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Samsung Galaxy S III: “o Rei está morto, longa vida ao Rei!”
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Samsung Galaxy S III: “o Rei está morto, longa vida ao Rei!”

Com hardware de primeira e um conjunto sofisticado de software com recursos únicos, aparelho da Samsung toma por mérito o título de melhor smartphone no mercado.

Rafael Rigues*

Foto:

Os smartphones da família Nexus, da Google, são os “garotos-propaganda” do Android. São sem dúvida excelentes aparelhos, os primeiros a receber novas versões do sistema e mostram tudo o que elas tem a oferecer. Mas quem ocupa o maior espaço nas páginas da imprensa especializada e arranca suspiros dos consumidores é outra família, a série S dos Galaxy, da Samsung. 

Em 2010 o Galaxy S foi o primeiro smartphone Android a competir em pé de igualdade com o iPhone 4, da Apple, e mais tarde acabou servindo de base para o Nexus S da Google. Em 2011 foi a vez do Galaxy S II, com uma tela maior, câmera melhor e processador dual-core, que aclamei como “o rei dos smartphones” e governou absoluto durante a maior parte do ano.

Por isso a expectativa por seu sucessor, o Galaxy S III, era grande. E o silêncio da Samsug durante as duas principais feiras de tecnologia do ano (a CES em Las Vegas e o Mobile World Congress, em Barcelona), aumentou ainda mais os rumores e especulação.

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Samsung Galaxy S III: nas cores branca ou "azul"

O aparelhou foi finalmente anunciado em um evento exclusivo em Londres no início de maio, e menos de um mês depois chegou ao Brasil. E não desaponta: equipado com hardware excepcional (incluindo um poderoso processador quad-core e uma tela HD de 4.8 polegadas) e software de ponta (Android 4.0) complementado com recursos exclusivos desenvolvidos pela Samsung, ele redefine o que é um smartphone “top” e merece o título de melhor aparelho atualmente no mercado. Continue lendo para saber o porque.

Hardware e design

A versão nacional do Galaxy S III é baseada em um processador Exynos 4212 quad-core de 1.4 GHz, desenvolvido pela própria Samsung, acompanhado por 1 GB de RAM. A memória interna, de 16 GB, pode ser expandida com cartões microSD. A tela tem resolução HD (1280 x 720 pixels) e 4.8 polegadas, com tecnologia Super AMOLED HD e recoberta por um painel de Gorilla Glass 2, mais resistente a riscos e impactos que o Gorilla Glass usado no Galaxy S original e Galaxy S II.

Há duas câmeras, uma traseira de 8 MP com Flash para fotos, que também é capaz de gravar vídeos em Full HD, e uma frontal de 2 MP para videochamadas. Também há uma interface Wi-Fi 802.11 a/b/g/n (ou seja, compatível com todos os padrões Wi-Fi atualmente no mercado) e uma interface Bluetooth 4.0. O Galaxy S III tem Rádio FM mas, como seu antecessor, não tem um sintonizador de TV digital.

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Galaxy S III sem a tampa traseira: bateria removível e slots para cartões microSD (indicado em azul) e microSIM (em vermelho)

Já no design o Galaxy S III lembra muito o Galaxy Nexus, mas sem a curvatura da tela que é marca registrada dos aparelhos com a grife da Google. Apesar da tela de 4.8 polegadas, o S III não é muito maior que o Galaxy S II ou que um Motorola RAZR, ambos com telas de 4.3 polegadas. São no total 13,6 x 7 x 8,6 mm, com peso de 133 gramas.

É um aparelho grande, mas não chega a ser “grande demais” como um Galaxy Note e se encaixa bem nas mãos. Se você gosta do tamanho do Galaxy Nexus, vai se sentir à vontade com o Galaxy S III. Se acha o aparelho da Google grande demais, terá a mesma opinião sobre o aparelho da Samsung.

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Galaxy S III (à esquerda) e Galaxy S II. A diferença no tamanho é pouca

O Galaxy S III está disponível em duas cores: uma branca e uma que a Samsung chama de “Pebble Blue” no exterior e “Grafite” aqui no Brasil. É um azul acinzentado, com um toque metálico, muito elegante. 

