Imagem de fundo do header
Análise: Kindle Paperwhite é melhor e-reader já lançado pela Amazon
Home  >  Review
REVIEW

Análise: Kindle Paperwhite é melhor e-reader já lançado pela Amazon

Com tela iluminada de 6" e definição maior, aparelho se destaca em relação aos modelos anteriores. Preço alto e ausência de controles físicos são pontos negativos.

Luiz Mazetto

kindlepaperwhite_43501.jpg
Foto:

Lançado no Brasil na segunda metade de março, o Kindle Paperwhite chega como mais uma opção em um mercado ainda tímido para os e-readers e e-books. O aparelho mais completo da Amazon desembarcou por aqui cerca de quatro meses depois da chegada da empresa ao país com o Kindle mais básico, em dezembro de 2012. Com preços entre R$ 480 e R$ 700, nas versões com Wi-Fi e Wi-Fi + 3G, respectivamente, o Paperwhite traz como grande diferencial a tela de 6 polegadas sensível ao toque e iluminada, o que permite ao usuário ler confortavelmente sob várias condições de luz, até mesmo em locais escuros. 

O aparelho

Assim como outros e-readers do mercado, o Paperwhite possui 2GB de memória interna. Mas no aparelho da Amazon ela não pode ser expandida com cartões, por exemplo. Segundo a fabricante, esse espaço é suficiente para armazenar mais de 1.100 livros, o que parece ser suficiente para o usuário típico.

O site da fabricante aponta que a bateria do PaperWhite dura cerca de 8 semanas, sob condições que incluem 30 minutos de uso por dia com Wi-Fi desligado e brilho no nível 10. Nos testes da PC World, a bateria ficou próxima do fim após um total de duas semanas de uso, com o Wi-F habilitado e o mesmo brilho na tela durante todo o tempo - e o 3G usado ocasionalmente. Nesse período, as atividades incluíram uma média de uma hora de uso diário, resultando em um total de 200 páginas lidas em duas semanas, além de ocasionais acessos à web pelo navegador integrado e visitas à loja virtual de e-books da Amazon. Vale notar que a recarga de bateria é feita via cabo USB ligado diretamente no computador.

Pesando pouco mais de 200 gramas e com apenas um centímetro de espessura, o Paperwhite é extremamente portátil e fácil de carregar em muitas situações. O aparelho também chama a atenção pelo design minimalista: traz apenas um botão físico, para ligar, reiniciar e acordar/dormir, que fica ao lado da porta USB usada para recarga da bateria. O visual sóbrio também agrada. O aparelho só está disponível na cor preta e traz a parte traseira emborrachada, o que facilita na hora de segurar o gadget com uma ou duas mãos.

novo kindle paperwhite

E-books

Assim como todos os outros aparelhos da linha Kindle, o Paperwhite só permite o acesso à loja de e-books da Amazon. De acordo com a empresa, atualmente são oferecidos um total de 1,8 milhões de títulos por aqui, incluindo 19 mil obras em português – com cerca de 2.500 e-books gratuitos.

Em comparação, o outro e-reader à venda no Brasil, o Kobo, é “aberto” e permite que o usuário leia livros digitais adquiridos em diversos locais e em vários formatos, sem ficar preso à apenas uma loja – mas não é compatível com a loja da Amazon, obviamente. Em uma pesquisa rápida, foi possível notar que muitas obras (em português) possuem preços parecidos na Amazon e em outras lojas rivais, como Livraria Cultura e Saraiva. No entanto, a loja de e-books da Amazon no Brasil traz um catálogo bastante amplo, com muitas obras importadas não disponíveis em outras livrarias virtuais do país, o que pode ser um diferencial a favor para quem costuma ler bastante em inglês, por exemplo.

kindlepaperwhite_43501.jpg

Além disso, a experiência de compra na loja da Amazon foi bastante simples e intuitiva, com o download sendo realizado de forma rápida tanto no Wi-Fi quanto no 3G – com duração de um minuto no máximo em ambos os casos. Outro recurso que merece destaque e torna a experiência mais agradável é a possibilidade de baixar uma amostra gratuita de qualquer livro digital antes de se decidir pela compra.

Apesar de só ter acesso à loja da Amazon, o Kindle permite a leitura de documentos em outros formatos, como PDF, Word, HTML, JPG e PNG (mas não EPUB, um padrão aberto), entre outros, por meio do serviço de documentação pessoal. Para isso, basta enviar o arquivo em um dos formatos suportados como anexo para o endereço de e-mail do aparelho, que provavelmente será o seu endereço de e-mail fornecido no cadastro com o final @kindle.com. Acesse a página da Amazon.com.br para mais informações sobre o recurso.

Leitura

O fato é que em duas semanas com o Paperwhite consegui ler muito mais do que a rotina me permite com livros de papel e me senti menos cansado também – usuários de outros e-readers, incluindo outros modelos do Kindle e aparelhos rivais, como o já citado Kobo, disseram ter tido experiências parecidas nesse sentido. Acredito que isso acontece pela ótima qualidade da tela (com definição de 758x1024), que realmente se aproxima da definição do papel, mais a facilidade de transporte do gadget com diversos livros carregados. Além disso, a possibilidade de ler no escuro sem cansar a vista, como acontece na leitura de e-books em tablets, também é mais do que útil no dia-a-dia.

