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MPDingoo, da Dynacom, é uma coleção de videogames em um só
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REVIEW

MPDingoo, da Dynacom, é uma coleção de videogames em um só

Aparelho toca MP3, vídeo em DiVX, tem rádio FM e roda jogos de vários consoles do passado

Rafael Rigues

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O MPDingoo, console portátil recentemente anunciado pela Dynacom, não é exatamente uma novidade. Ele é a versão nacional do Dingoo Digital A320, um portátil chinês lançado lá fora há cerca de um ano e que nesse período ganhou uma comunidade de admiradores na internet. O motivo é simples: além de servir como um media player, tocando música e vídeo, ele também é capaz de rodar jogos de vários consoles de videogame de gerações passadas, o que dá aos usuários uma enorme biblioteca de games clássicos dos quais desfrutar.

O aparelho é pequeno, são 12,5 x 1,4 x 5,5 cm (largura, altura e profundidade) e peso de pouco mais de 100 gramas. Se ajusta bem às mãos e tem um design que lembra muito o Nintendo DS Lite, embora seja menor. A tela LCD tem 2.8 polegadas e boa qualidade, e os controles (direcional mais quatro botões de ação, dois gatilhos, select e start) são bem posicionados e respondem bem, algo crucial para os games.

Há alguns pecadinhos, como a ausência de um controle de volume no aparelho e a posição da saída de fone de ouvido (na lateral em vez de na parte de baixo), mas nada grave. O console também tem dois alto-falantes estéreo com volume suficiente para quebrar o galho na ausência dos fones, porta mini-USB para conexão ao PC, entrada para cartões de memória mini-SD que complementam os 4 GB de memória interna e algo incomum em um videogame portátil, saída para TV com cabo A/V incluso.

Brasil vs. China

O Dingoo nacional tem algumas pequenas diferenças em relação à versão importada. Entre elas a fonte de alimentação muito mais robusta que a original, os fones de ouvido que abandonam o “estilo iPod” e são intra-auriculares e com som melhor e o detalhe dos pezinhos de borracha na traseira, que parecem mais firmes que os do modelo original (que caíam com facilidade). E claro: todo o material impresso, como manuais e folhetos de garantia, está em bom português.

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MPDingoo: acessórios melhores que no modelo chinês

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O MPDingoo está disponível nas cores preta e branca

Segundo a Dynacom a bateria interna (selada no interior da unidade e não removível) tem autonomia para 18 horas de música, 8 horas de vídeo e 4 horas de jogos. Na verdade isso depende de vários fatores, como volume dos alto-falantes, brilho da tela e até de quanto poder de processamento um jogo ou emulador exige para rodar. Não é incomum conseguir mais tempo.

Software e multimídia

Ao ligarmos o MPDingoo, uma surpresa desagradável: a Dynacom optou por incluir na unidade uma versão do firmware (1.2) com a interface em inglês. É possível mudar o idioma no utilitário de configuração, mas quem disse que o português está disponível? Há inglês, francês, coreano, japonês, russo, alemão e espanhol, entre outros, mas nada de nosso idioma.

O MPDingoo vem com alguns jogos próprios pré-carregados, como 7 Days: Salvation (um survival horror no estilo de Alone in the Dark) e Ultimate Drift, um jogo de corrida onde as derrapadas contam pontos. Também há um reprodutor de músicas (MP3, WMA e WAV), de vídeo (DiVX e RMVB), Rádio FM, gravador de voz, visualizador de imagens, leitor de e-Books (na verdade arquivos TXT) e um gerenciador de arquivos simples, incorretamente chamado de “Browser”.

Não tivemos problemas ao reproduzir vários arquivos de áudio no aparelho. O rádio FM usa o cabo dos fones de ouvido como antena, e tem boa sensibilidade. Na hora de reproduzir vídeo, convertemos um episódio de uma série de TV para o formato DiVX com resolução de imagem de 320x240 pixels (a mesma do Dingoo) usando o utilitário Format Factory 2.45 e o perfil “Todos para AVI/Dispositivos móveis compatíveis 320x240 MPEG4” e pudemos assistí-lo no MPDingoo sem problemas.