Software

O Samsung Galaxy S III é um dos primeiros smartphones Android no mercado nacional que vem com a mais recente versão do sistema, a 4.0 “Ice Cream Sandwich”. Sobre ela a fabricante adiciona a já tradicional interface TouchWiz, usada desde o Galaxy S original.

Nesta versão ela ganhou um tema “natural”, com efeitos como o som de pingos d´água quando você toca na tela. São sete telas iniciais personalizáveis com ícones e widgets ao gosto do usuário, e a Lockscreen pode conter atalhos para acesso rápido a aplicativos como a câmera ou mensagens. O compartamento e visual da interface são mais próximos do Android “limpo” do que nas versões anteriores, o que deve agradar os puristas.

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Interface TouchWiz no Galaxy S III: mais próxima do Android "puro"

A Samsung inclui com o sistema um conjunto variado de aplicativos. Há a loja de aplicativos Samsung Apps, além de apps como o S Memo, uma versão do “bloco de notas” usado no Galaxy Note. O S Sugest é um sistema de recomendação de aplicativos, e permite que você e seus amigos troquem sugestões usando redes sociais como o Facebook. Já o Ch@tOn é um sistema de bate-papo multiplataforma, que permite a troca de mensagens entre aparelhos (Android ou iOS, não importa o fabricante) sem que você tenha que pagar por SMSs. E o Galaxy S III vem com um brinde interessante: 50 GB de espaço online no serviço Dropbox, gratuito por 2 anos, para você armazenar o que quiser. Se adquirido de forma avulsa, o serviço custaria US$ 99,00 anuais.

O Android  4 tem um recurso chamado Android Beam, que permite transferir facilmente pequenas quantidades de dados, como uma URL ou um contato da agenda, entre dois aparelhos: basta aproximá-los. O Samsung Galaxy S III vai além disso e implementa o S Beam, que permite a transferência em alta velocidade de arquivos maiores, como fotos em alta resolução, vídeos e músicas, entre dois Galaxy S III (e, por enquanto, só entre eles).

Funciona de forma muito simples: basta abrir o arquivo que você quer compartilhar e aproximar os dois aparelhos. Nesse momento o hardware NFC (Near-Field Communications - Comunicação por Proximidade) “sente” a aproximação e estabelece uma conexão Wi-Fi direta entre eles, sem necessidade de um roteador ou rede. A mensagem “Toque para transmitir” aparece na tela do “remetente”, e basta tocar sobre o arquivo e separar os aparelhos para iniciar a transferência. Enviamos um vídeo de 95 MB em cerca de 40 segundos, ou seja, uma taxa de transferência de cerca de 18 Mbit/s. Nada mal.

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S Beam: transferência de arquivos em alta velocidade entre dois aparelhos

Infelizmente um dos destaques do Galaxy S III, o assistente pessoal S Voice, está ausente no modelo vendido no Brasil. O motivo é simples: o S Voice ainda não é capaz de interpretar comandos em português. Segundo Michel Piestun, Vice-presidente de Telecom da Samsung Brasil, o software está sendo adaptado ao nosso idioma, e estará disponível a todos os aparelhos como uma atualização de software distribuída mais tarde.

Mas encontrei uma cópia do S Voice escondida em meio ao catálogo da loja de aplicativos Samsung Apps. Ele não aparece numa busca pelo nome, mas aparece na categoria Top / Grátis. Essa versão do programa funciona, mas só entende (e responde) a comandos em inglês, alemão, espanhol, francês, italiano e coreano.

Se você fala um destes idiomas, poderá usar o S Voice para ditar mensagens SMS, consultar a previsão do tempo, encontrar o caminho até determinado local, fazer pesquisas na web, criar compromissos e tarefas, postar mensagens no Twitter, tocar músicas, ligar e desligar recursos do aparelho e muito mais.

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S Voice responde às suas perguntas, mas por enquanto só em inglês (ou italiano, ou espanhol, ou coreano...)

