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Sony VAIO Colors Touch: um notebook com um “toque” extra
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Sony VAIO Colors Touch: um notebook com um “toque” extra

Portátil traz Windows 8 e uma tela sensível ao toque. Mas será que os benefícios desta tecnologia compensam o preço?

Rafael Rigues

Foto:

Com a chegada do Windows 8 ao mercado, começam a chegar também computadores feitos sob medida para explorar os recursos do novo sistema operacional. É claro que tablets como o Microsoft Surface Pro, ou máquinas híbridas como o Lenovo Yoga, chamam a atenção, mas mesmo os notebooks “comuns” estão evoluindo. É o caso do Sony VAIO Colors Touch SVE14A27CBS (vamos chamar de “VAIO Touch” pra simplificar), que incorpora alguns recursos interessantes e antes encontrados apenas em tablets, como uma tela sensível ao toque e inicialização rápida.

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Sony VAIO Colors Touch SVE14A27CBS

Hardware

O VAIO que testamos, na cor prata e com detalhes em roxo, é parte da série E de portáteis da Sony. É baseado em um processador dual-core Intel Core i5-3210M de 2.5 GHz, membro da terceira geração de processadores Intel Core (também conhecida pelo codinome Ivy Bridge), acompanhado por 6 GB de RAM e um HD de 750 GB.

Numa era de Ultrabooks cada vez mais finos o VAIO Touch pode causar um choque, já que não é o notebook mais esbelto nas prateleiras. Mede 34,1 x 24,5 cm, tem 2,24 cm de espessura e pesa 2,4 Kg. A tampa em alumínio, com o logo VAIO em baixo relevo, é bastante elegante. Mas não se engane: praticamente todo o resto é de plástico. Ainda assim a construção é sólida, e não há nada rangendo ou se movendo quando não devia.

O teclado segue o estilo “ilha”, com teclas quadradinhas separadas umas das outras. O layout é o ABNT2 tradicional: a Sony não reinventou a roda nem mudou teclas de lugar, o que é muito bom. É facil deslizar os dedos sobre o trackpad, que responde muito bem ao toque e tem suporte aos gestos do Windows 8. Por exemplo, tocar na borda direita do trackpad e arrastar o dedo para a esquerda chama a barra de “Charms”, e o gesto inverso (da esquerda para a direita) alterna entre aplicativos.

As portas e conectores estão bem distribuídos pelas laterais da máquina. Na lateral esquerda há duas portas USB 3.0, uma porta Ethernet (rede cabeada), uma porta HDMI (para TVs de alta-definição), uma porta VGA (para projetores e monitores mais antigos) e o conector de força.

Na direita ficam os conectores para fones de ouvido e microfone, mais duas portas USB (2.0) e o drive óptico, um leitor/gravador de DVD. Fiquei um tanto desapontado com isso: dado o preço da máquina, a presença da saída HDMI e o fato de que estamos em 2013 esperava pelo menos um leitor de Blu-ray. Na frente, próximo ao trackpad, há um slot para o leitor de cartões de memória nos formatos SD ou Memory Stick.

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O sensor de luminosidade (destacado em amarelo) controla o brilho do teclado e da tela

Há alguns detalhes interessantes: acima do teclado, próximo ao botão “Eject” para abrir o drive de DVD, há um sensor de luminosidade. O teclado se ilumina automaticamente quando a máquina está em um ambiente escuro, e por padrão o sensor controla também o brilho da tela, reagindo rapidamente às variações de luz ambiente, o que ajuda a reduzir o consumo de energia.

A webcam é capaz de gravar imagens em alta-definição e, segundo a Sony, seu sensor de imagem tem a tecnologia “Exmor R for PC”, uma variante da que é usada em câmeras digitais e smartphones, o que garantiria “qualidade de imagem mesmo em ambientes com pouca iluminação”. Na prática ela realmente produziu imagens mais claras e com melhor fidelidade de cor e nitidez do que uma webcam HD típica, como é possível ver no comparativo abaixo. Mas ainda assim com bastante ruído.

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Webcam do VAIO realmente produz imagens melhores
do que as câmeras comuns. Clique para ampliar.

Uma das portas USB, identificada como o ícone de um raio, pode ser usada para carregar a bateria de smartphones mesmo com o notebook desligado. Mas antes é necessário ativar este recurso no VAIO Control Center (aperte o botão VAIO acima do teclado, e clique no item Hardware). 

Tela

O principal destaque do VAIO Touch é a tela de 14” com resolução de 1366 x 768 pixels, que tem boa qualidade de imagem no que se refere à nitidez, contraste ou fidelidade de cor. Ela é capaz de reconhecer até 10 toques simultâneamente, e responde prontamente a toques e gestos.

Infelizmente há alguns problemas, e o principal são os reflexos. A tela é tão boa em refletir o que está ao redor que quando desligada pode ser usada como um excelente espelho, e não estou brincando. Mesmo quando ligada e com brilho alto qualquer janela ou lâmpada nos seus arredores estará imediatamente visível. Isso acontece em parte devido ao espaço (tecnicamente chamado de “Air Gap”) entre a tela e o painel de vidro que a protege.

