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Review: Novo iPad traz grandes novidades, mas é apenas “evolucionário”
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Review: Novo iPad traz grandes novidades, mas é apenas “evolucionário”

Terceira geração do tablet da Apple trouxe Tela Retina, processador mais poderoso e câmera melhorada, porém é uma atualização longe de revolucionária

Macworld / EUA

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Foto:

Depois do tamanho sucesso produzido pelas duas primeiras gerações do iPad, a principal tarefa do novo iPad é não arranhar essa trajetória. Assim como a segunda versão, o dispositivo não é uma transformação do conceito original e, ao invés disso, a Apple preferiu ficar em algumas áreas nas quais precisava melhorar, enquanto manteve o mesmo modelo de produto. Essa estratégia pode até frustrar alguns consumidores que esperavam algo “revolucionário”, porém é feito pela empresa com perfeição. 

E mesmo que a companhia não tenha o tornado mais fino, mais leve ou propriamente mais rápido, ele é muito melhor que seu antecessor – e este foi exatamente o foco da Apple. 

 

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Novo modelo chega à lojas nessa sexta-feira (16/3)

 

Olhos voltados para a Retina
Em 2010, com o lançamento do iPhone 4, a Apple apresentou aos consumidores um novo conceito: o display Retina, que é chamado assim porque ele comporta tantos pixels que os pontos, vistos a uma distância normal, são imperceptíveis ao olho humano. Com 326 pixels por polegada, os dois últimos iPhones ficam com uma imagem que parece impressa no dispositivo. 

De longe, o recurso mais importante na terceira geração do tablet é a tela Retina, em um display de 9.7 polegadas com resolução de 2048x1536 pixels, ou 264 pixels por polegada. Mesmo com uma densidade menor do que do iPhone, o conceito de Retina ainda funciona muito bem, com um resultado muito parecido com o do celular da Apple, com fotos, vídeos e imagens com um ganho enorme de qualidade e características que antes passavam despercebidas, como pequenas texturas e detalhes. Claro que a tela da versão anterior não era extremamente ruim, porém a diferença fica clara ao comparar os dois aparelhos. 

  

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Comparação entre a tela do iPad 2 (abaixo) com o display Retina do novo iPad (acima)

Isso também é notável para execução de vídeos em alta definição – é quase como ter um home theater no colo, se você estiver com fones de ouvido, claro. O novo tablet, na verdade, contém mais pixels do que uma HDTV e, como resultado, o aplicativo Vídeos precisa esticar levemente os conteúdos em resolução 1080p para que sejam exibidos na tela por inteiro. No aparelho anterior, não havia pixels o suficiente, logo não havia como mostrar todo o conteúdo sem fazer uma escala para baixo ou cortar alguns pixels da imagem. 

Claro que a qualidade, em muitos casos, depende dos trabalho dos desenvolvedores, que precisam aproveitar da nova resolução da tela. Os textos no aplicativo da Amazon, por exemplo, fica pixelados, porém a empresa deve corrigir isso em um update futuro. Se você estiver rodando um app de iPhone no novo iPad, ele será exibido com detalhes de capacidade do display Retina - mas em uma pequena janela de compatibilidade no centro da tela. O usuário pode, como sempre, apertar o botão “2x” para tornar os aplicativos maiores, porém mais granulados. 

Mais poderoso? Mais ou menos
O iPad 2 era muito mais rápido do que o tablet original da empresa graças ao processador A5 dual core, entretanto o chip A5X não oferece muito mais poder do que seu antecessor. Em todos os testes que realizamos, o resultado foi similar ao iPad 2 - o que não significa que os produtos são lentos: são os dispositivos iOS mais rápidos até agora. Preocupada em aumentar as capacidades gráficas do iPad, para que a tela pudesse comportar 3.1 milhões de pixels, a empresa não aumentou ainda mais a capacidade de processamento do aparelho. Esse salto requer muito poder, já que tudo precisa rodar tão bem quanto antes, por isso esse chip possui quatro núcleos de processamento gráfico, deixando no chinelo qualquer outro equipamento móvel da empresa nesse quesito. 

