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G1, o 1º celular com Android, tem falhas, mas é um ótimo smartphone
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G1, o 1º celular com Android, tem falhas, mas é um ótimo smartphone

Primeiro celular com sistema operacional do Google é ergonômico e tem boa qualidade de voz. Mas lhe faltam elementos básicos.

Melissa J. Perenson, da PC World / EUA

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Foto:

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Uma primeira olhada no G1, primeiro celular equipado com o Android, sistema operacional do Google, e lançado pela T-Mobile, não chama lá muito a atenção, já que se parece muito com alguns outros modelos da HTC.

Mas basta usá-lo por pelo menos cinco minutos para perceber que o se trata de um dos celulares mais bem projetados que se pode encontrar por aí.

O uso do G1 não é apenas intuitivo. As opções de customização, tornadas possíveis por meio do Android, tornam o celular uma belezinha.

Configuração
O G1 se mostra um smartphone diferente desde o primeiro momento. Ao ser ligado, o aparelho exibe no display uma animação de um andróide que aponta para outro andróide com instruções: “Clique no andróide para começar”.

As telas que se seguem são claramente apresentadas, conduzindo o usuário a um rápido setup do celular. Para obter sincronismo automático de contatos, calendário, e-mail e qualquer outra informação web baseada no Google é necessário possuir um conta válida no buscador. Caso não possua uma, o usuário poderá fazer o registro a partir do próprio telefone. Se tiver uma, basta clicar no link para fazer o logon.

Quando a sincronização inicial – feita por meio da rede da operadora – terminar, o usuário já terá todas suas informações pessoais como mensagens do Gmail e do calendário disponíveis no G1, e este pronto para ser usado.

Design
Retangular e com uma acabamento emborrachado na parte traseira, o design do G1 o deixo mais estreito que o rival iPhone, embora um pouco mais grosso (o G1 mede 11,7 centímetros por 5,5cm por 1,5cm, e pesa 158,7 gramas). O display de 3,2 polegadas sensível ao toque domina quase toda a parte frontal do telefone e os poucos botões físicos estão bem colocados e identificados.

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Influência do Google: poucos elementos, design limpo e leve

E na parte inferior da frente do celular que estão localizados o trackball (fácil de usar e que lembra os que existem nos modelos BlackBerry da RIM) e cinco outros botões: o de cor verde é usado para acessar os serviços de voz; um botão home – como sugere o nome – leva o usuário à tela principal do celular; um botão “back” para retornar à tela previamente vista quando usando o browser; um botão vermelho, que finaliza as chamadas; e um botão retangular, cuja função varia de acordo com o menu exibido.

Esse último botão está convenientemente localizado logo abaixo da tela e logo acima do trackball – um duplo clique nele é suficiente para destravar a tela; pressione e segure-o por dois segundos para obter um atalho para acesso às aplicações recentemente utilizadas.

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Um teclado QWERTY completo fica oculto sob o display. Para exibi-lo, basta uma ligeira pressão na metade esquerdo do celular para que o display se mova para cima. Ao mesmo tempo, o telefone rotaciona automaticamente o conteúdo da tela da posição vertical para horizontal – posição que deverá ser usada para a entrada de dados já que não há um teclado virtual que possa ser exibido no display – função presente no iPhone 3G e no BlackBerry Storm.

Por conta do teclado, digitar no G1 é muito fácil, apesar de as
teclas localizadas na última fileira serem mais difíceis de serem
acessadas. O mesmo ocorre com as teclas que estão localizadas mais à
direita, exigindo do polegar direito uma força extra para acioná-las.

Os únicos outros botões físicos existentes no G1 é o que controla o
volume, localizado na lateral direita superior do celular; e um
disparador para a função câmera, colocado no lado oposto.

Um slot para cartões microSD (suporte para cartões de até 16GB,
quando estes estiverem disponíveis) está oculto à esquerda do telefone;
para acessá-lo, é necessário deslocar o display para poder ter acesso
ao fecho que libera o cartão. Ao soltar a trava, o cartão é ejetado do
G1.

