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Combinação explosiva
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Combinação explosiva

Apesar de ainda serem vistas de maneira folclórica por usuários de PCs, pesquisas recentes confirmam que a combinação de leitoras cada vez mais velozes com CDs mal conservados ou gravados de maneira incorreta podem levar ao estilhaçamento da mídia dentro da unidade.

Mário Nagano

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Alguém já deve ter ouvido essa história: o PC está tranqüilamente rodando um disco de CD-ROM e depois de algum tempo, sem mais nem menos, o usuário ouve um estouro na leitora que, quando não danifica o equipamento, contamina o seu interior com milhares de fragmentos de plástico do CD. Apesar do tom quase paranormal desses relatos, informações recentes levantadas pelo PC World Test Center com várias fontes da indústria revelam que, sob certas circunstâncias, um CD-ROM pode realmente explodir dentro da leitora. A boa notícia é que tomando-se alguns cuidados básicos esse problema pode ser minimizado ao máximo.

No geral, pode-se afirmar que o problema de estilhaçamento de CDs resulta normalmente da combinação do uso de uma mídia maltratada, mal conservada e até mal gravada nas atuais leitoras de CD-ROM acima de 48x, equipamentos em que a mídia chega a girar a 10 mil rotações por minuto (rpm), o equivalente à velocidade de 240 Km/h. Trata-se de um desempenho considerável para um padrão originalmente concebido no início dos anos 70 para girar entre 200 e 530 rpm, dependendo da posição da cabeça de leitura na mídia.

Sob tais condições, qualquer mídia que não esteja bem balanceada ou cuja estrutura física não esteja em perfeitas condições sofre tamanhas solicitações de carga que podem literalmente pulverizar o CD no pico do seu giro. Isso é o que explica o estouro ou a explosão da mídia.

A orientação do gerente de produtos da Imation do Brasil, Jorge Gabriel, é que o usuário seja extremamente cuidadoso com suas mídias ópticas, tanto no trato quanto na gravação. Segundo ele, o ideal é que as mídias sejam guardadas na posição vertical, em local fresco e sem umidade, de modo a evitar problemas de empenamento ou deformação pela exposição ao calor (como aqueles esquecidos dentro do carro num dia de sol), o que pode gerar vibrações mais acentuadas nas leitoras mais velozes. Isso, vale tanto para as mídias pré-gravadas quanto para as produzidas em casa.

Uma questão interessante levantada por ele é que o estouro das mídias também pode ser provocado pelo uso de CDs graváveis (CD-Rs) de má qualidade ou devido a gravação de maneira incorreta. Para Gabriel, os usuários deveriam levar mais a sério as informações de gravação que vêm impressas nas mídias vendidas no mercado.

O que ocorre nesses casos, é que os usuários de PCs equipados com gravadores de última geração costumam gravar seus CD-Rs na maior velocidade que seus dispositivos permitem, ignorando as especificações do fabricante, optando pelo processo de tentativa e erro, ou seja, mesmo que a mídia especifique uma certa velocidade, o usuário tentará pelo menos uma vez gravar numa velocidade maior. Caso a operação seja bem-sucedida e a mídia passe pelo teste de verificação, ele acha que ganhou o dia e tenderá a repetir a façanha mais vezes até que algo dê errado, ocasionalmente jogando a culpa na mídia e tentando novamente.

O gerente da Imation explica que a especificação da mídia baseia-se nas características físicas do material do qual é feito o substrato de gravação, de modo a gravar as trilhas de maneira confiável na velocidade informada pelo fabricante (ou abaixo dela, se for o caso). Ele observa porém, que essas mídias podem até ser gravadas em velocidades mais elevadas, mas as marcações das trilhas podem não ficar bem claras. Assim, as leitoras até conseguem lê-las aumentando a potência do seu feixe do laser - o que não é percebido à primeira vista pelo usuário -, o que explica como essas mídias passam pelo teste de verificação do gravador.

Mas com o passar do tempo, o uso de um feixe mais potente pode fazer com que a mídia se aqueça mais que o normal, alterando as características físicas da sua base de plástico, o que leva a deformações ou torna o material mais frágil e, consequentemente, mais sujeito a estilhaçar no interior da leitora.

Uma indicação de que uma mídia está condenada é a existência de trincas, principalmente ao redor do furo central do CD, que podem evoluir para danos mais sérios. Para identificar os CDs, Gabriel sugere apenas o uso de canetas de ponta porosa (com tinta dissolvida em água e não em solvente) e evitar o uso de etiquetas, mesmo aquelas que cobrem toda a superfície do CD, já que se a aplicação estiver mal centralizada também pode desbalancear a mídia causando vibrações quando utilizada em leitoras de alta velocidade.

