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Conheça o Z10, o primeiro membro de uma nova geração de BlackBerries
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Conheça o Z10, o primeiro membro de uma nova geração de BlackBerries

Aparelho tem um sistema versátil e hardware de qualidade, mas escassez de aplicativos, de alguns recursos e bugs podem prejudicar seu sucesso

Al Sacco, CIO.com

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Nota do Editor: este é um review da versão norte-americana do BlackBerry Z10, operando em uma rede 4G LTE da operadora AT&T. O comportamento do aparelho em relação a chamadas, velocidade de internet móvel e autonomia de bateria pode ser diferente do encontrado sob as condições de rede do Brasil. Faremos um novo review do Z10, sob condições locais, assim que ele for lançado em nosso país.

Nesta quarta-feira a BlackBerry (antiga Research in Motion, ou RIM) anunciou seus primeiros smartphones com o sistema operacional BlackBerry 10, o Z10 e o Q10. Como muitos usuários de BlackBerry e entusiastas dos smartphones, venho aguardando este lançamento há um longo tempo. O futuro da BlackBerry e de seus aparelhos depende do sucesso da plataforma BlackBerry 10. Se tanto o sistema quanto os aparelhos não conseguirem encantar os usuários, isso pode ser o último prego no caixão da empresa.

Recebi da BlackBerry um Z10 na semana passada, e o aparelho mal deixou minhas mãos desde então. O submeti a todo tipo de provas e encontrei muitas coisas das quais gostei. Mas o novo BlackBerry não é perfeito, e uma área em particular me deixou desapontado.

A questão que todos querem saber é: será o BlackBerry 10 capaz de salvar a RIM e colocar os novos aparelhos nas mãos das multidões de usuários do iOS e Android? Neste review conto tudo o que você precisa saber sobre o aparelho e o sistema.

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BlackBerry Z10

Quanto custa e onde compro?

O BlackBerry Z10 já está nas lojas das principais operadoras no Reino Unido, chega ao Canadá no dia 5 de Fevereiro e aos EUA em Março, em todas as quatro grandes operadoras (AT&T, T-Mobile, Verizon e Sprint). Infelizmente, ainda não há informações sobre o lançamento no Brasil. O preço varia de acordo com o país e a operadora: segundo Thorsten Heins, CEO da BlackBerry, no Canadá um Z10 sairá por cerca de US$ 150, atrelado a um contrato de três anos com uma operadora. Um segundo modelo equipado com um teclado QWERTY, o Q10, deve chegar às lojas em Abril.

Hardware elegante e feito para durar

O hardware do BlackBerry Z10 tem uma aparência bastante elegante, é bem-feito e funcional. Há uma bela tela LCD de 4.2 polegadas com resolução de 1280 x 768 pixels e densidade de 356 DPI (Dots Per Inch, ou pontos por polegada), medidas superiores às de aparelhos como o iPhone 5 (1136 x 640 pixels e 326 DPI) e Samsung Galaxy S III (1280x720 pixels e 306 DPI). A resolução mais alta não é garantia de melhor qualidade de imagem, mas aos meus olhos a tela do Z10 é tão boa, ou melhor, que a dos concorrentes.

O BlackBerry Z10 se parece bastante com o iPhone 5, comprido e estreito com cantos arredondados. Com 9 mm de espessura, ele é um pouco mais grosso que o aparelho da Apple (7.6 mm), e também um pouco mais pesado (135g, contra 112g), mas nem a espessura nem o peso fazem com que ele pareça um “trambolho”.

O Z10 também foi feito para durar. Há uma grossa moldura plástica cobrindo todos os lados, e a tela de vidro não chega às bordas do aparelho. Isto o torna um pouco maior, e a tela é menor do que poderia ser se ocupasse toda a frente, mas torna o aparelho mais resistente que, digamos, um Galaxy S III no caso de um tombo “de quina”. 

