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Microsoft lança o Office 2010 no Brasil
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Microsoft lança o Office 2010 no Brasil

Novo pacote de programas de escritório da Microsoft investe em ferramentas de colaboração, integração com redes sociais e aplicativos online.

Rafael Rigues e Yardena Arar

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O mundo ainda se recupera de uma recessão e não há dinheiro sobrando, ou seja, esta não parece ser a melhor hora para a Microsoft lançar uma nova versão de seu onipresente pacote de aplicativos de escritório. Ainda assim, com o Office 2010 a Microsoft continua a refinar a mudança dramática que começou na versão 2007 do pacote, enquanto adiciona alguns novos recursos de grande apelo.

A partir de hoje,  o Office 2010 está disponível  no Brasil nas versões Home and Student (com Word
2010, Excel 2010, PowerPoint 2010 e OneNote 2010) por R$ 199, Home and
Business (todos os programas da Home and Student mais o Outlook 2010)
por R$ 499 e Professional (todos os programas da Home and Business mais o
Publisher 2010 e Access 2010) por R$ 1.399. O produto já pode ser
encontrado em grandes redes de varejo e lojas especializadas em
informática em todo o país.

Uma quarta versão, o Office Starter 2010 (http://bit.ly/acbjQd),
será encontrada pré-instalada em PCs vendidos por empresas como a
Megaware, Itautec, Positivo, HP, Dell e outras. Ela contém versões
básicas do Word (Word Starter) e Excel (Excel Starter) que permitem
abrir, criar e editar documentos, mas não contém funções avançadas como
macros (no Word) ou tabelas dinâmicas (no Excel). Usuários que tiverem o
Office Starter poderão fazer o upgrade para as versões completas do
programa caso desejado.

Inovações

A inovação mais visível no novo pacote é um conjunto de aplicativos web, as Office Web Apps - versões online do Word, Excel, PowerPoint e OneNote - que devem estar disponíveis através do serviço Windows Live em breve. A Microsoft também irá oferecer versões destes aplicativos baseadas em sua plataforma SharePoint, para empresas que desejarem hospedá-los localmente.

Mas embora as Office Web Apps sejam capazes de fornecer recursos mínimos de colaboração e brilhem ao manter a formação em documentos que são trucidados por outros concorrentes online, é pouco provável que impressionem qualquer um que já aprecia os inúmeros recursos do Google Docs, Zoho Office e vários outros pacotes de produtividade baseados na web. Na verdade, elas nem foram feitas para isso: a Microsoft declarou claramente que criou as Web Apps como companheiras, e não substitutas, do software para desktops.

Mudanças em todo o pacote

A versão final do Microsoft Office 2010 não é muito diferente do  beta que analisamos no ano passado. Alguns dos novos recursos devem impressionar até mesmo os usuários veteranos: entre elas a função “Broadcast Slide Show” no PowerPoint, que permite mostrar uma apresentação remotamente para qualquer pessoa que tenha um PC com um navegador web.

As novas opções de personalização na interface Ribbon, que estreou nos principais programas do Office 2007 e que agora está presente em todos os componentes do pacote, vão silenciar muitos dos críticos: agora é possível agrupar os comandos que você usa com mais frequência, não importa onde eles estejam originalmente, em abas e grupos criados por você mesmo.

No geral, o visual do pacote é mais consistente entre os vários aplicativos, e mais modesto do que o de seu predecessor, principalmente porque a Microsoft optou por uma paleta de cores baseada no branco e tons de cinza, contra o azul-celeste do Office 2007.

O grande e desajeitado botão do Office que ficava no canto superior esquerdo de cada janela também se foi. Em vez dele, clicar no meu Arquivo agora abre uma nova janela, chamada de “Backstage View”, com várias opções para criar, salvar, compartilhar e imprimir, bem como para acessar versões recentes do documento atual ou abrir outros usando uma prática lista de documentos recentes. Esta janela também leva a menus com opções específicas para cada aplicativo.

Além disso o Office 2010 tem um refinamento de uma das funções mais básicas durante a criação de conteúdo: “colar” material que você recortou ou copiou de outros trechos do documento. A nova opção de “Live Preview” para a função Colar não só permite manter a formatação da origem, mesclá-la com a formatação de destino ou transferir apenas o texto, mas também permite ver qual será o resultado antes de aceitá-lo, da mesma forma como o Ribbon permite ver mudanças de fontes passando o cursor do mouse sobre elas.