Para obter máximo de segurança em termos de durabilidade e longevidade da mídia, procure sempre escrever na parte interna do CD, ou mais exatamente na área transparente ao redor do furo do disco. Um local onde a possibilidade da tinta reagir com a camada protetora e atacar a mídia óptica é bem menor.


CD-RW: usuários devem respeitar a especificações de gravação da mídia, impressas na capa, e não o limite de seus gravadores


Observe que todos esses cuidados são válidos tanto para mídias de qualidade quanto as de baixo custo, algumas vendidas sem nenhum tipo de marcação ou indicação de velocidade de gravação. Os contraventores de software normalmente utilizam mídias de baixo custo e gravam na maior velocidade possível (para minimizar custos e maximizar a produtividade de seu negócio), o que explicaria algumas histórias sobre CDs piratas que estragaram o computador ou a leitora de CDs dos videogames.

Pisando no freio

Como o usuário de informática sempre valorizou o conceito de quanto maior, melhor, os fabricantes de CDs travaram até hoje uma corrida sem trégua para colocar no mercado a unidade mais rápida, mesmo com os ganhos de desempenho sendo mais psicológicos do que efetivos. Mas essa história parece estar no fim, já que os modelos de linha estão chegando num limite que os próprios fabricantes consideram estáveis ou mesmo mais seguros.

Quem atenta para isso é Fernando Rocha, gerente de produtos da LG Eletrônicos, uma das maiores fabricantes mundiais de unidades de CD e similares. No caso das leitoras de CD-ROM, ele informa que a LG decidiu, baseada em suas próprias pesquisas, limitar a velocidade de suas unidades a 52x, apesar de afirmar ser tecnicamente possível aumentar ainda mais a velocidade dessas unidades. De acordo com Rocha, isso entretanto não é feito, para evitar problemas com a vibração da mídia e de aquecimento do motor de giro.

O gerente da LG afirma que esse mercado passa por uma mudança de paradigma, já que, em termos práticos, ele não vê ganhos significativos de desempenho entre os modelos de 48x e 56x. Ele acredita que o raciocínio será o mesmo no caso das unidades de CD-RW que também irão estabilizar em 52x para leitura de dados.

No caso das unidades externas, o limite de velocidade ainda não é algo realmente sério, afirma o territory manager da Iomega no Brasil, Wallace Santos. Na opinião dele, o que limita a velocidade das leitoras externas não é exatamente o hardware do CD-ROM e sim sua porta de comunicação, já que a grande maioria das unidades externas ainda trabalha com a interface USB 1.1, o que limita o desempenho dos equipamentos que operam a 4x4x6x (esta última é a velocidade de leitura do CD, 6x). Esse cenário no entanto deve mudar aos poucos com a entrada gradativa dos modelos com porta USB 2.0 (24x10x40x) e FireWire (8x4x32x). O executivo comenta que a Iomega chegou a desenvolver um protótipo do Predator com velocidade de leitura de 52x, mas o modelo vibrou tanto que quase desmontou na bancada de testes.

Atualmente, a Iomega comercializa a versão de 48x de seu gravador CD-RW externo, com previsão de lançamento do modelo de 52x para este mês. Existe ainda um modelo de 56x, que ainda está em fase de testes. O executivo da Iomega acredita que o mercado de CD estabilize e que os novos avanços ocorrerão no segmento de DVDs, unidades Combo e até nos DVDs regraváveis. Nesse conturbado segmento de mercado, em que padrões não muito compatíveis brigam para conquistar o direito de se tornar padrão de mercado, a Iomega aposta nos híbridos, lançando seu primeiro modelo compatível com os padrões DVD-RW e DVD+RW, os mesmos utilizados pela HP e Sony.

No geral, pode-se considerar que o problema de estilhaçamento de CDs é uma possibilidade real, apesar de ainda relativamente rara. De qualquer modo, como vale mais a pena prevenir do que remediar, o aconselhável é adotar algumas medidas de segurança.


Até hoje valeu a idéia de que quanto mais rápido melhor, mas isso deve mudar nas leitoras de CDs


Até que se prove o contrário, ao escolher uma unidade de CD ou CD-RW o usuário deve optar por um equipamento entre 52x e 54x. Como essas unidades tendem a cair de preço com o lançamento de versões mais velozes, pode ser que encontre um ótimo negócio entre os modelos 48x.

Outra recomendação é ter o máximo de cuidado com as mídias gravadas e armazenar as informações em mídias de boa qualidade, dentro das especificações de gravação da mídia e não do gravador. Sempre verifique o estado dos CDs a procura de trincas, principalmente nas bordas externas e internas. Caso encontre alguma, descarte o disco imediatamente e faça uma nova cópia a partir do CD de backup (você tem um, não é?). Curiosamente, os CDs de Mac não sofrem desse problema, já que suas unidades de CDs ainda estão na faixa de 32x.

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