A tampa da bateria, que é fácil de remover e tem um encaixe preciso, é coberta por pequenos pontos de plástico, o que cria uma textura e evita que o aparelho deslize quando colocado sobre uma mesa ou outra superfície lisa. A bateria de 1.800 mAh é removível, algo que aprecio bastante: viajo com frequência e ainda não encontrei um aparelho com uma bateria que dure um dia inteiro de uso intenso, por isso sempre carrego uma extra. Aparelhos com baterias fixas não servem para mim.

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A tampa traseira do Z10 é texturizada, e a bateria é removível.
Note o slot para cartões micro SD (com um cartão) no canto superior direito.

O Z10 tem 16 GB de memória flash e aceita cartões de memória de até 32 GB, que podem ser inseridos ou removidos sem desligar o aparelho. Também há 2 GB de RAM e um processador dual-core de 1.5 GHz (um Qualcomm MSM8960, o mesmo do RAZR HD). Venho usando o aparelho há mais de uma semana e praticamente não notei atrasos ou engasgos. Propositalmente tentei manter o máximo de aplicativos abertos simultâneamente (é possível ter até 8) para ver se haveria algum impacto no desempenho, mas o Z10 resistiu e continuou rodando bem.

Há um conector padrão para fones de ouvido e portas micro-USB (para recarga e transferência de dados) e mini-HDMI, o que torna fácil conectar o aparelho a uma TV de alta-definição ou monitor para assistir vídeos, ouvir músicas, iniciar uma apresentação ou mostrar o que quer que esteja na tela (o cabo HDMI não está incluso na embalagem).

O alto-falante do Z10 tem bom volume e som nítido, e funciona bem como “viva voz”. A qualidade de sinal, usando a rede da AT&T na cidade de Boston, nos EUA, foi tão boa quanto ou melhor que a média: não perdi uma única chamada.

Segundo a BlackBerry o Z10 deve chegar a 10 horas de conversação em uma rede 3G. Fiz meu teste com uma chamada de longa duração em um local com cobertura total das redes HSPA+ (3G+) e LTE (4G), com o aparelho conectado à rede 4G (de acordo com o ícone na tela). Consegui cerca de seis horas e meia de conversação antes que o aparelho se desligasse. Já no uso típico, checando e-mail constantemente, usando aplicativos e fazendo uma ou outra chamada ocasional, conectado à rede LTE ou Wi-Fi quando possível, consegui mais de 16 horas de autonomia, mais do que consigo com meu Galaxy S III.

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Visão lateral. No lado esquerdo ficam os conectores mini USB e micro HDMI

O aparelho tem Wi-Fi, Bluetooth e NFC, e vem com o app Smart Tags para que você possa personalizar tags para que abram páginas web, seus apps mais usados ou iniciem serviços. Os controle de volume ficam em uma das laterais, com um botão de “mudo” no meio. Segurar Volume + ou Volume - por alguns segundos enquanto ouve música permite trocar de faixa, e segurar os dois botões simultâneamente captura uma imagem da tela (screenshot). Um único botão no topo do aparelho permite colocá-lo para dormir, desligar ou reiniciar, dependendo de por quanto tempo você o segura e que opções escolhe na tela.

Sistema inovador e eficiente

A interface do sistema operacional BlackBerry 10 é composta por três elementos principais: a tela Applications, que mostra todos os aplicativos em seu aparelho e as pastas que você criou para organizá-los, a tela Active Frames, que mostra os aplicativos já abertos em miniaturas dinâmicas que podem ser constantemente atualizadas com novas informações (como os Blocos Dinâmicos no Windows 8 e Windows Phone 8) e o BlackBerry Hub, uma caixa de entrada unificada onde você irá encontrar todos os tipos de mensagens e notificações. A RIM chama a navegação entre os componentes de “BlackBerry Flow”

O coração do BlackBerry 10 é o BlackBerry Hub, que pode ser acessado a partir de qualquer lugar no sistema deslizando o dedo da borda inferior para o centro da tela, e então para a direita (como um L invertido). Com isso você pode dar uma “olhadinha” no Hub. Se houver alguma notificação ou mensagem, basta continuar deslizando o dedo para a direita até revelar o hub por completo para lê-la.

