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Samsung Galaxy S mostra o verdadeiro poder do Android
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REVIEW

Samsung Galaxy S mostra o verdadeiro poder do Android

Com hardware de primeira e excelente desempenho, aparelho chega para desafiar o reinado do iPhone 4

Rafael Rigues, PCWorld Brasil

Foto:

Esquanto escrevia o review do Samsung Wave, há cerca de dois meses, não pude deixar de pensar: “É uma pena que a Samsung não tenha usado o Android”. Baseado em um sistema operacional desenvolvido pela própria Samsung (o Bada OS) e com hardware de primeira o Wave é um senhor smartphone, mas o novo sistema sofre de uma falta crônica de aplicativos em sua loja online, o que limita a versatilidade.

Parece que a Samsung ouviu meus pensamentos. O Samsung Galaxy S pega tudo o que o Wave tem de bom (como a incrível tela Super AMOLED e o processador de 1 GHz), deixa ainda melhor (com recursos inéditos como TV Digital) e amarra o pacote com o Android 2.1, uma das mais recentes versões do sistema operacional da Google.

O resultado é um aparelho excepcional, que se destaca não só entre os concorrentes produzidos por outros fabricantes como é capaz de competir diretamente com o cobiçado iPhone 4, atual “queridinho” no mundo dos smartphones. Continue lendo e descubra porquê.

Hardware

Vamos ser francos: ao olhar para o Samsung Galaxy S é impossível não pensar “iPhone 3GS!”. Frente preta dominada pela tela e com poucos botões, cantos arrendondados, borda metalizada... até a posição dos botões de volume na lateral esquerda é a mesma. Ele é maior, medindo 12,2 x 6,4 x 0,9 cm, mas consegue ser mais leve: 119 gramas, contra 134 gramas no iPhone 3GS e 137 gramas no iPhone 4.

Provavelmente o motivo é a escolha de materiais: o iPhone usa aço inoxidável e painéis de vidro, enquanto o Galaxy S é inegavelmente de plástico. Ainda assim, ele não passa uma sensação de fragilidade: pelo contrário, tem uma aparência muito elegante.

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Se por fora o Galaxy S se parece com um iPhone, por dentro se parece com o Samsung Wave: a configuração-base, com processador de 1 GHz e 512 MB de RAM é a mesma. Wi-Fi, GPS, Bluetooth, bússola eletrônica e acelerômetros estão presentes. A câmera também tem 5 MP, mas não tem Flash, e há uma câmera frontal secundária para auto-retratos e videochamada (como no "FaceTime" do iPhone 4). A memória interna agora é de 8 GB (6 GB disponíveis ao usuário, 2 GB usados para o sistema operacional), expansível com cartões micro SD de até 32 GB.

A tela cresceu, de 3.3 para 4 polegadas, com a mesma tecnologia Super AMOLED que impressiona a todos que a vêem. Contraste excelente, ângulos de visão perfeitos, cores vivas que saltam aos olhos e nitidez sem igual. É difícil voltar a um smartphone com uma tela LCD “convencional” após usar o Galaxy S por apenas algumas horas.

Em comparação direta com o tão falado “Retina Display” do iPhone 4 notamos que a tela do Galaxy S ganha em contraste e saturação de cor, mas perde (não por muito) no quesito brilho máximo. Nada que prejudique seu uso no dia-a-dia.

Software

O Samsung Galaxy S roda uma interface própria desenvolvida pela Samsung, que o deixa com a mesma aparência (e comportamento) do Wave. Ela pega emprestados vários conceitos do iPhone OS e do Android e os “tempera” com algumas idéias próprias, então qualquer um que já tenha usado um aparelho com estes sistemas irá se adaptar rapidamente. 

São ao todo sete telas iniciais que podem ser personalizadas com ícones e widgets, além de uma “dock” fixa na parte de baixo da tela com atalhos para o discador, lista de contatos, lista de mensagens e menu de aplicativos (que a Samsung chama de aplicações). Aqui persiste um problema que já se manisfestava no Wave: os widgets da Samsung tomam espaço demais na tela. O “Daily Briefing”, por exemplo, exige uma tela inteira, mesmo que só use metade dela para exibir informações. Outro problema é que a Dock não é personalizável.

A Samsung incluiu no sistema o teclado Swype, que promete mais agilidade através de um novo método de digitação: em vez de tocar letra a letra, o usuário passa o dedo sobre a tela, traçando um “caminho” entre elas. O conceito pode soar um pouco estranho, mas depois que você se acostuma (o que não demora mais do que alguns minutos) realmente a digitação fica mais rápida. E graças ao tamanho da tela o teclado virtual tradicional é bastante espaçoso, tanto nos modos paisagem quanto retrato, o que favorece a velocidade de digitação e precisão.

Fora a interface e o teclado, a Samsung mexeu pouco no Android. Há alguns aplicativos extras pré-instalados, como um cliente de e-mail da própria Samsung, gravador de voz, bloco de notas, o “Escrever e Enviar” que permite postar uma mensagem em várias redes sociais ao mesmo tempo, o navegador de realidade aumentada Layar e um cliente próprio de mensagens instantâneas (Samsung IM).

