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Análise: Blu Life Play
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REVIEW

Análise: Blu Life Play

Smartphone combina um belo design com um sistema Dual-SIM versátil e desempenho suficiente para as tarefas do dia-a-dia.

Rafael Rigues

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Foto:

A Blu Products, uma empresa norte-americana com sede em Miami, não é muito conhecida entre os consumidores, mas tem uma proposta interessante: produzir smartphones com design e recursos sofisticados, mas com preços menores que os das grandes marcas internacionais.

O Blu Life Play é um destes aparelhos: parece ter sido projetado para competir diretamente com gigantes como o Samsung Galaxy S III e traz uma lista de recursos similares (fino, leve, design atraente, processador quad-core, tela HD, câmera de 8 MP), mas custa menos. E felizmente para a Blu, uma pesquisa recente revelou que os brasileiros se importam mais com os recursos, e não com a marca, ao escolher um smartphone. 

Belo design

O design do Blu Life Play chama a atenção. Ele mede 13,7 x 6,8 cm, tem apenas 7,9 mm de espessura e pesa 125 gramas, ou seja, é mais fino e mais leve do que um Samsung Galaxy S III. A frente é dominada pela belíssima tela LCD IPS de 4.7 polegadas e resolução HD (720 x 1280 pixels). Contraste, cores, ângulo de visão e nitidez são simplesmente excelentes: não importa se você quer ver as fotos do dia com os amigos, assistir um filme ou ler um e-book, a tela não irá te desapontar.

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Blu Life Play: design elegante em várias cores e tela de 4.7" muito bonita

O vidro frontal é cercado por uma borda na cor do aparelho, o que ajuda a quebrar o visual “monolito preto” e dar um pouco de charme. O Life Play está disponível em cinco cores: azul, cinza, rosa, branco e amarelo. Testamos o modelo rosa (Pink, segundo a Blu). A cor tem uma aparência metalizada, e a tampa traseira tem um acabamento fosco que evita a aparência de “plástico barato cheio de marcas de dedo” de outros aparelhos. Ela é de plástico, mas lembra os coloridos iPod Touch produzidos pela Apple, que tem carcaça em alumínio.

Apesar de ser fino e leve o Blu Life Play tem uma construção sólida, que passa confiança. No topo ficam o conector micro USB e um conector de fones de ouvido, e na lateral esquerda os botões de volume e força. Não há um botão para câmera, nem saída HDMI (seja direta ou via MHL) para ligar o aparelho a uma TV de alta-definição. Na traseira ficam a lente da câmera e o flash LED, além de um alto-falante.

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Kit de acessórios inclui fones de ouvido, capinha e película protetora para a tela

Vale mencionar que o Life Play vem com o conjunto de acessórios mais completo que já vi em um smartphone em um bom tempo. Na embalagem você vai encontrar um carregador e cabo USB, fones de ouvido intra-auriculares com detalhes na cor do aparelho, uma capinha de silicone, também na cor do aparelho, e até mesmo uma película para a proteção da tela contra riscos. Ou seja, tudo o que você precisa para usar e proteger seu smartphone sem gastar um centavo a mais. Uma ótima idéia, que gostaríamos que fosse copiada por outros fabricantes.

Por dentro o Life Play é baseado em um processador quad-core da MediaTek, o MT6589, rodando a 1.2 GHz e acompanhado por 1 GB de RAM. Também há 4 GB de memória interna, dos quais 1,75 GB estão disponíveis aos usuário. Parece pouco, mas aqui o Life Play tira uma carta da manga: ele tem um slot para cartões microSD de até 32 GB, e o sistema permite escolher (em Configurações / All Settings / Armazenamento / Local de instalação preferido) onde os apps e seus dados serão instalados.

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É possível definir onde os apps, e seus dados, serão instalados

Se você inserir um cartão microSD de 8 GB no aparelho e escolher Cartão SD removível nessa tela, terá efetivamente 8 GB de memória interna. É uma ótima notícia especialmente para os gamers, já que muitos jogos modernos ocupam, sozinhos, mais de 1 GB. Faltou espaço para mais um jogo? É só copiar os dados do cartão para um maior e colocá-lo no aparelho.

