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Na versão 10.04, Ubuntu fica mais bonito e se integra à nuvem
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Na versão 10.04, Ubuntu fica mais bonito e se integra à nuvem

Disponível gratuitamente, sistema operacional estréia novo visual e tem integração com serviços online como disco virtual e loja de músicas própria

Rafael Rigues

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Quem ainda acredita que "o Linux não está pronto para o desktop" deve ao menos dar uma olhadinha na mais nova versão do Ubuntu, a 10.04, disponível para download gratuito a partir de hoje em www.ubuntu.com.

Embora ainda haja alguns escorregões aqui ou ali o sistema se mostra extremamente fácil de usar, com visual elegante, interface amigável, bom suporte a hardware e integração a serviços online que até agora só eram encontrados em concorrentes como o Windows ou o Mac OS X, como um disco virtual gratuito e até mesmo uma loja de músicas. Algo muito diferente do esterótipo de "tela preta cheia de comandos estranhos" que ainda recai sobre o Linux.

De codinome "Lucid Lynx", o Ubuntu 10.04 é designado por seus desenvolvedores como uma versão LTS, sigla que significa "Long Term Support" ou "Suporte a Longo Prazo". Ou seja, esta versão será suportada com patches de segurança e correção de bugs até abril de 2013 (no desktop) ou abril de 2015 (no servidor).

Este amplo período de suporte torna o Ubuntu 10.04 ideal para uso em empresas, onde software e hardware tem um ciclo de vida muito mais longo do que em um PC desktop comum. Versões LTS do Ubuntu são lançadas a cada dois anos, em contraste às versões "comuns" atualizadas a cada seis meses. A versão LTS anterior, o Ubuntu 8.04, continuará sendo suportada até abril de 2011 no desktop e abril de 2013 no servidor.

Software "à la carte"

O Ubuntu pode ser usado de várias formas: é possível experimentar o sistema sem instalar nada no computador, bastando "dar boot" a partir do CD de instalação (modo LiveCD), instalá-lo lado-a-lado com o Windows (via Wubi, utilitário incluso no CD), em um espaço próprio (partição) no HD ou mesmo ocupando todo o disco, como único sistema operacional da máquina.

Em relação a seus antecessores, o Ubuntu 10.04 ficou um pouquinho mais magro. A versão anterior ocupava cerca de 2.5 GB de espaço em disco, enquanto a nova ocupa aproximadamente 2.2 GB. A redução se deve a uma reorganização no pacote de software que é instalado junto com o sistema.

O popular software de edição de imagens Gimp, por exemplo, não faz mais parte da instalação padrão. Da mesma forma o conjunto de jogos do pacote Gnome Games foi reduzido e agora tem apenas seis títulos: paciência (AisleRiot Solitaire), caça-minas (Mines), Sudoku, Tetris (Quadrapassel), Mahjongg e treino cerebral (gbrainy). Ao mesmo tempo, há alguns softwares novos, entre eles o editor de vídeo Pitivi e o cliente para redes sociais Gwibber.

Mesmo com as ausências, o Ubuntu já vem com boa parte do software de que um usuário precisa no dia-a-dia em frente ao computador, incluindo navegador (Firefox), programa de e-mail (Evolution), cliente de mensagens instantâneas (Pidgin), players de áudio e vídeo (Rhythmbox, Totem), utilitários variados e até mesmo um pacote Office completo, o OpenOffice, compatível com os documentos do Microsoft Office. 

Qualquer software que faça falta pode ser instalado com o Ubuntu Software Center, um aplicativo que serve como uma "vitrine" dos programas disponíveis. É como a App Store no iPhone, com a diferença de que todos os aplicativos são gratuitos.

Ubuntu 10.04 - Software Center

Software Center: instalar novos programas é fácil

O catálogo é dividido em categorias, e quando encontra o programa desejado tudo o que o usuário tem de fazer é clicar no botão Instalar. O sistema faz todo o resto, inclusive o download dos arquivos e de eventuais "dependências", ou seja, software extra (geralmente utilitários ou bibliotecas de sistema) do qual um programa pode precisar para funcionar.

