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Motorola Milestone 2: em time que está ganhando não se mexe (muito)
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Motorola Milestone 2: em time que está ganhando não se mexe (muito)

Mantendo o design e muitas características do Milestone original, aparelho tem novo teclado, processador mais poderoso e Android 2.2

Rafael Rigues

Foto:

Lançado há pouco mais de um ano, o Motorola Milestone (conhecido nos EUA como DROID) pode ser considerado o primeiro smartphone Android que realmente chamou a atenção do mercado, com uma combinação de hardware e software de ponta (tela de alta resolução, Android 2.0) e, nos EUA, uma pesada campanha de marketing frisando o que o “Droid faz”.

Na hora de criar um sucessor, a Motorola claramente adotou a estratégia “em time que está ganhando não se mexe”. Preferiu reforçar o que eram considerados pontos fracos no modelo original, como o teclado, em vez de implementar mudanças mirabolantes no design ou no hardware.

O resultado é um aparelho que, embora não tenha o mesmo impacto que seu antecessor, ainda é digno do nome que carrega. Conheçam o Motorola Milestone 2.

Design

Se você vir um Milestone 2 de relance sobre uma mesa, provavelmente não irá reconhecê-lo: ele é praticamente idêntico ao seu antecessor em vários aspectos. Fora o esquema de cor (com uma mistura de azul escuro e cinza metálico) e um “arredondamento” geral dos cantos e botões, a mudança mais visível é o teclado. Ele continua plano, mas as teclas agora tem um ligeiro relevo, que melhora a resposta táctil e facilita a digitação. O direcional foi abolido e substituído por quatro “setas” para controle do cursor, e as teclas ficaram maiores. O alinhamento das teclas também é diferente, mas similar ao de um PC.

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Motorola Milestone 2: design similar ao modelo original

A tela do Milestone 2 é recoberta por um painel de vidro, mais especificamente “Gorilla Glass”, um tipo de vidro especialmente desenvolvido para gadgets que é mais resistente a riscos e impactos e já é usado em outros aparelhos da Motorola como o primeiro Milestone e o i1.

Hardware

Por dentro as mudanças são mais significativas. Começamos pelo que não mudou: a tela tem o mesmo tamanho (3.7 polegadas) e resolução (480 x 854 pixels) do modelo anterior. A câmera continua com resolução de 5 MP e flash dual-LED, mas aprendeu alguns truques novos (mais sobre isso adiante). Até a bateria é exatamente a mesma, uma BP6X de 1400 mAh.

Mas há mudanças, a começar pelo processador Texas Instruments de 1 GHz, que substitui o modelo de 600 MHz anterior. A memória RAM saltou de 256 MB para 512 MB, e juntos estes fatores resultam em um aparelho mais “esperto”, que não demora a responder aos comandos do usuário.

A quantidade de memória interna também aumentou, de 133 MB para 8 GB, expansível a até 32 GB com cartões micro SD. E a Motorola é generosa e inclui na embalagem um cartão microSD de 8 GB, para um total de 16 GB de espaço para músicas, fotos, vídeos e aplicativos.

Junto com o aparelho a Motorola inclui um kit de acessórios composto por fones de ouvido com microfone integrado ao cabo, carregador de parede, cabo USB e carregador veicular. O Milestone 2 é compatível com o acessório “Media Dock” do modelo original (vendido separadamente), um prático berço que ao mesmo tempo recarrega a bateria e transforma o aparelho em um rádio-relógio.

Software

O Motorola Milestone 2 é o primeiro smartphone Android 2.2 à venda no país. O novo sistema chama a atenção por algumas características que lhe dão tanto melhor desempenho em relação a versões anteriores quanto por novidades que facilitam a vida dos usuários no dia-a-dia.

O Android 2.2 executa os aplicativos mais rapidamente do que a versão 2.1, com ganho de desempenho de 2x em média, podendo chegar a até 5x em aplicativos específicos. Isso significa aplicativos que abrem mais rapidamente e melhor desempenho na navegação web, multitarefa e muitas outras atividades.

Outra novidade do Android 2.2 é a capacidade de compartilhar a conexão 3G do aparelho via Wi-Fi, basicamente transformando o smartphone em um “modem 3G sem fios”. Além disso o sistema traz várias outras melhorias como o suporte a animações e vídeos em flash no navegador (recurso ausente no iPhone, por exemplo) e a capacidade de instalar aplicativos em um cartão de memória, em vez de na memória interna do aparelho, o que é uma benção para quem tem muitos aplicativos.

O Milestone 2 também vem equipado com a interface Motoblur, já presente em outros aparelhos da Motorola como o FLIPOUT e o “velhinho” DEXT. Ela concentra em seu aparelho todas as informações vindas de suas redes sociais favoritas, integrando a lista de contatos do Twitter com a lista no aparelho, por exemplo.

As informações postadas por seus amigos, seja no Facebook, Orkut, ou LinkedIn, podem ficar sempre à disposição em “widgets” na tela inicial, para que você possa, mesmo com um rápido olhar, ficar sempre a par do que está acontecendo.

