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Realidade aumentada deixa de ser ficção científica

Associada inicialmente a truques baratos, tecnologia ganha espaço e mostra inovação; saiba como ela funciona.

Computerworld/EUA

09/08/2010 às 16h43

Foto:

A realidade aumentada, que tantas vezes foi alvo da ficção
científica, está aqui, ali e em todo lugar. Uma busca no Google News traz cerca
de 700 artigos recentes sobre a tecnologia e as empresas que dizem oferecê-la.

O que é realidade aumentada? Em poucas palavras, ela trata da
inserção de conteúdo gerado pelo usuário em nosso campo de visão – uma combinação
capaz de nos contar mais do que vemos.

Em algum momento no futuro, poderemos ter parabrisas,
máscaras de mergulho e até óculos capazes de nos dar informações sobre o que
vemos.

Por exemplo, um parabrisas com um sistema de realidade
aumentada poderia reconhecer prédios e identificá-los para nós no próprio
parabrisa, fornecendo indicações de direção passo a passo, informações de
sinais de trânsito e alertas sobre situações de perigo adiante.

Óculos poderiam usar uma câmera embutida na armação, cuja
imagem fosse visível apenas a nós, para identificar pessoas, informar seus
nomes e dizer quando foi que os encontramos pela última vez.

Lembra-se da “visão de Exterminador”? Os filmes da série “O
Exterminador do Futuro” mostrava o mundo a partir da perspectiva do robô
interpretado por Arnold Schwarzenegger. Veículos, pessoas e objetos eram identificados
instantaneamente dentro de seu ângulo de visão. Havia também análises: o robô
calculava as probabilidades, como ameaças e baixas, em tempo real, e mostrava a
informação sobre aquilo que estava olhando.

Busca de problema
Algum dia seremos capazes de fazer algo assim. Enquanto
isso, a realidade aumentada é uma solução em busca de problema.

Uma startup chamada Atomic Greetings oferece “cartões de
visita com realidade aumentada”. Você elabora seu próprio cartão e carrega um
vídeo para acompanhá-lo. A empresa envia o cartão de papel pelo correio. Quando
o destinatário o mostrar para um PC com webcam, seu vídeo aparecerá como que
saindo do cartão (mas será mostrado apenas na tela do PC).

A Olympus tem usado realidade aumentada para promover sua
câmera PEN E-PL1. Quem segurar um cartão especial em frente à webcam verá, na
tela do PC, uma versão da câmera gerada por computador. Não há benefício
aparente além de mostrar como você fica fabuloso quando segura a câmera.

Uma agência de marketing e publicidade interativa chamada
Zugara oferece a seus clientes uma grande variedade de promoções de realidade
aumentada. Muitas delas envolvem exibir coisas às webcams das pessoas – coisas que
não existem de fato. A melhor delas é uma aplicação que simula a prova de
roupas em lojas online. Botões flutuam no espaço ao redor do usuário. Ao passar
a mão por um deles, o usuário ativa o botão (para funções como mudança de
estilos, cores e assim por diante).

A BMW usa realidade aumentada para comercializar seu modelo
Z4
. Funciona assim: você imprime um símbolo especial. Quando apontar sua webcam
para a impressão, o carro aparecerá milagrosamente na tela. Você poderá então
aumentar ou diminuir a imagem do carro e até guiá-lo sobre sua mesa. A Toyota e
a Audi têm promoções semelhantes.

Cartões colecionáveis
Um dos primeiros truques de realidade aumentada disponíveis comercialmentes
vem da empresa de cartões de beisebol colecionáveis Topps, que começaram a
circular há cerca de um ano e meio. Os cartões Topps 3D Live mostram uma versão
3D de cada cartão quando exibidos a uma webcam.

Uma revista chamada Time Out New York Kids publicou uma capa
recente que usava realidade aumentada. Ao apontar seu celular para a capa (que
mostrava a foto de um coral de estudantes de Ensino Fundamental), você poderia
ver um vídeo que, surgindo da revista, mostraria as crianças cantando.

À primeira vista, essas aplicações de realidade aumentada
parecem legais, mas carecem de novidade. E as novidades perdem efeito
rapidamente. Essas campanhas de marketing levam os consumidores a participarem
de experiências para ver um vídeo sem sentido que liga algo que não está lá com
algo que está. Dá para imaginar que apenas uma minoria de consumidores faz isso
uma vez, talvez duas. Mas, satisfeita a curiosidade, eles se cansam facilmente.

O maior problema com esses exemplos é que eles não aumentam
a realidade. Eles aumentam marketing e mídia.

Mundos artificiais
No geral, a realidade aumentada envolve ao mesmo tempo
utilidade e o aumento do mundo real, não mundos artificiais de marketing e
mídia.

Uma empresa chamada Shotzoom Software lançou recentemente um
app de 20 dólares para iPhone 4 chamado Golfscape, que usa o giroscópio
embutido no celular para mostrar distâncias quando se aponta o aparelho para,
digamos, o buraco do campo de golfe no qual você quer acertar.

