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Google Nexus 4: bom, bonito e não tão caro
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Google Nexus 4: bom, bonito e não tão caro

Aparelho combina design elegante, hardware poderoso, software de ponta e um preço atraente, no que a Google considera o Android “ideal”.

Rafael Rigues

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Foto:

Projetados pela Google e produzidos por parceiras como a Samsung, LG e ASUS, os smartphones e tablets da linha Nexus foram criados como “garotos-propaganda” do Android. Equipados com hardware de ponta e a versão mais recente do sistema operacional com atualizações garantidas, eles são a forma que a Google encontrou para mostrar aos consumidores o que seu sistema tem de melhor, e de mandar um recado para os inúmeros fabricantes que usam o software: “É isso que esperamos de um bom Android. Façam igual ou façam melhor”.

Recém-chegado ao Brasil e projetado pela LG com base no Optimus G (que também está chegando ao país), o Nexus 4 é o Android da vez. E uma coisa deve ser dita: além de poderoso e cheio de recursos, ele é muito elegante.

Hardware e Design

Visto de frente o Nexus 4 lembra seu antecessor, o Galaxy Nexus, e tanto a frente quanto a traseira são recobertos por vidro (Gorilla Glass). O painel traseiro tem um padrão de pontos entalhados que refletem a luz em várias direções, criando um belo efeito cintilante. As laterais são feitas de plástico e chanfradas (criando um perfil em V), o que deixa o aparelho mais confortável nas mãos.

Apesar da tela de 4.7 polegadas, ele não é maior que aparelhos com uma tela de 4.3” como o Motorola RAZR MAXX ou mesmo um Galaxy S II: são 6,8 cm de largura, 13,4 cm de altura e apenas 9,1 mm de espessura. O Nexus 4 também é muito leve, 139 gramas, e de fato foram várias as vezes em que peguei o aparelho nas mãos e pensei “nossa, como é leve!”.

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Nexus 4 (à esquerda) e um Motorola RAZR MAXX. Quase o
mesmo tamanho, apesar do Nexus ter uma tela maior

O design tem alguns probleminhas: o principal é que por causa do vidro traseiro o aparelho tende a escorregar quando colocado sobre superfícies lisas. Por duas vezes peguei o Nexus 4 tentando “se jogar” de uma bancada de fórmica na minha cozinha, que tem o tampo ligeiramente inclinado. Outro problema é que como a traseira é completamente plana, basta apoiar o aparelho sobre uma mesa para abafar 80% do volume do alto-falante.

A Google parece estar ciente destes problemas: no exterior aparelhos fabricados recentemente ganharam dois “pezinhos” na traseira, para evitar que escorreguem e afastar ligeiramente o smartphone da superfície onde está apoiado, melhorando o som. Ainda não vimos esse ajuste no design em nenhum dos aparelhos nacionais que encontramos.

Como em muitos outros Android recentes os únicos botões são o liga/desliga e o controle de volume, nas laterais. Os tradicionais botões Android (Home, Back, Multitarefa) são virtuais, desenhados no rodapé da tela quando necessário. Os únicos conectores são o de fone de ouvido, no topo, e o USB, embaixo.

Para ligar o Nexus 4 a uma TV é necessário um adaptador SlimPort, que é plugado à porta micro USB e fornece uma saída HDMI. A Analogix Devices, que fabrica o adaptador, promete lançar em junho um modelo com uma saída VGA, o que tornará mais fácil ligar o smartphone a projetores. Cabos MHL usados em aparelhos como o Galaxy S II, Galaxy S III e os Galaxy Note não funcionam.

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Tampa traseira do Nexus 4: vidro com um efeito cintilante

Por dentro o Nexus 4 é baseado em um processador quad-core Qualcomm Snapdragon S4 Pro (APQ8064) rodando a 1.5 GHz, acompanhado por 2 GB de RAM e 16 GB de memória interna. A câmera traseira tem flash e usa um sensor de 8 MP, e há uma câmera frontal de 1.3 MP para videochamadas. A tela tem resolução HD (1280 x 768 pixels) e é baseada na tecnologia IPS, o que garante cor, nitidez e ângulo de visão excelentes. Wi-Fi (802.11 a/b/g/n), Bluetooth (4.0) e GPS estão presentes, como de praxe em todo Android moderno, mas não há rádio FM. O aparelho usa cartões microSIM, instalados em uma bandeja na lateral esquerda como no Motorola RAZR HD.