O player tem recursos como avanço e retrocesso rápido e marca o último ponto do vídeo para que você possa continuar a assistir de onde parou, mas não suporta as populares legendas externas no formato .SRT.

Se você tem um PC com o Windows Vista ou 7, pode ter problemas ao transferir arquivos do PC para o MPDingoo. O console não aparece como um HD externo quando plugado ao PC com o cabo USB. A solução é substituir um arquivo do sistema operacional (USBSTOR.SYS) por uma versão modificada para reconhecer o aparelho. Detalhes estão disponíveis na internet (http://miud.in/8Xv)

Voltando ao passado

O ponto forte do MPDingoo são os emuladores, e a Dynacom entrega o console pré-carregado com vários deles, permitindo ao console emular um NES, SNES, MegaDrive, Neo-Geo, máquinas de arcade da Capcom (CPS-1 e CPS-2) e Gameboy Advance (todos também presentes no Dingoo chinês), além de Gameboy/Gameboy Color, Atari Lynx, Atari 7800, Odissey e PC Engine (adicionados pela Dynacom).

Os emuladores extras não são “exclusividade nacional”. Na verdade são software desenvolvido por entusiastas do Dingoo, livremente disponível na internet em sites como o DingooBRDingoonity ou OpenHandhelds.org. Mas o fato de virem pré-instalados conta pontos no quesito comodidade. Notem que o Dingoo vem apenas com os emuladores. Os jogos (também chamados ROMs) propriamente ditos tem de ser baixados pelo usuário, de um dos milhares de sites especializados na internet e copiados para a pasta GAME na memória do console.

A precisão da emulação varia de acordo com o emulador. Jogos de Gameboy Advance, NES, Neo-Geo, CPS-1 e CPS-2 rodam perfeitamente, e para os fãs de jogos do passado poucas coisas são melhores que poder levar Alien vs. Predator, Marvel vs. Capcom, Cadillacs & Dinossaurs ou quase todos os episódios das séries Metal Slug ou King of Fighters no bolso.

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Jogos de máquinas de arcade da Capcom e SNK rodam muito bem no MPDingoo

Entretanto o emulador de Megadrive é ruim, com som fora de sincronia com a ação e músicas tocando mais lentamente que o normal. O de SNES é igualmente inconsistente: rápido demais em alguns jogos, lento demais em outros. E os de PC-Engine e Atari 7800 são lentos demais para serem considerados “jogáveis”, com jogos rodando com a metade ou as vezes até um quarto da velocidade original.

Isto não é uma falha do Dingoo propriamente dito, que tem um processador de 400 MHz e 32 MB de RAM, e sim de emuladores não otimizados. O console é poderoso o suficiente para rodar uma versão própria do Linux (Dingux) e com ele há muito mais opções em software: de emuladores muito melhores de Megadrive, SNES e PC-Engine a versões de clássicos do PC como Doom, Duke Nukem e Tyrian, que rodam perfeitamente.

Conclusão

Não dá para comparar o MPDingoo com um PlayStation Portable, console muito mais sofisticado (e caro). É um produto para quem gosta dos jogos clássicos e não tem medo de fuçar um pouco: copiar os jogos para o console, instalar novos emuladores, converter vídeos, tudo isso exige um certo envolvimento, longe da natureza “plug and play” de um console tradicional.

Mas o esforço vale a pena: poucos consoles podem se gabar de ter uma coleção tão grande de jogos à disposição quanto o Dingoo, e seus outros recursos (rádio, música, vídeo) compõem um pacote bastante completo.

Infelizmente o preço no Brasil é um pouco salgado: o MPDingoo sai por 449 reais, considerando que o Dingoo chinês pode ser importado diretamente por cerca de 90 dólares ou encontrado em sites de leilão e importadores por algo em torno de 250 reais. Mas há um detalhe: comprando o produto nacional você tem documentação em português, garantia e assistência técnica, coisas ausentes na versão importada.

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