O Golfscape imita a realidade aumentada dos programas
esportivos de TV, onde a linha de impedimento no futebol ou o recorde mundial
de natação é representado em tempo real na tela durante a competição ou partida.
Ela combina o campo de jogo com dados sobre o próprio jogo.

Os apps para smartphones oferecem um tipo limitado de
realidade aumentada – na verdade, uma simulação de realidade aumentada –
baseado em localização mais direção, tal como detectada pelo GPS, bússola,
acelerômetro e, se existir, giroscópio.

Mas, sem o reconhecimento de objetos, isso não é realmente
realidade aumentada, e não é provável que seja adotada pelo público geral que
usa smartphone.

Localizador de carros
A Acrossair constrói apps iPhone personalizados, incluindo
um chamado navegador Acrossair. Há um guia, feito por eles, que o ajuda a localizar
bares. Ele mostra “sinais” flutuando no espaço enquanto você olha em volta,
usando a localização dos sinais virtuais como uma indicação da direção do bar. E
sua função Carfinder permite usar o GPS para localizar seu carro. Para
encontrá-lo depois, basta carregar o app e ver a direção e a distância na tela.
(Não combine bebida com direção. Não há como aumentar sua saída da realidade de
uma prisão por dirigir alcoolizado.) Mas a empresa tem outros apps. Um app com Twitter
mostra os tweets em bilhetes virtuais flutuando no espaço, que indicam a
direção da pessoa que a escreveu.

Outros apps semelhantes incluem os navegadores Wikitude
World Browser, Robot Vision e Layar. Para usar esses apps, basta que você carregue
a aplicação e segure seu celular, e ela lhe mostrará a visão da câmera com
lojas de café, museus ou qualquer coisa flutuando no espaço em mais ou menos a
direção na qual eles residem.

O mais avançado desses é o navegador Wikitude.
Diferentemente dos apps de direção, o Wikitude identifica o prédio, e então liga
a nota a ele. A tecnologia é impressionante, mas está sendo usada de um modo
que degrada a experiência. Como a imagem vem como vídeo, ela chacoalha ou treme
de acordo com os movimentos de sua mão; mas a informação está presa ao prédio.
Resultado: aquilo que você tenta ler fica saltando pela tela. Alguém pode
explicar a razão de funcionar desse jeito?

No fundo, podemos questionar até a razão de essas apps
existirem. Quando você quer saber o caminho até uma cafeteria, não há vantagem
em mostrar a visão de câmera. Segurar a câmera no ar, como um estranho, e girar
até 360 graus para encontrar uma Starbucks (que no fim das contas irá levá-lo
às direções do Google Maps, de qualquer forma) não é melhor que simplesmente digitar
“café” diretamente no Google Maps.

Para que serve
A ideia de realidade aumentada tem sido prematuramente
cooptada para criar interfaces impressionantes, porém inferiores aos dados de
visualização a que nós já temos acesso. Mas não é para isso que existe a
realidade aumentada.

Em outras palavras, sem a identificação do objeto a
realidade aumentada não é realmente a realidade aumentada. Ao sobrepor dados
geoidentificados a uma imagem captada pela câmera, nós obtemos o visual da
realidade aumentada sem o benefício final, que é ser capaz de melhorar nossa
visão do mundo com informação sobre o que estamos vendo, independentemente de localização.

A realidade aumentada se tornará capaz de mudar nossas vidas
quando for combinada com reconhecimento de objetos e reconhecimento de faces.

Vale destacar, contudo, que todas as tecnologias atuais
serão úteis para a realidade aumentada real – isso quando nós tivermos resolvido
o problema do reconhecimento. Por exemplo, o uso de localização mais direção
será útil para restringir as possibilidades de objetos a serem reconhecidos.

A Intel, por exemplo, está trabalhando em um sistema para
reconhecer prédios comparando a foto que você tira com sua câmera com as de uma
base de dados de fotos. Ao propor isso, a Intel está realmente usando
reconhecimento de padrões. O segredo é que ela considera apenas as fotos de
objetos próximos a sua localização, como informado pelo GPS de sua câmera.

A tecnologia da Intel não é muita (e ainda não está
disponível), mas é um começo. De fato, centenas de empresas e universidades
estão trabalhando em problemas que, uma vez resolvidos, trarão a realidade
aumentada como a do “Exterminador” a todos nós. A realidade aumentada do futuro
trará todos esses dados - localização, direção, padrões especiais, e padrões e
reconhecimento facial – e os combinará com uma inovadora tecnologia de display.

A realidade aumentada parece estar em todo lugar. E ainda
não está em lugar nenhum. Aproveite para explorar esses novos truques de
marketing e aplicações baseadas em geolocalização. Mas perceba também que,
apesar de eles serem chamados de realidade aumentada, a coisa real não é realidade
– ainda.

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