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Simplicidade: cinco botões e um trackball complementam
a interface touchscreen do G1

Remova a tampa traseira para ter acesso à bateria e ao SIM card. E de forma similar ao que já acontece com outros handsets da HTC, o G1 também não oferece uma entrada padrão para fones de ouvido. Quem desejar ouvir algo no celular deve se contentar em utilizar os fones que acompanham o aparelho e que utilizam um conector proprietário, cuja entrada está localizada na base do celular – a mesma usada para carregar a bateria do G1.

A falta de um conector padrão não deixa de ser uma falha grave – ok,
o mesmo ocorre com o iPhone – já que o G1 oferece capacidade de media
player.

Função telefone
O G1 é confortável de se segurar e a qualidade de
voz foi perfeita quando testada, tanto em redes 3G (HSDPA) quando EDGE.
O áudio foi claro e sem ruídos.

Nos testes de autonomia, a bateria do G1 sobreviveu por 5 horas e 51
minutos de conversação contínua – 23 minutos a mais do que o obtido com
o iPhone 3G.

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Teclado QWERTY: alguns botões são difíceis de usar, mas
o teclado compledo ajuda na entrada de textos longos

Já no acesso a outras funções do celular, a bateria durou menos do que se esperava. Após uma hora de uso (incluindo a realização de chamadas telefônicas, ouvir música e fazer downloads de aplicativos), a carga da bateria já tinha caído 31%.

A aplicação Dialer (discador) é fácil de usar, com botões na tela bem localizados e que respondem muito bem ao toque, mesmo quando o G1 é usado com apenas uma das mãos, e sem o acionamento acidental de botões ao passar o dedo pela tela, como o que vimos no teste com o iPhone.

Além disso, o celular oferece uma forma muito elegante de entrada de dados, com a opção de o usuário customizar as informações de seus contatos para usar apenas os dados escolhidos. E o sistema de discagem por voz funcionou bem quando usado em ambientes pouco ruidosos.

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Integração de hardware e software
De forma similar ao que vimos no iPhone e os softwares da Apple, a integração do hardware do G1 com o Android é crucial e fazem com que ambos – o celular e o sistema operacional – se destaquem.

Graças ao trackball e ao display touchscreen, o uso do G1 se converte em algo bem intuitivo e ergonômico. O comportamento do display é exatamente o que os dedos do usuário esperam dele.  Tela sensível responde rapidamente, mas – às vezes – ao clicar em um link em determinada página da internet no browser foi necessário clicar duas vezes para que o link fosse aberto.

A possibilidade de usar o dedo para abrir o status de notificações para visualizar informações adicionais sobre os serviços disponíveis (mensagens de texto e de voz, e-mail, agenda, etc.) também agradou.

Como primeiro dispositivo a trazer o Android, o G1 tem muito potencial a ser explorado e sua interface é divertida. O Google conseguiu imprimir muito de sua própria simplicidade e clareza de interface e página web na interface do Android, bem como na maneira de se interagir com o sistema operacional. É possível trocar e customizar quase tudo no celular e mesmo itens pouco usados de configuração oferecem alguma customização.

A tela de abertura do G1 o usuário vai encontrar o ícone myFaves
(Meus favoritos) na parte superior esquerda; um relógio analógico no
centro; e quatro aplicações primárias: Dialer (o discador, também
chamado phone ou telefone); Contacts (contatos); Browser; e Maps.
Pressione seu dedo sob um ícone e o telefone irá vibrar uma vez; solte
o ícone e você poderá movê-lo para outro local da tela.

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Customização: O Android dá ao usuário liberdade para
adequar o G1 a seu gosto

Mova o dedo para a direita para ter acesso à uma segunda home screen e que traz a barra de buscas do Google permanente fixada na parte superior da tela. Pressione ou arraste a barra para a parte de baixo da tela para ter acesso a outras aplicações.

Os ícones, ligeiramente menores do que os encontrados no telefone da Apple, estão arranjados em ordem alfabética e em grupos de quatro. Clique e segure um determinado ícone para que uma réplica dele surja na página principal do G1.

