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Rede social da Apple precisa de ajustes

Ping, que tem como base o iTunes e pretende ser uma comunidade de fãs de música, é uma plataforma pouco flexível

Ian Paul - PC World/EUA

02/09/2010 às 17h19

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A grande  mudança na nova versao do iTunes, anunciada no dia 1/9, transforma o software de gerenciamento de mídia também em uma rede social graças ao novo serviço Ping. Esperava mais da Apple com essa primeira tentativa de construir uma comunidade ao redor do iTunes. Não é totalmente ruim, mas se a Ping não melhorar logo, essa rede social de orientação de músicas vai sucumbir rápido demais. 

Claro que o iTunes recebeu uma recauchutada, com uma interface melhor e num novo logo, mas com o Ping saindo do forno junto com o iTunes 10, o software vira mais do que um gerenciador de mídia, oferecendo agora um recurso para descobrir músicas, alimentado por recomendações dos amigos e artistas favoritos. O usuário pode utilizar o Ping para compartilhar álbums e músicas que gostar, mostrar as compras recentes do iTunes e shows que pretende ir. 

Para iniciar o Ping é preciso configurar um perfil de usuário (não disponível para contas brasileiras) e então encontrar outras pessoas para seguir, incluindo amigos e artistas. A atividade de todos que o usuário segue é exibida em um feed de atualizações, no qual é possível comentar, “gostar” ou republicar itens para seus seguidores. 

Estive testando o Ping só por algumas horas, mas há algumas impressões da nova rede social da Apple que já merecem ser comentadas:

Achar amigos: não é tão fácil
O Ping carece de uma maneira simples para descobrir quem entre seus amigos já está usando o serviço. Não é possível fazer uma integração com o Facebook Connect, com Twitter ou qualquer base de contatos para encontrar as pessoas conhecidas.

Talvez a Apple esteja preocupada com os problemas de privacidade que esse tipo de integração poderia gerar. Importar contatos pode levantar questões como por quanto tempo a Apple guardaria suas informações, onde estão sendo armazenadas, quão seguras são essas práticas de armazenamento e assim por diante. 

Mas o Ping realmente precisa de algum tipo de mecanismo de busca que permita às pessoas encontrar mais facilmente (de forma integrada) seus amigos. Quer reunir a galera? A opção é enviar convites por e-mail para cada pessoa.

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Ping: um dos maiores problemas da rede social é a dificuldade de encontrar seus amigos lá dentro

Ping no  iTunes: não é tão bom
A rede social é integrada diretamente ao iTunes, sem nenhuma alternativa baseada na Web. Isso fez com que o usuário Jason Mauer comentasse no Twitter que o Ping é como ter uma rede social na prisão. Pode ser um pouco agressivo, mas não há dúvida que o Ping é um jardim murado onde pouca informação pode entrar ou sair. 

Entretanto, o usuário pode compartilhar informações de álbuns para o Facebook e Twitter, da mesma maneira  que é feito no iTunes Store. Mas com o Ping tão fechado dentro do iTunes ao invés de um browser, tenho que imagingar quantas pessoas serão usuários frequentes do Ping...

Privacidade: bom
As configurações  de privacidade são muito diretas, com três opções muito simples. A conta pode ser pública, ou seja, todos podem seguir o usuário e ter acesso a todas as atividades do iTunes incluindo os álbuns recomendados, comentários e compras no iTunes. Se isso for exposição demais, o usuário pode autorizar quem vai segui-lo, mas informações como nome, foto e em que cidade vive serão públicas. Agora, se o caso for privacidade máxima, é possível trancar todo o perfil do Ping para que ninguém veja ou encontre o usuário no iTunes, mas ainda há a possibilidade de seguir outros usuários. 

 

Compartilhamento interno: muito bom
Na rede social, é possível fazer comentários nas atividades do iTunes de outras pessoas, assim como ver quais álbuns e músicas foram compradas. O Ping também exibe as compras no iTunes. Se o usuário descobrir músicas através de outras pessoas que segue, ele pode republicar essas músicas no feed para que o resto dos seguidores possa ver. 

 

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O destaque fica para o equilíbrio entre compartilhamento de informações e privacidade

Até o momento, o Ping é somente para músicas, então não é possível “gostar” de vídeos, podcasts, audiobooks ou aplicativos móveis. No entanto, considerando que o iTunes tem o objetivo de fazer com que o usuário descubra conteúdos e faça as compras na iTunes Store, é provável que o foco do Ping seja expandido ao passar do tempo. Seria interessante também se o usuário pudesse compartilhar álbuns e músicas armazenadas na biblioteca de músicas pessoal. 

Outra coisa que é importante ressaltar é que o Ping é um serviço diferenciado no âmbito que há dois tipos de usuários: artistas e consumidores. Se você é um usuário comum, não é possível enviar conteúdos, como fotos e vídeos dos shows que possa ter ido. 

Aprovação de foto: muito estranha
Ao entrar no Ping, há a opção para inserir uma foto de profile, mas ela não vai ser exibida imediatamente. Por alguma razão, a Apple diz que tem que aprovar a foto do perfil. Presumo que a Apple faça isso no caso do usuário tentar postar algo que a companhia considere obsceno ou que infrinja direitos autorais.

Talvez, e isso é só uma suposição, como o Ping está dentro do iTunes, a Apple precisa se responsabilizar mais pelas atividades dos usuários do que teria se fosse em um site separado. Independentemente da razão, fico imaginando se aprovar cada foto de usuário não é uma via sacra por parte da Apple. 

De forma geral, o Ping é um serviço interessante, contudo não é nada de espetacular. Se eu tivesse que adivinhar a adoção dos usuários da Ping, diria que não seria alta. É uma ferramenta boa, mas não tem a flexibilidade de compartilhamento que outras redes sociais possuem, como o Twitter ou o Facebook.

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