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Google Nexus 7 é um dos melhores tablets Android no mercado
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REVIEW

Google Nexus 7 é um dos melhores tablets Android no mercado

Aparelho tem ótima tela, excelente autonomia de bateria e bom desempenho. Mas pouca memória e falta de um slot para cartões tiram um pouco de seu brilho

Melissa J. Perenson, PCWorld EUA

Foto:

O tablet Nexus 7, da Google, redefine as expectativas de como um tablet barato pode ou deve ser. Com preço a partir de US$ 199 (nos EUA, o produto ainda não está disponível no Brasil) ele claramente compete com o Kindle Fire, da Amazon, que tem o mesmo preço porém menor qualidade e roda uma versão limitada e bastante modificada do Android.

Não se engane: entre todos os tablets Android com tela de 7 polegadas atualmente no mercado, o Nexus 7 é o melhor, e com certeza é um dos mais bem projetados no geral, não importa o tamanho. Mas apesar de suas virtudes - entre eles uma impressionante autonomia de bateria de 10 horas e uma boa tela que exibe texto muito nítido e cores precisas - ele tropeça ao omitir um slot para cartões de memória. Com isso é necessário gastar um pouco mais e optar pelo modelo de 16 GB (US$ 249 nos EUA) para fazer uma boa compra, e ainda assim você está levando algo que fica um pouco aquém de um tablet ideal. 

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Google Nexus 7

A capacidade de expandir a memória interna usando cartões de memória sempre foi uma das grandes vantagens dos aparelhos Android sobre os com o iOS, da Apple. De fato, é algo que todos os concorrentes do Nexus 7, com exceção do Kindle Fire, da Amazon, tem. E este foi pesadamente criticado por ser oferecido apenas em um modelo básico com 8 GB de memória interna e nenhuma capacidade de expansão.

Não está claro porque a Google resolveu deixar o slot de fora. Pode ter sido por causa da filosofia da empresa de que todos os seus dados e serviços devem viver “na nuvem”, ou uma medida de redução de custos adotada pela Google e pela ASUS, que fabrica o aparelho, para chegar a um preço tão competitivo.

A Amazon também tentou justificar o pouco espaço para armazenamento local dizendo que os usuários poderiam armazenar e acessar conteúdo em seus serviços online. Mas esta abordagem não reflete os padrões de uso real dos consumidores, e não leva em conta a disponibilidade de conexões Wi-Fi ou mesmo de boa largura de banda. Os consumidores querem armazenar seus dados localmente, já que passamos tempo suficiente longe de roteadores Wi-Fi para que isso seja importante. Ninguém quer ter que perder tempo gerenciando o que entra e o que sai do tablet para contornar uma limitação de espaço.

Considerando que se passaram sete meses desde que a primeira geração do Kindle Fire foi lançada, estou surpresa e desapontada ao ver que a Google não optou por colocar 16 GB de memória no modelo de US$ 199. Com um Nexus 7 você pode baixar filmes e episódios de séries em alta definição, e com isso os 8 GB do modelo básico não vão muito longe. Ainda mais considerando que, logo que ele sai da caixa, apenas 5.62 GB estão disponíveis ao usuário.

Leve e confortável

Quando você segura um Nexus 7, nota imediatamente que ele não é como os outros tablets de baixo custo no mercado, e dá a sensação de um produto de alta qualidade. A traseira texturizada parece “emborrachada” e é confortável, mas não atrai poeira como em outros aparelhos com acabamento similar, embora pareça arranhar facilmente.

Outra coisa que você nota imediatamente é que o tablet é leve o suficiente para que você possa segurá-lo com uma mão por longos períodos. Com peso de 340 gramas, ele ainda é cerca de 90 gramas mais pesado que a maioria dos livros eletrônicos com tela e-Ink, mas ainda assim está entre os tablets mais leves que já vimos, pesando cerca de 70 gramas a menos que o Kindle Fire, da Amazon, ou 85 gramas a menos que um BlackBerry PlayBook (ambos com telas de 7 polegadas.

