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Receita em greve já afeta pequenos fabricantes de computadores

Problemas com importação afetam a produção de fabricantes de menor porte. Paralisação pode ter impacto em produtos na prateleira.

Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

03/04/2008 às 17h28

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Embora menos afetado que a indústria eletroeletrônica e de celulares, o mercado brasileiro de PCs também sente os efeitos da paralisação dos auditores da Receita Federal - que já dura 16 dias -, principalmente as empresas de menor porte.

A Kelow é uma das fabricantes que já sentiu no bolso os efeitos da greve. O faturamento da empresa em março foi apenas 30% do previsto. A companhia, que produz em média 15 mil PCs ao mês e possui cerca de 120 funcionários na linha de produção já dispensou temporariamente alguns empregados.

“Estamos parados há 15 dias. Isso desgasta o relacionamento com nossos parceiros de negócios”, relata Charles Argelazi, diretor de vendas da empresa. “É mais um elemento que favorece o contrabando, pois quem importa ilegalmente continua vendendo normalmente no mercado paralelo”, ele enfatiza.

“A greve vêm em um momento péssimo, pois o mercado estava aquecido”, observa Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data. Na opinião do analista, se a paralisação persistir, podem faltar produtos na prateleira.

Os grandes fabricantes, contudo, não estão sendo impactados pela greve, segundo Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “Ninguém reclamou até agora”, assegura o porta-voz da indústria.

De acordo com o executivo, os fabricantes de PCs de grande porte possuem esquemas de desembaraço especiais – a Linha Azul e o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) –, que os deixam livres das alfândegas portuárias.

“O desembaraço é feito na fábrica, por um sistema que se comunica com a Receita e controla a entrada e saída de mercadorias da planta”, explica o presidente.

Ele admite, no entanto, que os fabricantes de menor porte podem estar sofrendo com a paralisação. “É uma realidade. O mercado paralelo sempre tem vantagem nessa hora”, diz Barbato.

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