O pacote também tem ferramentas bastante sofisticadas para edição de imagens e vídeo que podem, para muitos usuários, eliminar a necessidade de editar os arquivos com programas de terceiros antes de usá-los em documentos do Office.

E em resposta ao crescente problema do malware que chega em arquivos baixados da web, por padrão os programas abrem arquivos baixados em um “modo protegido” (Protected View), com edição desabilitada até que o usuário a autorize explicitamente clicando em um botão dentro de um aviso bem visível que fica no topo da janela.

Alguns outros novos recursos só funcionam com outros aplicativos da Microsoft, como um indicador de presença que lhe permite ver quais dos seus contatos do Windows Live Messenger estão online e iniciar conversas de dentro do próprios office.

Opções de 64 Bits

O Office 2010 é a primeira versão do pacote de aplicativos da Microsoft a chegar em versões de 32 e 64 Bit. A versão 64 Bit, entretanto, não tem todos os recursos de sua “irmã menor”: entre outras coisas add-ons como versões de terceiros do Outlook Social Connector (para mostrar atualizações de redes sociais populares dentro do Outlook) ainda não estão disponíveis.

As versões de 64 Bits do Excel e Project podem usar a capacidade dos processadores de 64 Bits de endereçar grandes quantidades de memória para rodar planilhas e projetos gigantescos (embora, estranhamente, isto não se aplique ao Access e seus bancos de dados). Entretanto, a não ser que você se sinta incomodado pelas limitações de memória, a Microsoft recomenda que você continue com as versões de 32 Bits do Office mesmo que seu computador rode um sistema operacional de 64 Bits.

Atualização útil

No geral o Office 2010 é um sucessor adequado e, em muitos casos, bastante útil do Office 2007. A Microsoft não está oferecendo pacotes de upgrade para a nova versão, mas os preços foram reduzidos e para muitas pessoas a versão mais barata, a Home and Student com quatro aplicativos (Word, Excel, PowerPoint e OneNote) é mais do que suficiente. Especialmente se você pulou o Office 2007, a migração para a versão 2010 deve ser considerada, mesmo em uma recessão.

Continue lendo e veja o que mudou no Word, Excel e PowerPoint

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O que mudou no Word 2010

Além das mudanças já citadas acima, as principais modificações no Word 2010 estão nas ferramentas de design. Entre elas estão recursos de tipografia para fontes OpenType que lhe permitem aplicar efeitos artísticos que vão de ligaturas a bordas refinadas ao seu texto, tudo isto facilmente acessível a partir da janela Fonts.

Em documentos longos com subseções, o painel de navegação facilita a tarefa de ir diretamente de uma seção para a outra. O novo recurso Insert Screenshot (encontrado no menu Inserir) permite adicionar automaticamente ao documento um screenshot de uma janela aberta e não minimizada em seu desktop. Sem nunca sair do documento, é possível adicionar até mesmo apenas uma região de uma janela aberta, que você pode selecionar na hora.

As novas ferramentas de edição de imagens dentro do Word permitem aplicar uma série de ajustes e efeitos, incluindo um sistema de compressão que ajuda a reduzir o tamanho dos arquivos.

Infelizmente, o Word se tornou uma ferramenta para criação de documentos tão poderosa que sua contrapartida online desaponta. Usar o aplicativo web não é difícil: a tela Save & Send do Word 2010 (salvar e enviar) tem uma conveninente opção “Save to SkyDrive” para enviar o documento para a web, e não me importei em não ter todos os recursos de edição de mídia. Mas a ausência do sistema de revisão de documentos do Word na versão online é imperdoável, já que um dos melhores motivos para o uso da versão web é simplificar a colaboração. Já para edição simultânea, tanto o Word quanto o PowerPoint exigem o uso do aplicativo desktop. O OneNote suporta a edição simultânea tanto no desktop quanto na Web, e o Excel só permite isso na versão web.

Excel 2010 muda pouco

É difícil superar os impressionantes gráficos que estrearam no Office 2007, e fora as ferramentas para edição de imagens, integração com o OneNote e preview antes de colar conteúdo, o novo Excel não tem muito o que mostrar. Assim como na versão Beta, a novidade mais interessante são as Sparklines, recurso que pode ser usado para criar pequenos gráficos dentro de uma única célula para ilustrar tendências em uma linha de números.

