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Sony-Ericsson Xperia Play: um smartphone para falar e jogar
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Sony-Ericsson Xperia Play: um smartphone para falar e jogar

Com um gamepad completo e capaz de rodar jogos de PlayStation, aparelho se sai bem como videogame portátil, mas também é um smartphone competente no dia-a-dia.

Rafael Rigues

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Recém-lançado no mercado nacional, o Sony-Ericsson Xperia Play (também conhecido pelo apelido “PlayStation Phone”) é o primeiro smartphone Android projetado sob medida para jogar. A idéia de um aparelho que combine telefone e videogame não é nova: a Nokia tentou (e fracassou notoriamente) em 2003 com o N-Gage, e a Ericsson brincou com a idéia em 2001 com um projeto de codinome “Red Jade”, que nunca chegou às lojas.

Com o sucesso do iPhone e smartphones Android e suas lojas de aplicativos cheias de bons jogos a preços baixos, o conceito voltou a ganhar força. O problema é que embora os aparelhos atuais sejam poderosos o suficiente para rodar jogos capazes de superar em qualidade os disponíveis em consoles portáteis (como o PSP e o Nintendo 3DS), faltam controles otimizados para jogos. E embora as telas sensíveis ao toque ofereçam mais flexibilidade, e acelerômetros e sensores tragam novas possibilidades de interação, o consenso entre os gamers é que nada substitui um bom gamepad.

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Sony-Ericsson Xperia Play: gamepad integrado é o principal destaque

E este é o ponto forte do Xperia Play: um gamepad deslizante, escondido sob a tela, com os mesmos botões e layout usados em um PlayStation. Combine a isso um hardware poderoso e um catálogo cheio de jogos de grandes fabricantes e ele rapidamente se torna objeto de interesse de gamers no mundo todo. 

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O Hardware

O Xperia Play é baseado na mesma plataforma de hardware dos irmãos Xperia Arc e Xperia Neo: um processador Qualcomm Snapdragon (MSM8255) de 1 GHz, acompanhado de uma GPU Adreno 205 e 512 MB de RAM. Isso o torna, ao menos por enquanto, o console portátil mais poderoso da atualidade, batendo o 3DS da Nintendo e o PSP da Sony.

Em comparação ao Xperia Neo a tela é maior (4 polegadas), mas a câmera é inferior: são 5 MP (com Flash) em vez dos 8 MP do Neo. O aparelho vem acompanhado de um generoso cartão microSD de 16 GB para armazenamento de suas fotos, vídeos, músicas e, claro, jogos, algo que é uma exclusividade do mercado brasileiro: no exterior o cartão tem apenas 8 GB.

Temos que admitir: o Xperia Play não é smartphone mais fino e leve do mercado. Ainda assim, não é nenhum tijolo: são 119 x 62 x 16 mm e 175 gramas de peso, não muito mais que um Milestone 3. A tela tem ótima nitidez e fidelidade de cor, mas não é das mais brilhantes que já vi. Isso não causa nenhum problema dentro de casa, no carro ou no escritório, mas é muito difícil enxergar as imagens ao ar livre, sob a luz do sol, o que complica a vida de quem gosta de fotografar, por exemplo.

O design é praticamente idêntico ao do PSP Go, segunda “encarnação” do portátil da Sony, e cai muito bem nas mãos. O gamepad fica escondido debaixo da tela, como o teclado de um Motorola Milestone, e segue o mesmo layout dos controles de um PlayStation: direcional, quatro botões de ação (triângulo, quadrado, círculo, cruz), dois gatilhos (L e R), duas alavancas analógicas (na verdade dois painéis sensíveis ao toque, no centro do gamepad) e botões Select e Start. 

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Xperia Play (à esquerda) e PSP Go (à direita): o parentesco é inegável

Os botões de ação são um tanto pequenos, mas respondem muito bem e não são nem firmes nem macios demais. O mesmo pode ser dito sobre o direcional e os gatilhos L e R, que se encaixam bem debaixo dos indicadores. É necessário um tempinho para se acostumar às alavancas analógicas, mas depois que você “pega o jeito” elas funcionam bem.

Estou acostumado aos controles virtuais utilizados nos atuais jogos para smartphones, e fiquei surpreso com a diferença que o gamepad do Xperia Play fez nas minhas partidas. Com o direcional os movimentos são mais precisos (especialmente em jogos de luta como Bruce Lee: Dragon Warrior), não há o risco de errar um golpe ou tiro por tocar na área errada da tela e não é mais necessário cobrir parte dela com os dedos. Além de permitir uma melhor visão do jogo, isso evita as infames marcas de dedo que emporcalham a tela.

Como smartphone

Quando usado como um smartphone, o Xperia Play é quase idêntico ao seu irmão Xperia Neo. O sistema operacional (Android 2.3.3) é o mesmo, com a mesma interface customizada pela Sony. O desempenho no dia-a-dia também foi igual, com a mesma agilidade seja aos responder aos toques na tela ou ao abrir e alternar entre aplicativos.