Assim como em outros aparelhos da família Nexus, desde o Nexus S, não há um slot para cartões de memória. E a tampa traseira e a bateria não são removíveis, uma tendência que está sendo seguida por cada vez mais fabricantes. Outra omissão: o Nexus 4 não é compatível com redes 4G, nem as existentes no exterior nem as que estão sendo implantadas no Brasil. 

Software

Como seus antecessores, o Nexus 4 é um dos poucos aparelhos a sair de fábrica com uma cópia “limpa” da mais recente versão do sistema operacional Android, no caso a 4.2.2. É o Android em sua forma mais pura, sem nenhum tipo de modificação por parte de fabricante ou operadora. Nada de demos de jogos ou apps de utilidade duvidosa pré-instalados, nem interfaces modificadas (como a TouchWiz da Samsung).

E sendo um Nexus, ele também será o primeiro a receber novas versões do sistema operacional, que geralmente são lançadas a cada seis meses. Sim, posso ouvir vocês perguntando: “Peraí, o Galaxy X também é um Nexus, mas ficou parado no Android 4.1 enquanto no exterior já recebeu a 4.2. Como fica isso?”.

Quem explica é Hugo Barra, Vice-Presidente de Android na Google: embora o hardware seja idêntico ao do Galaxy Nexus, o Galaxy X não é considerado um membro da família. Ele foi lançado no Brasil por iniciativa da Samsung, que ficou com a responsabilidade pela atualização do software, o que explica a defasagem. O Nexus 4 é um “Nexus de verdade”, segundo Barra o primeiro da linhagem no Brasil, e a Google garante a atualização.

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Google Now: informação antes mesmo que você procure por ela

Entre os muitos recursos do Android 4.2.2 alguns favoritos são um sistema de notificações aprimorado, que permite que você reaja a algumas delas (silenciando um alarme ou arquivando um e-mail, por exemplo) sem ter de abrir o aplicativo de origem e a digitação por gestos, similar ao popular teclado “Swype”.

Também há o assistente pessoal Google Now, que cruza informações pessoais com seus hábitos na internet para lhe apresentar "cartões" com informações úteis no dia-a-dia mesmo antes que você procure por elas, como por exemplo o tempo necessário para voltar para casa no final do dia, levando em conta o trânsito, os horários de partida dos próximos trens quando você chega à estação ou uma lista com os restaurantes mais próximos no horário do almoço.

O Google Now também responde a perguntas em voz alta. Pergunte por “Cinema”, por exemplo, e ele retorna uma lista dos cinemas mais próximos e filmes em cartaz. Você também pode fazer buscas mais complexas. Pergunte: “Qual a idade de Silvester Stallone?” e ele tem a resposta na ponta da língua: 66 anos. Ótimo para resolver disputas na mesa de bar.

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Você pergunta, em voz alta, e o Google Now responde

Câmera

O Nexus 4 usa o app de câmera padrão do Android, que tem uma interface extremamente limpa: você verá apenas três ícones no lado direito da tela. Um indicando o modo de disparo atual (Normal, HDR ou se algum modo de cena ou flash está sendo usado), um grande botão azul para capturar uma foto e um ícone para selecionar o modo de operação da câmera: fotografia, vídeo, fotos panorâmicas ou “Photospheres”.

Para fazer ajustes de exposição, balanço de branco, flash ou modo de cena, basta segurar o dedo sobre a imagem e um menu circular surgirá na tela. Daí basta deslizar o dedo para selecionar a opção desejada. É um arranjo muito prático, que permite a operação e ajuste da câmera com uma mão só. Para focar a imagem, basta tocar na tela, e para usar o zoom (digital, até 4x) basta fazer um gesto de pinça com dois dedos sobre a imagem. Um indicador na tela mostra o fator de aproximação.