Em nossos testes, utilizando o GLBench 3D, o iPad de terceira geração conseguiu desenhar uma cena complexa em 3D nas capacidades máximas de sua tela (60 frames por segundo) sem fazer muito esforço – isso representa, sem considerar a taxa de atualização da tela, uma taxa de frames 1.6 vez maior do que o iPad 2, e 13 vezes a mais do que o primeiro tablet da empresa. Sendo assim, o novo iPad definitivamente é mais poderoso, quando se fala em renderizar gráficos de alta qualidade em sua tela Retina. 

  

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Gráficos do iPad mostraram-se, de longe, melhores (valores maiores são melhores)

Indo além da performance gráfica, os testes mostraram que o novo iPad tem praticamente a mesma velocidade em relação ao anterior. O app de testes GeekBench mostrou que o iPad 2 foi ligeiramente mais rápido, enquanto o benchmark do Sunspider JavaScript deu a mesma pontuação para os tablets. 

Mudanças por dentro
As diferenças físicas do aparelho são quase imperceptíveis, e fica difícil diferenciar os dois dispositivos - o interior do conector dock é prateado, e não mais cinza, e a câmera traseira é um pouco menor. E as diferenças param por aí. É quase imperceptível que ele é um pouco mais grosso que seu antecessor, já que o iPad 2 tem 8.8 milímetros de espessura, enquanto o novo tablet conta com 9.4 milímetros, uma diferença de apenas 6mm – diferentemente do iPad original, que tinha 13mm de espessura. 

O novo iPad também é um pouco mais pesado do que a versão anterior, pesando 652 gramas no modelo apenas com Wi-Fi ou 662 gramas a mais na versão com 4G – o iPad 2, pro sua vez, pesava 601 gramas e 613 gramas nos modelos apenas Wi-Fi e com 3G, respectivamente. É um ganho de 50 gramas em média, e, para alguns usuários, pode ser que essa mudança não seja tão indiferente. 

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Mesmo com novo processador, novo iPad ficou um pouco atrás de seu antecessor (valores maiores são melhores)

Enquanto algumas pessoas podem afirmar que “a Lei de Jobs” tenha sido quebrada, fazendo com que um produto fosse lançado sem ser mais fino do que o anterior, é preciso considerar que, para obter todo esse ganho na parte gráfica e o suporte à conexão 4G, foi necessário ocupar mais espaço com a bateria, para manter a autonomia do produto - e isso não poderia ser trocado pela espessura menor. De acordo com as especificações no site da Apple, o novo iPad possui uma bateria de 42 watt/hora, muito acima dos 25 watt/hora da segunda versão do tablet. Apesar dos testes não serem muito extensos, foi possível notar que a companhia foi bem precisa, aguentando um dia de uso longe da tomada. Por todo esse poder extra, pode ser que ele demore mais para ser carregado completamente, então espere por sessões de carga noturnas. 

Uma boa notícia é que a Smart Cover, o acessório de maior destaque do iPad 2, pode ser utilizada sem problemas na terceira versão do tablet, e o mesmo deve acontecer com a maioria dos cases disponíveis no mercado, a não ser que eles sejam extremamente justos. 

Diga xis
Enquanto o iPad original não tinha câmeras e o modelo seguinte possuía apenas uma câmera frontal VGA e outra traseira de baixa resolução, mas que conseguia gravar vídeos em alta resolução (720p), a Apple trouxe boas novidades. 

O novo tablet agora conta com a câmera iSight, que possui 5 megapixels e, mesmo não sendo tão boa quanto àquela do iPhone 4S, é ótima tanto para tirar fotos e gravar vídeos em Full HD (1080p). As fotos, quando comparadas às imagens produzidas por outros dispositivos móveis são muito boas, chegando perto da qualidade do iPhone 4S e do Asus Transformer Prime, e deixando o Samsung Galaxy Tab 10.1 e o iPad 2 comendo poeira, permitindo afirmar que a câmera do novo iPad é a melhor disponível até o momento entre os tablets, com boa qualidade até mesmo ao gravar vídeos com pouca luz. 

