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BlackBerry PlayBook: um tablet que não impressiona
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BlackBerry PlayBook: um tablet que não impressiona

Bom hardware e ótima integração com os smartphones BlackBerry são pontos fortes, mas câmera medíocre e pequeno catálogo de apps desapontam

Rafael Rigues, PCWorld Brasil

Foto:

Lutando contra dezenas de tablets Android por um espaço em um mercado dominado pelo iPad o PlayBook, da RIM, é um tablet curioso. Com design sóbrio, hardware bastante capaz, excelente integração com os smartphones BlackBerry e um sistema operacional com um punhado de idéias legais, ele não é ruim. Mas ainda assim, não conseguiu cativar nosso coração durante os testes.

Pequeno (são 19,4 x 13 cm, com 1 cm de espessura e peso de 425 gramas), o tablet é um retângulo preto, com apenas um botão liga/desliga (incrivelmente duro) e controles de volume no topo e uma câmera na traseira. A frente é dominada por uma bela tela de 7” com resolução de 1024 x 600 pixels e excelente ângulo de visão, e acima dela fica uma segunda câmera para videochamadas. Ladeando a tela estão dois discretos alto-falantes.

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BlackBerry PlayBook

Por dentro o PlayBook tem um processador dual-core, um Texas Instruments OMAP 4430 rodando a 1 GHz, acompanhado de 1 GB de RAM. O modelo que testamos tinha 16 GB de memória interna (R$ 999, preço sugerido pelo fabricante), mas também há uma versão com 32 GB. Em ambos os casos, não há entrada para cartões de memória. Também há Wi-Fi (802.11 a/b/g/n), Bluetooth 2.1, GPS e um conector micro-HDMI, para conexão do tablet a TVs de alta-definição.

Software

O PlayBook roda um sistema operacional próprio, o PlayBook OS. O tablet que analisamos estava rodando a versão 2.0, que traz melhorias de desempenho e novos recursos, como os programas de e-mail e calendário. Se você tiver um PlayBook com o sistema 1.0, a atualização é fácil e gratuita: conecte-se à internet e vá em Configurações / Atualizações de Software / Verif. atualizações. Recomendamos uma conexão de banda larga para o download, que tem mais de 500 MB.

O PlayBook OS tem uma interface parecida com a de outros sistemas. No topo da tela fica uma barra de status com data, hora e indicadores de nível de bateria e conexões (Bluetooth, Wi-Fi) e no rodapé uma “dock” customizável, com atalhos para seis aplicativos. Aplicativos abertos aparecem em “miniaturas” no centro da tela, basta tocar em uma delas para voltar ao app.

Para navegar pela interface são usados gestos partindo das bordas da tela. Deslizar o dedo da borda inferior para o centro da tela, por exemplo, “minimiza” o aplicativo e traz à tela a dock (como o botão “Home” num aparelho Android). Deslizar da borda superior para o centro da tela abre um painel com opções do aplicativo (como a tecla Menu no Android). Deslizar os dedos da lateral esquerda ou direita para o centro da tela alterna entre os aplicativos abertos (como “Alt+Tab” no Windows). Uma setinha no canto direito da dock dá acesso à “gaveta” com todos os aplicativos.

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Interface do PlayBook: Barra de status no topo, apps abertas no centro e dock embaixo

A instalação de novos apps é feita usando a App World, uma loja não muito diferente do Android Market ou App Store da Apple. Há aplicativos pagos e gratuitos, divididos em categorias, além de recomendações e avaliações deixadas por outros usuários. Uma área chamada MyWorld lista os aplicativos já instalados e permite atualizar, desinstalar ou reinstalar qualquer um deles.

Aqui vale mencionar que o catálogo de aplicativos para o PlayBook na App World é muito menor que nos concorrentes. Você quer um cliente Twitter oficial? Assistir filmes via streaming no Netflix ou Netmovies? Pagar as contas via “Home-Banking” no Itaú? Conversar via Skype? Não há aplicativos para nada disso no PlayBook, embora eles existam no Android e iOS.

Há alguns aplicativos interessantes, como o Placar UOL com resultados do futebol em todo país, ou o do Cinemark com trailers, sinopses e horários dos filmes em cartaz nos cinemas da rede, e até um app de Home Banking do Bradesco. Mas, novamente, a oferta é limitada quando comparado aos concorrentes.

O PlayBook OS 2.0 tem a capacidade de rodar alguns aplicativos Android (com algumas restrições http://goo.gl/tBM3q), mas não espere ter acesso ao Android Market inteiro. Desenvolvedores precisam converter seus aplicativos e enviá-los um a um à RIM. As apps aparecem misturadas às versões nativas, sem distinção. Infelizmente o único app Android que conseguimos identificar, um leitor de notícias da BBC News, não funcionou direito.

O mecanismo de buscas na App World precisa ser melhorado. Fizemos um teste simples, uma busca por “Twitter” ordenada por preço, tentando encontrar um cliente gratuito. Nenhum dos 15 primeiros resultados era um cliente Twitter. Uma busca com o mesmo termo ordenada por “Relevância” listou, além de clientes Twitter, jogos, leitores de notícias, apps de golfe e fotografia que não tem nada a ver com o Twitter.