A remoção de um programa instalado é igualmente simples. No Software Center, selecione a lista "Programas Instalados", encontre o programa indesejado e clique no botão "Remover" em frente ao seu nome.

Rápido e compatível

A redução no tempo de boot foi um dos principais objetivos durante o desenvolvimento do Ubuntu 10.04, e os resultados são impressionantes. Em nossos testes com três máquinas de diferentes configurações conseguimos tempos de apenas 23 segundos em média, do fim do POST (quando o micro termina o diagnóstico do hardware e realmente começa a carregar o sistema operacional) até o desktop surgir na tela. Isso em máquinas tão distintas quando um notebook Positivo S457U (leia nosso review), equipado com um poderoso processador Intel Core i7 e HD de 500 GB, e um modesto netbook Dell Mini 9 com um processador Intel Atom e SSD de 16 GB.

O suporte a hardware também agradou, mas há ressalvas. No netbook o sistema detectou automaticamente uma interface Wireless da Broadcom, que exige um driver proprietário fornecido pelo fabricante, e a colocou para funcionar sem intervenção do usuário. Em um nettop baseado em um processador Atom 330 e chipset Intel todo o hardware foi corretamente detectado, inclusive um adaptador Wi-Fi USB baseado em um chipset da Realtek.

Já no notebook da Positivo, tivemos um problema. O sistema começou bem, configurando corretamente o vídeo (baseado no chipset GMA500 da Intel, com o qual várias distribuições Linux não são compatíveis) e um softmodem 56K. Entretanto a interface de rede sem fio, baseada no chipset Realtek 8191se, não foi configurada e nenhum driver proprietário foi oferecido. Pudemos colocá-la para funcionar baixando e compilando manualmente um driver encontrado na internet, mas é um passo que pode assustar um usuário pouco experiente.

O pinguim muda as penas

A primeira mudança visível no Ubuntu 10.04 é o visual. A combinação de laranja e marrom, "marca registrada" do sistema operacional desde a primeira versão em 2004, foi substituída por um novo tema batizado de Ambiance. Menus, painéis e barras de título de janelas são cinza-chumbo, com papel de parede roxo e apenas alguns detalhes (como ícones) no tradicional laranja. Janelas propriamente ditas tem um tom de bege e tudo, até as barras de progresso, tem cantos arrendondados.

O resultado é um ambiente de trabalho elegante, que lembra o Mac OS X (talvez pelo papel de parede), com uma aparência mais profissional que o berrante esquema de cores anterior. Sabemos que "beleza não põe a mesa", mas também concordamos com o velho ditado que diz que "a primeira impressão é a que fica".

Ubuntu 10.04 - Desktop

Novo visual é mais elegante e, não dá pra negar, lembra o Mac OS X

Quem acha o novo tema escuro demais tem à disposição uma alternativa com menus claros, batizada de "Radiance". Infelizmente para os tradicionalistas, o tema "Human" das versões anteriores do sistema não está mais presente.

O novo tema é parte de uma mudança na identidade visual do Ubuntu, que engloba um novo logo, gráficos para a tela de boot e novo projeto gráfico para publicações oficiais e embalagens (como os CDs gratuitos distribuídos através do serviço ShipIt). De acordo com a Canonical, empresa que patrocina o desenvolvimento do Ubuntu, a nova apresentação reflete valores como "precisão", "confiabilidade", "colaboração" e "liberdade".

Rumo à nuvem

O Ubuntu 10.04 abraça o conceito de "computação na nuvem" (Cloud Computing) de várias formas. A versão anterior já oferecia 2 GB de espaço em disco gratuito para armazenamento online através do serviço Ubuntu One, com espaço extra disponível mediante pagamento de uma mensalidade. Por apenas US$ 10 mensais, por exemplo, o usuário ganha 50 GB de espaço para guardar o que quiser na internet.

