Imagem de fundo do header
Testamos o Acer C710-2859, o 1º Chromebook no Brasil
Home  >  Review
REVIEW

Testamos o Acer C710-2859, o 1º Chromebook no Brasil

Máquina promete acesso rápido e fácil ao melhor da web sem muitos dos incômodos associados a um computador tradicional. Mas será que dá pra fazer tudo online?

Rafael Rigues

C710_Abre-435px.jpg
Foto:

Os Chromebooks, portáteis baseados no sistema operacional ChromeOS, da Google, finalmente estão chegando ao Brasil, três anos após o primeiro protótipo ser apresentado nos EUA.

O primeiro modelo a desembarcar por aqui é o C710-2859, da Acer, um notebook com uma tela de 11.6” que promete acesso quase instantâneo ao melhor da web sem incomodar o usuário com atualizações de sistema, backups ou procedimentos de segurança que são necessários para proteger qualquer PC moderno de ameaças como vírus e worms.

Em troca da conveniência o usuário precisa adotar com convicção um estilo de vida completamente online, pois tudo, dos seus arquivos aos aplicativos, estará na rede. Será que essa idéia dá certo? E o que acontece “quando a internet cai”?

Design e hardware

Não há muito o que falar sobre design no C710, ele se parece com um notebook comum: tampa e área ao redor do teclado na cor grafite, borda do monitor e parte inferior em preto. Ele é compacto, mas não é especialmente pequeno, com 28 centímetros de largura, 20 de profundidade e 3 centímetros de espessura quando fechado, pesando 1,38 Kg. De fato, em uma espiada rápida a única coisa que entrega o fato de que ele é um Chromebook é o emblema no canto superior esquerdo da tampa.

c710_traseira-580px.jpg
O emblema na tampa é um dos poucos indícios de que o C710 não é um notebook comum

Olhando com mais atenção é possível notar algumas diferenças também no teclado. Em vez das teclas Windows à esquerda e direita da barra de espaços há duas teclas para buscas. A fileira superior do teclado, acima dos números, é “invertida” como nos MacBooks: por padrão tem teclas com atalhos para navegação (voltar, avançar, recarregar), controle de volume e de brilho, entre outros, que se comportam como as teclas de função tradicionais (F1 a F12) se a tecla Fn estiver pressionada. E algumas teclas pouco úteis mesmo em um PC comum, como Print Scrn/SysRq, Scroll Lock e Pause/Break foram eliminadas.

O teclado segue o estilo “ilha”, com teclas quadradas e isoladas, e é confortável, embora não siga o layout ABNT2 da vasta maioria das máquinas vendidas no Brasil, e sim um layout conhecido como US International. Isso significa que não há a tecla ç (digite ' e c para conseguir o caractere) e algumas outras teclas, como ~, ^, \ e | estão em posições diferentes. Mas não é difícil se acostumar. 

O trackpad retangular é grande, para facilitar o uso de gestos na interação com o sistema operacional, e responde bem aos comandos. Uma curiosidade é que o “clique” do trackpad é tratado exclusivamente como um clique do botão esquerdo, não importa em qual lado você clique. Para simular um clique com o botão direito é necessário dar um rápido toque com dois dedos ao mesmo tempo sobre o trackpad.

Na lateral esquerda do C710 há uma porta Ethernet (para rede cabeada), portas VGA e HDMI para conexão a projetores, monitores e TVs e uma porta USB. Na lateral direita há um conector para o carregador, duas portas USB e uma saída para um headset com microfone e fones de ouvido. Na frente do aparelho, no canto esquerdo, há um slot para cartões SD. A tela LCD de 11,6” tem iluminação LED e resolução HD (1366 x 768 pixels) e qualidade de imagem adequada. Acima dela ficam uma webcam e microfone para videochamadas. 

Por dentro o C710 é baseado em um processador Intel Celeron 1007U Dual-Core rodando a 1.5 GHz, acompanhado por 2 GB de RAM. Em vez de um HD tradicional há um SSD de 16 GB que é usado basicamente para o sistema operacional e “cache” local de aplicativos e documentos: a idéia da Google é que você armazene seus arquivos online, e para isso o Chromebook vem com 100 GB de espaço no Google Drive, gratuitos por dois anos.

O ChromeOS

Este é o ponto onde o C710 se diferencia dos notebooks tradicionais.O sistema operacional Chrome OS é baseado em um conceito que à primeira vista pode parecer radical: seu navegador (o Google Chrome) é o sistema operacional, e todos os aplicativos são na prática extensões do navegador ou serviços acessados através dele. 

