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Tirando água de linha discada
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Tirando água de linha discada

Após o consenso geral de que a velocidade de 56 kbps seria o fim da linha para os modems analógicos, dois novos padrões surgem para aumentar a velocidade de transmissão de dados em linhas discadas. Mas será que vale a pena investir?

Mário Nagano

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Apesar de todo o carnaval sobre as características quase miraculosas do acesso de banda larga, boa parte dos usuários domésticos ainda não cedeu aos seus encantos, continuando a acessar a Internet por meio de conexões discadas (dial-up) e "antiquados" modems analógicos de 33,6 ou 56 kbps.

Ao contrário do que ainda ocorre no segmento de processadores, o mercado de modems analógicos vive um clima de marasmo depois que o protocolo V.90 se estabeleceu como padrão de fato, pondo fim a uma acirrada disputa entre dois outros concorrentes, o K56flex e x2, ocorrida durante o final dos anos 90.

O curioso é que o V.90 veio com a intenção de combinar o que havia de melhor nos dois padrões, eliminando as diferenças entre o x2 e o K56flex. Entretanto, alguns detalhes mal resolvidos ainda restaram. Como muitos fabricantes não alteraram os projetos de seus chips para funcionar especificamente com o padrão V.90, existem por aí muitos modelos que simplesmente foram "atualizados", normalmente por meio da reprogramação de suas rotinas internas. Esse recurso, por sinal, foi muito utilizado como argumento de venda pelos promotores do x2 e K56flex que garantiam uma fácil migração para o protocolo padronizado, assim que este surgisse.

Os equipamentos cujos circuitos foram originalmente desenhados para o padrão x2 (como os da Texas Instruments / U.S. Robotics) tendem a obter conexões mais velozes quando se comunicando com modem também originados na tecnologia x2. O mesmo acontece com os produtos com chip sets originalmente orientados para K56flex, como os produzidos pela Rockwell.

Desse modo, a não ser que novos chips sets tenham sido especialmente desenvolvidos para o protocolo V.90, a sensação de uma conexão mais veloz pode variar de usuário para usuário ou de usuário para provedor de acesso.

O padrão V.92 já está disponível para o usuário doméstico na forma do 56K faxmodem distribuído no Brasil pela U.S. Robotics (www.usr.com.br).

Entendendo o V.90
O padrão de 56 kbps ao contrário de seus predecessores como o V.34 (33,6 kbps) não transmite e recebe informações à mesma velocidade. O V.90 reviveu uma velha idéia originalmente usada nos antigos modems de 75/1.200 bps usados em sistemas de videotexto, ou seja, a maioria dos usuários de sistemas de rede como a Internet mais recebem do que transmitem informações.

A feitiçaria por trás do V.90 baseia-se na premissa de que existe apenas uma conexão analógica entre o provedor de acesso e o usuário, sendo que todas as outras interconexões entre a central telefônica, o provedor e a Internet são totalmente digitais. Com esse ambiente favorável, é possível minimizar um dos maiores complicadores de uma conexão de dados que é o ruído na linha telefônica, permitindo que a tecnologia V.90 transmita informações de maneira digital, em vez de convertê-las em sinal analógico, favorecendo assim taxas de até 56 kbps.

Entretanto, todas as informações dos PCs do usuário para o provedor ainda são enviadas a 33,6 kbps. Essa limitação é apenas sentida na hora em que o usuário transmite grandes volumes de dados para a Web (uploads), como grandes lotes de e-mails ou arquivos de som ou imagem.

Resumindo, o V.90 é basicamente um protocolo assimétrico, ou seja, a transmissão de alta velocidade somente ocorre em uma direção (download), do provedor para o PC. O processo contrário ocorre apenas a 33,6 kbps, segundo o padrão V.34. Logo, teoricamente ainda existe espaço para melhorar as taxas de transmissão, principalmente no modo de transmissão.

Em condições ideais, uma linha telefônica convencional possui largura de banda analógica de 4 kHz, capaz de trafegar até 64 kbps de banda digital, um valor ainda modesto se comparado ao acesso dedicado de banda larga.

