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Análise: Sony Xperia S
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REVIEW

Análise: Sony Xperia S

Carro-chefe da família Xperia NXT tem uma tela belíssima, boa câmera e bom desempenho, mas erros no design e um sistema operacional antiquado tiram seu brilho.

Rafael Rigues, PCWorld Brasil

Foto:

A “linha 2012” de smartphones da Sony, batizada de Xperia NXT, foi anunciada em maio e é composta por três aparelhos: Xperia S, Xperia P e Xperia U. Entre eles o destaque é o Xperia S, equipado com recursos como um processador dual-core de 1.5 GHz, uma tela HD de 4.3”, câmera de 12 MP e 32 GB de memória interna. É uma ficha técnica impressionante, digna do rótulo de um “superfone”. Mas como ele se comporta no dia-a-dia, e perante concorrentes de peso como o Galaxy S III? Continue lendo para descobrir.

Hardware

O Xperia S é baseado em um processador dual-core Qualcomm Snapdragon S3 de 1.5 GHz, acompanhado por um 1 GB de RAM e 32 GB de memória interna. A câmera traseira tem resolução de 12 MP, a maior entre os smartphones Android atualmente no mercado, e também há uma câmera frontal para videochamadas. Na lateral direita há um conector micro HDMI: para ligar o smartphone à TV você só precisa de um cabo micro HDMI - HDMI, barato e fácil de encontrar, em vez de adaptadores especiais como no Galaxy S III ou Galaxy X.

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Xperia S: design "quadradão"

A tela do Xperia S merece destaque. Ela tem 4.3” e resolução HD (1280 x 720 pixels), o que dá uma densidade de pixels de 342 ppi, mais do que os 330 ppi da tela retina do iPhone 4S. Isso significa que texto é incrivelmente nítido, o que é bom para quem navega muito na web ou usa o celular como e-Reader, e há um excelente nível de detalhes ao ver fotos e assistir vídeos. As cores são vivas e a imagem tem boa saturação, e embora o contraste não chegue ao nível de uma tela AMOLED, é muito bom para uma tela LCD. E a visibilidade sob a luz do sol é excelente, uma das melhores que já vimos.

O design é “quadradão”, com cantos retos e uma traseira curva. O modelo que testamos é branco com acabamento fosco, o que evita marcas de dedo, mas também é possível encontrar nas lojas uma versão na cor preta. Na lateral direita há uma raridade entre os smartphones modernos: um botão de dois estágios para a câmera.

Tenho duas reclamações sobre o design: a primeira é que a tampinha que cobre a porta USB (na lateral esquerda) é difícil de fechar, e você vai ter de lidar com ela todo santo dia para recarregar a bateria. Seria melhor que não houvesse tampinha nenhuma. A segunda é quanto aos botões Back, Home, Menu.

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Os círculos vermelhos mostram os ícones correspondentes aos botões Android. Os azuis o local onde você realmente tem que tocar

Os ícones correspondentes a cada botão estão impressos em uma barra transparente abaixo da tela. Portanto, qualquer pessoa que usa um Xperia S pela primeira vez tenta tocar nestes ícones... e nada acontece. Os botões são na verdade pequenos pontos prateados acima dos ícones, na borda preta entre a barra e a tela. E não são lá muito sensíveis, por várias vezes me peguei tendo que repetir toques até que o comando fosse reconhecido.

Outro item que pode desagradar os usuários: a tampa traseira é removível, mas debaixo dela tudo o que você vai encontrar é o slot para um cartão micro SIM. A bateria não é removível, e não há um slot para cartões microSD.

NFC

Assim como seu irmão Xperia P (e concorrentes como o Galaxy X e Galaxy S III) o Xperia S tem um leitor NFC embutido. Assim ele pode ler informações de “etiquetas inteligentes”, minúsculos chips que podem ser embutidos em uma variedade de objetos do dia a dia. Os possíveis usos para a tecnologia são muitos, desde obter mais informações sobre um filme ou atração turística simplesmente aproximando o smartphone de um pôster ao uso do aparelho como “carteira eletrônica” para pagar pequenas despesas no dia-a-dia, algo já muito popular no Japão (onde é chamado de “Osaifu-Keitai”, algo como “Celular Carteira”) e que está dando os primeiros passos no ocidente, com sistemas como o Google Wallet nos EUA.

Enquanto tais sistemas de pagamento não começam a funcionar por aqui, dá para aproveitar o NFC em outras funções. A Sony comercializa as “Smart Tags” um conjunto de quatro etiquetas plásticas (R$ 69,00) que podem ser usadas para automatizar tarefas do dia-a-dia. Ao ler a etiqueta “quarto”, por exemplo, o Wi-Fi e Bluetooth são desligados, o celular entra em modo silencioso e o despertador abre automaticamente. Leia a etiqueta “carro” e o aparelho pode se conectar ao sistema de som do veículo via Bluetooth, entrar em modo silencioso e abrir um aplicativo de GPS. Estes nomes e perfis são apenas sugestões, e podem ser modificados ao gosto do usuário.

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SmartTags (vendidas separadamente) ajudam a automatizar tarefas

As tags não são um acessório exclusivo do Xperia S, e podem ser usadas com qualquer outro smartphone Android equipado com NFC. Basta instalar os aplicativos LiveWare Manager e SmartTags, gratuitos no Google Play.

Câmera

O Xperia S tem uma câmera de 12 MP acompanhada por Flash, que além de fotos também é capaz de gravar vídeos em Full HD (1080p). As fotos diurnas são muito boas: nitidez e fidelidade de cor são excelentes, e a câmera consegue equilibrar muito bem situações de forte contraste entre luz e sombra. É possível fazer fotos panorâmicas e até panoramas em 3D, que devem ser vistos em uma TV 3D ligada ao smartphone com um cabo HDMI.