Em um teste rápido, o programa respondeu bem tanto a perguntas diretas (como “What is the weather for today?”, algo como “Como está o tempo hoje”) quanto a indiretas como “Do I need an umbrella?” (“Preciso de um guarda-chuva?”), embora tenha tido alguns problemas com a pronúncia: para iniciar o cronômetro o usuário precisa dizer “Start”, mas não importava o que eu dissesse o aparelho entendia como “Stop”. Os resultados de buscas na web apareceram mais rapidamente do que no Siri em um iPhone 4S, o que é bom. Faremos um teste mais detalhado do S Voice quando ele passar a falar português.

Multimídia e Câmera

O Media Player é tradicionalmente um dos pontos fortes dos smartphones da família Galaxy, e o Galaxy S III não foge à regra. O suporte a formatos de vídeo é excelente, e não tive problemas em tocar vídeos em MKV, MP4 ou AVI (DiVX), mesmo em alta-resolução ou com legendas externas (no formato .SRT). A “visualização por capítulo” divide o filme em trechos de aproximadamente 2 minutos cada e exibe na tela um mosaico com miniaturas: basta tocar numa delas para avançar até o trecho correspondente. 

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Com o mosaico no Video Player, fica fácil encontrar um trecho de um filme

Um toque interessante: ao listar os arquivos, o Media Player não se limita a miniaturas estáticas de cada clipe. Em vez disso, ele mostra um trecho animado de cada arquivo. Parece algo bobo, mas é impressionante quando você nota que ele está fazendo isso com seis vídeos em HD simultâneamente. 

O Galaxy S III marca a estréia da loja de vídeos da Samsung, chamada de Video Hub. Lá o usuário pode comprar ou alugar filmes para assistir no smartphone ou em uma TV conectada a ele. Os preços variam de acordo com o título: Lanterna Verde custa R$ 17,99 para compra, ou R$ 6,99 para locação, mas “A Origem” (Inception) custa R$ 12,99 para compra e R$ 3,99 para locação.

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Video Hub: venda ou locação de filmes

O pagamento é feito via cartão de crédito, e após alugar um filme o usuário tem 48 horas para assistí-lo, contadas a partir do momento em que o vídeo é reproduzido pela primeira vez. Já os filmes comprados não tem limite de tempo. Os arquivos contém um sistema de proteção anti-cópia, ou DRM.

A câmera é outro ponto de destaque da família Galaxy, e novamente o S III justifica o nome. O sensor de 8 MP permite gravar vídeos em Full HD (1080p) com boa qualidade e faz fotos excelentes sob a luz do sol: as cores são vivas, e tanto nitidez quanto contraste são ótimos. Fotos noturnas sofrem perda de qualidade, como esperado, mas mesmo sem flash o ruído fica sob controle (oposto exato do que aconteceu com o Galaxy X). O software é recheado de ajustes e opções, de detecção de faces a um modo HDR nativo.

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Exemplos de fotos feitas com o Galaxy S III. Clique para ampliar

Dois dos destaques da câmera são os modos “Burst”, que captura 8 imagens a 8 MP cada em cerca de três segundos, com apenas um toque na tela, e “Best Photo”. Neste, as 8 imagens são exibidas na tela, uma após a outra, para que o usuário possa escolher a melhor. Feita a decisão, ela é salva e as outras são descartadas. São recursos ótimos para fotografia de animais de estimação e crianças pequenas que, por via de regra, nunca param quietos e se recusam a olhar para a câmera.

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Best Photo permite escolher qual de oito imagens ficou melhor

Outro modo interessante é o Buddy Photo Share. A câmera é capaz de identificar rostos em suas fotos e relacioná-los às fotos de seus contatos na agenda. Com isso ela pode sugerir, assim que a foto é feita, que você a compartilhe com os amigos que aparecem nela. 

