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Samsung Galaxy S II é o novo Rei dos smartphones
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REVIEW

Samsung Galaxy S II é o novo Rei dos smartphones

Aparelho combina processador poderoso com uma tela impressionante e design ultrafino em um pacote quase perfeito. Só se esqueceram da TV Digital.

Rafael Rigues, PCWorld Brasil. Fotos e video por William Marchiori

Foto:

Vou fazer algo incomum e começar este review pelo final: o Samsung Galaxy S II é o melhor smartphone atualmente no mercado. Se isso é tudo o que você queria saber, pode correr até a loja mais próxima agora. Mas se quiser entender por que me atrevo a ser tão categórico, continue lendo.

Hardware

O Galaxy S II segue as linhas gerais de design de seu antecessor, com algumas pequenas mudanças: a curvatura nos cantos é menos acentuada, o que o deixa com um visual mais “quadrado”. A borda da tela é mais fina, e os botões Menu e Back, ao lado do botão central (Home), são invisíveis quando não estão em uso, o que dá a ele um visual mais minimalista.

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Samsung Galaxy S II (à esquerda) e iPhone 4 (à direita). Notem a diferença no tamanho da tela

Em vez do plástico polido que atraía riscos e marcas de dedo com extrema facilidade, a tampa traseira agora é feita em plástico fosco texturizado. A espessura foi reduzida para apenas 8,5 mm, o que em teoria o torna menos de 1 mm mais fino que o iPhone 4 da Apple, embora na prática a diferença seja quase nula. A pouca espessura, tela grande e baixo peso (116 gramas) contribuem para a surpresa ao segurá-lo na mão: “Uau, como é leve!” foi o que mais ouvimos.

O coração do Galaxy S II é um processador Samsung Exynos Dual-Core de 1.2 GHz (uma evolução do “Hummingbird” usado no Galaxy S original) acompanhado por 1 GB de RAM e 16 GB de memória flash interna, expansível com o uso de cartões micro SD de até 32 GB. 

A tela, de 4.3 polegadas com tecnologia Super AMOLED Plus, mantém a mesma resolução do modelo anterior (480 x 800 pixels), bem como o excelente constraste e saturação de cor e ótimo ângulo de visão. Com a mesma resolução do modelo anterior e tamanho físico maior, em teoria a tela deveria ter uma densidade de pixels, e portanto nitidez, menor.

Mas na prática o que acontece é o oposto: quando colocado lado-a-lado com um Galaxy S, o Galaxy S II parece ter uma tela mais nítida, resultado de uma mudança na forma como os “subpixels” que compõem a imagem são arranjados. Podemos afirmar que, na prática, ela se iguala à tela “Retina Display” do iPhone 4 em nitidez, e é superior em cor e contraste. É a melhor tela que já vimos em um smartphone, e ideal para assistir filmes ou jogar.

As câmeras também passaram por um upgrade: a câmera frontal para videochamadas agora em 2 MP e a traseira tem um sensor de 8 MP com flash LED, ausente no Galaxy S original. Com o sensor melhor e processador mais poderoso, o Galaxy S II é capaz de gravar vídeos em resolução Full HD (1920 x 1080 pixels a 30 quadros por segundo), algo incomum em smartphones. Para fins de comparação o Motorola Atrix, único outro smartphone com processador dual-core no mercado nacional, grava em HD (720p), mas não em Full HD. 

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Visão traseira, sem a tampa. Câmera (à direita) tem 8 MP e flash

Embora não haja uma porta HDMI integrada ao corpo do aparelho, é possível ligar o Galaxy S II a uma TV de alta-definição usando um adaptador “MHL” vendido separadamente. Ele é plugado à porta USB na base do aparelho, e na outra ponta traz um conector HDMI tradicional.

Uma omissão que pode ser importante para alguns: o Galaxy S II não tem sintonizador de TV Digital, que segundo a fabricante foi excluído para acelerar o lançamento do aparelho: nosso sistema de TV Digital é único no mundo, o que acarreta um longo processo de adaptação e certificação. O Rádio FM continua presente.

Por fim, uma curiosidade: nosso Galaxy S II tomou um belo tombo enquanto gravávamos o vídeo do "unboxing", batendo na mesa e em um tripé antes de aterrissar com a cara no chão. Depois de alguns segundos de apreensão, ficamos aliviados ao notar que ele não sofreu um arranhão sequer. Um dos segredos é o vidro frontal, o resistente "Gorilla Glass". Não estamos dizendo que ele pode sobreviver a abusos como um Motorola Defy, mas ele não deve se sair mal nos acidentes do dia-a-dia.