O celular traz tanto GPS quanto AGPS (Assisted GPS) e que são utilizados pelo Google Maps que já vem instalado. Mas, nos testes informais realizados por nós, ele não ofereceu o mesmo nível de precisão que o Google Maps existente no iPhone 3G.

Na versão lançada, o G1 não oferece suporte para Bluetooth estéreo, funcionalidade esperada para breve.

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Aplicações
O G1 vem com um grande número de aplicativos pré-instalados e o usuário tem a opção de instalar (no futuro) uma infinidade de outros a partir do Android Market, uma espécie de Apple Store do Android.

Entre os aplicativos disponíveis está um comunicador instantâneo muito versátil capaz de ‘conversar’ com o AIM, Google Talk, Windows Live Messenger e Yahoo Messenger. Graças à capacidade multitarefa do Android (que faz com que nenhuma aplicação seja de fato fechada), o usuário poderá receber uma mensagem instantânea mesmo depois de ter saído do IM para navegar na web, por exemplo, algo impensável no iPhone.

O acesso ao Gmail tem um ícone próprio, mas o usuário tem a opção de configurar outras contas de e-mail POP3 ou IMAP com poucos passos, já que o software configura os detalhes de servidor automaticamente.

Ao sincronizar o calendário do G1 com as entradas do Google Calendar, não tivemos problemas em visualizar compromissos nem com a adição de novas entradas. Só não foi possível adicionar eventos a outros calendários que a conta utilizada do Google tinha acesso.

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Web: browser falhou no suporte a Flash e falta
botão para avançar e retroceder

E uma coisa bizarra: o Android não oferece – pelo menos por enquanto – suporte ao Google Docs! A única maneira de visualizar documentos do aplicativo web do buscador é usar a interface pelo browser. É possível ver documentos do Word e Excel por meio do Gmail, mas não é possível ver nem salvar tais documentos usando o browser. O mesmo se dá com arquivos em PDF: você pode abrir e ler tais arquivos usando o Gmail.

E por falar em browser, ele foi capaz de lidar com a maior parte do conteúdo a que foi submetido, mas falhou no suporte a Flash. Também sentimos falta de controles (ainda que discretos) para ‘avançar’ e ‘retroceder’ (só é possível retroceder usando o botão Back) e de navegação off-line. Mas adicionar e gerenciar bookmarks é muito fácil.

Multimídia
O aplicativo de MP3 da Amazon é uma muito útil alternativa ao iTunes, e muito eficiente e rápido no download de músicas. Ele permite programar downloads de músicas livres de DRM enquanto você realiza outras tarefas com o telefone. O único problema é que o acervo disponível é significativamente menor do que o do iTunes.

O player de música é fácil de navegar e excelente para localizar e reproduzir faixas, com boa qualidade de áudio, mesmo com o alto-falante embutido. Mas (de novo!) a ausência de uma entrada padrão para fones de ouvido tiram muito do potencial multimídia do G1.

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Faltas graves: câmera de 3MP não grava vídeos de forma
nativa e G1 não inclui entraga padrão para fone de ouvido

O aplicativo de imagem decepciona um pouco. O G1 possui uma câmera digital de 3 megapixels mas não tem flash embutido, zoom nem qualquer outro tipo de controle para ajusta da qualidade de imagem, balanço de brancos, etc. E também não é capaz de fazer vídeos – a T-Mobile diz que o dispositivo pode capturar vídeos, mas exige o uso de aplicativo adicional, vendido separadamente.

Análise final: a aparência do G1 está longe de ser algo, digamos, sexy, mas ele é capaz de fazer bem uma porção de coisas. Trata-se da primeira geração de um dispositivo Android, e falhas são esperadas.

Mas isso não minimiza lapsos importantes que merecem ser destacados: incapacidade de lidar com o Google Docs; suporte a arquivos Word e Excel; ausência de entrada pra fones de ouvido e capacidade nativa de fazer vídeos são faltas graves.

Apesar disso, o G1 chega com uma vantagem importante sobre a concorrência: o Android (e sua facilidade de uso) coloca este smartphone com vantagem frente a concorrentes de se baseiam no Windows Mobile ou BlackBerry.

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