É curiosa a presença de uma loja de aplicativos própria, a Samsung Apps, além do tradicional Android Market. Curiosa porque enquanto a loja do Google tem mais de 100 mil aplicativos disponíveis, a da Samsung tem apenas cinco. Não, você não leu errado: são cinco mesmo. Pelo menos há entre elas uma versão gratuita do excelente jogo Asphalt 5 (também presente no Wave) 

Continue lendo para saber mais sobre multimídia, desempenho e duração de bateria

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Multimídia

Na multimídia, o principal destaque do Galaxy S é seu sintonizador de TV Digital: ele é o primeiro smartphone no Brasil a oferecer este recurso. A antena retrátil fica armazenada no canto superior direito do aparelho, e nos pareceu um tanto quanto frágil.

A tela, grande e vibrante, é ótima para TV. Além de assistir aos programas também é possível gravá-los no cartão de memória para assistir depois como em um videocassete, capturar imagens, consultar um guia de programação e habilitar legendas (closed caption).

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TV Digital: é possível gravar os programas no cartão de memória

Os programas podem ser gravados em formato MP4 no cartão de memória, o que facilita sua transferência para o PC ou outros aparelhos. Uma característica interessante é que é possível deixar a TV rodando “em segundo plano”, apenas com áudio, enquanto se navega na internet ou usa qualquer outro programa.

A câmera tira ótimas fotos em ambientes ensolarados, mas a qualidade cai com o nível da luz. Em ambientes internos e dias nublados elas perdem um pouco de nitidez e tendem a ter as cores um pouco “lavadas”, e à noite ou em ambientes escuros tem ruído excessivo e péssima nitidez. Pra piorar, com o maior tempo de exposição necessário para capturar uma imagem é muito fácil “borrar” uma foto noturna, mesmo com o estabilizador de imagem ligado e a câmera parada. (Veja exemplos de fotos em tamanho natural em nossa galeria no Flickr, em http://miud.in/b9B)

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Close em dia ensolarado: cores e nitidez ótimas

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Detalhe de foto noturna: quase não dá para distinguir os prédios

Como em todo smartphone/câmera da Samsung, há um grande número de opções de fotografia, de modos de cena para situações específicas (paisagem, retrato, noturno, etc) a modo para fotos panorâmicas (onde até 8 imagens são combinadas em uma só, ótimo para paisagens) e um modo de “auto-retrato” que usa a câmera frontal. Após tirar uma foto ela pode ser facilmente compartilhada, seja via e-mail ou através de serviços como o Picasa.

O Samsung Galaxy S também grava vídeos em alta-definição (1280 x 720 pixels), onde se comporta exatamente da mesma forma que na fotografia: ótimas imagens sob a luz do sol, que diminuem de qualidade de acordo com a iluminação ambiente.

Desempenho e Bateria

Com um processador de 1 GHz, em nenhum momento o Samsung Galaxy S deixou a desejar. Ele não para, não engasga e não te deixa esperando: responde imediatamente aos toques na tela, rola longas páginas web cheias de imagens sem titubear, roda jogos exigentes (como Asphalt 5) com perfeição e abre os aplicativos, no geral, em um instante.

Na reprodução de vídeo, por exemplo, ele não teve nenhum problema em tocar um arquivo em resolução HD (1280 x 720 pixels). Nem para lidar com múltiplos programas abertos ao mesmo tempo. Emuladores de consoles do passado como NES (Nesoid) e Megadrive (Gensoid) rodam sem lentidão, com resposta rápida nos controles e áudio e vídeo em perfeita sincronia.

Para o teste de bateria deixamos o brilho da tela no máximo, ligamos o Wi-Fi (procurando redes constantemente) e o GPS e usamos o aparelho no dia-a-dia. Tiramos meia dúzia de fotos, fizemos algumas chamadas curtas, usamos como roteador Wi-Fi compartilhando a conexão 3G com um iPad durante uma hora, navegamos na web por cerca de outra hora e meia e deixamos o aparelho baixando constantemente e-mails e mensagens do Twitter.  Neste perfil “perdulário” a bateria aguentou aproximadamente 12 horas, uma marca muito boa. 

Em um perfil muito mais conservador (Wi-Fi desativado, brilho da tela no automático, economizador de energia ativado, apenas uma chamada e pouco uso de 3G) o aparelho consumiu apenas 30% da bateria após nove horas longe da tomada, para uma autonomia estimada em 30 horas.

Na prática o Samsung Galaxy S consegue passar por um dia de trabalho com uma só carga da bateria sem problemas, algo raro entre os smartphones mais poderosos no mercado. Um recurso interessante do Android 2.1 é um painel que diz o que mais consome bateria. No caso do Galaxy S é a tela, com 51% do consumo total de energia.

Veredicto

Apesar do tropeço na câmera, o Samsung Galaxy S merece figurar entre os melhores smartphones Android atualmente no mercado, e sem dúvida é o melhor no mercado nacional. O desempenho é excepcional, a tela é imbatível, a autonomia de bateria é muito boa e a versatilidade do sistema operacional Android significa que o usuário não terá dificuldade em adaptá-lo ao seu gosto e suas necessidades. 

Infelizmente, o preço é proporcional à qualidade do aparelho: salgadíssimos R$ 2.399, preço sugerido pelo fabricante sem subsídios da operadora. Isso é quase R$ 400 a mais que um iPhone 3GS com 32 GB de memória (nas mesmas condições).

Para vencer o iPhone e ter sucesso no mercado o Samsung Galaxy S terá de competir não só em recursos, mas também em preço. Que comecem os jogos!

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