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O BlackBerry Hub (à esquerda na imagem) agrupa todas as suas mensagens

O BlackBerry Hub também permite filtrar mensagens e notificações para que você só veja os itens que quiser. Por exemplo, você pode clicar no ícone e-mail e ver apenas as mensagens de e-mail, ou escolher Facebook e ver apenas as mensagens e notificações de seus amigos. Desenvolvedores podem criar aplicativos que se integram ao Hub, e quanto mais forem criados, maior será a riqueza de informações disponível.

A tela Application é similar ao que você veria no Android ou iOS, com ícones e mais ícones organizados em uma grade. Cada tela, ou painel, comporta 16 apps, e você pode ter quantos painéis quiser, além de criar pastas para abrigar vários aplicativos: basta segurar o dedo sobre um ícone e arrastá-lo para cima de outro.

O BlackBerry 10, BlackBerry Hub e BlackBerry Flow são realmente únicos. E como tal, é necessário um tempo para se acostumar, mas após uma semana com o Z10, eu estava literalmente “voando baixo” com o aparelho. É muito fácil checar mensagens e notificações usando o Hub, e adoro o fato de que posso fazer isso sem ter de abrir uma inbox ou sair dos aplicativos ou sites que estou usando.

Mas o meu recurso favorito no BlackBerry 10, e no Z10, é o teclado virtual. É o melhor teclado virtual que já usei, ponto, e coloca os teclados padrão do Android e iOS no chinelo. As teclas são grandes e o teclado “aprende” o seu estilo de digitação e ajusta o comportamento de acordo com ele. Mas é o sistema de predição de texto que realmente coloca o teclado do BlackBerry 10 à frente dos concorrentes: o software analisa o que você digita e tenta adivinhar a palavra seguinte.

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O teclado virtual prevê o que você vai digitar

Mas ao contrário de outros teclados, as palavras sugeridas aparecem diretamente sobre a próxima letra na palavra que você está digitando, e para aceitá-las, basta deslizar o dedo para cima sobre a letra. E o teclado ainda vai além: na última semana enviei vários e-mails a funcionários da BlackBerry com perguntas sobre o Z10, e sempre terminei as mensagens com a frase “Thanks very much for your assistance”. Agora, sempre que digito “Thanks”, o Z10 não só completa a palavra assim que teclo Th, como coloca “very” diretamente sobre a tecla V. E assim que aceito a sugestão ele coloca “much” acima da tecla M, e assim até completar automaticamente a frase. 

Um recurso sensacional na câmera do BlackBerry 10 é o TimeShift, que ajuda a tirar fotos melhores de grupos de pessoas. Especialmente crianças, que nunca ficam paradas. O recurso captura uma rápida sequência de imagens e isola os rostos das pessoas nas fotos. A partir daí você pode clicar em um destes rostos e “avançar” ou “retroceder” alguns instantes além do clique, para encontrar a melhor expressão ou corrigir algo como uma piscada fora de hora.

Outro recurso multimída digno de nota é o Story Maker, que permite criar apresentações usando imagens, vídeo e música armazenados no aparelho. Basta indicar os arquivos que deseja incluir, colocá-los na ordem desejada e escolher entre alguns efeitos especiais ao estilo Instagram. Os clipes podem ser salvos em HD, nas resoluções de 720p ou 1080p.

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Story Maker permite criar facilmente apresentações multimídia

O navegador no BlackBerry 10 é muito melhor que o incluso em versões anteriores dos sistemas operacionais da BlackBerry. É rápido, fácil de usar e tem todos os recursos que você espera encontrar em um navegador moderno em um dispositivo móvel. Ele é particularmente hábil ao lidar com sites em HTML5, e tem suporte à tecnologia Adobe Flash.