Software

O Galaxy S II roda o sistema operacional Android 2.3.3 combinado à interface TouchWiz 4.0, desenvolvida pela própria Samsung. Assim como a TouchWiz 3.0 do Galaxy S, ela lembra bastante um híbrido de Android e iPhone, e traz cinco telas iniciais personalizáveis com widgets e atalhos para seus aplicativos preferidos.

São duas opções de teclado virtual: o popular Swype, que permite a digitação simplesmente traçando o caminho entre as letras que compõem uma palavra, o que acelera o processo, e um teclado tradicional chamado de "Samsung Keyboard". Graças ao tamanho da tela, é muito fácil digitar com velocidade e sem cometer erros. 

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Interface TouchWiz 4.0 combina widgets e atalhos para aplicativos, com um "toque" de iPhone

A Samsung também inclui no aparelho vários aplicativos próprios, de utilitários como um calendário (levemente modificado em relação ao original do Android), gravador de voz e programa de e-mail a editores de fotos e vídeo, um pacote Office (Polaris Office) e três “portais” de conteúdo: o Reader’s Hub, com livros, jornais e revistas, o Social Hub, para integração com redes sociais, e o Game Hub, com jogos para o aparelho. 

Curiosamente, há dois aplicativos da Livraria Cultura que não fazem parte do Reader’s Hub: um leitor de eBooks e uma loja online. Notamos uma peculiaridade na loja: há alguns livros, como “Memorial de Maria Moura”, de Raquel de Queiroz, que custam mais em eBook (R$ 35) do que na versão “Pocket Book” impressa (R$ 19,90). 

A Samsung também inclui no aparelho sua própria loja de aplicativos, a Samsung Apps. Só não entendemos o motivo: fora alguns aplicativos próprios da empresa, não há nada entre os 86 títulos que não possa ser encontrado no Android Market.

Continue lendo e saiba mais sobre a câmera e os recursos multimídia »

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Multimídia

Assim como o seu antecessor o Galaxy S II tem um reprodutor de vídeo customizado, muito superior ao encontrado em qualquer outro smartphone. A começar pelos formatos de arquivo suportados: MP4? MKV? DiVX em HD (720p) com som 5.1 em AC3? Nada disso é um problema, e o Galaxy S II os reproduz com maestria.

Eu falei em som 5.1? Sim, ele é capaz de simular som 5.1 usando fones de ouvido convencionais, com um efeito bastante convincente. Legendas também não são um problema, estejam em arquivos separados (como no popular formato .SRT), ou embutidas no vídeo (em um arquivo .MKV).

É possível controlar até a tonalidade de cor durante a reprodução, escolhendo entre cores normais, frias ou quentes num menu. E um modo de “visibilidade diurna” aumenta o brilho e saturação da imagem, para que ela seja visível mesmo sob a luz direta do sol.

O “modo mosaico” do Galaxy S, que gerava uma série de miniaturas do vídeo a intervalos regulares e as arranjava em um mosaico, permitindo pular imediatamente para um certo momento do filme tocando na miniatura correspondente, não existe mais. Em seu lugar há um sistema de busca rápida: basta deslizar o dedo sobre a timeline e o vídeo avança na velocidade correspondente. É possível avançar através de um filme de duas horas em menos de um minuto, e localizar um ponto exato com precisão. 

O reprodutor de músicas tem suporte a playlists, sete perfis de equalização pré-definidos além de equalização manual e cinco opções de efeitos de áudio, incluindo reforço dos graves. Um “widget” permite controlar a reprodução na lockscreen, sem a necessidade de desbloquear o aparelho. É algo que a Google deveria incluir no Media Player padrão do Android.

Fotos e vídeo

Como é tradição em aparelhos da Samsung, os recursos de fotografia são excelentes. A câmera de 8 MP faz excelentes fotos sob a luz do sol e há uma grande variedade de recursos, de temporizador e detecção de faces a modos de cena para situações específicas.

O recurso de fotos panorâmicas encontrado no Galaxy S também está presente no Galaxy S II, mas apesar da câmera melhor e processador mais potente, não foi aprimorado. Embora seja possível combinar até 8 imagens em uma foto só, a resolução vertical de apenas 416 pixels torna as imagens inúteis como qualquer outra coisa além de uma mera brincadeira na web. Uma pena.