Ele ouve e escreve, mas não obedece
O iPad de terceira geração oferece funções de ditado, porém não é a mesma coisa que o assistente pessoal Siri, que foi apresentado no iPhone 4S. A Apple provavelmente deixou o Siri de fora do iPad porque ele seria um recurso para pessoas que não estivessem propriamente com as mãos no celular, algo muito incomum no iPad, além de que o tablet não seria ideal para recursos como rotas, por exemplo. 

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Tablet não recebeu Siri, mas consegue redigir textos ditados

Dito isso, o de ditado ainda assim é um ótimo recurso, e muito bem-vindo no iPad. Sim, existem aplicativos capazes de fazer esse tipo de função (como o Dragon Dictation, por exemplo), porém agora é possível ditar textos (em inglês) a partir do software padrão do aparelho, apenas ao tocar no botão correspondente no teclado, representado por um microfone parecido com aquele do Siri. Uma vez que você se acostumar com o sistema, que requer que o usuário diga todos os sinais de pontuação, o recurso se torna uma ótima maneira de redigir textos sem precisar digitar. 

Conexão 4G LTE 
Desde o lançamento do primeiro iPad, a Apple oferece dois modelos diferentes do aparelho, com opções de conectividade distintas. O mais simples, apenas com Wi-Fi e, por um valor a mais, é possível ter a conexão wireless e suporte para um plano de dados móvel, assim como acontece com um celular. 

O novo iPad trouxe uma novidade, e agora suporta conexão LTE, uma nova geração de tecnologia de dados, chamada também de 4G. Apesar de muito mais rápida, não está disponível em muitos lugares, e não há rastros dela no Brasil. Para se ter uma ideia, nos EUA está disponível em apenas 196 cidades na operadora Verizon, enquanto que a AT&T cobre apenas 28. Entretanto, no novo iPad, foi possível alcançar velocidades de download de até 15.5 Mbps, chegando próximo dos 16.9 Mbps registrados no Wi-Fi usado no teste. Entretanto, a velocidade de upload do LTE ultrapassou por pouco a conexão wireless, chegando a impressionantes 20.6 Mbps, contra 20.2 da conexão convencional. Com todo esse poder, a função que permite criar um hotspot Wi-fi com o iPad, que aguenta até outros cinco aparelhos simultâneos, foi mais do que bem-vinda.

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Taxa de upload ultrapassou conexão wireless comum (valores maiores são melhores)

Todavia, a conexão 3G continua funcionando, e ficou mais rápida, com adição do padrão HSPA+, frequências suportadas pelo novo iPad. Com a conexão melhorada, o dispositivo conseguiu atingir até 1.2 Mbps de taxa de download e 2.9 Mbps de velocidade de upload, dependendo do local onde foram feitos os testes, já que a cobertura do serviço ainda é muito nebulosa.

Opções disponíveis
No total, são 12 modelos diferentes do novo iPad, assim como acontece desde a segunda geração do produto. Disponível nas cores preta ou branca, nos EUA ele custa na versão apenas com Wi-Fi 499 dólares para o modelo com 16GB, 599 dólares com 32GB de armazenamento e, 699 dólares com 64GB de espaço. Com a opção de conectividade 4G, esse preço sobe para 629 dólares, 729 dólares e 829 dólares para as versões com capacidade de 16GB, 32GB ou 64GB, respectivamente. 

A cor ou a quantidade de espaço não influenciam na performance do aparelho, então cada usuário deve escolher seu modelo de acordo com suas necessidades. A conectividade 4G pode afetar a duração da bateria e, para aqueles já que tem um iPhone, vale lembrar que o celular possui uma opção de hotspot pessoal, permitindo transferir a conexão para o iPad, mesmo que ele seja apenas Wi-Fi. 

Conclusão
O novo iPad é basicamente isso: um dispositivo que é atualizado uma vez por ano e que atrai cada vez mais usuários. A terceira geração não é mais leve nem menor, porém a tela fantástica, a câmera melhorada e o suporte para conexão LTE são atrativos consideráveis. É o mesmo iPad que conquistou uma legião de pessoas, só que com um ano de atualização.

Aqueles que compraram o iPad 2 não precisam surtar: o investimento é válido por pelo menos mais um ano. Mas não olhe a tela do novo iPad muito de perto, ou será difícil encarar qualquer outro display. 

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