O serviço BlackBerry Messenger (BBM) também recebeu melhorias significativas, e agora é possível usá-lo para fazer chamadas de vídeo (só entre aparelhos com o BlackBerry 10), voz ou enviar mensagens instantâneas, esteja você conectado através de uma rede celular ou Wi-Fi. Testei brevemente este recurso, e ele me pareceu intuitivo e funcionou bem sobre uma conexão LTE. O BBM também permite que você compartilhe sua tela com outros participantes na conversa, o que pode ser útil para mostrar fotos de uma viagem para uma namorada, uma apresentação para um colega de trabalho ou mesmo para auxiliar equipes de TI a diagnosticar problemas em um aparelho.

A loja BlackBerry World oferece apps, jogos, música, filmes e séries de TV, com cobrança via cartão de crédito, PayPal ou na conta de telefone, dependendo da operadora. O catálogo de série e filmes é mantido pela Rovi, e encontrei uma agradável seleção de lançamentos, filmes antigos e séries favoritas. O catálogo de músicas me pareceu igualmente sólido. A RIM implementou um novo conjunto de controles na loja para que os pais possam controlar o que seus filhos consomem. E o aplicativo Newsstand, que não é parte do BlackBerry World, permite baixar livros e revistas.

Do ponto de vista corporativo, o BlackBerry 10 parece ser bastante atraente. Ele pode se conectar a um servidor Microsoft Exchange usando o ActiveSync, sem a necessidade de um BlackBerry Enterprise Server ou Enterprise Service como intermediário. Mas usar o BlackBerry Enterprise Server 10 (BES10) dá às empresas vários recursos singulares para segurança e gerenciamento, incluindo acesso ao BlackBerry Balance, que cria um ambiente seguro dentro do aparelho que pode ser gerenciado por uma equipe de TI, sem afetar os dados e aplicativos pessoais do usuário. O BlackBerry Balance também inclui uma versão específica para corporações da loja BlackBerry World. Assim, os usuários só podem instalar no perfil profissional apps autorizados pela empresa onde trabalham.

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BlackBerry Balance: vida pessoal e profissional coexistindo em um só aparelho

Apreciei também o pacote office Docs to Go, incluso com o sistema operacional, embora desejasse que o editor de textos tivesse suporte a controle de revisão. Gostei de ver que é possível definir uma mensagem personalizada que irá aparecer na lockscreen, e acessar a câmera mesmo sem desbloquear o aparelho. O novo software BlackBerry Link torna fácil gerenciar arquivos multimídia, documentos e dados, fazer backup e até trocar de aparelho, embora eu tenha usado apenas a versão para Windows. Segundo a fabricante, uma versão para Mac estará disponível assim que os aparelhos chegarem às lojas.

Sim, eu gostei de muita coisa no Z10. Mas há algumas outras que me deixaram louco, e uma delas em particular pode tornar irrelevantes, a longo prazo, todos os pontos positivos.

Probemas com GPS/LBS, câmera e mais

Tive vários problemas com os serviços de localização (LBS - Location Based Services) e/ou GPS no Z10, mesmo quanto estava em um local ao ar livre com excelente cobertura LTE. Os problemas podem ser relacionados ao software, porque alguns apps me pareceram melhor capazes de determinar e usar minha localização do que outros, mas não estou certo. De qualquer forma, foi frustrante ver erros a cada duas ou três vezes em que eu tentava usar um app que precisava de minha localização.

O BlackBerry Z10 tem uma câmera traseira de 8 MP e uma câmera frontal de 2 MP. Em minha experiência, a câmera traseira se saiu bem ao ar livre e sob luz natural, mas deixa a desejar sob pouca luz. Ela também parece ter problemas com fotos em macro em ambientes pouco ou moderadamente iluminados.

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Erros de GPS foram comuns durante os testes

O sistema tem alguns recursos legais para edição de imagens que permitem ajustar o brilho e balanço de branco de uma imagem, além de adicionar filtros e molduras. Mas só há três modos de captura (normal, estabilizado e burst) e quatro modos de cena (auto, ação, quadro branco, noite e “praia e neve”), em contraste às dúzias de modos de cena disponíveis no Galaxy S III e em outros aparelhos.

