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Com qual servidor eu vou?
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REVIEW

Com qual servidor eu vou?

Comparamos quatro distribuições gratuitas do Linux que podem ser utilizadas no ambiente corporativo

Por Toni Cavalheiro

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Comparamos quatro distribuições gratuitas do Linux que podem ser utilizadas no ambiente corporativo

penguinQuando as primeiras distribuições do Linux chegaram, os administradores de rede logo perceberam seu potencial.  Era um ambiente robusto, seguro e baseado no Unix. Falava uma língua que eles já conheciam. Mas o melhor de tudo era o fato de rodar perfeitamente em um PC com processador x86.  Isso praticamente marcou o fim das parrudas e caras máquinas Risc em pequenas e médias empresas. Hoje, quinze anos depois do lançamento da primeira versão, o ambiente Linux mudou muito, mas ainda mantém a estabilidade que fez deste sistema operacional um sucesso. Para comprovar isso, testamos quatro versões, Debian, Slackware, Fedora e Suse, e avaliamos seu desempenho como servidores.

O Debian sempre teve a fama de ser um Linux extremamente complicado. Na versão 3.1, a última disponível, ele se tornou, digamos, um pouco menos indigesto. Grande parte disso se deve ao Sarge, que é o novo instalador do pacote. Apesar de ainda ser baseado em texto, ele não oferece grandes dificuldades para as pessoas que já instalaram um Linux antes. 

Assim como nas versões anteriores do Debian, a instalação de novos programas é baseada no gerenciador de pacotes apt.  Este recurso é tão bom que foi inclusive importado para outras distribuições do Linux, como a Mandriva. Seu grande diferencial é a solução automática de dependências. Funciona mais ou menos assim: se você quiser instalar um determinado programa e este depender de outros, o apt conecta-se à internet e baixa tudo o que você precisa para o seu software funcionar. Parece bom demais para ser verdade? Tudo bem, as coisas não são tão simples assim. O aptitude, que é o gerenciador de pacotes do Debian, não é exatamente o programa mais fácil de usar. 

É na parte de segurança que o Debian mostra seu grande diferencial. Apesar de ser conhecido como um sistema operacional com versões antigas de programas, isto tem uma explicação. Um software só passa a fazer parte do pacote Debian quando está absolutamente estável e seguro. Isso é bom por um lado, mas pode privar o administrador de algumas novidades e exigir que ele gaste um tempo compilando softwares a partir do código-fonte. Em nossos testes, também percebemos algo bastante estranho: o Debian não ativa o firewall durante a instalação.

Outra distribuição na mesma linha é o Slackware. Esse é umas das versões Linux que mais evoluíram nos últimos tempos. As primeiras versões, que eram muito complicadas, deram lugar a um sistema operacional intuitivo e ideal tanto para servidores quanto para desktops avançados. Logo na instalação, o Slackware já fez um milagre. Em meia hora, ele instalou cerca de 3 GB de pacotes, incluindo a configuração de placas de rede, gerenciador de boot e tudo mais que se possa imaginar.

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pinguimbomO principal ponto positivo do Slackware é o desempenho.  O software foi muito mais rápido do que todas as outras distribuições, tanto quando rodava aplicações de servidores quanto na hora de executar o ambiente gráfico KDE. Apenas para confirmar isso, instalamos o JMeter, um software que faz parte do projeto Jakarta e foi criado especificamente para testar servidores Apache. No Slackware, o desempenho foi cerca de 20% melhor do que o dos outros Linux, que mantiveram a mesma média.

Já na parte de administração, não espere muito do Slackware.  O sistema operacional “imagina” que você saiba exatamente o que precisa ser feito na hora de gerenciar um servidor, então não ficará apresentando telinhas e assistentes para facilitar a sua vida. Mesmo assim, ambientes gráficos como o KDE já têm diversas dessas ferramentas embutidas, o que facilita um pouco as coisas para usuários sem experiência.

Começamos pelos mais complicados e agora é hora de facilitar um pouco as coisas. É claro que vamos falar do Fedora, uma das distribuições do Linux mais amigáveis da atualidade.
O Fedora teve suas origens no RedHat, mais especificamente em uma distribuição para usuários finais que parou de ser comercializada há alguns anos.  Hoje, na versão 5, o Fedora evoluiu muito e passou a ser usado também para servidores, apesar de não ser o objetivo original do produto.

A instalação é simples e totalmente gráfica, embora você ainda possa optar pelo bom e velho modo texto. O processo total leva cerca de cinqüenta minutos em máquinas recentes, e geralmente detecta tudo o que você tem disponível na máquina. 

Depois de instalado, é provável que o Fedora não tenha os servidores de que você precisa, uma vez que seu principal alvo é o usuário final. Mas você pode usar o Yum Extender para se conectar aos repositórios de softwares da internet e baixar praticamente de tudo. Assim como o apt-get do Debian, o Yum também resolve as pendências e faz o serviço todo por você. Na prática, podemos concluir que o Fedora não é a solução mais adequada para servidores, mas, se você é um administrador com pouca experiência, tem de começar por algum lugar. 

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Confira tabela comparativa das distribuições

Seguindo a mesma linha do Fedora, outra distribuição interessante é o Suse, um sistema operacional que nasceu na Alemanha e hoje está na versão 10. De propriedade da Novell, este software é voltado a usuários finais e pequenos negócios, uma vez que a empresa mantém um segundo Linux (o Novell Linux Desktop) voltado aos ambientes corporativos. 

Logo de cara, a instalação já deu uma certa dor de cabeça.  Tentamos fazer a instalação em um Pentium 4 da HP e surpreendentemente o software não foi capaz de particionar o disco.  Depois de algumas horas buscando alternativas, não houve muito o que fazer. Abandonamos o HP e partimos para outra estação de trabalho, que desta vez funcionou bem. 

A configuração básica do Suse tem a típica cara de desktop, então você terá certo trabalho para adaptá-la ao ambiente de servidores. Porém, alguns resultados compensam o tempo gasto. O Suse foi uma das distribuições que melhor se comportou no quesito desempenho, principalmente quando o adaptamos para ser um servidor web. Isso faz dele uma boa opção como servidor de desenvolvimento, permitindo que programadores utilizem seus recursos e ao mesmo tempo testem suas aplicações em uma plataforma muito próxima do ambiente de produção.

Feita a avaliação geral dos quatro Linux que testamos, o Slackware foi o que se mostrou a opção mais viável para servidores.  O Debian também se saiu bem, mas o fato de não vir configurado com as últimas versões de softwares resulta em um trabalho absurdo do administrador. Portanto, o Debian só é adequado para quem sabe exatamente o que o aguarda ao optar por esta distribuição.

Já na linha praticidade, a melhor opção é o Fedora. Ele não é robusto como seus concorrentes mais “nervosos”, mas a simplicidade traz uma série de vantagens, principalmente quando você tem pouco tempo para entregar um projeto ou configurar um servidor. Por fim, o Suse só é viável como ambiente de desenvolvimento. Apesar de ser uma boa distribuição para o usuário final, ele ainda está longe de ser apropriado para um servidor de produção.

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