Desempenho

Com um processador quad-core a 1.4 GHz e 1 GB de RAM, eu não esperava pouco do Galaxy S III no quesito desempenho. E mesmo com a expectativa alta ele ainda conseguiu me surpreender. No AnTuTu, nosso benchmark padrão para smartphones Android, ele chegou a 12.045 pontos. Ele não só é o smartphone mais rápido que já passou por nossas mãos, como é o Android mais rápido que já vimos, superando todos os concorrentes por uma ampla margem. O Samsung Galaxy S II e o Motorola RAZR, que eram os antigos detentores do título entre os smartphones, ficam na casa dos 6 mil pontos. Mesmo o Samsung Galaxy Note, que consideramos um tablet e era até então o melhor aparelho no geral, não passa dos 6.500 pontos.

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Galaxy S III teve o melhor desempenho que já vimos nos benchmarks

Com todo esse poder de fogo, o Galaxy S III é capaz de alguns “truques de salão” bastante impressionantes. O Media Player, por exemplo, permite que você continue assistindo um vídeo em uma janelinha flutuante enquanto faz outras coisas, como navegar na web ou responder a um e-mail. Mas o susto vem quando você nota que o Galaxy S III consegue reproduzir vídeo em HD e rodar um jogo pesado ao mesmo tempo, sem perda de qualidade ou desempenho em nenhuma das tarefas. Não é um recurso muito útil no dia-a-dia, mas é garantia de queixos caídos onde quer que seja exibido.

O aparelho também se sai muito bem ao rodar jogos. Grand Theft Auto III roda com perfeição, mesmo com todos os ajustes de qualidade, resolução e distância de desenho do cenário no máximo. E N.O.V.A. 3, o mais recente shooter da Gameloft, surpreende com gráficos belíssimos cheios de efeitos como partículas, profundidade de campo, luz e sombra em tempo real e muito mais, lembrando muito um jogo de um console como o PlayStation 3 ou Xbox 360.


N.O.V.A. 3, da Gameloft, no Galaxy S III: gráficos lembram um console doméstico

Como todo smartphone moderno, o Samsung Galaxy S III esquenta um pouco quando está sob uso intenso. A temperatura pode chegar aos 36 ºC na parte inferior da tampa traseira, onde ficam os slots para os cartões SD e microSIM. São 8 ºC a mais que na parte superior. Uma diferença notável, mas de forma alguma desconfortável ou perigosa.

Autonomia de bateria

A autonomia de bateria também é uma boa surpresa. A bateria de 2100 mAh é maior que a média de outros aparelhos do mercado, uma necessidade considerando os quatro núcleos do processador e a imensa tela HD.

Em nosso teste de reprodução de vídeo, com o aparelho em modo avião e brilho da tela em 50%, o Galaxy S III aguentou cerca de 8 horas e 20 minutos. Já no uso no dia-a-dia foram cerca de 20 horas de uso, considerando aí 2 horas e meia de navegação via 3G, atualização constante em segundo plano de e-mails e redes sociais e algumas chamadas e fotos. Você não terá muitos problemas em chegar ao fim de um dia típico de trabalho com carga de sobra.

Vale mencionar que para quem quer uma autonomia ainda maior o Galaxy S III tem um modo de economia de energia bastante sofisticado, que entre outras coisas reduz o consumo da tela (reduzindo o brilho e taxa de atualização, mas de forma quase imperceptível) e limita a velocidade do processador a 1 GHz, entre outros ajustes. Com isso é possível conseguir algumas horas extras, sem prejuízo visível na experiência de uso. 

Conclusão

O Galaxy S III foi lançado no Brasil no início de junho por R$ 2.099, mas já pode ser encontrado em grandes lojas, desbloqueado, por R$ 1.889. São R$ 110 a menos que um iPhone 4S de 16 GB, a medida contra a qual todos os smartphones são comparados.

Por esse valor você leva um processador muito mais rápido, uma tela maior e com melhor resolução, uma excelente câmera, boa autonomia de bateria e um conjunto de software muito sofisticado. Quem procura um smartphone superpoderoso, e pode arcar com o preço, não tem no mercado nacional opção melhor que o Samsung Galaxy S III

*Agradeço aos amigos Hélio Castro, por ceder o segundo Galaxy S III para o teste com o S Beam, e Rafael Silva, pela dica de onde encontrar o S Voice

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