O Blu Life Play é um smartphone Dual-SIM 3G, e os slots para os SIM Cards ficam sob a tampa traseira, logo acima da bateria de 1800 mAh, que é removível. O Slot 1 é para um microSIM, e o Slot 2 para um SIM de tamanho normal. O aparelho também tem Wi-Fi (802.11 b/g/n), Bluetooth 4.0, GPS e Rádio FM.

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Blu Life Play sem a tampa traseira. As setas vermelhas indicam a posição dos SIM Cards, a azul indica o cartão microSD

Software em “portuglês”

O Blu Life Play roda o Android 4.2.1, e em sua maior parte o sistema é “limpo”, livre de interfaces customizadas (como a TouchWiz da Samsung) ou modificações impostas por operadoras, como apps pré-instalados. Na verdade o software do Life Play traz um tema que muda a aparência de alguns elementos da interface, como a tela de configurações e o menu que surge ao segurar o botão de força. Esse tema não incomoda nem atrapalha.

Falando na tela de configurações ela foi modificada e dividida em duas categorias, com os ajustes mais comuns (Common Settings) em um lado e todos os outros (All Settings) no outro. E talvez vocês já tenham notado: embora a maioria do sistema esteja em português, uma parte dos menus e itens está em inglês. Entre elas todas as configurações de som (Sound & Vibrate) e economia de energia (Power saving).

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Parte do software no Blu Life Play ainda está em inglês

Alguns apps também estão em inglês, como o Gerenciador de Arquivos (File Explorer), o reprodutor de Músicas (Music) e o App Manager, que permite mover apps do cartão SD para a memória, desinstalá-los e controlar quais são inicializados junto com o sistema. Até mesmo o app de mensagens SMS e o discador tem partes em inglês.

Software em inglês em um produto vendido oficialmente no Brasil é um problema sério, já que usuários podem acabar não aproveitando todos os recursos do sistema por não conhecer o idioma. Espero que a Blu corrija isto com uma atualização de software no futuro.

Dual-SIM versátil

Como todo smartphone Dual-SIM o Blu Life Play permite definir nomes e cores para identificar cada linha ou SIM Card, bem como definir qual linha será o padrão para chamadas de voz e de vídeo, mensagens e dados. E se você quiser fugir do padrão ao escrever ou chamar é possível escolher um outro SIM em um menu no painel de notificação, no topo de tela.

O Life Play é um smartphone do tipo “Dual Active”. Ou seja, é possível receber uma chamada em uma linha mesmo durante uma chamada em outra. E o melhor, é possível “mesclar” as duas chamadas, criando uma conferência. Um download via 3G em uma das linhas não impede o usuário de receber uma chamada na outra, ao contrário do que acontece com concorrentes como o RAZR D3, da Motorola. No Life Play o download é pausado e continua automaticamente assim que a chamada termina.

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Basta clicar no botão Audio Recordings para gravar uma chamada

Também é possível gravar chamadas, basta clicar em More / Audio Recordings durante uma chamada. Mas a qualidade do áudio deixa a desejar, ele é abafado e entrecortado. Acessar as gravações não é tão fácil: elas ficam na pasta Recording / Call Recording no cartão de memória, e para chegar até lá você terá de usar o gerenciador de arquivos (File Manager). Seria melhor se o próprio app de telefonia tivesse um atalho para elas. 

Exemplo de gravação de chamada no Blu Life Play. Clique para reproduzir

Câmera faz fotos boas, mas a interface é confusa

O Blu Life Play tem uma câmera traseira de 8 MP, além de uma câmera frontal para videochamadas. O software da câmera foi um dos pontos onde a Blu decidiu desviar do Android “puro”, e eu gostaria que ela não tivesse feito isso.