O Z10 usa um processador dual-core rodando a 1.5 GHz, em uma época em que vários smartphones topo de linha, incluindo o Samsung Galaxy S III e o Note II, usam processadores quad-core. Meu lado “racional” diz que o Z10 não tem o mesmo desempenho destes aparelhos em termos de poder de processamento, mas não vi nenhum problema de desempenho no meu dia-a-dia com o aparelho. O sistema parece ser eficiente, e pode ser que o aparelho simplesmente não precise de um processador mais poderoso no momento.

Também gostaria que a BlackBerry oferecesse um modelo com maior capacidade de armazenamento: no momento o Z10 só está disponível com 16 GB de memória interna. Imagino que a empresa tenha tomado esta decisão para reduzir os custos de produção. Pelo menos há um slot para cartões microSD de até 32 GB, o que permite expandir a capacidade de armazenamento para até 48 GB. Ainda assim, é menos que um iPhone 5 topo de linha (que tem 64 GB).

Há um LED indicador sobre a tela que pisca em vermelho quando você tem novas mensagens ou notificações, e laranja quando a bateria está fraca, mas não pisca mais em verde ou azul quando há dispositivos Bluetooth conectados (como faziam os "antigos" BlackBerry). As portas USB (para transferência de dados e recarga de bateria) e HDMI (para conexão a uma TV ou monitor externo) ficam na lateral esquerda do aparelho, o que torna difícil segurá-lo se ele estiver carregando, especialmente se você for um canhoto.

Poucos aplicativos de renome e software bugado.

A BlackBerry sabe que o sucesso de seu novo sistema e aparelhos depende do ecosistema de aplicativos, e fez um belo esforço para cortejar os desenvolvedores ao longo do último ano, organizado “Jam Sessions” e “Porthatons” ao redor do mundo e até mesmo oferecendo aos desenvolvedores incentivo financeiro para que criem aplicativos para o BlackBerry 10.

Mas apesar de tudo isto a situação atual desaponta, e estou frustrado com a seleção de aplicativos que encontrei na BlackBerry World. Também estou desapontado com a qualidade dos apps, já que francamente esperava mais. Para ser justo, há muitos apps e jogos para o BlackBerry 10 na BlackBerry World. E alguns deles parecem ser bem legais. Mas não são os apps que eu quero, ou aqueles dos quais preciso

Quando me entregou um Z10 para review na semana passada, a BlackBerry me disse que a seleção de aplicativos na BlackBerry World não representaria o disponível no dia do lançamento. Segundo a empresa vários parceiros querem aguardar até o anúncio oficial da plataforma para anunciar seus apps. A empresa também disse que alguns dos apps pré-instalados em meu aparelho ainda estavam em desenvolvimento e seriam atualizados antes do lançamento (especialmente o Twitter e Facebook). Levei isso em consideração, mas só posso analisar o que tenho em mãos, e o que vejo desaponta.

Tenho um punhado de aplicativos Android que uso com frequência, ou seja, todo dia ou pelo menos uma vez a cada dois ou três dias. Entre eles o Twitter, Foursquare, Instagram, Google+, Untappd, Facebook, Google Maps, Google Music, Amazon MP3, Amazon Kindle, Netflix, Dropbox, Kik Messenger, Spotify, Fitbit, NBA Game Time e o app de pagamentos móveis da Dunkin’ Donuts.

Destes apps, apenas o Twitter, Foursquare, Untappd e Facebook estão disponíveis para o BlackBerry 10. Um cliente Dropbox de terceiros também está disponível e faz o serviço, mas os apps oficiais para Android e iOS oferecem uma experiência muito melhor. Se eu for generoso e contar o Dropbox, isso significa que menos de 30 por cento dos apps que uso regularmente no Android (5 de 17) estâo disponíveis.