Nas fotos noturnas a qualidade cai bastante, como é de praxe em smartphones. É notável a presença de ruído, mesmo em locais iluminados. O flash ajuda um pouco, mas lembre-se de manter pelo menos 1 metro de distância do que deseja fotografar, ou a luz branca deixará a imagem “lavada”. 

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A mesma cena, fotografada de dia e à noite sem flash. Clique para ampliar

Já no quesito vídeo o Galaxy S II é capaz de gravar vídeos em Full HD (1080p, 30 quadros por segundo), com duração limitada apenas pelo espaço disponível no cartão de memória. Assim como nas fotos, quanto mais luz, melhor a qualidade da imagem, com os melhores resultados sendo obtidos ao ar livre em dias ensolarados.

Notamos que durante a gravação de vídeo o Galaxy S II analisa constantemente a cena e ajusta automaticamente o foco, mas que em cenas com pouca luz às vezes faz isso na hora errada e demora para voltar ao ajuste correto, borrando a imagem. Isto pode ser visto em nosso vídeo de unboxing do aparelho, por volta de 01:00.

Vale mencionar que o Galaxy S II vem com editores de imagens e vídeos, permitindo que você retoque suas criações no próprio aparelho. O “Editor de fotografias” permite ajustes básicos como rotação, recortes, ajuste de saturação, brilho e contraste e a aplicação de alguns efeitos especiais e molduras. Já o “Criador de vídeo” permite que você combine fotos, vídeos e músicas em um videoclipe personalizado, e inclui seis temas para auxiliar na criação.

Continue lendo e saiba mais sobre o desempenho e duração da bateria »

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Desempenho

Medir o desempenho em um smartphone é complicado, como já mencionamos durante nosso review do Motorola Atrix. Números são sempre interessantes, mas o que importa no final das contas é a sensação que o aparelho passa ao usuário no dia-a-dia. De nada adianta um processador dual-core se o navegador leva vários segundos para iniciar, ou se a rolagem de uma página web engasga: para o consumidor isso significa que o aparelho é “lento”.

Felizmente isso não acontece no Galaxy S II. Aplicativos abrem instantâneamente, transições são suaves e não há momentos de espera. Vídeo e jogos em Flash, o calcanhar de Aquiles de todos os smartphones que já passaram por nossas mãos, não são problema. Pela primeira vez vimos a versão em Flash de Canabalt, um jogo bastante popular, rodar tão bem quanto a versão nativa para o iPhone.

Também testamos vídeos em Flash em HD (720p), que rodaram com perfeição, sem nenhum engasgo ou perda de quadros. Para nós o fato de um smartphone Android “rodar Flash” nunca foi uma vantagem prática sobre o iPhone, pois o desempenho sempre deixava a desejar. O Galaxy S II é o primeiro modelo onde o recurso realmente funciona como deveria.

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Navegação na web, mesmo com conteúdo em Flash, não é problema

Ainda assim, números são uma ferramenta útil, especialmente na comparação entre dois aparelhos. Nosso parâmetro é o Galaxy S original, também rodando Android 2.3.3 (com uma atualização oficial da Samsung), que foi lançado há menos de um ano. O primeiro benchmark é o SmartBench 2011, que mede o desempenho do aparelho tanto no quesito “produtividade”, com operações típicas dos aplicativos usados no dia-a-dia como acesso a arquivos, cálculos e afins, quanto em “games”, calculando o desempenho em gráficos 3D.

No primeiro quesito o Galaxy S obteve 966 pontos, contra 3.866 do Galaxy S II. Mais de três vezes superior, e bem além de nossa estimativa inicial: após uma “conta de padeiro” esperávamos algo na casa dos 2.400 pontos, levando em conta a pontuação do modelo original mais 20% por causa do aumento de clock, com o resultado multiplicado por dois por causa do número de processadores. O Exynos não só é mais rápido que o Hummingbird, mas também é mais eficiente, executando mais operações por ciclo.

Em outro benchmark, o Quadrant, que testa o desempenho do sistema como um todo, de operações de cálculo a gráficos 3D, a diferença foi similar: 979 pontos para o Galaxy S, 3.199 pontos para o Galaxy S II. Já no Linpack, que avalia o poder da CPU em cálculos matemáticos ao determinar quantos milhões de operações em ponto flutuante (MegaFLOPs, ou MFLOPs) ela pode executar em um segundo, foi mais gritante: 17 MFLOPs para o Galaxy S, e 55 para o Galaxy S II. Mas isso com apenas um núcleo do processador: com os dois o Galaxy S II salta para 81 MFLOPs, quase cinco vezes o desempenho do modelo original.