Em primeiro lugar porque ele tem uma clara tendência a subexpor as imagens, que saem mais escuras do que deveriam (veja o comparativo abaixo). Em segundo porque a interface ficou mais complexa do que o necessário. O modo HDR, por exemplo, está escondido dentro das configurações: são necessários “dois cliques” para chegar ao menu onde ele pode ser ativado. E os ícones poderiam ser mais claros: não é óbvio que os efeitos de cor estão na Arara, e as molduras da imagem no Dente de Leão.

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A cena da esquerda foi fotografada com a câmera padrão do Blu Life Play. A da direita com o app Camera JB+

Felizmente os problemas com o software da câmera podem ser resolvidos com um app alternativo. O Camera JB+, por exemplo, custa R$ 5,00 no Google Play e restaura a câmera original do Android 4.2.

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Interface da câmera. Alguns recursos estão ocultos, e alguns ícones não são claros

As fotos no geral são boas, certamente melhores que as de concorrentes na mesma faixa de preço como o Sony Xperia SP, embora tenham ruído visível nas partes mais escuras ou mesmo em áreas de cor sólida, mas não a ponto de arruinar as imagens. O Blu Life Play também grava vídeo em resolução Full HD (1080p).

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Paisagem diurna fotografada com o Blu Life Play. Clique para ampliar

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Foto diurna feita com o Blu Life Play. Clique para ampliar

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Foto noturna feita com o Blu Life Play. Clique para ampliar

Desempenho é o suficiente, bateria dura o bastante

Os benchmarks mostraram que o desempenho do processador quad-core do Blu Life Play é menor do que o esperado para os chips desta categoria. No AnTuTu foram 12.957 pontos, 26% a menos do que o Nexus 4 da Google, nosso Android de referência e também equipado com um processador quad-core. No Geekbench o Life Play chegou aos 1.299 pontos, 38% menor que o Nexus 4. E no Ice Storm, parte do 3DMark, um teste que mede o desempenho gráfico (como em jogos) foram 3145 pontos, 72,6% a menos que no aparelho da Google (que fez 11.468 pontos)

Na verdade o Life Play ficou atrás de alguns aparelhos com processadores dual-core, como o recém analisado Sony Xperia SP, que chegou a 16.968 pontos no AnTuTu, 2.095 pontos no Geekbench e 10.244 pontos no Ice Storm.

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Desempenho do Blu Life Play no AnTuTu

Mas os benchmarks só contam parte da história. É verdade que o processador MT6589 não é tão poderoso quanto seus concorrentes, mas também é verdade que não tivemos nenhum problema para realizar todas as tarefas típicas no dia-a-dia, como navegação na web, acesso a redes sociais ou reprodução de vídeo em alta-definição. Ou seja, ele pode não ter poder de sobra, mas tem o suficiente.

Já o desempenho em jogos varia. Alguns como Shadowgun, Sonic 4 Episode II, Need for Speed: Most Wanted e mesmo o recém-lançado Riptide GP2 rodaram bem. Mas tivemos problemas em outros como Asphalt 7 e Real Racing 3. Asphalt rodou com gráficos muito bonitos, mas uma taxa de quadros muito baixa, prejudicando a jogabilidade. E Real Racing 3 não roda, “trava” durante o vídeo de abertura.

Já nos testes de autonomia de bateria chegamos ao fim de um dia de trabalho sob uso típico, cerca de 11 horas “fora da tomada”, com 25% de bateria restantes, o que dá uma estimativa de cerca de 15 horas de autonomia com uma carga. Nada mal. No teste de reprodução de vídeo, feito com o aparelho em modo avião e o brilho da tela em 50%, conseguimos pouco mais de 7 horas.

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Autonomia de bateria: suficiente para um dia típico de uso

Lembramos que nossos testes de autonomia de bateria são feitos com o modo de economia desativado.

Veredito 

O Blu Life Play é bonito, tem o necessário para não desapontar o usuário no dia-a-dia e recursos Dual-SIM que o tornam uma opção interessante para quem precisa ter duas linhas de telefone sempre disponíveis. Segundo a Blu Products o aparelho tem preço sugerido de R$ 1.299.

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