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Exemplo de foto em HDR feita com o Nexus 4. Clique para ampliar

Fotos sob a luz do sol são ótimas, e mesmo as noturnas ou feitas em ambientes com pouca luz tem ruído sob controle. Também é possível gravar vídeos em Full HD (1080p), com direito a zoom como nas fotos, e tirar fotos sem interromper a filmagem: basta um toque na tela. Um dos recursos da câmera é um modo HDR, que permite capturar fotos com um melhor equilíbrio entre as áreas mais claras e mais escuras da imagem e maior nível de detalhes. É muito útil para fotos em dias nublados, ou em situações à “meia luz”. Mas encontramos um bug: às vezes o Nexus 4 tem dificuldade em focar a imagem quando está no modo HDR. Quando isso acontece é necessário sair do modo HDR, focar e voltar ao modo HDR para fazer a foto.

Outro recurso muito interessante são as Photospheres, panoramas em 360º muito fáceis de fazer. Basta bater a primeira foto e girar o corpo, alinhando o marcador no centro da tela com as bolinhas azuis que aparecem na imagem. Quando você terminar de fotografar basta clicar no botão Parar e o smartphone faz a costura das imagens, gerando uma imagem interativa. 

A costura é boa mas nem sempre é perfeita, especialmente quando há objetos em movimento (como carros ou pessoas) na cena. Outro problema é que objetos muito próximos da lente podem ficar distorcidos. Ou seja, o Photosphere é melhor para documentar paisagens do que o seu quarto.

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Uma foto noturna feita com o Nexus 4. Clique para ampliar

Ainda assim o resultado é muito legal, e lembra as imagens do Google StreetView: você pode explorar a cena olhando para cima, para baixo ou para os lados, como se estivesse lá. As imagens podem ser vistas no próprio smartphone, ou compartilhadas na web em seu perfil do Google+. Há até um grupo dedicado ao compartilhamento deste tipo de imagens.

Desempenho e Bateria

O desempenho do Nexus 4 em nossos testes com o AnTuTu foi uma agradável surpresa: ele chegou a 17.511 pontos, superando por pouco o Galaxy Note II (17.400 pontos), que até então era o smartphone mais rápido que há havia passado por nossas mãos.

E assim como o aparelho da Samsung ele encara qualquer tarefa do dia-a-dia, de simples navegação na web a jogos sofisticados como Real Racing 3, sem um engasgo sequer. De fato, fiquei surpreso com a fluidez da interface e a resposta aos toques no dia-a-dia: voltar para um smartphone Android mais antigo após alguns dias com o Nexus 4 foi estranho, já que mesmo pequenos soluços em animações e transições, que antes passavam despercebidos, ficaram imediatamente evidentes.

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Jogos sofisticados não são problema para o Nexus 4

A autonomia de bateria do Nexus 4 é boa. Poderia ser melhor? Claro, mas ele não me deixou na mão. Sob uso típico ele constantemente chegou ao fim de um dia de trabalho, cerca de 13 horas fora da tomada, com 16% de carga restantes, e autonomia total estimada em pouco mais de 16 horas. No teste de reprodução de vídeo, com o aparelho em modo avião e brilho da tela em 50%, conseguimos uma autonomia de aproximadamente 6 horas e 40 minutos. Para fins de comparação um Galaxy S III aguenta cerca de 8 horas e 20 minutos.

Veredito

O Nexus 4 tem um design elegante, excelente desempenho, uma boa câmera com recursos muito interessantes e autonomia de bateria que, embora não impressione, é o suficiente para o dia-a-dia. E ele fica ainda mais atraente se considerarmos o preço: R$ 1.699. Não é tão baixo quanto nos EUA, onde o aparelho custa US$ 300 (subsidiado pela Google), mas é menos que muitos modelos "top" nas lojas. Somando tudo isso ele entra fácil para a lista dos melhores smartphones Android no mercado.

Só tenho uma reclamaçãozinha: na embalagem não há um par de fones de ouvido, apenas o aparelho, carregador e cabo USB. Entendo que a Google quer manter o preço baixo, mas faria tanta diferença assim?

* Review atualizado em 18/04 às 08:00. Corrigida a informação sobre o suporte a múltiplos usuários no Android 4.2.2

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