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Reflexos na tela do VAIO Touch são um problema

Outro problema é que, como toda tela sensível ao toque, ela logo ficará coberta por marcas de dedos. Olhe para a tela de seu smartphone depois de meia hora de uso e imagine-a com 14 polegadas para ter uma idéia. Ter um paninho ao lado da máquina é essencial. Pra piorar, seus dedos não serão as únicas coisas a marcar a tela: o teclado também deixa marcas, como é possível observar na foto abaixo.

A sensibilidade ao toque faz diferença no uso do Windows 8. Graças a ela ações com o mouse e atalhos de teclado são substituídos por gestos mais naturais, o que torna toda a experiência mais intuitiva. Entretanto, não espere substituir o mouse ou trackpad pela tela: esticar e recolher o braço várias vezes ao longo do dia para tocar nela acaba se tornando algo cansativo.

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Nas áreas em amarelo, marcas deixadas na tela pelo teclado. Em verde, uma
marca de dedo. Sim, isso é a tela e não um espelho. Clique para ampliar

No final das contas acabei adotando uma estratégia híbrida, usando o trackpad para mover o cursor e rolar páginas, e a tela de toque para operações menos comuns, como zoom, usar a barra de “Charms” ou abrir um submenu com mais opções em um aplicativo.

Software

O sistema operacional do VAIO Touch é o Windows 8. A Sony “pegou leve” no pacote de software pré-instalado, o que é bom: além de alguns utilitários específicos como o VAIO Update (para atualização de software), VAIO Control Center (para ajuste de parâmetros da máquina como o comportamento do sensor de luminosidade) e VAIO Gate (um lançador de aplicativos ao estilo Menu Iniciar) há o PlayMemories Home, para criação de apresentações combinando fotos e vídeos, uma versão de demonstração do Office 2010 e uma versão de demonstração do pacote de segurança Kaspersky Internet Security 2013, válida por 30 dias.

Desempenho e autonomia de bateria

O processador Intel Core i5 e os 6 GB de RAM garantem bom desempenho em quase qualquer tarefa, e o sistema operacional Windows 8 ajuda, já que é mais “leve” que seu antecessor. No uso típico no dia-a-dia não vi a máquina engasgar ou se arrastar para completar uma tarefa. O tempo de boot médio foi de 16 segundos, muito bom, e foram necessários apenas 3 segundos para “acordar” a máquina da hibernação (abrindo a tampa).

Um detalhe interessante no VAIO Touch é a presença de duas GPUs: a Intel HD Graphics 4000 é usada para tarefas menos exigentes como e-mail, processamento de texto e navegação web, e ajuda a economizar bateria pois tem consumo de energia menor do que a AMD Radeon HD 7670M com 1 GB de memória dedicada, que entra automaticamente em ação em situações que exigem alto desempenho gráfico.

É graças à Radeon que o VAIO Touch é uma máquina interessante para quem pretende jogar. Em testes com DiRT 2 consegui uma média de 37.8 FPS (quadros por segundo) na resolução nativa de 1366 x 768 pixels e qualidade gráfica média, com anti-aliasing (2xMSAA) e VSync habilitados. Em resolução HD (1280x768) foram 40.5 FPS em média, na mesma configuração. Ambos resultados bons para um portátil, e acima do mínimo de 30 quadros por segundo para que um game seja considerado “jogável”.

Ao contrário de outros portáteis que testei recentemente, não notei aquecimento excessivo no VAIO Touch, mesmo sob carga intensa. Nesse caso (durante jogos, por exemplo) o sistema de ventilação entra em ação, retirando o ar quente de dentro do computador através de aberturas na lateral direita. Nesse momento o ruído é bastante perceptível, mas sob uso normal a máquina é silenciosa.

A autonomia de bateria é estimada pela Sony em “até 4.5 horas”, mas varia de acordo com o uso. Em nosso teste de uso típico deixei a máquina nas configurações de fábrica (brilho da tela em cerca de 25%, com ajuste automático de acordo com a luminosidade) e a usei para navegar na web e editar textos, ouvindo música via streaming, enquanto conectado à internet via Wi-Fi durante todo o tempo.

Consegui cerca de três horas com uma carga, dentro do esperado mas uma marca que consideramos apenas aceitável. Vale mencionar que na configuração padrão o brilho da tela é muito baixo quando funcionando na bateria e você provavelmente irá querer aumentá-lo. Isso pode diminuir a autonomia.

Conclusão

Considerando o preço sugerido pelo fabricante, R$ 3.699, esperava um pouco mais do VAIO Colors Touch SVE14A27CBS. A autonomia de bateria poderia ser um pouco maior, e se tivesse um drive de Blu-ray ele seria boa opção para quem procura uma “central multimídia” portátil. 

Seu principal destaque, a tela sensível ao toque, funciona bem. Mas as vantagens limitadas no dia-a-dia e o problema com os reflexos não justificam o preço: a Sony tem um modelo praticamente idêntico ao que testamos mas sem a tela sensível ao toque, o SVE14A25CBS, por R$ 3.199. Uma bela diferença de R$ 500 e, em minha opinião, um melhor custo-benefício.

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