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Metal Gear Rising: Revengeance faz jus ao nome que carrega
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Metal Gear Rising: Revengeance faz jus ao nome que carrega

Apesar da jogabilidade completamente diferente de seus antecessores, jogo mantém a história grandiosa, personagens extravagantes e apresentação impecável que deram fama à série.

Rafael Rigues

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Foto:

Confesso que fiquei com um pé atrás quando a Konami anunciou a produção de Metal Gear Rising: Revengeance (na época conhecido como Metal Gear Solid: Rising) em 2009. A furtividade sempre foi a principal característica da série, que valoriza a estratégia em vez do combate direto, e um jogo de ação pura como Rising parecia destoar completamente de seus antecessores.

E convenhamos: o personagem principal, Raiden, não foi lá muito bem recebido em seu primeiro jogo (Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty) e virou motivo de piada no seguinte (Metal Gear Solid 3: Snake Eater). E pra “piorar” o jogo não foi desenvolvido pela Konami nem dirigido pelo criador da série, Hideo Kojima. O desenvolvimento ficou a cargo da Platinum Games, responsável por jogos como Bayonetta e MadWorld, e a direção foi de Kenji Saito. Uma mudança de estilo, de protagonista, de estúdio e de diretor de uma só vez? Xiii...

Como fã, tinha medo de que o jogo fosse apenas uma forma de ganhar "dinheiro fácil" usando o nome Metal Gear, enquanto Kojima e sua equipe trabalhavam numa verdadeira sequência (que agora sabemos que será Metal Gear Solid: Ground Zeroes) digna do nome da série. Felizmente, não é esse o caso.

O melhor açougueiro do mundo

Em outros Metal Gear a melhor estratégia de jogo é se tornar "invisível" e completar a missão sem ser descoberto pelos inimigos. Entrar correndo dentro de um hangar lotado deles é suicídio, e até mesmo o som de seus passos em uma passarela metálica pode alertá-los de sua presença. Isso cria um clima de tensão que ajuda o jogador a entrar na pele do protagonista. Sei que preciso chegar a um depósito, mas como? Posso dobrar essa esquina? Será que o guarda lá embaixo vai me ver se eu subir a escada? É preciso pensar antes de agir.

Já Rising é mais "descerebrado", não que isso seja ruim. Pense nele como um "Dia de Fúria", onde você pode atacar a tudo e a todos sem medo das consequências. O jogo incentiva o confronto: a arma principal de Raiden é uma espada especial, e o método mais eficaz de recarregar a energia é fatiar os ciborgues inimigos (a lâmina absorve os eletrólitos de suas baterias), ou então arrancar e esmagar suas colunas vertebrais, num movimento chamado "Zan-Datsu".

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Fatiar os inimigos à vontade é o ponto-chave da jogabilidade de Revengeance

A jogabilidade lembra a série "God of War": com poucos botões é possível fazer combos eficientes para despachar os inimigos, e em vários momentos ícones na tela pedem sequências específicas de botões que levam a ataques e finalizações grandiosas. Coisas como agarrar um robô gigante pela cauda, arremessá-lo através do cenário e depois partí-lo ao meio usando sua espada. Raiden também pode usar a "Corrida Ninja" para se mover mais rapidamente através das fases e superar automaticamente obstáculos no caminho, não que eles sejam muitos.

Um diferencial é o "Blade Mode": o jogo entra em câmera lenta e assume uma visão em terceira pessoa, com a câmera sobre o ombro de Raiden e o inimigo à frente dele. Com um dos direcionais analógicos é possivel selecionar o ângulo do corte, mostrado como uma linha sobre o corpo do inimigo, e aí basta pressionar o botão de ataque para fatiar o pobre soldado feito salaminho. Cortes específicos podem render itens: em dado momento um dos aliados de Raiden, conhecido como "Doktor", pede que o protagonista corte as mãos esquerdas do maior número de soldados que puder, para capturar valiosos "dados de combate" armazenados em chips holográficos dentro delas.