Para além do V.90
Entre as iniciativas mais conhecidas para quebrar a barreira dos 56 kbps, está o chamado protocolo V.92 que, em teoria, eleva as taxas de transmissão - do PC para o provedor - para 48 kbps. Outra facilidade implementada pelo V.92 é a capacidade de colocar a conexão de dados em um estado de espera para que o usuário possa receber ligações de voz, um recurso batizado de modem on hold.

Mais uma novidade trazida pelo V.92 é o chamado QuickConnect, um recurso que reduz o tempo de negociação (toda aquela seqüência de ruídos que ouvimos depois que o modem disca para o provedor) de uma conexão. Em um procedimento inicial, o modem testaria, analisaria e gravaria as características da linha telefônica em uso para utilizá-la em futuras conexões. Na maioria dos casos, o processo de negociação leva algo em torno de 25 a 27 segundos, irritando muitos dos usuários. O QuickConnect promete cortar o tempo de conexão pela metade na maioria dos casos.

Outro padrão de compressão mais recente, batizado de V.44, usa uma nova tecnologia originalmente desenvolvida pela empresa Hughes Network Systems que pretende substituir o atual padrão V.42bis. Um melhor algoritmo de compressão significa que mais informações podem ser transmitidas em um menor espaço de tempo. As vantagens serão mais sentidas na busca de informações e navegação na Web já que os arquivos HTML são altamente compressíveis. Acredita-se que o ganho de desempenho fique entre 20% e 60%.

Atualmente, duas fabricantes já comercializam modems padrão V.92 e V.44: a U.S. Robotics (USR) cujos produtos são compatíveis como o padrão V.92 e a Zoom Telephonics e seus modems compatíveis com ambos os padrões. Apesar de já estarem disponíveis no mercado, os modems por si só não bastam. É necessário também que os provedores tenham seus equipamentos compatíveis para que os usuários tirem proveito dos novos recursos. Caso contrário, os modems podem até não funcionar tão bem quanto um modelo V.90.

Apesar de não oferecer maior velocidade de download, o novo padrão deverá se estabelecer gradualmente, a medida que os ISP forem atualizando seus equipamentos.

Quando optar por um V.92?
Se o usuário estiver satisfeito com seu modem V.90, ainda faz pouco sentido correr atrás de um V.92. Entretanto, se estiver realmente interessado em adquirir um modem novo por qualquer outro motivo, a opção por um V.92 pode ser sensata no sentido de que existe uma tendência natural do mercado em adotar protocolos mais recentes como padrões de fato.

De fato, a U.S. Robotics já deixou de fabricar seu popular modem Sportster de 56 Kbps V.90 por um novo modelo já com V.92, que também já pode ser encontrado no mercado brasileiro.

Desse modo, se num futuro próximo, o provedor de acesso oferecer conexões compatíveis com o padrão V.92, o usuário já estará preparado para o que der e vir. Nos EUA, empresas como MSN e Earthlink dizem já estar testando o V.92, ao passo que a America Online prefere ver a movimentação do mercado antes de se comprometer com o novo protocolo.

Do mesmo modo, os provedores nacionais não se mostram muito apressados em adotar o novo padrão. Luiz Molento, da Abranet, comenta que os provedores de acesso não vêem no V.92 um salto tecnológico tão importante quanto foram os lançamentos dos modems de 56 kbps, cujos ganhos de desempenho foram sentidos pelos usuários. Molento também observa que os ganhos estão essencialmente no processo de upload, sendo que a velocidade de download se mantém em 56 kbps.

Entretanto, o representante da associação dos provedores acredita que a migração para o V.92 ocorrerá naturalmente, aos poucos, à medida que as empresas atualizarem seus equipamentos, que já virão com o novo padrão implementado.

A UOL, por exemplo, já está se preparando para que, pelo menos, um tronco de cada um de seus provedores de acesso sejam compatíveis com o novo padrão nos próximos meses.

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