O BlackBerry World pode estar recheado de apps (70 mil, segundo a BlackBerry), mas muito do que vejo é lixo, com poucos apps de desenvolvedores notáveis. Quando viajei de Boston para Nova York para o evento de lançamento do BlackBerry 10 tive de usar constantemente meu Galaxy S III, porque o Z10 não tem os apps que uso para informações sobre transporte público, meu bilhete digital do trem e o app com minha reserva no hotel.

O pior é que alguns aplicativos nativos do BlackBerry 10 são bugados. O calendário nativo “cai” a cada vez que tenho adicionar um compromisso sem antes especificar se quero colocá-lo em meu calendário pessoal ou profissional. Se procuro por uma empresa usando a barra de buscas no navegador, vejo mensagens de erro quando clico no número de telefone para fazer uma chamada, e tenho de digitá-lo manualmente. E tive problemas ao abrir arquivos anexos a e-mails, mesmo documentos básicos do Word.

O sistema congelou completamente algumas vezes ao longo da última semana, e tive de remover a bateria para reiniciar o aparelho. Isto é particularmente frustrante dado o quanto tempo a BlackBerry gastou desenvolvendo o BB10.

Uma coisa que a BlackBerry fez muito bem em versões anteriores de seu SO foi o sistema de notificações. Você podia definir toques e vibração personalizados para a maioria dos apps e serviços, e ainda pode fazer isso no BB10, mas as opções disponíveis foram reduzidas. Por exemplo, não é possível definir múltiplos padrões de vibração, ou vibrações mais curtas ou mais longas, como alertas, já que só há uma opção de vibração no BlackBerry 10. E o sistema tem uma quantidade significativamente menor de tons e sons.

Ícones fixos para o discador e a câmera aparecem na tela Active Frame e em todos os painéis de aplicativos, mas não é possível trocá-los por atalhos para outros aplicativos mais usados. E só é possível adicionar 16 aplicativos em cada pasta, o que não é o ideal.

A BlackBerry deveria ter oferecido algum serviço de armazenamento de músicas online como o Google Music ou o Amazon MP3. Não estou acostumado a armazenar músicas no próprio aparelho, e estou usando mais espaço na memória interna do Z10 do que normalmente usaria por causa disso.

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Infelizmente, o BlackBerry 10 não "conversa" muito bem com o tablet BlackBerry Playbook

Também teria sido bom ver algum tipo de integração com o PlayBook, o tablet da BlackBerry. O BlackBerry OS 7 tem um app que permite controlar remotamente o tablet (algo bom na hora de fazer apresentações), mas isso não é possível no BlackBerry 10.

Conclusão

O maior desafio da BlackBerry no momento é atrair usuários de smartphones rivais. Mas o consumidor típico não vai trocar seu iPhone ou Android por um Z10 (ou seu irmão menor com teclado, o Q10) se não puder usar os apps de que depende no dia-a-dia. Simples assim.

Desde que recebi o Z10, me perguntei repetidamente: eu consigo substituir completamente meu smartphone Android por ele? A resposta é não, pelo menos por enquanto. E isso diz muito. Ainda assim o BlackBerry 10 e o BlackBerry Z10 são um imenso passo na direção certa. Se você está procurando um smartphone com tela sensível ao toque topo de linha, que seja diferente do Android ou iPhone e não se preocupa muito com a atual falta de aplicativos de qualidade, pode ficar satisfeito com o Z10. Mas se quer uma boa seleção dos apps mais populares e no geral a melhor experiência em computação móvel atualmente disponível, é melhor procurar em outro lugar.

A pergunta de um milhão de dólares é: poderia BlackBerry 10 ser capaz de salvar a BlackBerry e colocar aparelhos nas mãos das multidões de usuários de iOS e Android? Sim, poderia. Mas o Z10 sozinho não será capaz isso, e mesmo que seja bem recebido entre os usuários é apenas o primeiro passo em uma longa e tortuosa estrada que a empresa precisará percorrer no caminho para a recuperação.

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