Usuários que adquirirem a versão de 64 Bits irão se beneficiar da possibilidade de manipular quantidades gigantescas de dados graças à capacidade de endereçar quantidades de memória superiores a 4 GB. Também é interessante o add-on PowerPivot for Excel 2010, que permite coletar e analisar enormer quantidades de dados vindas de múltiplas fontes. 

A capacidade de salvar planilhas complexas na web, abrí-las e editá-las na versão web do Excel e retorná-las à versão desktop do programa sem problemas de formatação é provavelmente uma das conquistas mais importantes das Office Web Apps. Qualquer um que tenha tentado fazer o mesmo com terceiros sabe o quão difícil esta tarefa é.

Mas assim como no Word, os recursos da versão web são severamente limitados, e não há uma ferramenta para gráficos sequer. Na web é possível usar funções (que aparecem em um menu pop-up próximo à célula onde o resultado será mostrado), inserir tabelas e hyperlinks e atualizar dados vindos de fontes externas. Mas em meus testes o desempenho foi dolorosamente lento.

PowerPoint 2010 tem novidades impressionantes

Já falei no quão legal é o recurso “Broadcast Slide Show” do novo PowerPoint? Vale a pena repetir, já que todas as pessoas para quem o demonstrei ficaram impressionadas. Sim, já dá pra fazer apresentaçãoes remotas, inclusive demonstrações ao vivo e mais, com serviços como o WebEX - Mas se tudo o que você quer fazer é compartilhar seus slides (presumivelmente em sincronia com uma teleconferência), nada bate a simplicidade de poder fazer isso diretamente a partir do desktop. Meu único problema com o novo recurso: assim como quando você usa um projetor, não dá para ver as anotações da apresentação a não ser que você use um segundo monitor. Você só vê o que sua audiência pode ver. É algo no qual a Microsoft deve trabalhar na próxima vez.

Outras melhorias no PowerPoint incluem recursos bastante robustos de edição de vídeo que permitem não só cortar vídeos inclusos nas apresentações como também “embutí-los” no mesmo arquivo, para facilitar o transporte. Dá para importar vídeo da web em tempo real, também, e todos os recursos de captura e edição de imagens disponíveis no Word também podem ser usados no PowerPoint.

Como todas as versões antes dele, o PowerPoint 2010 amplia o já belo arsenal de transições e temas com novas opções, incluindo uma seleção de efeitos 3D. Uma nova ferramenta chamada Animation Painter permite que você aplique as animações que criou para objetos em um slide a objetos em outros slides. E o novo recurso de autosave com certeza será útil ao resgatar da destruição total aquela apresentação que você não conseguiu salvar antes do programa dar pau.

De forma similar aos outros aplicativos, a versão web do PowerPoint é embaraçosamente simples - não só em comparação com sua versão desktop, mas também em relação a concorrentes que já nasceram na web como o Google Presentations e Zoho Show. É possível criar slides contendo apenas texto, imagens e Smart Art, mas fora isto há apenas algumas poucas ferramentas para modificar as imagens, e nenhuma transição ou animação. Novamente, trabalhar com a versão web do PowerPoint é lento demais.

Continue lendo para saber mais sobre o Outlook 2010, OneNote 2010 e os aplicativos web

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Outlook 2010: informações na ponta dos dedos

A mais recente versão do Outlook tem novas opções de layout e recursos projetados para colocar mais informação do que nunca ao alcance dos seus dedos. Entretanto, o software é tão popular que as mudanças sempre são algo complexo. Um recursos disponível na versão beta chamado “Conversation View”, que agrupa as mensagens em conversas como no GMail, está desativado por padrão na versão final, com consequência de reclamações de usuários da versão beta (você pode habilitá-lo clicando em um botão).

A visualização padrão de e-mail adiciona aos painéis já existentes (lista de pastas, de mensagens, leitura da mensagem propriamente dita e calendário)um painel “pessoas” que mostra suas interações recentes com o remetente de qualquer mensagem que apareça no painel de leitura. Este painel é um dos benefícios da novidade mais interessante apresentada na versão beta, o Outlook Social Connector, que também permite ver mensagens postadas em redes sociais das quais seus contatos são membros. Este recurso, entretanto, só funciona com redes para as quais há um add-on disponível, no momento apenas o LinkedIn e MySpace. Segundo a Microsoft, add-ons para o Facebook e o Windows Live devem ser lançados em breve.