O mesmo pode ser dito do desempenho em nossos muitos benchmarks: as pequenas variações registradas podem ser atribuídas a tarefas rodando em segundo plano nos aparelhos e são insignificantes no dia-a-dia. Nos testes de desempenho gráfico, como o NeoCore, o aparelho chegou à impressionante marca de 60 FPS, 

A câmera de 5 MP do Xperia Play tem resolução menor que a do Xperia Neo, mas faz boas fotos, especialmente sob a luz do dia, com boas cores e nitidez e ruído sob controle, mesmo nas áreas mais escuras. Comparada a câmeras de aparelhos como o Nexus S, da Google, notamos que a câmera do Play traz mais detalhes nas áreas escuras, com contraste melhor.

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Exemplo de foto feita com o Xperia Play. Clique para ampliar

Na hora de gravar vídeos a resolução máxima é de 800x480 pixels, ou seja “definição padrão”. Apesar disso a qualidade de imagem é boa, e não notamos o “efeito gelatina” que estraga os vídeos em movimento feitos com o Neo.  

Notei duas coisas incomuns durante o uso do Xperia Play. Uma é que ele tem um sensor de luminosidade, usado para controlar o brilho da tela automaticamente de acordo com a luz ambiente, mas este recurso não pode ser desativado na tela de configuração. E ele é bastante agressivo, variando muito o brilho mesmo com um mínimo movimento do aparelho em uma sala iluminada com uma lâmpada fluorescente.

Outra coisa que notei foram problemas de sinal. O Play mostrou dificuldade em manter uma conexão 3G em locais com sinal fraco, frequentemente recorrendo a uma conexão 2G (EDGE) quando outros aparelhos, como um Nexus S, ainda se mantinham em 3G. Também notei uma demora para se reconectar a uma rede 3G depois que o sinal volta a estar disponível. Em um caso, após sair de uma estação do metrô o aparelho demorou 10 minutos para voltar ao 3G (embora tivesse se reconectado à rede de voz rapidamente), enquanto um Nexus S não levou nem um minuto.

O problema também se manifestou na conexão a redes Wi-Fi. Por mais de uma vez, em dois aparelhos diferentes, vi ele se conectar à rede mas reclamar de “conectividade limitada” e simplesmente não conseguir acessar a internet. Foi necessário desativar e reativar o Wi-Fi para resolver o problema. 

Vamos jogar?

O Xperia Play vem de fábrica com seis jogos pré-instalados (Bruce Lee: Dragon Warrior, FIFA 10, Star Battalion, The Sims 3, Tetris e Crash Bandicoot) e um jogo extra disponível para download gratuito (Asphalt 6). Ao deslizar o gamepad, surge automaticamente na tela um menu com os jogos disponíveis. E aí vem o susto: o menu só lista quatro jogos. Cadê os outros três? Eles existem mas não aparecem na lista, uma pisada na bola inacreditável da Sony-Ericsson. 

Tetris utiliza apenas a tela de toque do aparelho e por isso não aparece no menu, mas consta na lista global de aplicativos. Crash Bandicoot é um jogo de PlayStation, e por isso só aparece em um aplicativo próprio, o PlayStation Pocket. E Asphalt 6 é download, então para instalá-lo é preciso abrir o aplicativo “Obter jogos”, selecionar “Asphalt 6: Adrenaline HD FREE” na lista, baixá-lo no site do desenvolvedor (clicando no botão “Free Download”) e fazer a instalação, não sem antes entrar na tela de configuração do aparelho para habilitar a instalação de programas de fontes desconhecidas (ignorando o aviso de que isso pode colocar a segurança do aparelho em risco). Pra que simplificar, né?

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Menu lista os jogos instalados. Mas não todos...

Segundo a Sony já existem 100 jogos desenvolvidos ou otimizados para o Xperia Play. De franquias consagradas como Need for Speed, Battlefield, Pro Evolution Soccer, Dead Space e Assassin’s Creed, originárias dos consoles, a sucessos nascidos nos smartphones como Samurai II, Asphalt 6, Cordy e Gun Bros

Os preços são bastante acessíveis: um jogo de PSP custa cerca de R$ 70, mas títulos da Electronic Arts para o Xperia Play custam a partir de R$ 4,50, com versões de demonstração (limitadas a 60 minutos de jogo) gratuitas e opção de cobrança na conta de telefone no final do mês. Outras desenvolvedoras, como a Gameloft e a GLU Mobile, tem preços e sistemas de cobrança semelhantes. 

Só tenha em mente que você precisará de uma conexão Wi-Fi (e um pouco de paciência) para baixar os jogos: Asphalt 6 tem quase 500 MB, e a demo de Dead Space passa dos 200 MB.

