flash, o que significa que não funcionarão no tablet da Apple.

Mas Jobs e tantos outros estão confiantes de que, conforme o HTML 5 vai amadurecendo, mais desenvolvedores devem criar aplicativos para web usando HTML 5. Dessa forma, a Apple oferece em seu site uma pequena lista com sites “amigos” que estão adaptados ao HTML 5 e, consequentemente, ao iPad.

A Apple gosta de usar a palavra “mágica” para descrever seus produtos, e você pode sentir isso. Mas o que parece mágica é explicado com pura ciência.

John Brandon é um veterano da industria de computação, trabalhou como gerente de TI por 10 anos e  como jornalista de tecnologia por mais 10. Já escreveu mais de 2.500 artigos e é contribuinte da Computerworld norte-americana, parceira de conteúdo da Macworld.

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