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Xperia S conseguiu equilibrar bem o céu e a área de sombra. Clique para ampliar

Sob pouca luz, entretanto, a história é outra. A imagem sofre com ruído de cor excessivo, o que prejudica a qualidade. Também fica mais difícil focar. Uma solução é tentar focar nas áreas de maior contraste da imagem. Na gravação de vídeo, notamos casos em que o sistema de foco automático “se perdeu” sem explicação: mesmo em um ambiente bem iluminado, com a câmera parada e uma cena pouco movimentada o software decidiu mudar o foco e arruinou o clipe.

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Detalhe de uma foto noturna feita com o Xperia S mostra o ruído. Clique para ampliar

O Xperia S traz um recurso que permite o acesso direto à câmera mesmo que a tela esteja desligada. Em vez de apertar o botão de força, desbloquear a tela e abrir a câmera, basta segurar o botão da câmera por um segundo e você está pronto para fotografar. Só tem um detalhe: sempre que você faz isso o Xperia S tira uma foto. E como você não está esperando que isso aconteça, no fim de um dia você terá muitas imagens do chão, do seu pé ou coisa que o valha para apagar. Felizmente o problema pode ser resolvido: abra a câmera e clique em Menu / Início Rápido e selecione a opção Somente iniciar. Com isso a câmera vai ligar quando você segurar o botão, mas não vai bater aquela primeira foto.

Software

Aqui está o principal problema com o Xperia S. Ele chega às lojas com o Android 2.3 “Gingerbread”, sendo que seu sucessor, o Android 4.0 “Ice Cream Sandwich”, foi anunciado oito meses atrás (e o sucessor deste, o 4.1 “JellyBean”, há algumas semanas). É verdade que há um adesivo logo na caixa prometendo uma atualização de sistema (prevista para setembro), e a Sony tem cumprido a promessa de manter seus aparelhos atualizados, mas ainda assim não dá pra deixar de notar o gostinho de “pão amanhecido” quando você liga o aparelho.

Com o Gingerbread o usuário fica privado de alguns recursos do ICS como o sistema de notificações melhorado, um sistema nativo de monitoramento de consumo de dados, transcrição de voz (ditado), um cliente de e-mail mais sofisticado e melhorias gerais no desempenho e autonomia de bateria. E não pode usar aplicativos exclusivos para o ICS, como o Google Chrome. Aceitaríamos o Gingerbread em um aparelho de baixo custo, mas não em um modelo que é o “top” de sua família.

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Adesivo na caixa promete upgrade para o Android 4, mas só em Setembro...

A Sony pré-instala uma série de aplicativos no aparelho, entre eles o Facebook, Whatsapp, Evernote, McAfee Mobile Security (que inclui antivírus, bloqueador de chamadas, filtro de SMS e localizador de aparelhos perdidos ou roubados, entre outros recursos) e o pacote de aplicativos de escritório OfficeSuite 5, que permite visualizar (mas não criar) arquivos do Word, Excel e PowerPoint, além de documentos em PDF.

Alguns dos aplicativos são versões de demonstração, como o jogo Block Breaker e o GPS WisePilot. Neste é necessário desembolsar pelo menos US$ 1.49 por dia por uma licença de navegação. Alertas de radar custam mais US$ 2.95 por dia, e o download dos mapas para a memória do smartphone custa US$ 4.95.

Desempenho e autonomia de bateria

No AnTuTu, nosso benchmark padrão para smartphones Android, o Xperia S chegou aos 6625 pontos, um pouco à frente de aparelhos como o Motorola RAZR e o Samsung Galaxy S II. É o esperado, já que ambos tem processadores dual-core de 1.2 GHz, enquanto o Snapdragon S3 no aparelho da Sony roda a 1.5 GHz. No dia-a-dia isso se traduziu em bom desempenho em todas as tarefas. Mesmo jogos pesados, como N.O.V.A. 3, da Gameloft, rodam bem, embora sem todos os efeitos visuais encontrados em aparelhos mais poderosos, como o Samsung Galaxy S III.

Já em nossos testes de autonomia de bateria conseguimos cerca de 6 horas e 15 minutos na reprodução de vídeo (com o aparelho em modo avião e brilho da tela a 50%) e cerca de 4 horas e 41 minutos de uso intenso na navegação à internet (fazendo download de arquivos, com a tela ligada). Se levarmos em conta que um Galaxy S II passa das 8 horas na reprodução de vídeo, o resultado não é dos melhores.

No uso típico no dia-a-dia chegamos a 14 horas de autonomia, em média. O problema é que atingimos essa marca com muito pouco uso: cerca de 2 horas de 3G, algumas fotos, atualização constante de e-mails e redes sociais e praticamente nenhuma chamada durante o dia inteiro. Se você é um “heavy user”, precisará ter um carregador sempre à mão.

Conclusão

O Xperia S não é um aparelho ruim. Tem um design atraente, uma tela excelente, bom desempenho e uma câmera que, na maioria das situações, faz fotos muito boas e até panoramas em 3D. O problema é o preço sugerido, R$ 1.799, que o coloca muito próximo de concorrentes como o Galaxy S III, que tem hardware muito superior e uma versão do sistema operacional mais atualizada. Na verdade, considerando o desempenho eu colocaria o Xperia S na mesma categoria de aparelhos como o Galaxy S II, RAZR e Galaxy X, que podem ser encontrados por volta de R$ 1.500.

De qualquer forma, nossa sugestão é: se você se interessou por ele, aguarde a prometida atualização para o Android 4.0. Até lá os preços devem cair um pouco, o que irá torná-lo um melhor negócio.

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