O aplicativo “Obter jogos” ajuda a encontrar games, mas o usuário não precisa se limitar a ele: uma rápida busca por “Xperia Play” no Android Market rende muitos outros títulos, pagos ou gratuitos. Não posso deixar de mencionar que há vários emuladores de consoles clássicos como Megadrive (MD.emu), SNES (Snes9x EX), Gameboy Advance (Gameboid), NES (NES.emu) e PC Engine (PCE.emu), entre outros, que tem total suporte aos controles do Play, o que o torna o aparelho dos sonhos de qualquer fã de jogos antigos.

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O "PlayStation Phone" também pode virar um "MegaDrive Phone", um "SNES Phone"...

Infelizmente falta ao Xperia Play um jogo realmente exclusivo que chame a atenção do público. Praticamente todos os títulos já estão disponíveis em outros aparelhos Android ou saíram primeiro em concorrentes como o iPhone, com poucas exceções como as “exclusividades” temporárias de Backstab (Gameloft) e Minecraft. Para se ter uma idéia: um lançamento recente é Need for Speed: Hot Pursuit. É um jogaço, mas foi lançado em novembro do ano passado no iPhone.

Fica o recado para a Sony: vocês tem em suas mãos franquias como God of War e Gran Turismo. Que tal versões para o Xperia Play?

PlayStation? Onde?

Antes do anúncio oficial o Xperia Play foi durante muito tempo conhecido como o “PlayStation Phone”, e mesmo hoje a Sony-Ericsson faz questão de frisar que ele é o único aparelho “PlayStation Certified” no mercado. Um de seus destaques é a capacidade de rodar jogos da primeira geração do PlayStation, como Crash Bandicoot, que já vem pré-instalado. Mas de que adianta este recurso sem jogos?

Sim, vocês ouviram direito: Crash Bandicoot, um jogo de 1996, é o único jogo de PlayStation disponível no Xperia Play: basta abrir o aplicativo PlayStation pocket e conferir. Se você esperava jogar clássicos como Final Fantasy VII, Gran Turismo ou Metal Gear Solid no caminho para casa, vai ficar chupando dedo.

Acreditamos que a Sony-Ericsson irá corrigir este problema com mais títulos no futuro (alguns já estão disponíveis no exterior), mas quando perguntamos a Renato Cechetti, Gerente de Serviços e Aplicativos da Sony-Ericsson no Brasil sobre o cronograma de lançamentos e preços, tudo o que ouvimos foi que os usuários devem “aguardar novidades”.

Também falta integração à rede online da Sony, a PlayStation Network. No iPhone a Apple tem o Game Center, que permite que os usuários recomendem jogos, desafiem amigos e exibam sua pontuação e conquistas (“achievements”). Aparelhos com o Windows Phone 7 fazem o mesmo através da integração com a Xbox Live, a mesma rede online do Xbox 360. Já no Xperia Play isso fica a cargo do desenvolvedor de cada jogo, que pode ignorar o aspecto social, criar uma solução própria ou implementar uma plataforma já existente como a OpenFeint. Essa abordagem fragmenta os jogadores, e dificulta a criação de uma comunidade.

Bateria

Sob uso leve (cerca de 2 horas de navegação na web via 3G por dia, algumas fotos, poucas chamadas, aparelho em Stand-by durante a maior parte do dia, conectado a uma rede Wi-Fi e atualizando o GMail e Twitter) o Xperia Play mostrou uma boa autonomia de bateria. Não foi incomum chegar ao fim de um dia de trabalho, cerca de 13 horas de uso, com quase 50% de bateria restante, o que dá uma estimativa de 26 horas de autonomia.

E na hora de jogar o Xperia Play não desapontou. Estimamos a autonomia de bateria em cerca de seis horas e meia de jogatina, isso conectado às redes de telefonia e Wi-Fi. Em “modo avião”, com as interfaces de rede desligadas (como durante uma viagem), ela provavelmente será um pouco maior.

Veredito

A Sony é uma empresa gigantesca, composta por inúmeras divisões que nem sempre estão de acordo. A impressão que tenho é que a Sony-Ericsson (que cuida dos smartphones) realmente quis desenvolver um “console” digno do nome PlayStation, e não mediu esforços em todos os aspectos sob seu controle, como o hardware e o apoio dos desenvolvedores. Infelizmente a Sony Computer Entertainment (responsável pelo PlayStation) não gostou da idéia, já que o produto não é dela, e limitou o acesso às suas “jóias da coroa”: os jogos e a rede online.

Com isso, o Xperia Play se torna um “PlayStation Phone” quase sem PlayStation. E o preço de R$ 1.899 (sem subsídio das operadoras), torna a situação ainda mais complexa, já que o coloca quase no mesmo patamar de aparelhos muito mais poderosos e que rodam praticamente os mesmos jogos como o Samsung Galaxy S II, ou mesmo de aparelhos tão poderosos quanto, porém mais baratos, como o Galaxy S original ou mesmo o Xperia Neo.

E aí vem a pergunta: comprar um Xperia Play ou não? Se você é gamer e está procurando um novo smartphone, vai querer um. Mas se você é um jogador mais casual, a resposta depende de outra pergunta: quanto vale um gamepad para você?

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