++++

Desempenho

No uso no dia-a-dia o Motorola Milestone 2 mostrou ótimo desempenho, respondendo rapidamente aos comandos do usuário e alternando entre tarefas sem engasgos, mesmo com múltiplos programas abertos ao mesmo tempo. Seja acessando sites com muitas imagens e formatação complexa, navegando pela interface ou aproximando e afastando uma imagem com o “gesto de pinça” com os dedos, o aparelho responde instantâneamente.

Em benchmarks como o Quadrant, que calcula o desempenho do aparelho fazendo uma média de vários quesitos, de cálculo puro ao acesso à memória flash, o Motorola Milestone 2 chegou a 852 pontos, uma marca excelente e muito próxima de aparelhos como o Samsung Galaxy S com Android 2.1, que chegou a 916 pontos. 

No quesito jogos 3D, devemos notar que o Milestone 2 usa a mesma GPU (uma PowerVR SGX530) do primeiro Milestone. Isso explica a marca de 20 FPS (em média) em benchmarks como o NeneMark, comparada aos 40 FPS de concorrentes como o Samsung Galaxy S, que usam uma GPU mais sofisticada (no caso uma PowerVR SGX540). Ainda assim o Milestone 2 rodou bem jogos sofisticados como Asphalt 5, ou sucessos populares como Angry Birds e Fruit Ninja.

Fotos e vídeo

O Milestone 2 usa a mesma câmera de 5 MP com flash Dual-LED de seu antecessor, mas ela aprendeu alguns novos truques. O primeiro é a capacidade de tirar fotos panorâmicas, que ao contrário do visto aparelhos como o Galaxy S tem alta resolução e são adequadas para impressão. Não encontramos problemas de nitidez nas imagens, e o equlíbrio de luz e a “costura” entre as fotos foram bastante satisfatórios.

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Panorama de SP capturado com o Milestone 2. Clique para ver em tamanho original

O segundo novo truque é a capacidade de gravar vídeos em alta-definição (1280 x 720 pixels a 30 quadros por segundo), algo que curiosamente o Droid 2 (irmão norte-americano do Milestone 2) não faz.

A qualidade das imagens produzidas pela câmera é igual à do Milestone original: boa sob a luz do sol, mas com uma tendência a estourar as partes muito claras e ruído nas muito escuras, o que é um problema em fotos noturnas.

O flash sofre do efeito “branco total radiante” de praticamente todo flash em câmera de celular (a exceção é o Xperia X10 mini), que “lava” qualquer objeto muito próximo da câmera em um banho de luz branca cegante. Se precisar do flash, fique pelo menos a 1 metro do que deseja fotografar.

Autonomia de bateria

Testamos a autonomia de bateria do Milestone 2 “na prática”. Em um dia de uso leve usamos a navegação via Google Maps Navigation por 30 minutos, tiramos meia dúzia de fotos, usamos cerca de 30 minutos de internet 3G, jogamos 10 minutos de Fruit Ninja e deixamos a sincronização automática de e-mail em uma conta do Google e de mensagens do Twitter ativada. Wi-Fi e GPS estavam desativados, e a tela estava com o ajuste de brilho no modo automático.

Com isso, após 10 horas longe da tomada ainda restavam 30% da bateria. Extrapolando, podemos estimar a autonomia em cerca de 14 horas neste perfil. Note que não fizemos uma chamada sequer durante todo o período e o aparelho passou a maior parte do dia em standby, portanto consideramos a autonomia como fraca. 

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Bateria é a mesma BP6X do Motorola Milestone

Mas o aparelho tem um modo “Economizador de Bateria”, disponível no item “Modo de Bateria” no painel “Gerenciador de Bateria” nas configurações do sistema. Este modo reduz a frequência de sincronia de informações via internet e desliga a conexão de dados nesse intervalo, o que ajuda na autonomia. Com esse modo ativado e no mesmo perfil de uso a bateria ainda tinha pouco menos de 50% da carga após 12 horas fora da tomada, com uma autonomia estimada em cerca de 20 horas.

Os mais detalhistas vão gostar de saber que é possível definir um perfil de bateria personalizado, indicando o brilho máximo da tela, os horários “de pico” de uso do aparelho e após quantos minutos de inatividade a conexão de dados deve ser desligada.

Nosso veredicto

Há muito do que gostar no Milestone 2, como o teclado redesenhado (obrigado, Motorola!), o processador mais rápido e o sistema operacional, mas nada disso importa se não houver energia elétrica para alimentar o aparelho, e isso nos leva a seu ponto mais fraco: a bateria. 

Sentimos medo quando abrimos a tampa do compartimento pela primeira vez e encontramos lá dentro a mesma BP6X do Milestone original, e os medos se confirmaram em nossos testes.

Se você passa o dia “na rua” e precisa estar sempre conectado via e-mail e telefone, o Milestone 2 não é a melhor opção. Mas se você não se importa em carregar um cabo USB na bolsa e tem como dar uma paradinha no meio do dia para “completar o tanque”, vale a pena dar uma olhada.

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