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Primeiras impressões: Windows 8 Release Preview
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Primeiras impressões: Windows 8 Release Preview

Nova prévia mostra o quão adiantado está o desenvolvimento do novo sistema da Microsoft. Mas será o suficiente para converter os críticos?

Lloyd Case, PCWorld EUA

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Estou sentado na sala de jantar, com meu notebook sobre a mesa. Leio as notícias, e depois confiro como está o mercado de ações. Abro o Internet Explorer 10 para ler meus blogs matinais, o que leva uns 15 minutos. Com um gesto, deslizo os dedos sobre o trackpad, acesso a lista de aplicativos e abro o Word. E aí acontece algo desconcertante: estou na interface Metro, colorida e cheia de “blocos dinâmicos” que compõem o que a Microsoft chama de “tela inicial do Windows” e subitamente, assim que o Word abre, me vejo de volta no bom e velho ambiente desktop. Mas essa “dissonância cognitiva” será provavelmente um fenômeno comum entre os usuários experientes do Windows.

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Não há dúvida de que o Windows 8 é uma experiência polarizante, particularmente quanto à sua nova interface. Mas por outro lado, as impressões iniciais dos usuários até o momento foram resposta a versões muito preliminares. A Microsoft agora disponibiliza a “Release Preview” (RP), uma amostra do sistema bem mais próxima ao produto que chegará às lojas no final deste ano. O Release Preview (Build 8400) é similar em escopo ao Windows 7 Release Candidate: em muitos aspectos está completo em termos de recursos, embora ainda existam bugs e partes faltando, e a Microsoft tenha muitas arestas a aparar. No geral, entretanto, a RP é substancialmente mais usável que as versões anteriores: os aplicativos inclusos funcionam melhor, o mouse e teclado respondem melhor e o sistema em geral parece muito mais sólido.

Mais que um rostinho bonito

Já vou mostrar os aplicativos inclusos com o sistema, mas primeiro quero mencionar alguns recursos do Windows 8 que são uma melhoria em relação às versões anteriores. A interface Metro e a Windows Store já foram analisadas em detalhes, mas há outros aspectos que podem ser mais importantes para os usuários que estão considerando um upgrade. 

Menor consumo de memória: o Windows 8 usa memória de forma mais eficiente, e exige uma quantidade menor para rodar. Isso é importante em sistemas como os Ultrabooks, que geralmente tem 4 GB de memória não expansível, que devem ser divididos com o processador de vídeo.

Maior eficiência: o Windows 8 e seus subsistemas consomem menos recursos do processador do que as versões anteriores. Isso é importante em ultraportáteis e tablets, cujo desempenho é menor que o de sistemas de mesa.

Menor consumo de espaço em disco: discos de estado sólido estão se tornando cada vez mais comuns, mas ainda são caros. Por isso máquinas como os Ultrabooks de menor custo tem unidades de apenas 128 GB (contra os 500 GB ou até 1 TB de espaço em disco de um notebook tradicional), o que torna cada GB ainda mais valioso. Quanto menos espaço o sistema consumir, mais espaço o usuário terá para suas fotos, vídeos e músicas.

Integração com HyperV: recurso crucial para empresas que usam máquinas virtuais para executar aplicativos essenciais em um mundo onde as pessoas querem usar seus próprios aparelhos no trabalho.

Integração com o SkyDrive: o armazenamento em nuvem agora é uma parte integral do sistema operacional.

Melhor suporte a múltiplos monitores: entre os recursos disponíveis está a capacidade de ajustar o tamanho, comportamento e posição da barra de tarefas. Parece algo simples, mas faz falta.

Muitos destes recursos, com a possível exceção do melhor suporte a múltiplos monitores, não terão muito apelo entre os usuários avançados de computadores desktop, mas terão um grande impacto sobre a eficiência de sistemas móveis, como tablets e notebooks, que normalmente tem limitações de memória, capacidade de processamento e de armazenamento.

Melhorias nos aplicativos

Versões anteriores dos aplicativos “Metro” inclusos com o sistema operacional foram criticadas por seus recursos limitados. No Release Preview Mail, Música, Vídeo e Notícias são muito mais refinados, embora ainda existam algumas arestas a aparar.

Mail

O programa de e-mail ainda não tem todos os recursos que esperamos de algo em sua categoria. Por exemplo, ele pode ser facilmente configurado para baixar mensagens de contas do Hotmail, GMail ou de servidores Microsoft Exchange, mas não de servidores POP ou IMAP. Consegui configurar facilmente duas contas do GMail, mas não a minha conta particular no Yahoo.

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Você leu direito: duas contas do GMail. O Mail agora é um agregador, e mostra todas as mensagens de uma vez só em uma caixa de entrada unificada. Ele se comporta de forma similar ao aplicativo de e-mail de um smartphone, então por padrão você não verá todo seu histórico de mensagens de uma vez. Mas esse comportamento é configurável, e pode ser modificado. A interface é limpa, e é fácil renomear contas para que fique fácil saber qual você está vendo.