Uma coisa curiosa que notamos é que a App World não pode fazer múltiplos downloads/atualizações simultâneamente, e a velocidade de download é baixa: levamos várias horas para baixar “Asphalt 6”, um jogo de 500 MB, via Wi-Fi em uma conexão de 10 Mb/s, coisa que em um aparelho Android, conectado à mesma rede, levou minutos. Isso se repetiu com outros aplicativos.

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Loja de aplicativos tem problemas na busca e baixa velocidade de download

O PlayBook OS 2.0 também tem uma galeria de imagens, players de música e vídeo, um cliente YouTube, cliente de e-mail e calendário, navegador web e utilitários como calculadora e gravador de voz, entre outros. O navegador tem suporte a vídeos e animações em Flash e navegação com “abas”. Entre os programas pré-instalados destacam-se o DocsToGo, que permite ler e criar documentos e planilhas nos formatos do Microsoft Office e o Print to Go, que facilita o envio de documentos de um PC para o tablet. 

Bridge

Um recurso único do PlayBook é o BlackBerry Bridge, que permite conectar o tablet a um smartphone BlackBerry. Com isso os e-mails, contatos, calendário, mensagens do BlackBerry Messenger, notas, tarefas e arquivos armazenados no smartphone ficam disponíveis no tablet. 

Não se trata de uma cópia de arquivos: o PlayBook age como uma “janela”, uma forma de interagir com o conteúdo que está armazenado no smartphone. Você pode receber um e-mail em seu BlackBerry e pareá-lo ao PlayBook para compor uma resposta longa. Quando desconectar os dois aparelhos, a resposta estará no smartphone: nada de conteúdo espalhado em dois aparelhos diferentes. 

Isso também evita o vazamento de informações. Como nada fica no tablet quando a conexão é desfeita, você não precisa se preocupar com bisbilhoteiros acessando os e-mails e apresentações da empresa caso ele seja perdido.

O Bridge também pode ser usado para compartilhar a conexão de internet do BlackBerry com o PlayBook, processo conhecido como “tethering”. 

Fotografia

Mesmo comparadas às de outros tablets, as câmeras do PlayBook (5 MP na traseira, 3 MP frontal) desapontam. A câmera traseira não tem flash, e mesmo em ambientes iluminados a imagem tem mais ruído do que deveria. O foco é fixo, ou seja, esqueça as fotos em close, já que elas vão sair todas borradas. Veja abaixo uma comparação entre o mesmo objeto fotografado por um PlayBook e um smartphone Motorola Atrix, ambos com câmeras de 5 MP.

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Comparativo de uma foto feita com o PlayBook (esquerda) e um Motorola Atrix (direta), ambos com câmera de 5 MP
(clique para ampliar)

Os vídeos, que podem ser gravados em 1080p, são aceitáveis desde que feitos em ambientes iluminados, senão você terá problemas com ruído. A taxa de quadros pareceu consistente, o que é bom (se ela varia a imagem parece “engasgar”), e a imagem não sofre do “efeito gelatina” que vimos em smartphones como o Xperia Neo. Novamente o foco é fixo: não tente chegar muito perto da cena, ou a imagem irá borrar.

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Detalhe de uma foto feita com o PlayBook deixa o ruído evidente
(clique para ver a original)

Desempenho e autonomia de bateria

Nossos benchmarks não funcionam no PlayBook OS, então nossas impressões sobre o desempenho do PlayBook se referem ao uso no dia-a-dia, onde ele não desapontou. O aparelho não tem problemas para tocar vídeo em HD (embora o player padrão não tenha suporte a legendas), nem rodar jogos graficamente complexos como Asphalt 6 e Modern Combat 2: Black Pegasus (ambos gratuitos na App World). Também não tivemos problemas ao alternar entre múltiplos aplicativos abertos.

Em nosso teste de reprodução de vídeo, que consiste em tocar um vídeo em HD com o brilho da tela em 50%, conectado a uma rede Wi-Fi e com os fones de ouvido no volume máximo, o PlayBook teve autonomia de pouco mais de 7 horas. Dentro do esperado para um aparelho desta categoria, e à frente de concorrentes como o modelo de 7 polegadas do Ypy, da Positivo Informática (6 horas e 15 minutos) e Xoom 2 Media Edition, da Motorola (5 horas, mas com uma tela maior de 8.2”).

Conclusão

Repetindo: o Playbook não é um tablet ruim, e seu preço (R$ 999 pelo modelo de 16 GB) o torna atraente para quem procura um tablet e não quer gastar muito. Mas o número pequeno de aplicativos disponíveis na loja, em comparação aos principais concorrentes, o torna uma opção menos atraente do que um iPad ou um tablet Android. Você tem o suficiente para o básico: navegar na web, ver filmes, ouvir música e até alguns jogos. Mas ele pode acabar desapontando na hora do “algo a mais”.

A não ser, claro, que você seja um fã incondicional dos smartphones BlackBerry. Nesse caso a integração entre o tablet e o smartphone, através do BlackBerry Bridge, é um diferencial valioso.

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