Este espaço, sejam os 2GB gratuitos ou 50 GB pagos, é integrado ao gerenciador de arquivos, o Nautilus. Entre seus arquivos o usuário verá uma pasta especial chamada "Ubuntu One", que reflete todo o conteúdo armazenado online. Enviar um arquivo "para a nuvem", ou retirá-lo de lá, é tão simples quanto arrastar um ícone para dentro da pasta ou dela para a área de trabalho. A sincronização é automática.

Ubuntu 10.04 - File Sync

Icones identificam quais arquivos já foram sincronizados (o V em verde) e quais estão a caminho

Mas usuários pagantes tem mais benefícios. Um deles é o PhoneSync, serviço (ainda em testes) que permite sincronizar os livros de endereços de um smartphone (seja iPhone, Android ou aparelhos da Nokia) e do computador.

O novo Ubuntu também traz uma loja de músicas online, a Ubuntu One Music Store. Ela é integrada ao media player Rhythmbox, e aparece sob a categoria "Stores" logo abaixo de sua biblioteca de músicas na janela principal do programa. O funcionamento é muito similar ao da iTunes Store da Apple: é possível ouvir "previews" de 30 segundos de cada música, comprar faixas individuais ou álbuns inteiros.

Os arquivos estão no formato MP3, com bitrate de 320 Kbps e sem DRM. Faixas adquiridas na Ubuntu One Music Store são automaticamente adicionadas ao disco virtual no Ubuntu One (nessa hora os 50 GB pagos vem a calhar), e podem ser acessadas de qualquer computador conectado à internet ou baixadas para a máquina do usuário. 

A boa notícia: conseguimos comprar músicas aqui no Brasil, com um cartão de crédito internacional emitido por um banco brasileiro e com endereço de cobrança em São Paulo. Coisa que não é possível na iTunes Store, por exemplo, não sem um cartão de crédito com endereço de cobrança nos EUA. Os preços, entretanto, estão em Euros. Ou seja, cada faixa de "0.99" na verdade vai custar R$ 2.35 (na cotação do dia, quando esta matéria foi escrita)

Ubuntu 10.04 - Music Store (2)

Music Store: acessível aos brasileiros e com armazenamento online

A má notícia: o catálogo da loja "mundial" à qual os brasileiros tem acesso é excepcionalmente pobre e composto em sua maioria de artistas independentes ou pouco conhecidos. Fizemos uma busca bastante ampla, em vários gêneros, e não encontramos nada de U2, Madonna, Michael Jackson (mas há a irmã Latoya e o irmão Jermaine), Pet Shop Boys, Tears for Fears, Dream Theater, Radiohead, Enya e por aí vai. Pelo menos encontramos alguns álbuns de Frank Sinatra e um do Pink Floyd, uma coletânea de gravações de shows realizados entre 1966 e 1967 em Londres.

Ao alcance de todos?

O conceito de "pronto para o desktop" varia de acordo com o usuário, mas acreditamos que o Ubuntu 10.04 chegou lá. Um eventual migrante do Windows para o Ubuntu teria algumas dificuldades de adaptação, sem dúvida, mas mais relacionadas à mudança de velhos hábitos do que por motivos técnicos.

Já um leigo, inexperiente em qualquer um dos sistemas, se adaptaria com a mesma facilidade a ambos. Talvez com um pouco mais de facilidade ao Ubuntu, já que conceitos como a instalação de programas, atualizações de sistema ou gerenciamento de software de segurança (como antivírus) são simplificados, automatizados ou até mesmo eliminados.

Se você usa o Windows e procura uma alternativa, ou está curioso para saber o que há além do sistema de Redmond, vale a pena experimentar. Afinal, é de graça. E se já usa o Ubuntu, não há motivo para não atualizar.

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