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Samsung Galaxy Tab: concorrente do iPad ou smartphone gigante?
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Samsung Galaxy Tab: concorrente do iPad ou smartphone gigante?

Tablet da Samsung tem hardware poderoso e vários truques na manga, incluindo um sintonizador de TV. Mas falta de software feito “sob medida” incomoda.

Rafael Rigues, da PC World Brasil

Foto:

Já à venda no Brasil, o Samsung Galaxy Tab é um tablet com sistema operacional Android que é frequentemente apontado como o primeiro concorrente sério do iPad, da Apple. Em termos de hardware ele supera seu adversário em vários quesitos, trazendo recursos como sintonizador de TV, duas câmeras, memória expansível e a capacidade de funcionar como smartphone. Mas hardware não é tudo.

Assim como jogos são decisivos para o sucesso de um console, software é decisivo para o sucesso de um smartphone ou Tablet. E o próprio Diretor de Produtos Móveis da Google, Hugo Barra, já admitiu que o Android 2.2 “Froyo” (sistema usado no Galaxy Tab) não é otimizado para tablets.

Daí surge a dúvida: será o Galaxy Tab um tablet de verdade, ou ele não passa de um smartphone gigante? Continue lendo para descobrir.

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Design

É difícil fugir do “Visual Tablet” padrão, mas a Samsung conseguiu destacar seu produto dos demais. A frente do Galaxy Tab é preta, assim como as bordas laterais, e a tampa traseira do modelo que testamos é branca. O aparelho pesa 380 gramas, mede 19 x 12 x 1,2 cm e é muito fácil de carregar por aí: fechado em seu case de plástico (que acompanha o aparelho) ele se parece com uma pequena agenda, e pode ser segurado com apenas uma mão sem cansar.

Abaixo da tela há quatro botões sensíveis ao toque com as funções padrão do Android: menu, home, back e search. Na lateral direita ficam o botão de liga/desliga e trava da tela e o controle de volume. Na parte de baixo, o conector de 30 pinos para o cabo de alimentação/dados e os alto-falantes. Há uma entrada para fones de ouvido no canto superior esquerdo.

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Galaxy Tab: frente preta, traseira branca

Durante o uso, notei alguns probleminhas de ergonomia. Em primeiro lugar, por causa do acabamento liso da frente e da traseira o Tab tende a escorregar quando segurado na horizontal com apenas uma das mãos.

O segundo problema é que, quando segurado na horizontal, a posição mais natural para um dos polegares é justamente sobre os botões sensíveis ao toque o que obriga o usuário a mudar a "pegada" se não quiser acionar menus e atalhos acidentalmente.

Ambos podem ser amenizados com o uso da capinha inclusa na embalagem. Sobre ela, outra curiosidade: ela abre da esquerda para a direita, o contrário do que estamos acostumados a ver em livros e revistas no ocidente.

Hardware

O hardware do Galaxy Tab se parece muito com o do Samsung Galaxy S. Ambos são baseados em um processador ARM de 1 GHz com 512 MB de RAM. O Tab tem 16 GB de memória Flash interna, expansível com cartões microSD. A tela tem a mesma resolução da tela do iPad, 1024x600 pixels, embora seja fisicamente menor, com apenas 7 polegadas. 

O tablet da Samsung tem modem 3G e usa SIM Cards convencionais, os mesmos de seu telefone, sem malabarismos. E tem duas câmeras, uma primária de 3 MP com flash e autofoco e uma secundária de 1.3 MP, frontal, para videochamadas. Usando um headset Bluetooth ou fones de ouvido com microfone (ambos inclusos na embalagem) o Tab também vira um smartphone, capaz de fazer e receber chamadas.

Também há um sintonizador de TV, como em seu irmão menor Galaxy S. Aqui tivemos uma surpresa: além de TV digital ele também sintoniza as transmissões de TV analógica, ampliando em muito a lista de locais onde seu Tablet pode funcionar como um televisor portátil.

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O Tab sintoniza TV Digital e Analógica, e grava os programas em cartão de memória

Infelizmente a Samsung copiou um mau-hábito da Apple: o Tab não tem portas USB, e a transferência de dados entre o aparelho e o PC e a recarga da bateria são feitas usando um cabo proprietário com conector de 30 pinos numa ponta e um conector USB na outra. Perca este cabo e seu Tab só terá mais algumas horas de vida até a bateria se esgotar e ele virar um peso de papel, pelo menos até você encontrar um substituto

Aplicativos

No coração, o Galaxy Tab nada mais é que um smartphone Android com tela grande. E esse é o principal "problema", a falta de aplicativos otimizados para tirar proveito dela.

A Samsung inclui no aparelho alguns aplicativos próprios, como um navegador web (com suporte a flash), cliente de e-mail, agenda, calendário, bloco de notas, gerenciador de arquivos, dicionários de espanhol e português e mais. Também há ênfase na leitura, com aplicativos para ler e-Books e 16 livros da Livraria Cultura pré-instalados.

Mas fora estes há quase nenhum programa "para tablet" no Android Market. Para ser preciso encontramos uma meia-dúzia, entre eles o navegador Dolphin Browser HD e jogos como Radiant HD, EVAC HD, e títulos da Gameloft como Asphalt 5 e Hero of Sparta.

Temos que levar em conta que o Galaxy Tab rodou muito bem a maioria dos aplicativos "para smartphone" encontrados no Android Market, do cliente oficial para o Twitter até simples calculadoras. Em último caso, se um aplicativo não consegue se adaptar ao tamanho da tela ele roda em seu tamanho natural, centralizado na tela e cercado por uma borda preta.

