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Motorola Xoom: primeiro tablet com Android 3.0 impressiona
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Motorola Xoom: primeiro tablet com Android 3.0 impressiona

Com tela de 10 polegadas, câmeras, processador dual-core e Android 3.0, tablet da Motorola não faz feio, mas ainda pode melhorar

Melissa J. Perenson, da PC World EUA

Foto:

OBSERVAÇÃO: Este é um review da versão norte-americana do Motorola Xoom, como vendida nos EUA pela operadora Verizon. Teremos uma análise do modelo nacional, recém-anunciado pela Motorola, em breve.

Nesta semana toda a atenção do mundo da tecnologia está voltada ao tablet Motorola Xoom, e por um bom motivo: ele é o primeiro (entre muitos que ainda virão) a chegar ao mercado com a versão 3.0 “Honeycomb” do sistema operacional Android. E ele tem um monte de recursos que agradam e muitas características que o diferenciam da massa de tablets já no mercado. 

Usando o Xoom (atenção: o nome é pronunciado como "Zoom"), confirmei minhas impressões iniciais sobre o Android 3.0: o sistema é imensamente superior ao seu antecessor e tão diferente no uso que é praticamente impossível reconhecê-lo como um parente próximo do Android atualmente usado nos smartphones. A otimização para tablets é evidente nas telas iniciais, nos widgets, no reprodutor de música, no navegador, no cliente de e-mail e até no player do YouTube. Entretanto, o Adobe Flash Player 10.2 faz falta: segundo a Adobe ele estará disponível “em breve”, mas não ficou pronto a tempo para a chegada do Xoom às lojas.

Hardware tem estilo e classe

O Xoom fica no topo da categoria dos tablets quando o assunto é estilo e design. A construção é sólida, com botões de colume e força fáceis de pressionar e uma bandeja para o SIM Card (no modelo com 3G) que também funciona como tampa para o slot do cartão microSD. Ele tem uma textura emborrachada na metade superior, e metal preto na inferior quando segurado na horizontal.

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Motorola Xoom: o primeiro com Android 3.0

Está claro que o aparelho foi projetado para ser usado “deitado” (o chamado “modo paisagem”). Nesta posição você o segura com as duas mãos, e a câmera frontal de 2 MP fica centralizada na borda superior da tela, na mesma posição onde estaria a webcam de um notebook. Os alto-falantes ficam na traseira, à esquerda e à direita, e posicionados de forma que não são cobertos pelos dedos. 

As portas micro-USB e HDMI-mini ficam na parte de baixo, posição perfeita para encaixar o Xoom em suas “docks” opcionais (a dock padrão custa US$ 60 nos EUA, e a Speaker HD custa R$ 150). O botão de força fica na traseira, numa posição natural para os dedos quando você segura o tablet com ambas as mãos, e à esquerda da câmera de 5 MP com flash. 

O Xoom é baseado no processador Tegra 2 da Nvidia, com dois núcleos de 1 GHz e acompanhado por 1 GB de RAM e 32 GB de memória flash. O slot para cartões microSD eventualmente permitirá duplicar o espaço disponível para suas fotos, vídeos e músicas (com cartões de até 32 GB), mas ele não vem habilitado, e será necessário aguardar por uma atualização de sistema para que ele possa ser usado.

A tela tem 10.1 polegadas e resolução de 1280 x 800 pixels. A proporção “widescreen” de 16:10 é perfeita para assistir vídeo, mas quem está acostumado com a proporção 4:3 da tela de 9.7 polegadas do iPad vai levar um tempinho para se acostumar. Quando “em pé” (modo retrato) ele é quase 2,5 cm mais alto que o iPad, mas é confortável quando segurado com as duas mãos no modo paisagem.

E com certeza você vai querer usar as duas mãos. Assim como o iPad 3G + Wi-Fi da primeira geração, o Xoom pesa cerca de 720 gramas, o que é intolerável se você segurá-lo com apenas uma mão por longos períodos de tempo. 

A tela é o ponto fraco

Não fiquei muito impressionada com a qualidade da tela do Xoom: apesar da alta resolução, notei uma certa “granulação” na imagem e cores um tanto imprecisas que não se destacavam tanto quanto na tela do iPad ou do Galaxy Tab.

A princípio a tela me pareceu ótima. Mas à medida em que usei o aparelho, notei um óbvio “padrão” na tela, como se houvesse uma grade com linhas mais ou menos visíveis de acordo com a situação. As notei especialmente em fotos e nos tons de cinza no teclado virtual, e menos no papel de parede azul padrão do Honeycomb. As linhas eram menos óbvias em telas com fundo branco, como o navegador web ou o aplicativo Google Books.

Também notei muita pixelização nas fontes, mas o efeito variava de acordo com a fonte usada (por exemplo, a fonte Sans Serif usada no Google Books me pareceu boa), o que me leva a questionar se este é um problema da tela (que a Motorola diz ter uma densidade de 150 pixels por polegada, em contraste aos 132 pixels por polegada do iPad) ou do modo como o sistema renderiza a imagem na tela.

Quando observei uma série de fotos (com 10 MP ou mais, feitas com câmeras profissionais) transferidas para o Xoom através de meu PC, ficou claro que o contraste estava errado. Comparei as imagens no Xoom com as originais no monitor de meu PC, em um Galaxy Tab e um iPad, e as cores pareceram fracas e sem vida no Xoom, e faltava o nível de detalhes que eu esperava encontrar.