O “desktop” parecerá familiar a qualquer um que já usou um PC com Windows nos últimos anos: papel de parede no fundo, alguns atalhos para aplicativos e um menu com mais apps (e um campo de busca) no canto inferior esquerdo da tela e indicadores de rede, bateria, relógio, layout de teclado e usuário no canto inferior direito.

c710_desktop-580px.jpg
Um desktop típico no ChromeOS. Clique para ampliar

Basta clicar no ícone de um app para abrí-lo, e é aí que vem a surpresa: o Google Docs é uma aba no Chrome. Google Maps idem. YouTube também. O mesmo vale para a ampla maioria dos apps disponíveis na Chrome Web Store. São poucos os apps que rodam fora do navegador, entre eles a Calculadora, o Hangouts e o Gerenciador de Arquivos.

Falando no Gerenciador de Arquivos, ele tem suporte básico a arquivos locais: conseguimos ver fotos e vídeos, e ouvir músicas, armazenados em um pendrive, mas não conseguimos abrir algumas imagens de alta resolução no formato JPEG (7712 x 4352 pixels, 9,2 MB cada) que foram consideradas como “grandes demais”. O armazenamento online no seu Google Drive é integrado com o armazenamento local (pasta Downloads) na mesma janela. 

c710_filemanager-580px.jpg
O gerenciador de arquivos se integra ao Google Drive, e permite visualizar
arquivos armazenados em cartões de memória e pendrives

Mas se todos os apps são serviços na web, o que acontece se não houver uma conexão à Internet? A resposta é: “depende”. Alguns apps, como o Google Docs, tem suporte ao modo offline: ele é capaz de armazenar localmente uma cópia dos arquivos nos quais você estava trabalhando recentemente e você poderá vê-los e editá-los. Quando a conexão à internet voltar, quaisquer mudanças que você tenha feito enquanto offline serão sincronizadas com a cópia online. 

Outros apps podem não funcionar (depende do desenvolvedor), e se isso é ou não um problema depende do app. Não importa se seu cliente Twitter não funciona quando você está offline, já que não dá pra “tuitar” sem uma conexão, mas um jogo que não funciona pode ser algo irritante.

A abordagem “completamente online” tem vantagens: o Google Chrome já é capaz de sincronizar extensões e favoritos entre cópias em diferentes máquinas, desde que elas estejam conectadas à mesma conta na Google, e apps e preferências do ChromeOS entram nesse sistema. Se você for diligente e mantiver todos os seus arquivos online em serviços como o Google Drive, Dropbox ou Box, isso significa que caso seu Chromebook seja danificado, perdido ou roubado, basta fazer login com seu usuário e senha do Google em uma outra máquina para ter todo o seu ambiente de trabalho de volta em questão de minutos.

c710_offline-580px.jpg
Alguns apps podem ser usados mesmo com a máquina offline

Outra vantagem é que o usuário não precisa se preocupa com atualizações de sistema e apps. As atualizações de sistema acontecem automaticamente em segundo plano, e como os apps são serviços na web, basta que seus desenvolvedores publiquem uma nova versão em seus servidores para ela estar imediatamente disponível a todos os usuários. Com isso eles não só tem acesso imediato a novos recursos, como também às mais recentes correções de segurança assim que elas forem desenvolvidas.

Falando em segurança, vale mencionar que como o ChromeOS não é compatível com os aplicativos escritos para Windows, não pode ser afetado pelos vírus e worms projetados para atacar o sistema operacional da Microsoft, embora os usuários ainda sejam vulneráveis a outras ameaças independentes de plataforma, como phishing.

Além disso a integridade do sistema operacional é verificada a cada boot, e caso ele tenha sido comprometido ou corrompido é automaticamente reinstalado a partir de uma cópia armazenada em uma partição segura, ou baixada da internet.

O que dá (ou não) pra fazer com um Chromebook?

Essa foi a pergunta que mais ouvi durante os testes, e a resposta é “dá pra fazer praticamente tudo o que você faz com um PC convencional”. Editar textos e preparar apresentações? Há opções como o Google Docs, o Zoho Docs e as Office Web Apps, versão online do Microsoft Office. Editar imagens? Experimente o Pixlr. Produzir um vídeo das férias? Use o WeVideo. Ouvir música? Há serviços com o Rdio e muitos outros. Assistir filmes e séries? Netflix. Jogar? É verdade que não há nenhum Battlefield ou Diablo, mas dá pra se divertir bastante com Bastion, RAD Soldiers, Sleepy Jack, Angry Birds, Cut the Rope e muitos outros. 