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Traseira do Nexus 7 tem uma textura "emborrachada"

O tamanho é conveniente (são 19,8 x 12 x 1 cm) , fácil de manusear mesmo no transporte público e sob medida para digitação com os dedões no modo retrato. Os botões de força e volume, na lateral direita, são firmes e fáceis de pressionar. Na parte inferior ficam o conector para fones de ouvido e uma porta Micro USB para recarga da bateria e troca de dados com um PC.

No canto inferior esquerdo há um conector de quatro pinos que, segundo a Google, pode ser usado por uma dock ou acessórios futuros. Outras características do hardware incluem uma câmera frontal de 1.2 MP e um leitor NFC, útil para transferir conteúdo entre o tablet e um smartphone Android com NFC usando o Android Beam.

A frente é uma chapa de vidro liso e resistente a riscos (embora não seja o famoso “Gorilla Glass”), fundida a uma tela de 7 polegadas com resolução de 1280 x 800 pixels. Isso faz uma tremenda diferença na qualidade da imagem e resulta em texto mais nítido, melhor contraste e menos reflexos do que num LCD convencional onde os elementos são separados. Com uma densidade de pixels de 216 ppi, a tela do Nexus 7 está à frente de concorrentes similares (com telas com densidade de 170 ppi em média), e a diferença é notável. E a Google parece ter modificado o sistema de renderização de fontes no Android Jely Bean (4.1): o texto mostrado no navegador Chrome é substancialmente diferente e bastante superior ao texto em tablets com o Android Honeycomb (3.0) e Ice Cream Sandwich (4.0). 

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Texto nítido torna o Nexus 7 uma boa opção para navegar na web

Fiquei impressionada ao ver o quão bem o Nexus 7 lidou com as imagens de teste em nossos testes de qualidade de imagem. A reprodução de cores foi precisa, embora o Android ainda pareça ter um pouco de dificuldade com os tons de pele.

Alto desempenho

O Nexus 7 é o primeiro tablet baseado na plataforma Kai, da Nvidia, projetada especificamente para reduzir o custo de produção de um tablet sem sacrificar o desempenho. E baseado nos resultados dos benchmarks, parece que o Nexus 7 atinge este objetivo.

Por dentro o Nexus 7 tem um processador quad-core Nvidia Tegra 3 T30L de 1.2 GHz, com 1 GB de RAM. Ele obteve o melhor desempenho entre os tablets de 7 polegadas que já testamos, e em alguns casos chegou perto dos modelos com telas de 10.1 polegadas, que geralmente são mais poderosos. No Geekbench, por exemplo, ele obteve um resultado quase quatro vezes maior que o do Galaxy Tab 2 de 7 polegadas. Já no GLBenchmark 2.1.4 o Nexus 7 ficou dentro da média, com a sexta melhor pontuação que já vimos no teste Egypt Offscreen, 63 quadros por segundo (fps), enquanto um novo iPad chega a 139 quadros por segundo. No teste Pro Offscreen o Nexus 7 foi o quinto colocado, com 82 fps, contra 139 fps do iPad. Para fins de comparação um Kindle Fire chega a 23 fps e 31 fps, respectivamente.

Já o desempenho em nossos testes de navegação na web foi inconsistente. Ele teve a melhor marca no Sunspider, levando apenas 1.71 segundos para completar a tarefa, mas foi um dos mais lentos em um teste personalizado com uma página cheia de elementos multimídia. No uso normal achei o Nexus 7 bastante ágil. Gostei especialmente do teclado dramaticamente melhorado, que pareceu acompanhar melhor a minha velocidade de digitação.

O Nexus 7 durou impressionantes 10 horas e 10 minutos em nosso teste de reprodução de vídeo, apenas 36 minutos a menos que o novo iPad, e superando todos os outros tablets com telas de 7 polegadas por uma grande margem. Um Kindle Fire chega a 6 horas e 54 minutos, e um Galaxy Tab 2 7.0 chegou a 6 horas e 20 minutos.

Infelizmente o Nexus 7 também foi o tablet que demorou mais tempo para recarregar a bateria, exigindo 3 horas e 49 minutos para chegar a uma carga completa, comparado às 3 horas e 32 minutos de um Galaxy Tab 2 7.0. Isso pode ser um reflexo de como o Nexus 7 é recarregado: usando a porta MicroUSB, em vez de um conector proprietário.