Pior ainda, o aplicativo Galeria não exibiu as imagens corretamente: faltava nitidez e havia artefatos como dithering e “blocagem”. Era quase como se eu estivesse vendo uma prévia de imagens que nunca foram completamente renderizadas. É claramente uma questão de software, mas um representante da Google não soube me dizer o que estava acontecendo, nem a Motorola.

Blocagem e artefatos também foram problema com vídeo, como nas conversas via Google Talk tanto em 3G quanto Wi-Fi. As fotos que fiz com a câmera de 5 MP foram apenas medianas, e é um pouco estranho usar o aparelho para fotografar ou filmar por causa de seu tamanho. O novo aplicativo de câmera do Honeycomb oferece muito mais controles do que antigamente.

É interessante notar que embora o player de vídeo suporte arquivos em formatos como H.263, H.264 e MP4, ele não conseguiu tocar arquivos .WMV que aparelhos com Android 2.1 e 2.2 conseguiram tocar sem problemas.

A tela é legível em ambientes internos, mas produz muito reflexo. Anteriormente eu descrevi a tela do iPad como “um espelho”, mas nesse quesito ela parece uma folha de papel quando comparada à do Xoom. Os reflexos são um problema tanto em ambientes externos quanto internos. Francamente eu esperava mais: se a Barnes & Noble conseguiu resolver o problema dos reflexos na tela de um tablet de US$ 250 (o Nook), porque a Motorola não conseguiria em um aparelho que custa US$ 800?

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O desempenho é excelente

Fiquei impressionada com o desempenho do Xoom no geral. Não tive problemas ao me mover através de menus, de grandes coleções de imagens e do redesenhado Android Market. Mesmo a transferência de arquivos via USB foi impressionante: qualquer um que já tenha “syncado” conteúdo entre um PC e um iPad sabe o quão lentamente os arquivos se movem de um aparelho para o outro. No Xoom isto não foi um problema: transferi 700 MB de fotos em cerca de 3 minutos. Nada mal!

E o sistema?

O Android 3.0 é com certeza a mais refinada versão do sistema operacional da Google até o momento, mas vários aplicativos que baixei do Android Market simplesmente não funcionaram, ou quando funcionaram não conseguiram tirar proveito da enorme tela.

Além disso, não há uma forma fácil (fora ler a descrição do aplicativo) de saber se ele foi ou não otimizado para o Honeycomb. Também notei alguns crashes de aplicativos, e o Google Talk se comportou de forma inconsistente (cadê o botão para atender uma chamada?). 

Mas à medida em que os desenvolvedores se familiarizarem com o kit de desenvolvimento de aplicativos para o Honeycomb (cuja versão final foi lançada pela Google há apenas alguns dias) estes problemas devem desaparecer. 

Um dos pontos fortes do Xoom - fora o fato dele ser o primeiro tablet Honeycomb do mercado - deve ser sua forte integração com a plataforma: a Motorola trabalhou lado-a-lado com a Google para fazer o Honeycomb funcionar bem no Xoom, que se tornou o “modelo de referência” para o sistema. Desta forma o Xoom provavelmente continuará oferecendo a versão mais “pura” possível do Honeycomb, sem as customizações frequentemente adotadas pelos fabricantes nos smarphones.

Bateria

Segundo a Motorola, a autonomia de bateria do Xoom é estimada em 10 horas reproduzindo vídeo em alta-definição, e testes práticos mostram cerca de 8 horas e meia com Wi-Fi e 3G ligados, nada mal. O Samsung Galaxy Tab, outro tablet Android, chegou a 10 horas de uso típico, em um misto de vídeo, música e navegação web. Mas devemos considerar que o Tab tem uma tela menor.

A recarga da bateria é rápida: apenas três horas e meia para uma carga completa. Em meus testes, a bateria saiu de 13% para carga completa em menos de 3 horas.

Quanto custa?

O Motorola Xoom ainda não está disponível no Brasil. Nos EUA ele custa US$ 800 sem contrato com uma operadora, ou US$ 600 com um contrato de 2 anos com a Verizon, sem contar a mensalidade do plano de dados.

É um tanto salgado, considerando que o iPad 3G + Wi-Fi, que já está há um ano no mercado, custa US$ 730 sem contrato. A Motorola justifica parcialmente o valor dizendo que em breve os usuários poderão fazer um upgrade de hardware gratuito que dará ao Xoom a capacidade de acessar redes 4G e navegar na web em velocidade impressionante. Esse tipo de “preparativo para o futuro” é algo bastante atraente.

O veredito

No geral o Xoom é um ótimo aparelho, principalmente se considerarmos que é o primeiro de toda uma nova  geração, mas ainda pode melhorar. Espero que os problemas de estabilidade e os bugs na exibição de imagens e reprodução de vídeo sejam corrigidos com uma atualização de software. Mas os problemas com a tela são relacionados ao hardware, que é imutável.

O Xoom é o primeiro tablet de tela grande a competir de forma séria com o iPad da Apple. Mas por melhores que sejam os seus muitos elementos, e o quão revolucionário ele é, suas fraquezas me impedem de aplaudí-lo de pé. 

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