Gostei do novo recurso “Quick Steps”, que é basicamente uma forma fácil de criar regras e aplicá-las a mensagens específicas (ao contrário dos filtros, que realizam ações em um conjunto de mensagens definido por uma ou mais regras). O aplicativo vem com vários Quick Steps pré-definidos, e para criar um novo só precisei de alguns segundos e um punhado de cliques.

Ha inúmeros outros ajustes que simplificam a organização de reuniões dentro de um e-mail, a criação de um calendário para uma equipe, encontrar uma sala livre para uma reunião e outras tarefas de rotina. Assim como nos outros aplicativos do Office, clicar no botão OneNote na barra do Outlook manda o item atualmente selecionado (seja contato, mensagem ou coisa que o valha) para qualquer bloco de notas que você especificar.

OneNote 2010: organize suas anotações

Se depender dos esforços da Microsoft, todos os usuários do Office irão usar o OneNote para fazer anotações (sejam digitadas ou escritas à mão), para agrupar e organizar idéias e informações vindas de várias fontes e compartilhar tudo isso com seus colegas. A versão 2010 do OneNote, que agora é um componente em todas as versões do Office, adiciona algumas ferramentas poderosas, inclusindo um sistema de busca melhorado, a habilidade de transformar equações matemáticas escritas à mão em texto e, para blocos de notas compartilhados, dicas visuais de que novo conteúdo foi adicionado deste a última vez em que você abriu o documento.

Fiquei bastante impressionado com a capacidade do OneNote de gravar áudio enquanto você faz anotações, e depois usar as anotações para reproduzir o áudio gravado enquanto você as escrevia. Por outro lado, achei o novo sistema de organização das notas em camadas confuso: agora é possível criar abas e sessões em três dos quatro cantos da janela do aplicativo, mas a hierarquia entre elas não é imediatamente óbvia.

Office Web Apps: acesso fácil, mas recursos limitados

Não é surpresa que a primeira investida da Microsoft no mundo dos aplicativos de escritório baseados na Web tenha produzido meras sombras dos softwares correspondentes no desktop. Mesmo que você tenha uma conexão rápida, nem mesmo os melhores aplicativos web poderiam igualar a riqueza de recursos e desempenho dos maduros e robustos programas que compõem o Microsoft Office.

O que a Microsoft está fazendo com as Office Web Apps é nada mais que tentar conter os avanços do Google Docs e outros concorrentes online, dando aos usuários que precisam colaborar na produção de documentos - ou a indivíduos que precisam acessar seus arquivos a partir de vários computadores equipados com o Office - uma alternativa básica.

Provas desta teoria: as Office Web Apps só podem editar documentos nos formatos baseados em XML que estrearam no Office 2007 (se você tentar editar um documento em um formato anterior, verá uma janela lhe pedindo para criar uma cópia em XML). E todas as Web Apps tem um prático botão que permite abrir o documento no programa desktop correspondente, caso você se sinta limitado pelos parcos recursos oferecidos pelas versões online.

Mas a mais gritante omissão nas versões web, entretanto, é a ausência dos sistemas de revisão encontrados nos aplicativos desktop. Em meus testes com as Web Apps, nunca consegui editar documentos com revisões pendentes: só era possível visualizá-los. Também não há nenhum suporte a vídeo.

Pelo menos dá pra criar novos documentos do Word, Excel, PowerPoint e OneNote online, usando o item “Office” que aparece sua página do Windows Live quando os aplicativos são abertos. E para salvar documentos online no SkyDrive, serviço de armazenamento online usado pelo Windows Live, basta clicar em um botão em qualquer um dos aplicativos desktop.

A Microsoft também está integrando suporte aos aplicativos web na nova versão do Hotmail: usuários que receberem documentos do Office em anexo seão capazes de abrí-los e visualizá-los no navegador. Também é possível editar documentos, e o Hotmail se oferece para converter documentos em formatos antigos (como .doc) para o novo formato XML se você tentar editá-los. Claro, ainda é possível salvar os arquivos no PC se desejado.

Fora a comodidade do acesso online, o outro principal benefício das Office Web Apps é que elas não modificam a formatação dos documentos. Sejam quais forem as mudanças que você fizer na web, é improvável que você tenha surpresas desagradáveis quando abrir os arquivos no desktop. E dados os problemas com formatação que frequentemente surgem em aplicativos de concorrentes, este não é um feito pequeno.

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