O Galaxy S II também se destaca no desempenho gráfico: a GPU Mali 400MP integrada ao processador tem em teoria desempenho similar à GPU nos processadores NVidia Tegra 2, e é mais poderosa que a PowerVR SGX540 usada no Galaxy S. No benchmark Neocore o Galaxy S II chegou aos 59.7 FPS (Frames Per Second, quadros por segundo), contra 55.5 do Galaxy S original. No Nenamark 1 foram 59.8 FPS, contra 49.2 do original. Infelizmente não temos números comparativos do Nenamark 2, já que a versão atual não roda no Galaxy S com Android 2.3. O Galaxy S II chegou a 36.9 FPS.

A única discrepância ficou no Smartbench 2011 na categoria Games: o Galaxy S II chegou a 2168 pontos, contra 2307 pontos do Galaxy S original. Como isso vai contra todos os nossos outros resultados e contra as expectativas de desempenho da GPU Mali 400MP, atribuímos a baixa pontuação a uma anomalia no Smartbench 2011. Entramos em contato com os desenvolvedores, mas ainda não obtivemos resposta.

Bateria

De nada adianta um smartphone poderoso se ele não tem autonomia para chegar ao fim de um dia de trabalho. A Samsung equipou o Galaxy S II com uma bateria de 1650 mAh, maior que a de 1500 mAh de seu antecessor. Combinado ao baixo consumo de energia do novo processador, o resultado é uma autonomia maior.

Em nosso teste deixamos a tela no brilho automático e desligamos Bluetooth e o GPS. Ao longo de um dia usamos a conexão 3G para navegar na web por cerca de uma hora, tiramos 10 fotos, fizemos upload delas (totalizando 21 MB) para um álbum na web usando uma conexão Wi-Fi, baixamos vários aplicativos do Market (também via Wi-Fi), fizemos quatro chamadas curtas (cerca de 5 minutos no total) e deixamos o aparelho em “stand by” durante o restante do dia, conectado a uma rede Wi-Fi e com atualizações do Twitter e GMail em segundo plano. Com isso chegamos ao fim de 12 horas de uso com 17% de bateria restantes, o que dá uma autonomia total estimada em cerca de 14 horas. Nada mal.

Também testamos a autonomia assistindo a um filme de cerca de 2 horas (1 hora e 54 minutos, para ser exato) com o brilho da tela no modo automático, Wi-Fi e GPS desligados e conectados à rede de telefonia (ou seja, sem ativar o modo avião), com atualizações de Twitter e E-mail em segundo plano via 3G.

Com isso o consumo de bateria foi de apenas 22%, o que nos permite estimar uma autonomia de 8 horas e 20 minutos reproduzindo vídeo. Acreditamos que ativando o modo avião (que desabilita todas as inferfaces de comunicação) e reduzindo o brilho da tela para 25% (ainda assim brilhante o suficiente) não será difícil chegar às 10 horas.

Notamos uma coisa durante nossos testes de autonomia: a tampa traseira do aparelho esquenta consideravelmente logo abaixo da lente, especialmente durante sessões prolongadas de navegação via 3G. Não chega a ser perigoso, mas é algo com o qual não conseguimos nos acostumar, mesmo já tendo visto acontecer em outros aparelhos (como o Milestone da Motorola).

Conclusão

Durante nossos testes, em nenhum minuto o Galaxy S II deixou de arrancar suspiros de admiração de todos ao seu redor, seja pelo hardware excepcional, pela bela e enorme tela, pelo desempenho exemplar ou pela autonomia de bateria apesar de tudo isso. Não é à toa que a Samsung já vendeu 3 milhões de unidades do aparelho no mundo todo em menos de 2 meses após seu lançamento. 

Os únicos contras que conseguimos encontrar foram a ausência do sintonizador de TV digital (o que aliás é a norma no mercado de smartphones Android, e não a exceção) e o preço de R$ 1.999. É alto, mas é menor do que o do Galaxy S original quando chegou ao mercado nacional há menos de um ano, custando R$ 2.399.

Com um salto tão grande em apenas um ano, ficamos imaginando como será um futuro Galaxy III, e o que as outras empresas irão preparar para superar a “máquina” da Samsung. O futuro promete ser muito interessante.

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