Ainda assim, a sensação é de desperdiçar aquela tela enorme com programas feito para uma tela pequena. Não há nenhuma diferença entre rodar o aplicativo oficial do Twitter, por exemplo, em um Galaxy S ou no Galaxy Tab. 

» Continue lendo e saiba mais sobre desempenho, multimídia e autonomia de bateria

++++

Desempenho

Esperávamos que o Samsung Galaxy Tab tivesse ao menos o mesmo desempenho de seu irmão menor, o Galaxy S. Talvez até um pouco melhor, já que o sistema operacional Android 2.2 traz um ganho considerável de desempenho sobre a versão 2.1. Mas na prática, ficamos levemente desapontados.

Em vários momentos vimos o Galaxy Tab “engasgar” na rolagem de páginas, coisa que não acontece em seu rival da Apple. O problema é mais comum em páginas web com muitas imagens ou animações em Flash, mas também aconteceu quando tentamos rolar um documento longo no ThinkFree Office.

Isso não prejudica o uso do aparelho, mas considerando que a rolagem de páginas e documentos é uma das atividades mais comuns em um tablet, é estranho que o Galaxy Tab tropece justamente em um ponto tão visível. 

A reprodução de vídeos e animações em Flash, um dos principais trunfos do Tab em relação ao iPad, também deixou a desejar. Mesmo vídeos do YouTube com baixa resolução (360p) sofrem com perda de quadros. Aliás, habilitar o plugin Flash deixa o navegador inteiro mais lento.

E apesar de contar com um player “nativo” de YouTube, capaz de reproduzir vídeo em alta qualidade sem problemas, o navegador insiste em carregar primeiro a versão em Flash dos vídeos. Esse é um problema comum a todos os aparelhos Android compatíveis com Flash, que prejudica a experiência do usuário e causa uma má-impressão.

Mas isso não quer dizer que o Galaxy Tab seja uma carroça. Ele lidera o páreo entre todos os aparelhos Android que já passaram por nossas mãos em benchmarks como o Quadrant e o Linpack, toca vídeo em alta-definição (720p) com perfeição e é um excelente videogame, seja para jogos antigos em emuladores como o Gensoid (que permite rodar jogos do Megadrive), títulos casuais como Angry Birds ou jogos sofisticados como Asphalt 5 e N.O.V.A.

Multimídia

A câmera traseira de 3 MP do Galaxy Tab tira fotos decentes para algo em sua categoria, mas não espere aposentar sua câmera doméstica. As imagens tendem a ter as cores “lavadas”, e o menor movimento no objeto sendo fotografado resulta em borrões na imagens. Fotos noturnas tendem a ter bastante ruído, e o flash “lava” os objetos mais próximos da lente. 

O Galaxy Tab também grava filmes com resolução de até 720 x 480 pixels (D1, mesma de um DVD). O sintonizador de TV integrado (exclusividade no modelo nacional) é capaz de captar tanto as transmissões de TV analógica quanto TV Digital e permite gravar seus programas favoritos na memória interna ou em um cartão de memória. Ou seja, além de uma “TV portátil”, ele também é um videocassete portátil.

O reprodutor de vídeo é bastante versátil, e não tivemos problemas para reproduzir clipes em formatos como DiVX e MKV, tanto em resolução “padrão” (640 x 480 pixels) quando em HD (1280 x 720 pixels). Há suporte a legendas no popular formato SRT, basta que elas estejam no mesmo diretório que o filme e tenham o mesmo nome, mas com a extensão .srt (exemplo: filme.avi e filme.srt). 

Já o reprodutor de áudio conta com um útil “widget” que permite controlar a música mesmo com a tela inicial “bloqueada”. Assim, não é preciso desbloquear a tela e abrir o reprodutor só para saber o nome da música que está tocando.

Bateria

A autonomia de bateria do Galaxy Tab é estimada pela Samsung em 7 horas de uso contínuo. Nós o testamos em um cenário mais realista, em uma longa viagem de ônibus em um fim de semana. Deixamos o controle de brilho no automático, desligamos o Wi-Fi, deixamos o GPS ligado e o aparelho sempre conectado a uma rede 3G.

Baixamos cerca de 20 MB de arquivos via 3G, navegamos na internet por 30 minutos enquanto ouvíamos música, assistimos 40 minutos de vídeo em alta-definição, usamos o Tab durante uma hora para escrever parte deste review (enquanto ouvíamos música) e como MP3 Player durante outras 4 horas. Durante todo o período o aparelho constantemente buscava por novas mensagens em uma conta do GMail e em outra do Twitter.

O Galaxy Tab chegou ao fim das 6 horas e meia de viagem com 38% de bateria restantes. Ou seja, neste perfil de uso podemos estimar a autonomia da bateria em cerca de 10 horas. Nada mal.

Nosso veredito

O Galaxy Tab é um excelente gadget, mas sofre com a falta de software que explore todo o seu potencial. Em vários momentos a sensação de “isso é um smartphone gigante” é clara. Os problemas na reprodução de conteúdo em Flash são irritantes, mas comuns a todos os smartphones Android atualmente no mercado.

Quem comprá-lo hoje não irá se decepcionar, mas não podemos deixar de imaginar no que ele poderá se transformar quando os desenvolvedores de software começarem a explorar todos os seus recursos. Ficaremos de olho.

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