Na verdade a lista de limitações é bem pequena. Entre elas está a falta de suporte a Java no sistema operacional, o que pode limitar a compatibilidade com serviços de Home Banking que dependam desta tecnologia: consegui usar os serviços do Itaú e do Santander, mas não o da Caixa Econômica Federal. A falta de Java também impede que você use um Chromebook para fazer a declaração de imposto de renda, já que os programas da Receita Federal dependem desta tecnologia.

c710_radsoldiers-580px.jpg
RAD Soldiers: um dos jogos disponíveis para o Chrome e Chrome OS

Também não encontrei uma forma de acessar arquivos e pastas compartilhados por PCs com Windows na minha rede local e o suporte à impressão é, digamos, estranho: para imprimir é preciso usar uma impressora ligada à rede compatível com tecnologias como a HP ePrint ou o serviço Google Cloud Print: os documentos são direcionados a um PC convencional, que atua como intermediário e os redireciona para uma impressora conectada a ele.

O conceito tem algumas vantagens, como a capacidade de imprimir de qualquer lugar desde que o PC “intermediário” esteja conectado à internet. Você pode estar usando seu Chromebook em Moscou e direcionar um documento para uma impressora em sua casa em São Paulo ou numa filial da empresa no Rio de Janeiro. A desvantagem é a necessidade de um PC extra para imprimir ou de um investimento em uma impressora conectada.

Desempenho e autonomia de bateria

Os processadores Intel Celeron não são sinônimo de velocidade, mas o modelo usado no C710 se sai muito bem no dia-a-dia: não tive nenhum problema ao usar o Chromebook como substituto de meu PC (um desktop HP dx7500 com um processador Intel Core 2 Duo e 4 GB de RAM rodando o Windows 8.1) na minha rotina de trabalho, que inclui ao menos uma dúzia de abas do Chrome abertas a qualquer momento. Entre elas apps como o TweetDeck, IMO Messenger, Google Docs, Pixlr, o cliente web do Outlook, streaming de áudio via Sky.FM e mais.

O único momento onde a máquina mostrou algum sinal de cansaço foi ao rodar o jogo Bastion, que engasgou nas animações. Curioso, já que jogos com gráficos 3D mais sofisticados como Sleepy Jack e RAD Soldiers rodaram sem problemas.

Na autonomia de bateria o C710 foi apenas aceitável: conseguimos 3 horas e 47 minutos, com o brilho da tela a 50%, máquina conectada a uma rede Wi-Fi e usando o conjunto de aplicativos mencionado anteriormente. 

Um ponto digno de nota é o tempo de boot: entre apertar o botão de força e a tela de login foram necessários apenas 8 segundos. Depois de digitar minha senha, em menos de 2 segundos o sistema estava pronto para o uso. Já vi notebooks que levam muito mais tempo para acordar da hibernação.

Veredito

Uma máquina compacta, rápida e segura já é o bastante para chamar a atenção, mas infelizmente um dos principais atrativos dos Chromebooks ficou de fora na vinda ao Brasil: o preço. Nos EUA um Acer C720, sucessor do modelo que analisamos, custa US$ 249, pouco mais de R$ 580. Aqui o C710 custa R$ 1.299, preço pelo qual é possível encontrar um notebook tradicional com Windows. E entre um notebook “completo” e familiar e uma plataforma “limitada” e desconhecida, muitos usuários podem acabar preferindo a primeira opção.

Ainda assim, os Chromebooks merecem consideração: só a promessa de um sistema constantemente atualizado e livre de boa parte da constante manutenção necessária em um computador moderno já é o suficiente para tentar mesmo os geeks mais ferrenhos.

Será que é pra mim?

Se você não está certo de que um Chromebook irá atender às suas necessidades, faça um teste simples e sem compromisso: instale o navegador Google Chrome em seu computador e durante dois ou três dias tente realizar todas as tarefas usando apenas ele, os aplicativos da Chrome Web Store e serviços na web. Se conseguir, você já tem meio caminho andado para se tornar um adepto desta nova idéia em computação pessoal.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail
Vai um cookie?

A PCWorld usa cookies para personalizar conteúdo e anúncios, para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você aceitará o uso. Para mais detalhes veja nossa Política de Privacidade.

Este anúncio desaparecerá em:

Ir para o site