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Os inimigos podem lhe dar uma "mãozinha", literalmente

Há armas secundárias, como um lança-foguetes que é útil para despachar inimigos distantes, mas a estrela é mesmo a espada. E os dois modos de jogo proporcionam um pouco de variedade à ação: se estou cercado de inimigos posso despachá-los rapidamente com combos. Se enfrento apenas um ou dois posso me dar ao luxo de entrar no Blade Mode e ser mais, digamos, "criativo" nos ataques. Aliás, além dos inimigos é possível fatiar itens do cenário, como árvores, portões, caixas e cercas, e até cortar os pilares de pontes para derrubar os inimigos que estão sobre elas.

Coisa de cinema

Metal Gear Rising: Revengeance segue a tradição de apresentação "cinematográfica" dos outros Metal Gear, com gráficos e sons excelentes. A história grandiosa se passa no futuro e envolve uma corporação paramilitar (PMC) chamada Desperado que usa ciborgues para perpetuar a guerra, garantir sua existência e acumular poder.

A rivalidade entre Raiden e Samuel Rodrigues, um dos principais soldados da Desperado, é o ponto central, bem como a luta de Raiden para suprimir instintos de seu passado, quando sua violência como soldado-mirim lhe rendeu o apelido de “Jack, o estripador”. E o Raiden de Revengeance, um ninja cibernético altamente letal, é muito diferente do jovem recruta inseguro de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty. Mas nem tudo é sério: o típico humor da série, como as caixas de papelão para se esconder dos inimigos ou as revistas pornô para distraí-los, também está presente.

Tudo se desenrola através de belas animações entre as fases e constantes conversas via CODEC (uma espécie de comunicador) entre os personagens. A história se sustenta sozinha: não é necessário ter jogado os outros Metal Gear para compreendê-la, embora isso ajude a colocá-la dentro de um contexto muito maior. Além de jogar, Revengeance é um jogo que vale a pena assistir, de preferência com um balde de pipoca do lado. 

A influência cinematográfica se estende também à jogabilidade: combos são frequentemente finalizados com ângulos de câmera e movimentos coreografados dignos de um filme de John Woo, e a sensação de "Uau, eu fiz isso?!?" é constante, empolgando o jogador. As batalhas contra os chefes, extravagantes soldados de elite da Desperado com nomes como Mistral, Moonsoon, Jetstream e Sundowner, são um show à parte.

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As batalhas épicas contra chefes como Mistral (à esquerda) são um ponto alto do jogo

Aliás, é nas batalhas contra os chefes que o principal ponto fraco de Revengeance fica evidente: a câmera pode "se perder" durante a ação, e você vai sofrer com os ataques de um inimigo que não consegue ver porque ela está apontando para o lado errado. É irritante, mas não é o suficiente para estragar o jogo.

Em bom português

Vale a pena citar o excelente trabalho feito pela Konami ao adaptar o jogo ao nosso idioma: todos os menus, indicadores, descrições de itens e sistema de ajuda estão em Português, e as animações entre as missões e conversas entre personagens são legendadas. A tradução foi bem-feita: até mesmo trocadilhos e expressões idiomáticas foram corretamente adaptados para nossos equivalentes, em vez da tradicional tradução "ao pé da letra" e sem sentido que às vezes é encontrada em outros jogos.

Honrando o nome

No final das contas, Metal Gear Rising: Revengeance faz jus ao nome que carrega. É um “Metal Gear” diferente, é verdade, mas tem todas as características que tornaram os outros jogos da série um sucesso, e mostra que em boas mãos ela pode continuar mesmo sem a intervenção direta de seu criador, Hideo Kojima, ou sem uma das muitas encarnações do protagonista Snake. Quem já acompanha a série tem mais um ótimo jogo para curtir, e quem não conhece pode acabar descobrindo um novo favorito.

Agora me dêem licença, que tenho mais algumas mãos a cortar.

Serviço

Metal Gear Rising: Revengeance está disponível em versões para o Xbox 360 e PlayStation 3. Analisamos a versão para o Xbox 360. Segundo a Konami, o preço sugerido para ambas as versões é R$ 199.90.

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