Jelly Bean traz mais mudanças ao Android.

O Nexus 7 é o primeiro tablet com Android 4.1 “Jelly Bean”, e as diferenças entre esta versão do sistema e a anterior (4.0 “Ice Cream Sandwich”) são maiores do que aparentam e visíveis logo que você liga o aparelho pela primeira vez e chega à tela de boas-vindas: o sistema usa pop-ups incrivelmente amigáveis com letras grandes e um design limpo para explicar aos novos usuários as ações básicas. O design limpo continua na tela inicial, que reflete numerosas mudanças na experiência Android em um tablet de 7 polegadas.

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Dicas ensinam aos usuários as ações básicas no sistema

Há uma “dock” no rodapé da tela, com ícones para cinco serviços da Google: Play Books, Play Magazines, Play Movies & TV, Play Music (nenhum deles acessível no Brasil) e a Play Store, além de uma pasta com ícones para outros 11 apps nativos do Google, incluindo o navegador Google Chrome, que substitui o antigo navegador padrão. No centro da dock está um novo ícone de menu, um dos sete que são fixos. Todos os outros podem ser substituídos por aplicativos, ou pastas, à sua escolha.

A Google também mudou o design de seus botões de navegação e da barra de status no rodapé da tela, reorientando tudo para o modo retrato. É assim que a Google espera que os tablets com telas de 7 polegadas sejam usados. Isto explica a mudança dos três botões de navegação (back, home e apps recentes) de sua antiga localização no canto inferior esquerdo da tela para uma posição centralizada na barra de status. O relógio e as notificações, por sua vez, saíram do canto inferior direito e foram para o topo da tela. Para acessar as notificações ou configurações é necessário deslizar um painel a partir do topo de tela. Com tudo isso o Nexus 7 fica mais parecido com um smartphone (que usa o mesmo layout) que um tablet.

Outras mudanças que contribuem para essa impressão são o fato de que a tela inicial e todos os menus agora são fixos no modo retrato. A tela de configuração não está mais dividida em dois painéis, o que torna mais rápida a navegação entre várias opções. E o ícone de bateria não mostra mais o percentual de carga restante.

Muitas destas mudanças me incomodaram bastante, já que estou acostumada ao layout usado nos tablets com Android 3.x e 4.x, e algumas delas tornaram alguns dos recursos mais difíceis de acessar. A Google informa que o layout antigo será mantido em tablets com telas de 10 polegadas. No topo da tela inicial fica a barra do Google Now, o novo assistente de buscas da Google, que pode usar suas buscas passadas para determinar o que é importante para você e apresentar essa informação, seja o trânsito no caminho para o trabalho ou o horário do seu próximo vôo, em “cartões” personalizados. Também há o ícone de um microfone para busca por voz.

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Novo layout da tela inicial lembra o dos smartphones

Mais uma mudança: a galeria de imagens nativa agora renderiza melhor as imagens, quando comparada às versões no Android 4.0 e 3.2. Notei que as imagens ganham nitidez muito mais rapidamente, o que é crítico quando você está usando a galeria para mostrar suas fotos.

Infelizmente o Nexus 7 também mostra um lado feio do Android: a fragmentação. Encontrei alguns aplicativos que não funcionaram no aparelho, o que traz à tona velhas questões sobre disponibilidade e compatibilidade de aplicativos. 

Veredito

O Nexus 7 dá uma bela surra em seu principal concorrente, o Kindle Fire, com hardware superior pelo mesmo preço. A Google não posiciona seu tablet como um concorrente direto do iPad, mas vale notar que ele custa 38% menos que um iPad 2 e metade do preço do novo iPad.

O Google Nexus 7 é simplesmente o melhor tablet de 7 polegadas atualmente disponível no mercado. Mas eu não recomendo a versão de 8 GB, já que rapidamente você irá exceder a capacidade de armazenamento dele. Mas o modelo de 16 GB é um tablet acessível com excelente autonomia de bateria, bom desempenho e a mais recente versão do Android. Só tenha cuidado com o espaço em disco, que pode ser um problema para quem tem uma grande coleção de fotos, vídeos e músicas.

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