Música e Vídeo

Os aplicativos de música e vídeo se parecem demais com seus “primos” no Xbox 360, o que não é surpresa já que foram escritos pela mesma empresa. Eles reproduzem conteúdo local e permitem que o usuário compre facilmente músicas e vídeos na loja Zune Marketplace (em países onde este serviço está disponível. Se você tem um Zune Music Pass (serviço que permite o acesso ilimitado a músicas via streaming mediante uma assinatura mensal) ele será integrado ao aplicativo Música no PC.

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Notícias, Finanças e Esportes

Estas apps tem uma interface similar: embora ela seja tipicamente usada para exibir fotos grandes, texto é apresentado em um formato de colunas, e monitores de alta-resolução são muito bem aproveitados. E você vai querer um monitor de alta-resolução: a mínima recomendada para poder usufruir a nova interface Metro com todos os seus recursos é 1366 x 768 pixels (um pouco superior à resolução “HD”) mas o sistema e seus aplicativos ficam fabulosos em resoluções mais altas.

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Fotos

O aplicativo de fotos continua com sua integração com redes sociais como o Facebook e Flickr. É fácil selecionar um grupo de fotos dentro de uma pasta e criar uma apresentação, mas não há uma forma óbvia de fazer isso usando imagens de múltiplas pastas ou serviços. As imagens, mesmo as maiores, são exibidas de forma adequada, mais ainda é óbvio quando elas estão armazenadas em locais diferentes, e não é fácil obter uma visão unificada de todas elas.

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Contatos

Este aplicativo serve como uma lista de contatos universal, e você pode integrá-lo a contas de e-mail ou a redes sociais. A idéia é que você possa interagir com seus contatos não importa o meio, e mesmo entre diferentes aplicativos. Foi fácil adicionar meus contatos do Facebook, Twitter, LinkedIn e Google ao programa, e também há suporte a contas em servidores Exchange e no Hotmail. Mas não encontrei uma forma óbvia de importar meus contatos do Yahoo!

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Melhorias na tela inicial

A tela inicial é um substituto do tradicional Menu Iniciar, e o ponto de partida o uso do Windows 8. O objetivo é criar uma experiência unificada, seja em desktops, notebooks, tablets ou smartphones (que rodam uma interface similar no Windows Phone 7). Mas a experiência de uso para quem está em um PC foi substancialmente melhorada em relação às versões anteriores.

A Microsoft forneceu à nossa equipe um notebook ultraportátil Samsung Series 9 modificado, com um trackpad capaz de detectar gestos junto à sua borda. Isto permite que o trackpad seja usado como um equivalente virtual da tela do Windows 8. Deslizar um dedo de fora do trackpad, à direita, para o centro faz surgir no lado direito do monitor a barra de “Charms”, com ícones sensíveis ao contexto.

Deslizar um dedo de fora do trackpad, à esquerda, para o centro alterna entre os aplicativos abertos. Você pode rolar entre páginas com blocos e atalhos na tela inicial deslizando dois dedos sobre o trackpad. Os drivers instalados neste notebook ainda eram um pouco instáveis e lentos, mas ainda assim tudo funcionou a contento. Com o novo trackpad, é possível interagir com o sistema de forma mais natural, usando os mesmos gestos que seriam usados em um PC com tela sensível ao toque.

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O que isso significa é que, na hora de comprar um notebook “pronto para o Windows 8”, é importante verificar se ele tem um trackpad com detecção de borda, especialmente se a máquina não tem uma tela LCD multitoque.

Um termo que a Microsoft usa para descrever a tela inicial é que ela é a “homepage” do Windows, e que com alguns gestos com o mouse ou atalhos de teclado você pode ir para onde quiser. E se você precisar acessar funções comuns anteriormente disponíveis no velho Menu Iniciar, pode clicar com o botão direito do mouse no canto inferior esquerdo da tela para abrir uma lista com recursos para os usuários avançados. Ela poderá até ser modificada, embora isso ainda não seja oficialmente documentado ou suportado.

IE10 e Flash

Talvez a mudança mais controversa no Windows 8 foi o recente anúncio da integração do Adobe Flash com o IE10. A Microsoft integrou o player, baseado no Flash 11.3, diretamente no mecanismo de renderização do navegador, e não como um plugin. O objetivo não é rodar todo o conteúdo em Flash, mas suportar “conteúdo-chave” que torna melhor a experiência do usuário. Para isto a Microsoft está criando uma “lista branca” de sites onde o Flash pode rodar, embora não divulgue quão grande a lista é. Note que o suporte à tecnologia Flash não é completo: certos tipos de menus pop-up e propagandas não são suportados.

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Usei o IE10 para abrir o site da Disney, um exemplo típico de site que faz uso pesado de Flash, e notei que as animações e vídeos foram reproduzidos sem problemas, e o som funcionou como esperado. Também gastei algumas horas no site Armor Games, lotado de jogos em Flash. Títulos como Crush the Castle certamente funcionaram bem.

Considerações finais

Está claro que o Windows 8 evoluiu bastante desde o Consumer Preview, mas ainda há arestas a aparar. O cliente de e-mail ainda não tem recursos importantes, e a constante transição entre as interfaces Metro e Desktop irá continuar a gerar controvérsia. Mas após passar um tempo com o Release Preview, posso dizer que ele é certamente mais usável que as versões passadas. Se isso vai ou não ser o suficiente para convencer os críticos é outra história.

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