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Rede social une quem precisa de dinheiro com quem tem para emprestar

Em operação há um mês, Fairplace quer se tornar tanto opção para pequenos empréstimos, a juros menores que o dos bancos, como para investimento.

Robinson dos Santos, do IDG Now!

30/04/2010 às 21h51

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Uma rede social criada para unir quem tem e quem precisa de dinheiro. Esta é a ideia por trás da Fairplace, uma comunidade que, mesmo sem ser um banco, quer ser tanto uma opção de crédito como de investimento.

Pela dinâmica, o serviço parece combinar uma rede social a um site de leilões. Só que o bem leiloado – o valor em dinheiro – pode ser oferecido por mais de um vendedor. O preço, no caso, são as taxas de juros: tomador e investidor fazem seus lances, e a taxa mais atrativa ganha.

As justificativa dos pedidos vão das tradicionais ás curiosas. Há quem queira reformar o apartamento ou acertar as contas com o cartão de crédito. Na outra ponta, há os que querem fazer um "mochilão para a Europa" ou "comprar um notebook para a faculdade". O site lista todos os pedidos em andamento, mas sem revelar a identidade das pessoas.

Mútuos
Em termos jurídicos, o que ocorre são contratos de mútuos, em que uma parte é o tomador do empréstimo e a outra parte é um grupo de investidores. A Fairplace não só oferece o ambiente eletrônico em que a negociação ocorre como também gerencia os contratos e cobranças.

“A diferença é que, como mediadora, a Fairplace não está submetida às regulamentações do Banco Central”, explica o sócio fundador e diretor geral da empresa, Eldes Mattiuzzo, que trabalha no mercado financeiro há 17 anos e foi diretor geral da MaxFácil, uma joint-venture financeira dos grupos Unibanco e Ipiranga.

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Já pelo lado financeiro, o perfil da Fairplace lembra o das cooperativas de microcrédito. Os pedidos de empréstimo variam entre 1 mil e 10 mil reais; há apenas duas opções de prazo para amortização, 12 ou 24 meses; e a taxa de juros máxima que um investidor pode pedir é 4,99% ao mês, “para evitar abusos”, explica Mattiuzzo.

Risco diluído
Para investir, o poupador pode depositar o mínimo de 100 reais. O sistema funciona com cotas de 50 reais; portanto, com 100 reais, o investidor poderá emprestar para até duas pessoas. Se entrar com mil reais, o número de pessoas para os quais poderá emprestar sobe para 20 – uma forma de diluir riscos. Quem decide essa divisão é o investidor.

Já o tomador do empréstimo, uma vez que tenha sua solicitação aprovada, poderá sugerir uma taxa de juros e verá seu pedido listado no ‘balcão’ da Fairplace. Como numa bolsa de valores, os investidores poderão fazer contraofertas, oferecendo todo ou parte do dinheiro a juros maiores, até que a dinâmica do mercado estabeleça um acordo.

Que ninguém pense, contudo, que o dinheiro virá fácil. Para controlar a qualidade dos empréstimos, a Fairplace checa os dados financeiros do usuário no banco de dados da Serasa-Experian. Os candidatos são classificados com base em um score que varia de AAA (bons pagadores) a E (altíssimo risco).

Critérios rígidos
O interessado em tomar um empréstimo pode ter a ficha que for, mas os critérios de aceite são rígidos, diz o diretor. “De cada dez pessoas que pedem empréstimo, só três são aceitos pelo site”, conta Mattiuzzo.  Para ele, a restrição se justifica porque, no momento, o site busca ganhar credibilidade.

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No ar desde o início de abril, a Fairplace começa a atrair massa crítica. Tem cerca de 161 mil reais já captados entre 285 investidors, 717 usuários cadastrados e 201 pedidos de empréstimo, totalizando 818 mil reais. Destes, 56 foram aprovados e 23 liberados, a uma taxa média de 3,5% ao mês.

E, apesar de já estar em operação, o site ainda está em fase beta, diz o executivo. “Queremos implantar um fórum com sugestões e uma seção de perguntas e respostas e, mais para a frente, um questionário, como os de sites de leilão, em que tomadores e investidores poderão fazer perguntas entre si”, revela. É esperar para ver.

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