Os famosos “fantasmas” presentes na mudança de página continuam lá, assim como em qualquer outro e-reader, mas nada que incomode ou sirva de distração na hora da leitura. Os diferentes níveis de iluminação permitem uma variedade de ajustes pelo usuário e ajudam os olhos a “pesarem” menos.  Como já admitido pela própria Amazon, o Paperwhite exibe algumas pequenas manchas na parte inferior da tela quando usado em ambiente escuro e com a tela com a iluminação mais alta, mas nada que interfira diretamente na leitura do conteúdo.

A presença de um dicionário embutido, que não exige uma conexão com Internet para funcionar, e um “contador” em tempo real, que exibe a porcentagem da obra já lida, contam pontos a favor do aparelho. Vale lembrar que é possível também sincronizar seus livros e leituras (marcações, página em que parou) entre o seu aparelho Kindle e outros gadgets com o aplicativo do e-reader, como smartphones e tablets iOS e Android.

kindlepaperwhite02.jpg

Kindle Paperwhite à direita e folha de papel à esquerda

Case obrigatório

Vale notar que é indispensável a compra de um case para o Kindle, já que sua tela aparenta ser bastante sensível, ainda mais para usuários cada vez mais acostumados com telas resistentes de smartphones e tablets com Gorilla Glass. A impressão é que a qualquer batida ou contato com um objeto, como um molho de chaves na bolsa/mochila, a tela do Paperwhite pode sofrer algum dano. Pode ser uma boa pesquisar outros modelos compatíveis, já que os preços dos cases “oficiais” são um tanto altos. O Ponto Frio, revendedor autorizado da Amazon, por exemplo, possui capas de couro para Kindle que custam 150 reais, metade do preço da versão básica do e-reader, que custa 300 reais no Brasil.

kindlepaperwhitecase.jpg

Wi-Fi ou 3G?

Após duas semanas com um Kindle Paperwhite 3G, a impressão que fica é que os 220 reais a mais cobrados por esse modelo não valem a pena – recapitulando, o modelo com Wi-Fi custa 480 reais e a versão com 3G sai por 700 reais. Apesar de o 3G gratuito e universal da Amazon ser útil (e estar disponível em mais de 100 países), ele só funciona para o download de e-books. E, em um mundo cada vez mais conectado e com redes Wi-Fi à disposição, esse parece um investimento que terá pouco retorno no dia-a-dia do usuário. 

Basta fazer o download em casa, no trabalho ou qualquer outro local com Wi-Fi, dos livros de sua escolha e então circular com o aparelho já com o conteúdo carregado. Dificilmente haverá uma situação de emergência em que será preciso baixar um determinado título em um local sem Wi-Fi para o 3G ser algo realmente útil ao consumidor. Até mesmo o navegador web do Paperwhite, que só deve ser usado em situações  em que o usuário não tiver outra forma de acessar a Internet, só funciona em conexões Wi-Fi.

Pontos negativos

É verdade que o preço do Paperwhite assusta um pouco, ainda mais comparado aos EUA, onde custa entre 120 e 180 dólares, sendo quase 100 reais mais caro em relação ao rival Kobo Glo, vendido no Brasil pela Livraria Cultura. O Paperwhite Wi-Fi custa 480 reais contra 400 reais do Kobo Glo – a Livraria Cultura baixou o valor do e-reader em 50 reais na época do lançamento do Paperwhite por aqui.

Outro ponto negativo é que o Paperwhite pode ser comprado em pouquíssimas lojas físicas, incluindo alguns quisoques em shoppings de São Paulo e Rio de Janeiro e mais algumas unidades da Livraria da Vila na capital paulista. Ou seja, quem mora em qualquer outro local do Brasil não pode testar o aparelho antes de se decidir pela compra.

Apesar de a tela touch apresentar boa resposta para a leitura e troca de páginas, a digitação precisa ser feita de forma lenta, para que todas as letras sejam registradas da maneira correta. Alguns veículos reclamaram do fato de o aparelho não trazer botões físicos para a troca de páginas, como acontece no modelo básico, mas a tela touch do Paperwhite responde bem ao toque para essa função e o que faz realmente falta é um botão físico para o ajuste de brilho.

Conclusão

Apesar dessas considerações feitas acima, o Kindle Paperwhite é um aparelho muito bom e provavelmente o melhor e-reader do mercado. Resumindo: a possibilidade de ler em diferentes iluminações, com uma tela agradável aos olhos, somada aos bons recursos já citados e ao fato de o Paperwhite ser portátil e fácil de segurar com apenas uma mão, ajudam a tornar a leitura mais fácil e acessível no dia-a-dia, seja na cama antes de dormir ou no metrô indo para o trabalho. Além disso, o ótimo catálogo da Amazon aliado à facilidade de compra de conteúdo tornam o Kindle Paperwhite uma ótima opção de compra para quem quer entrar nesse “mundo dos e-readers”. 

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail
Vai um cookie?

A PCWorld usa cookies para personalizar conteúdo e anúncios, para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você aceitará o uso. Para mais detalhes veja nossa Política de Privacidade.

Este anúncio desaparecerá em:

Ir para o site